Eu sou o primeiro tipo, e você?

Vejam a ilustração de Roberto Kroll, que encontrei hoje no blog Árvores de São Paulo, do ambientalista Ricardo Cardim:

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Eu estava pensando sobre isso há poucos dias, quando passei pelo bairro Mangabeiras, em Belo Horizonte, e reparei em como as ruas estavam bonitas, todas pintadas do colorido das pétalas de ipês e outras flores. E quando uma amiga comentou que o quintal dela precisava ser varrido, mas estava bem mais bonito “sujinho” de folhas 🙂

Flor não suja, enfeita. Concorda? Então você é o primeiro tipo de pessoa também 😉

E aí vai uma seleção de posts para enfeitar seus olhos neste começo de fim de semana com feriadão:

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O fim da humanidade em 12 gerações?

Reprodução / Youtube

Reprodução / Youtube

Notícia boa: existem 3 trilhões de árvores em todo o planeta, uma média de 422 por pessoa, oito vezes mais do que se supunha até a divulgação desse novo estudo publicado na “Nature” nesta semana.

Notícia ruim: a cada ano, as atividades humanas destroem 15 bilhões de árvores e só reflorestam ou recuperam 5 bilhões. Desde o início da civilização, quase metade das árvores (46%) já desapareceram e, se o ritmo se mantiver como está, todas as árvores do planeta desaparecerão em míseros 300 anos!

Li um resumo no “El País”, que você pode acessar AQUI.

Seguindo a linha do post de ontem: durma-se com um barulho desses! Valeu, jornalistas, caros divulgadores, vocês contribuem com minha insônia e com minha lucidez, simultaneamente.

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O Plano de Energia Limpa de Obama. E o vento levou…

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Texto escrito por José de Souza Castro:

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, lançou na última segunda-feira, 3 de agosto, o Plano de Energia Limpa. O objetivo é combater o aquecimento global. Um dos pontos mais controvertidos do plano, que corre o risco de ser barrado no judiciário, é a meta de reduzir em 32%, até o ano 2030, em relação aos níveis de 2005, a emissão de carbono pelas termoelétricas movidas a carvão.

A oposição ao plano de Obama é liderada pelos republicanos, que têm maioria no Congresso dos Estados Unidos e pelo lobby da indústria de carvão. “The New York Times” informou que pelo menos 25 Estados deverão entrar com ação coletiva contra o plano. A indústria tradicional norte-americana tem sua principal matriz energética baseada no carvão. Os opositores dizem que os pobres serão os mais prejudicados e que o plano causaria o fechamento de centenas de usinas.

Mas Obama argumenta que as críticas são repetitivas e que “toda vez que os EUA fazem progresso fazem a despeito dessas críticas”. Para ele, o aquecimento global, negado por muitos, “não é opinião, é fato”. Diz que o plano trará melhoras na saúde da população e criará empregos. E incentiva o uso de energias alternativas, como a solar e a eólica.

Faltando um ano para as eleições presidenciais e quatro meses para a cúpula global sobre o clima, a ser realizada em dezembro, Obama tenta recuperar o tempo perdido em quase sete anos de governo.

Há um mês e pouco, durante visita da presidente brasileira aos Estados Unidos, Obama e Dilma Rousseff anunciaram um plano conjunto que não convenceu aos especialistas, que apontam que o Brasil não tem metas para cortar gases que provocam o efeito estufa.

Mas o Brasil está entre os que menos preocupam, em relação ao aquecimento global. Além de uma extensa área de matas e florestas, o país tem sua matriz energética baseada em fontes não poluentes, sobretudo a hídrica, como demonstra o quadro abaixo:

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Na última segunda-feira, enquanto Obama lançava seu plano, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) registrava que, da produção total no Brasil – de 58,7 MW médios naquele dia –, apenas 13,4 MW, ou 22,9% do total, vinham de usinas térmicas convencionais e nucleares, consideradas poluentes.

E no mesmo dia, o Brasil batia novo recorde de produção de eletricidade eólica (3.044 MW médios), alcançando 5,18% de toda a energia produzida no país. Considerando-se que no dia 3 de setembro do ano anterior os ventos respondiam por apenas 1.492 MW médios e, em 3/8/2013, por meros 524 MW, é indiscutível o avanço do país nessa área.

E deve avançar mais ainda. Hoje temos 258 usinas eólicas, e para o leilão marcado para o dia 21 deste mês, estão cadastrados 475 empreendimentos que somam 11.476 megawatts (MW). A meta é chegar ao ano de 2023 com a geração elétrica que provém dos ventos respondendo por 11% de nossa matriz energética.

Lembra aquele filme? “E o vento levou”… Para o plano de Obama, talvez o vento não leve a nada. Mas, no Brasil, pelo menos nessa área, apesar dos ventos uivantes que, em tantas outras, estão a produzir ruído e fúria, existe um vento soprando a nosso favor.

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A novela das capivaras e o prefeito que não pode ser babá

capivaras

Foto: João Godinho / O Tempo

 

Já faz tempo que prometi à Dri, leitora deste blog, escrever sobre uma novela que ronda os moradores de Belo Horizonte — e os turistas que passam pela cidade — há vários meses.

Mais especificamente, há 20 meses.

Foi exatamente no dia 4 de julho de 2013 que o jornal “O Tempo” publicou a primeira reportagem sobre a morte de Alysson Ribeiro de Miranda, de 42 anos, por falência múltipla de órgãos causada pela febre maculosa. Ele contraiu a doença passeando com a família por um dos pontos turísticos mais famosos de Belo Horizonte — o Parque Ecológico da Pampulha –, onde foi picado por um carrapato-estrela contaminado com a bactéria da febre maculosa. Esse carrapato é encontrado aos montes nas capivaras que povoam a orla da Lagoa da Pampulha. E foi aí que começou a novela.

No dia 28 de junho daquele ano, a Secretaria Municipal de Saúde foi notificada sobre a suspeita. No dia 5 de julho, após a notícia exclusiva sobre a morte de Alysson, a prefeitura disse que lançaria um edital de licitação para contratar uma empresa para solucionar o avanço das capivaras na orla da lagoa. A abertura da concorrência iria começar em um mês e a empresa iria atuar a partir de setembro de 2013, segundo reportagem do dia 9 de julho daquele já longínquo ano.

Não aconteceu nada disso. Em JANEIRO de 2014 — ou seja, passados seis meses da morte de Alysson e três meses do que seria o início do remanejamento previsto pela Prefeitura de Belo Horizonte — a gestão de Marcio Lacerda decidiu contratar uma empresa sem licitação, “para agilizar” o processo (!!!!). Segundo a reportagem de 24 de janeiro de 2014, a retirada das capivaras começaria em fevereiro daquele ano e levaria só 40 dias.

Guardaram a data e os novos prazos? Beleza. Acontece que, no meio-tempo, passados sete meses da primeira morte por febre maculosa, uma outra pessoa morreu infectada pelo carrapato contaminado presente nas capivaras: o estudante de engenharia Samir Assi, de apenas 20 anos. Ele contraiu a doença com uma inocente pedalada na orla da lagoa da Pampulha — passeio favorito de centenas de belo-horizontinos que lotam as ciclofaixas nos fins de semana.

Sem solução por parte da prefeitura, os moradores e frequentadores da Pampulha passaram a andar com medo e mudar seus hábitos.

Apenas no dia 31 de março de 2014 — ou seja, quando as capivaras já teriam que ter sido remanejadas, se a prefeitura tivesse cumprido o SEGUNDO prazo fornecido à população, em janeiro — uma empresa (Equalis Ambiental) foi contratada para realizar o serviço. Valor do contrato: R$ 182 mil. Desta vez, não arriscaram informar prazo para início dos trabalhos.

Até 9 de maio, a empresa contratada continuava mapeando o grupo de animais. Paralelamente, a prefeitura instalava placas alertando a população para o risco de carrapatos. “Verifique as roupas e o corpo cuidadosamente a cada três horas”, diziam as placas. Causaram pânico? Nããão, imagina.

Em julho, o jornal noticiou que as capivaras começaram a invadir jardins de casas da Pampulha, sem ninguém para retirá-las de lá. Naquele momento, a PBH aguardava liberação do Ibama para fazer o manejo dos animais. O Ibama também “brilhou” em agilidade: só liberou o manejo no dia 3 de setembro! A captura das capivaras só começou a ser feita 26 dias depois da liberação pelo Ibama. Até o dia 4 de novembro, das 250 capivaras que vivem no local, 43 tinham sido recolhidas. Menos de um quinto do total (17%). E foi comprovado que estavam mesmo cheias de carrapatos com bactéria da febre maculosa.

Em dezembro, a PBH informou que as capivaras seriam esterilizadas. No dia 26 de janeiro, a notícia era que a esterilização estava ainda “sem data para ocorrer”, dependendo de acordo com a UFMG.

Pra piorar, diante dessa morosidade da Prefeitura e do Ibama, um terceiro caso de febre maculosa foi detectado em janeiro deste ano. Desta vez, felizmente, não levou à morte. A vítima da vez era um garoto de apenas 15 anos. A resposta da prefeitura foi a distribuição de cartilhas.

No fim de janeiro, a aposta para combater o problema era o uso de um carrapaticida. De novo, o assunto morreu. Já estamos em março e o remédio ainda não foi aplicado. Pior: a última notícia que tivemos, no domingo, foi que as capivaras estão morrendo no cativeiro!

Então vamos ver se entendi bem: toda a burocracia, envolvendo licitação, dispensa de licitação, autorização do Ibama e acordo com UFMG era para garantir que as capivaras fossem preservadas, ficassem bem, mas livres de carrapatos contaminados. Assim, elas poderiam permanecer em seu lugarzinho na natureza, mas sem causar doença às pessoas. Seriam controladas, para não se multiplicarem muito rápido, e tudo seria legal, joia, ambientalmente correto. Mas o que aconteceu de verdade? Duas pessoas morreram, uma terceira quase morreu, e, mesmo com toda a lerdeza para resolver o problema, com a bela intenção de manter as capivaras vivas e saudáveis, no final das contas, descobrimos que metade delas também estão mortas!?

Ou seja, a Prefeitura de Belo Horizonte agiu tão desastradamente nesta história que, além de não impedir novas mortes de humanos, tampouco garantiu a sobrevivência dos animais.

Realmente, não precisamos de babás assim, caro prefeito Marcio Lacerda. É melhor tomarmos nossas próprias precauções, sem contar com o poder público: trocarmos o principal cartão postal de Belo Horizonte por outro lugar qualquer. E, claro, avisarmos aos turistas que, se forem passear pela lagoa da Pampulha, correm um risco muito grande, conhecido há 20 meses e ainda não solucionado pelos gestores da cidade.


Atualização em 9/3/2015: A Secretaria Municipal de Meio Ambiente me encaminhou uma longa nota, nesta segunda-feira (9/3), para complementar as informações do post. Da nota, os dois últimos itens se destacam, porque contestam as informações das reportagens de “O Tempo”, nas quais me baseei para fazer o post acima (como vocês podem ver em todos os links), de que um adolescente de 15 anos teria sido detectado com febre maculosa e de que as outras duas vítimas fatais pegaram febre maculosa na orla da lagoa da Pampulha, como disseram seus familiares aos repórteres do jornal.

Como acho que os leitores têm o direito de conhecer todas as versões de uma história, e a liberdade de acreditarem na que acharem mais plausível, compartilho a íntegra da nota da prefeitura. CLIQUE AQUI para ler.

Atualização em 11/3/2015: o Ministério Público tampouco está muito satisfeito com o trabalho feito pela Prefeitura de Belo Horizonte e fez várias recomendações à PBH na noite de ontem. CLIQUE AQUI para ver todas.

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Brasil, um país de assassinos ambientais

ambientalistasmortosVejam com atenção o gráfico-pizza acima.

Vou traduzir. Trata-se dos assassinatos de ambientalistas cometidos entre 2002 e 2011 no mundo inteiro. Apenas os notificados. De 711 assassinatos notificados, 365 (51%, ou mais da metade) ocorreram no Brasil.

Repito: mais da metade de todos os ambientalistas mortos na última década em todo o planeta estavam no Brasil.

Os dados são da ONU e os descobri AQUI, por meio do jornalista e professor Idelber Avelar.

Dizem um bocado sobre nosso país e o futuro que nos espera.