Atenção, estudantes de jornalismo: cursos imperdíveis, aos sábados, em BH!

O Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais vai promover um curso sensacional, voltado principalmente para estudantes de jornalismo (mas aberto a qualquer um que se interesse pelos assuntos), entre os dias 14 de junho e 28 de setembro. Será sempre aos sábados, com aulas de assuntos diversos, ao custo de R$ 80 para o público geral e R$ 50 para estudantes e jornalistas sindicalizados em dia – exceto pela aula inaugural, gratuita, numa sexta-feira, com o excelente Leonardo Sakamoto.

Vai ter curso de jornalismo investigativo, radiojornalismo, cobertura política, econômica, esportiva, cultural, webjornalismo, fotojornalismo, telejornalismo, assessoria de imprensa, e muito mais. Inclusive curso para quem já trabalhou muitos anos em Redação e se cansou: “Como deixar a redação e empreender”. Quem conhece o mercado, saberá, ao ver as fotos dos professores aí em cima, que eles são profissionais da melhor qualidade.

Uma coisa muito legal: depois que a reforma trabalhista praticamente destruiu os sindicatos no Brasil, é sabido que eles sobrevivem a duras penas. E esta iniciativa do Sindicato dos Jornalistas também foi uma saída encontrada para encher o caixa, já que todos os professores vão dar as aulas de forma voluntária e todo o valor das inscrições ficará com a entidade que representa os jornalistas em Minas. Lindo, não?

CLIQUE AQUI para ver todos os cursos e professores e se inscrever nos seus favoritos 😉 Ah, também é possível comprar um pacotão completo, com desconto, para assistir às aulas de todos os 32 jornalistas! Nesse caso, o sindicato emite um certificado.

Ajude a divulgar entre seus conhecidos que possam se interessar 😉

 

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10 reportagens imperdíveis para nos ajudar a refletir nesta Semana da Consciência Negra

 

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No ano passado, compartilhei aqui 15 filmes para assistirmos e refletirmos no Dia da Consciência Negra.

Neste ano, com um pouco de atraso, trago 10 reportagens muito legais que saíram nesta semana tão importante. Quem sabe ajudem as pessoas que ainda não perceberam que existe racismo no Brasil, que os brancos têm uma dívida histórica com os negros e que não existe nenhum branco que jamais tenha sofrido preconceito por sua cor de pele a aprenderem a importância de datas como esta do 20 de novembro:

  1. Com quase 200 anos de atraso, chegam ao mercado sapatilhas para bailarinas negras. Reportagem de Letícia Fontes.
  2. Grupo que idealizou o Dia da Consciência Negra teve de dar explicações à ditadura.
  3. Médico negro ignora até conselhos da mãe e vira raridade na periferia de SP. Do veterano Ricardo Kotscho.
  4. Alunos cotistas se destacam em 95% dos cursos da UFMG, da Tatiana Lagôa.
  5. Ensino superior ainda é 70% branco no país, da super Queila Ariadne.
  6. Negros que superam as barreiras sociais e econômicas ainda são exceção à regra. Também da Queilinha.
  7. “Sobrenome África”, série de três reportagens do Vinicius Luiz sobre a ausência de informações sobre as origens do negros no Brasil.
  8. ‘Novos brasileiros’: os migrantes africanos que estão mudando a cara de São Paulo (um ensaio fotográfico do Diego Padgurschi)
  9. “Há mais denúncias de racismo no futebol. O pacto de silêncio foi quebrado”
  10. Para cada branco assassinado em Minas, quatro negros são mortos

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Carta a São Pedro

Ontem acordei com o céu, como sempre, azul-azul. Mas, de repente, o tempo fechou. Nuvens surgiram do nada, uma ventania derrubando vasinhos de plantas, o céu sendo pintado de branco-infinito. Fiquei feliz: a chuva! Finalmente!

Eis que, menos de uma hora depois, sem que nenhuma gota caísse, o sol já reaparecia. À noite, mais uma vez, tudo estava tão limpo que todas as estrelas podiam ser vistas. E hoje, de novo, cá está o céu azul-azul, o de brigadeiro.

Assim não dá mais, São Pedro. A garganta acordou arranhada, a poluição machuca nossos olhos e vias respiratórias, os ambulatórios estão lotados, está quente demais. A chuva se faz necessária.

E não só por essas razões individualistas, mas também pelas gerais. Metade dos municípios do Brasil corre risco de desabastecimento de água iminente. Várias cidades estão em situação de emergência agora. Até o rio São Francisco, aquele mar de rio, está ficando sem água, gerando prejuízos incalculáveis para a população que dele depende. A energia, consequentemente, também corre risco. Se não chover pra valer em um mês, a coisa vai ficar bem feia.

Eu sei que a culpa não é só da chuva. Outro dia fiquei irritadíssima — e externei minha irritação — ao ver um sujeito lavando O TELHADO (!) com mangueira. Tenho vontade de chamar a polícia toda vez que vejo alguém fazendo o mesmo com a calçada. E, se os indivíduos já fazem essas merdas, as gestões — municipais, estaduais e federal — tampouco tomam atitudes sérias para coibir o desperdício. É muita água jogada no LIXO, como bem ilustrou o Duke na última sexta-feira:

dukeagua

Uma série de reportagens, das ótimas repórteres Queila Ariadne e Ana Paula Pedrosa, mostra parte do problema causado pela seca. CLIQUE AQUI para ler “Às Margens da Seca”, do jornal “O Tempo”. Creio que o senhor vai se comover com a situação dos pequenos produtores.

E saiba que, em tempos eleitorais, qualquer coisa — até o clima — é usada de forma politiqueira. Sua inação pode ter consequências até para o nosso futuro político, veja bem.

São Pedro, São Pedro, eu estou com medo. Já imagino a chuva furiosa que vai desabar do céu quando não tiver mais jeito de segurar tanta água aí em cima. Já prevejo as inundações, enchentes, enxurradas, desabamentos e afogamentos. Os alertas da Defesa Civil, os resgates dos bombeiros, os carros ilhados na Prudente de Morais, os pobres que perdem tudo o que têm na lama, as casas que rolam morro abaixo, tanto nos aglomerados quanto nos bairros de luxo, com vista privilegiada da cidade. Fora os acidentes de trânsito, porque ninguém dirige direito na chuva e as pistas ficam escorregadias, sujas de óleo molhado.

Deixa chover, meu São Pedro. E deixa chover aos pouquinhos, com delicadeza. Diariamente, dias e noites inteiros, um dilúvio de 40 dias. As praias e clubes vão esvaziar, as peles vão desbotar, os vendedores de coco vão perder uma graninha, as obras de construção civil vão ter que ser suspensas, os acidentes ainda vão acontecer, os reclamões vão reclamar de tanta chuva em pleno fim de semana, os penteados vão se desfazer antes das festas, as roupas vão demorar mais a secar nos varais, mas ainda assim será um dilúvio necessário e bem-vindo. Fica meu pedido.

Encerro esta carta com uma imagem nostálgica, para o senhor se lembrar de como é bom dormir embalado pelo barulhinho de gotas caindo nas poças:

chuva4

Ai, ai…

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Uma reportagem de leitura obrigatória

Foto: Mariela Guimarães / O Tempo

Foto: Mariela Guimarães / O Tempo

Já escrevemos sobre o mineroduto da Anglo American (e, antes, da MMX) algumas vezes, neste e em outros blogs. Meu pai falou dele AQUI, citei o problema por último AQUI. Quem nos acompanha nestes 11 anos de blogosfera já sabe bem, portanto, como essa “solução” para escoamento do minério de ferro brasileiro para suprir a demanda fora do país provoca graves consequências sociais e ambientais. Por onde aquele duto de água passa, rios secam, cursos d’água são desviados, o desperdício é gritante. Sem água, os moradores se desesperam. (E estamos comemorando o Dia Mundial da Água neste fim de semana, então a reflexão se torna ainda mais atual).

Tudo isso, no entanto, era algo que a gente lia a respeito, ouvia falar, deduzia. Mas, nas últimas semanas, as repórteres do jornal “O Tempo” Ana Paula PedrosaQueila Ariadne e Mariela Guimarães foram muito além: percorreram os 525 km de extensão do mineroduto, entre Conceição do Mato Dentro, em Minas, e o Porto de Açu, no Rio, pisaram em dezenas de comunidades que nem existem no mapa, falaram com centenas de pessoas, e documentaram uma situação de extrema gravidade, que beira ao surrealismo. Não à toa elas decidiram comparar o que viram com o universo imaginário de Gabriel García Márquez, como podemos ler logo no lide da reportagem principal:

“Se Conceição do Mato Dentro, na região Central de Minas Gerais, tivesse saído da imaginação do colombiano Gabriel García Márquez, talvez a cidade se chamasse Macondo e sua riqueza fosse banana em vez de minério. Tal como o povoado fictício da obra “Cem Anos de Solidão”, do autor, a cidade mineira também viu sua vida alterada repentinamente pela chegada de uma empresa estrangeira. No livro, é a Companhia Bananeira quem faz “uma invasão tão tumultuada e intempestiva que nos primeiros tempos era impossível andar na rua”. Em Conceição, é a instalação do projeto Minas-Rio, pela Anglo American, que está virando a vida dos moradores de cabeça para baixo.”

Recomendo veementemente a leitura de todo o material, que ainda será complementado com reportagens ao longo dos próximos dias. Por hoje, temos o seguinte:

O dia em que fui presa (e assim continuei)

gaiola

Texto escrito por Queila Ariadne*:

Nesta semana eu fui presa pela segunda vez em menos de dois meses, pelo mesmo motivo: roubo de carro. Pelo menos fui solta mais rápido que da primeira vez, que aconteceu pouco antes do Natal. Mas isso só aconteceu porque preferi pagar a fiança.

Meu carro foi arrombado por volta das 20h40min, na rua Professor Morais, na Savassi. Eu e meu namorado estávamos a caminho do teatro quando chegamos ao local do crime e nos deparamos com o vidro lateral esquerdo traseiro todo estraçalhado. A prisão começou a partir daí: chamei a polícia, perdi o teatro, perdi o tempo que ficaria com meu filho. Isso foi numa quinta-feira. Liguei para o seguro e ouvi a sentença: Você pode trocar o seu vidro na próxima quarta-feira, só temos este horário. Diante disso, preferi pagar por fora, já que tenho que deixar meu carro na rua, para trabalhar, e não poderia ficar presa mais do que um dia. Paguei a “fiança” de R$ 150 e minha pena foi reduzida de uma semana para um dia.

Voltando para cena do crime, chegamos e fomos avisados por um segurança de outro local que os “trabalhadores” tinham acabado de quebrar minha janela e subiram a rua Cláudio Manoel. Meu namorado foi atrás. Levou a esperança de encontrar a mochila e deixou o pânico. Fiquei apavorada e implorei para que ele voltasse. E ele voltou.

Logo em seguida chegou a viatura que eu tinha chamado. Foi aí que eu descobri que a culpa do assalto foi minha. Minha culpa, minha máxima culpa. “Ah, mas não pode deixar nada no carro que eles levam mesmo!!!”, explicou a policial militar. E olha que nunca deixei nada no carro, mas, na única vez que cometi o deslize, fui punida. Afinal, quem é que tem o direito de deixar alguma coisa dentro da própria propriedade? Minha culpa, minha máxima culpa. Já na delegacia, o soldado de plantão pergunta: “Dele foi a mochila, e da senhora?”. Meu? Foi a paz, a tranquilidade e o tempo. “Quer que eu registre isso?”, perguntou ele. Eu queria. Roubaram até a minha fé na bondade das pessoas. Porque um moço parou para nos ajudar, mas eu duvidei da boa fé dele.

***

Essa foi a segunda vez. A primeira vez em que fui presa foi muito pior. Foram quatro dias de prisão, mas até hoje vivo sob condicional. Dois caras tomaram-me o carro por volta das 19h, num domingo, na porta da casa da minha mãe. Jogaram-me contra o muro, tomaram as chaves e o levaram. Foi tão perto da delegacia que fui a pé, imediatamente, prestar a queixa. Lá, me perguntaram se eu já tinha ligado para o 190. “Mas eu estou aqui, por que tenho que ligar para chamar a polícia?”. Porque é assim, para integrar no sistema, me explicaram. Então liguei, e a saga começou. Durante a ocorrência, a soldado tentou me tranqüilizar. “Ah, mas você tem que colocar as mãos para o céu, uma moça assim, bonita. Eles podiam ter te levado e feito mal a você”. Eu até estava tranqüila, mas aí comecei a chorar.

Próximo passo, Detran. No dia seguinte, a prisão continuou. Acharam o carro à tarde. Baixei numa delegacia no bairro Ressaca. Vi o carro. Mas não podia pegá-lo porque o procedimento é levá-lo para o pátio, onde, três dias depois, pagamos diária.

Vi o menor que foi pego dirigindo o meu carro. Não o reconheci, mas achei que o crime de ser flagrado dirigindo um veículo roubado era o suficiente. Engano. Com ele, nada aconteceu. Seguimos juntinhos, na mesma viatura, pra outra maldita delegacia em Contagem, onde o tempo estimado era de cinco horas. E o fofo saiu antes de mim, rindo da minha cara. Gritei, protestei e o policial civil ameaçou me algemar por desacato. “Quem está sendo desacatada aqui sou eu, vendo vagabundo bandido sair da delegacia antes de mim”. “Mas é a lei, minha senhora”, ele me explicou.

Ele foi solto. Eu segui presa. Tinha que ir à delegacia de Furtos e Roubos, pegar um alvará de soltura pro carro, que estava no pátio. Ao pegar a senha, o aviso: vai demorar umas cinco horas. Eu seguindo presa e levando meu namorado junto, que estava atrasado para o trabalho, fora tudo que deixamos de fazer pra estar ali. Mas não ficou pronto. E eu sem carro, andando de ônibus e dependendo de carona, remarcando compromissos etc. Tive que voltar no outro dia. De lá, ir correndo pro pátio, onde mais uma espera me esperava: para resgatar o carro.

Pronto.  Agora fui solta. Mas a sensação de estar presa permanece.

 

* Queila Ariadne, 35, é uma premiada repórter de Economia no jornal “O Tempo”, graduada em jornalismo pela PUC Minas e pós-graduada em Produção de Texto e Literatura pela Uni-BH.

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