Sibipirunas e as pessoas que, afinal, não gostam da primavera

Todas as fotos: Flickr / Reprodução

Todas as fotos: Flickr / Reprodução

A sibipiruna é uma árvore alta e frondosa, que pode chegar a 28 metros de altura e seis metros de diâmetro de sua copa. Ela tem lindas flores amarelas, que costumam aparecer depois de agosto e podem estender-se até o final do verão. É a árvore mais comum em Belo Horizonte, segundo o inventário feito pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente, que catalogou 18.946 representantes dessa espécie na cidade.

Duas sibipirunas majestosas podem ser encontradas na porta da minha casa. Imensas, elas ultrapassam o prédio onde eu moro, que tem cinco andares. Suas raízes incontidas já quebraram parte do passeio.

sibipirunaFico feliz da vida toda vez que estou voltando para casa e, ao olhar para cima, vejo aquelas copas verde-e-amarelas. Quando olho para o chão, vejo o passeio totalmente coberto com as florezinhas amarelas, um verdadeiro tapete colorido.

sibipiruna2Infelizmente, nem todo mundo gosta desse carnaval da Natureza. Todas as manhãs, fazendo o caminho inverso, noto algumas donas-de-casa furiosas, “varrendo” as calçadas com a mangueira. Não podem ver as florezinhas ali, elas têm que ser escorridas pela boca-do-lobo, como se fossem algo nojento, sujo, poluído.

Mas são só florezinhas, minha gente!

 

Não vou nem comentar o descalabro de usar água potável da mangueira para varrer a calçada. Já falei muito disso por aqui. Mas acho espantoso alguém se perturbar tanto com esta prova de beleza da primavera. Por que é bonito ver aquelas fotos do outono canadense, com as ruas cobertas por folhas douradas, e é feio ver nossas próprias ruas, coloridas pelo tapete amarelinho das sibipirunas?

Me fez lembrar um desenho que publiquei aqui no blog há exatamente um ano. Por mais pessoas do primeiro tipo neste mundão!

Ilustração de Roberto Kroll

Ilustração de Roberto Kroll

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Eu sou o primeiro tipo, e você?

Vejam a ilustração de Roberto Kroll, que encontrei hoje no blog Árvores de São Paulo, do ambientalista Ricardo Cardim:

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Eu estava pensando sobre isso há poucos dias, quando passei pelo bairro Mangabeiras, em Belo Horizonte, e reparei em como as ruas estavam bonitas, todas pintadas do colorido das pétalas de ipês e outras flores. E quando uma amiga comentou que o quintal dela precisava ser varrido, mas estava bem mais bonito “sujinho” de folhas 🙂

Flor não suja, enfeita. Concorda? Então você é o primeiro tipo de pessoa também 😉

E aí vai uma seleção de posts para enfeitar seus olhos neste começo de fim de semana com feriadão:

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Os ipês roxos encantam as ruas de Beagá

Nesta época do ano, Beagá sempre nos encantava com seus ipês amarelos. Para qualquer ponto que se olhasse, lá estaria uma mancha amarela fortíssima, ensolarada, como uma estrela fincada na terra. Mas, neste ano, sabe-se lá por quê, os ipês amarelos deram lugar aos ipês roxos. E eles estão em todos os lugares, enchendo nossos olhos, floridíssimos!

Como já disse aqui, adoro ficar reparando na cidade quando fico parada no trânsito, seja por causa do sinal fechado ou de congestionamento. Geralmente, reparo nas placas, nos grafites e nos pedestres. Mas, há mais ou menos um mês, tenho reparado nos canteiros centrais e nas calçadas, cheios de ipês. E, quando surge uma oportunidade, aproveito para fotografar algumas dessas belezas.

Abaixo, uma foto que fiz na avenida Amazonas, num lugar cheio de prédios pichados, perto do lúgubre IML, num dia que estava nublado, mas que mesmo assim ficou enfeitado por duas árvores lindas que aparecem na moldura:

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Clique na imagem para vê-la em tamanho real. Foto: CMC

E você, andou vendo muitos ipês ultimamente? Fotografou algum? Envie para meu email, com o local e a data em que a foto foi tirada, e eu vou publicar aqui no blog 😀

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O céu e a árvore

Voltei pra Beagá há quatro meses e meio (o tempo voa!) e ainda não me canso de admirar algumas coisas da minha terrinha.

Como o céu impressionante que encontro até na poluída Contagem, numa tarde de trabalho qualquer:

(Todas as fotos: CMC)

(Todas as fotos de celular: CMC)

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Ou a árvore dando sopa da mesma região industrial:

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A cadeira cor de imbuia

Hoje eu estava saindo de casa quando vi uma enorme caixa de papelão deitada no corredor.

A própria presença desta caixa, embrulhada como se fosse um depósito de lixo, já me pareceu meio insólita.

Mas toda a minha curiosidade migrou de lugar no mesmo momento em que vi escrito: cadeira-da-marca-tal e, abaixo, uma lista de cores, com uma suposta cor marcada com um x.

“Imbuia”.

Palavra de que nunca ouvi falar nos meus 27 anos de vida. E não só isso: havia a (ou o?) imbuia, a/o imbuia mel e a/o imbuia premium!

O que estava marcado com um x era o tal imbuia premium.

Fiquei tentando imaginar que cor seria essa, quais seriam as diferenças entre as/os três imbuias e se a premium era tão melhor, para merecer esse adjetivo.

E a cadeira com cor tão sofisticada certamente não seria do modelo da minha mesa, que me deixa sempre com frio na barriga quando um amigo mais gordinho resolve se sentar, tamanha a fragilidade.

Devia ser uma cadeira grande, maravilhosa, de design finlandês, anatomia arrojada e super ergonômica.

Algo que merecesse a cor imbuia premium.

Imaginei quanto custaria uma dessas. Uns R$ 1.000? Mais até?

Comecei a olhar diferente para meus vizinhos de corredor, que moram no mesmo tipo de apê minúsculo que eu, como todos no prédio, mas têm condições de arcar com uma cadeira mais cara que o aluguel do mês.

Alguém ali deve ter ganhado na loteria e ainda não teve tempo de se mudar de casa.

Ou então está sendo cortejado por um namorado rico, que quis impressionar com um presente desse nível. Quem sabe um casal recém-juntado não ganhou de presente pelo matrimônio, dos aliviados pais?

Ou a cadeira pode ser uma herança do tio falecido… Não, mas aí ela não viria na caixa, já estaria desgastada pelos traseiros de várias gerações de parentes cansados e certamente a/o imbuia já perdera o vivo original, dando lugar a um desbotado pastel ou cinza.

E como seria um/a imbuia desbotado/a? Tenderia à cor de bufa, à de burro fugido ou à de jeans preto muito lavado?

Às vezes o/a imbuia é como o jeans: algo tão sintético que vira uma cor por si só, já que ninguém diz que jeans é azul-com-branco. Jeans é cor de jeans, e pronto.

Imbuia é imbuia, mais respeito!

Por fim, cansada de tanto pensar besteira, resolvi saciar minha curiosidade no povoado de cultura inútil que é o Google.

Que decepção.

Imbuia nada mais é que o bom e velho marrom!

E nem há um consenso sobre a tonalidade desse marrom, como existe com o bonina, com o azul-marinho e com o grafite. É uma confusão de marrons sendo denominados, injustamente, de imbuia, vejam só.

Logo escapei do Google e fui até um dicionário. Descobri, aí sim, que a imbuia (no feminino) é uma árvore, da família das Lauráceas — não uma cor.

Mas a poesia dos marketeiros, os mesmos que chamam os olhos da moça de cor-de-jambo e a roupa do gari de cor-de-laranja, permitiu a cor-de-imbuia (premium!) à cadeira do vizinho.

Que o móvel dure muito, ao contrário da árvore que o originou…