O Plano de Energia Limpa de Obama. E o vento levou…

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Texto escrito por José de Souza Castro:

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, lançou na última segunda-feira, 3 de agosto, o Plano de Energia Limpa. O objetivo é combater o aquecimento global. Um dos pontos mais controvertidos do plano, que corre o risco de ser barrado no judiciário, é a meta de reduzir em 32%, até o ano 2030, em relação aos níveis de 2005, a emissão de carbono pelas termoelétricas movidas a carvão.

A oposição ao plano de Obama é liderada pelos republicanos, que têm maioria no Congresso dos Estados Unidos e pelo lobby da indústria de carvão. “The New York Times” informou que pelo menos 25 Estados deverão entrar com ação coletiva contra o plano. A indústria tradicional norte-americana tem sua principal matriz energética baseada no carvão. Os opositores dizem que os pobres serão os mais prejudicados e que o plano causaria o fechamento de centenas de usinas.

Mas Obama argumenta que as críticas são repetitivas e que “toda vez que os EUA fazem progresso fazem a despeito dessas críticas”. Para ele, o aquecimento global, negado por muitos, “não é opinião, é fato”. Diz que o plano trará melhoras na saúde da população e criará empregos. E incentiva o uso de energias alternativas, como a solar e a eólica.

Faltando um ano para as eleições presidenciais e quatro meses para a cúpula global sobre o clima, a ser realizada em dezembro, Obama tenta recuperar o tempo perdido em quase sete anos de governo.

Há um mês e pouco, durante visita da presidente brasileira aos Estados Unidos, Obama e Dilma Rousseff anunciaram um plano conjunto que não convenceu aos especialistas, que apontam que o Brasil não tem metas para cortar gases que provocam o efeito estufa.

Mas o Brasil está entre os que menos preocupam, em relação ao aquecimento global. Além de uma extensa área de matas e florestas, o país tem sua matriz energética baseada em fontes não poluentes, sobretudo a hídrica, como demonstra o quadro abaixo:

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Na última segunda-feira, enquanto Obama lançava seu plano, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) registrava que, da produção total no Brasil – de 58,7 MW médios naquele dia –, apenas 13,4 MW, ou 22,9% do total, vinham de usinas térmicas convencionais e nucleares, consideradas poluentes.

E no mesmo dia, o Brasil batia novo recorde de produção de eletricidade eólica (3.044 MW médios), alcançando 5,18% de toda a energia produzida no país. Considerando-se que no dia 3 de setembro do ano anterior os ventos respondiam por apenas 1.492 MW médios e, em 3/8/2013, por meros 524 MW, é indiscutível o avanço do país nessa área.

E deve avançar mais ainda. Hoje temos 258 usinas eólicas, e para o leilão marcado para o dia 21 deste mês, estão cadastrados 475 empreendimentos que somam 11.476 megawatts (MW). A meta é chegar ao ano de 2023 com a geração elétrica que provém dos ventos respondendo por 11% de nossa matriz energética.

Lembra aquele filme? “E o vento levou”… Para o plano de Obama, talvez o vento não leve a nada. Mas, no Brasil, pelo menos nessa área, apesar dos ventos uivantes que, em tantas outras, estão a produzir ruído e fúria, existe um vento soprando a nosso favor.

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Carta a São Pedro

Ontem acordei com o céu, como sempre, azul-azul. Mas, de repente, o tempo fechou. Nuvens surgiram do nada, uma ventania derrubando vasinhos de plantas, o céu sendo pintado de branco-infinito. Fiquei feliz: a chuva! Finalmente!

Eis que, menos de uma hora depois, sem que nenhuma gota caísse, o sol já reaparecia. À noite, mais uma vez, tudo estava tão limpo que todas as estrelas podiam ser vistas. E hoje, de novo, cá está o céu azul-azul, o de brigadeiro.

Assim não dá mais, São Pedro. A garganta acordou arranhada, a poluição machuca nossos olhos e vias respiratórias, os ambulatórios estão lotados, está quente demais. A chuva se faz necessária.

E não só por essas razões individualistas, mas também pelas gerais. Metade dos municípios do Brasil corre risco de desabastecimento de água iminente. Várias cidades estão em situação de emergência agora. Até o rio São Francisco, aquele mar de rio, está ficando sem água, gerando prejuízos incalculáveis para a população que dele depende. A energia, consequentemente, também corre risco. Se não chover pra valer em um mês, a coisa vai ficar bem feia.

Eu sei que a culpa não é só da chuva. Outro dia fiquei irritadíssima — e externei minha irritação — ao ver um sujeito lavando O TELHADO (!) com mangueira. Tenho vontade de chamar a polícia toda vez que vejo alguém fazendo o mesmo com a calçada. E, se os indivíduos já fazem essas merdas, as gestões — municipais, estaduais e federal — tampouco tomam atitudes sérias para coibir o desperdício. É muita água jogada no LIXO, como bem ilustrou o Duke na última sexta-feira:

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Uma série de reportagens, das ótimas repórteres Queila Ariadne e Ana Paula Pedrosa, mostra parte do problema causado pela seca. CLIQUE AQUI para ler “Às Margens da Seca”, do jornal “O Tempo”. Creio que o senhor vai se comover com a situação dos pequenos produtores.

E saiba que, em tempos eleitorais, qualquer coisa — até o clima — é usada de forma politiqueira. Sua inação pode ter consequências até para o nosso futuro político, veja bem.

São Pedro, São Pedro, eu estou com medo. Já imagino a chuva furiosa que vai desabar do céu quando não tiver mais jeito de segurar tanta água aí em cima. Já prevejo as inundações, enchentes, enxurradas, desabamentos e afogamentos. Os alertas da Defesa Civil, os resgates dos bombeiros, os carros ilhados na Prudente de Morais, os pobres que perdem tudo o que têm na lama, as casas que rolam morro abaixo, tanto nos aglomerados quanto nos bairros de luxo, com vista privilegiada da cidade. Fora os acidentes de trânsito, porque ninguém dirige direito na chuva e as pistas ficam escorregadias, sujas de óleo molhado.

Deixa chover, meu São Pedro. E deixa chover aos pouquinhos, com delicadeza. Diariamente, dias e noites inteiros, um dilúvio de 40 dias. As praias e clubes vão esvaziar, as peles vão desbotar, os vendedores de coco vão perder uma graninha, as obras de construção civil vão ter que ser suspensas, os acidentes ainda vão acontecer, os reclamões vão reclamar de tanta chuva em pleno fim de semana, os penteados vão se desfazer antes das festas, as roupas vão demorar mais a secar nos varais, mas ainda assim será um dilúvio necessário e bem-vindo. Fica meu pedido.

Encerro esta carta com uma imagem nostálgica, para o senhor se lembrar de como é bom dormir embalado pelo barulhinho de gotas caindo nas poças:

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Ai, ai…

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As bênçãos da chuva

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Não me lembro ao certo, com data de calendário, mas sei que já fazia muitas semanas que não chovia em minha Beagá. Dizem que mais de 90 dias. Tanto tempo que a chuva de hoje virou manchete do portal, com destaque para todo o caos no trânsito, as quedas de árvore, acidentes, piques de luz e desabamentos de casas de praxe. Tristes notícias para uma chuva de inverno tão suave como esta.

Beagá costumava ter um clima bem estável. Chove muito no verão, especialmente no mês de janeiro, chove ainda um pouco no final da primavera e no começo do outono, mas fica seco-seco-seco de março a setembro. Mas as coisas mudaram. Neste ano, choveu pouco em janeiro e a chuva começou a cair lá pro final de março. Totalmente fora de época, a chuva de abril causou alagamentos e enchentes e deixou pessoas ilhadas.

São as tais mudanças climáticas…

Assim, também inexplicavelmente, hoje Beagá amanheceu pingando em pleno inverno, no mês que era pra ser o mais seco do ano. Mas, afora esse caos noticiado, vejo a chuva com bons olhos. Ela traz um alívio para a poeira do ar, para o ardor dos olhos e da garganta, diminui as filas de rinitentos nos pronto-socorros e ainda refresca as plantas e as plantações.

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Me lembrou até um velho poema, que fiz em 2007, quando Beagá ficou longos sete meses a seco, sofrendo com a falta d’água que, neste ano, assolou São Paulo. Pra fechar o post, segue abaixo este pedaço de memória com um pouco das bênçãos da chuva, que quase sempre só é lembrada por seus aspectos negativos:

Bocejo

Após longos sete meses
– chove.
E chove e chove e chove
Cheiro sonoro
Barulhinho molhado
Frescor prateado:
uma alegria me invade.
A chuva canta pra mim,
me descansa, me nina
nananeném.
A chuva é um blues delicado
ilustrado nas sombras de vela
e na paz brilhante do mundo.
Os trovões, imponentes,
calam a rua.
E as gotas nos embalam
Triquiquiando nos vidros.
O céu laranja desaba
curtocircuiando em raios
Enquanto a lua boceja
a preguiça dos homens.

E eu me delicio
Me alivio de uma alma seca
e petrificada de sete meses
que desabrocha para a sina
do amanhã natalino ainda.

(18/10/2007)

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