Qual a idade mínima para ensinar sobre a importância de doar?

Com que idade uma criança já consegue entender o conceito de fazer uma doação?

Não sei. Mas sei que, com 2 anos e 8 meses, o Luiz entende. E, se ele entende, certamente outros pequenos como ele também têm a mesma capacidade.

Hoje ele deu mostra disso, e me deixou muito orgulhosa.

Expliquei a ele que no sábado teríamos um piquenique literário em sua escola. Que a gente tinha que levar uns cinco livrinhos de que ele gosta muito para lermos lá, emprestarmos aos coleguinhas e depois trazer de volta pra casa. E, em outra sacola, colocaríamos os livros de que ele já não gostava mais, para serem doados à biblioteca da escola. “Para outras criancinhas também poderem ler”, desenhei.

Primeiro, pegamos todos os livros da pequena biblioteca do Luiz e os colocamos espalhados no chão. Ele me ajudou com tudo. Em seguida, fui apontando os livros aleatoriamente e ele foi dizendo:

– Este é muito legal!

– Este eu acho chato, podemos doar para outras criancinhas.

Depois, elaborou um pouquinho mais ainda:

– Este a gente guarda porque vou gostar quando eu for maior.

E foi colocando os livros favoritos numa pilha maior, deixando os outros em outra pilha.

Quando ele colocava um livro na pilha de doações, eu fazia questão de confirmar várias vezes: “Tem certeza que não gosta mais deste, filho? Podemos dar para ficar com outra criança pra sempre?” Queria ter certeza que ele estava entendendo bem o conceito. Ele sempre confirmava: “Sim, eu já não gosto mais deste livro.” Ou: “Este livro é chato” etc.

Uns três que ele pôs na pilha de doações eu segurei, explicando que tinham sido um presente da vovó ou que ele ainda ia adorar ler quando fosse mais velho ou que tinha sido meu quando eu era criança e guardei por todos esses anos porque considerava especial. Mas, no geral, todos que estavam lá eram mesmo publicações que nunca tinham despertado a atenção ou interesse dele antes. Ou seja, muito bem escolhidos.

Aproveitei o embalo e pedi que ele escolhesse CDs para doar. Ele escolheu sete, eu que guardei dois deles porque pensei que poderia gostar algum dia.

Por fim, a sacola de doação ficou com 11 livros e 5 CDs:

Tenho certeza que farão a alegria de muitas crianças da biblioteca da escolinha!

Ah, depois de separarmos tudo nas duas sacolas, o Luiz me ajudou a organizar de volta a biblioteca. Aproveitamos para reler alguns livrinhos que a gente não via há tempos. Foi um momento muito divertido para nós dois, meu pequeno se sentiu muito importante, e eu fiquei morrendo de orgulho dele!

Se tem duas qualidades que quero passar ao meu filho são a solidariedade e a generosidade. Quero que ele entenda que coisas são coisas, que não é preciso se apegar a elas. E que muitas pessoas podem precisar mais delas do que nós. E que devemos doar a essas pessoas aqueles objetos que já não usamos – mas desde que estejam em bom estado, porque ninguém merece ganhar lixo.

E aí na sua casa, você pratica e incentiva a doação? Conte aí nos comentários 😉

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A época do ano para agradar aos estranhos

Pelo menos duas vezes por ano, separo um tempo para abrir meu guarda-roupas e fazer uma verdadeira “limpa” nas gavetas e cabides. Separo não só as roupas velhinhas, mas também algumas em ótimo estado que, por uma razão ou outra, eu quase nunca uso. Depois de fazer a seleção, que costuma chegar a umas 20 peças, coloco tudo num sacão e vou caçar um lugar para doar. Às vezes envio para tias que moram em regiões carentes do Norte de Minas, às vezes entrego para centros espíritas que fazem trabalhos sociais bacanas e também já aconteceu de eu ir direto a um albergue de moradores de rua e, antes mesmo de entrar lá na casa para procurar algum funcionário que pudesse receber a doação, ser cercada por dezenas desses moradores de rua, que estavam na porta e perguntaram: “É doação? É doação?”, concluindo com um afoito “pode deixar com a gente”. Deixei, já que eles eram mesmo o público-alvo, e observei, no caminho de volta, como eles realmente distribuíam tudo entre várias pessoas, de forma muito mais organizada que em várias ONGs especializadas em arrecadar (e às vezes desviar) doações.

Acho que todo mundo tem condições de doar um pouquinho e sempre tem alguém, abaixo na pirâmide econômica, que está precisando do que a gente pode descartar. Épocas como início do inverno (quando é promovida a Campanha do Agasalho) e Natal (quando as pessoas estão mais generosas, ganham mais roupas de presente ou querem organizar o armário para a virada de ano) são as ideais para esse tipo e prática. E, como já estamos em 10 de dezembro, e o ano já caiu num buraco-negro em que o tempo é engolido ferozmente até desaguar no ano seguinte, sem dó nem piedade, deixo aqui esta inspiração para quem está contando os dias para o Natal, como eu.

Neste ano, pela primeira vez, resolvi também pegar uma das cartinhas enviadas ao Papai Noel dos Correios, uma iniciativa que sempre achei sensacional. O jornal onde trabalho fez uma parceria com os Correios e intermediou o processo de pegar as cartinhas, coletar os presentes e entregar aos Correios. Só fui ficar sabendo disso quando o prazo já tinha terminado, mas, como ainda havia uma única cartinha não adotada por ninguém, a funcionária deixou eu ficar com ela, com a condição de entregar o presente até o dia 9 — ontem.

Achei tudo muito emocionante. Com a letrinha tremida típica das crianças em processo de alfabetização, Júnior pedia ao Papai Noel um helicóptero com controle remoto. Um brinquedo que, fui descobrir depois, pode custar até R$ 500. De gente grande, pensei. Ouvi sugestões: dê um carrinho, em vez do helicóptero, que é mais barato e ele não vai quebrar fácil. Dê um helicóptero sem controle remoto. Dê um aviãozinho barato.

Pensei em quando eu era criança e acreditava em Papai Noel. Para as crianças, a fábrica do bom velhinho é um lugar mágico, onde tudo é possível, até a fabricação de irmãozinhos e de um casamento perfeito para os pais que sempre brigam, sem contar da perna nova pro amiguinho cadeirante, coisas do tipo. Imagina a frustração de pedir um incrível helicóptero que voa de verdade e receber um aviãozinho de plástico no lugar? “Os duendes estavam em greve”, escreveria um exausto Papai Noel.

Minha colega Ana Paula desenvolve melhor essa ideia, vejam AQUI. O que eu acho é: não quer entrar na fantasia da criança? Então é melhor nem pegar a cartinha.

Como eu peguei, saí atrás de um helicóptero que coubesse no meu bolso. Na Black Friday, achei alguns por até R$ 79, mas seriam entregues muito depois do prazo que eu tinha. Então fui ao centro e, com algum custo, achei um por R$ 100. Neste ano, meus presentes de Natal para a família estão girando em torno de R$ 20, porque resolvi comprar presentes alternativos (conto depois do Natal ;)). “Você vai dar o presente mais caro a um completo desconhecido?”, perguntaram. Eu não, Papai Noel que vai.

Também comprei um papel-ímã e imprimi uma cartinha do Papai Noel que pudesse ser colada na geladeira. Algo mágico… Ela foi enroladinha, como um papiro, e encaixada dentro do pacote. Depois embrulhei tudo num papel com tema natalino, que comprei na papelaria da esquina, e finalizei com um laço dourado. O mais encantador que pude fazer, pensando em deixar o Natal de Júnior e de sua família realmente especial.

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Uma das coisas bacanas do Natal é exercitar, no nosso espírito, a importância de tentar agradar o dia de pessoas completamente estranhas à nossa vida. É o que se traduz por generosidade e solidariedade, dois conceitos que estão rareando no mundo do cada-um-no-seu-quadrado.

O prazo pra pegar a cartinha do Papai Noel dos Correios já acabou, na semana passada. Agora, só ano que vem. Mas ainda há tempo para aquela revirada nos armários. E também para treinar o bom humor e a cordialidade (temos um trânsito inteiro à frente para esse exercício!). Que tal começar agora mesmo?

As duas faces do Natal (qual é a sua favorita?)

Todo mundo condena o Natal pelo excesso de consumismo etc e tals.

É verdade, consome-se bem mais nesta época do ano: gasta-se com presentes, com comilança, e, como é de praxe, só gasta quem pode, os pobres ficam no desejo.

Por isso Papai Noel é visto como o rei do capitalismo, com sua roupa vermelha à moda da Coca-Cola e tudo o mais. Nada a ver com a origem cristã da festa, com o dia do Sol etc.

Ok, mas não é só isso.

Porque no Natal as pessoas não só gastam mais para si próprias e para seus queridos, mas também se tornam mais generosas, doam mais aos menos favorecidos, abrem os bolsos para as caixinhas de fim de ano dos funcionários da padaria da esquina, adotam crianças pelo sistema dos Correios, esvaziam as roupas não usadas das gavetas, até os bancos fazem mutirões para minimizar dívidas etc.

Não é só pelas luzinhas dispendiosas da cidade que sentimos um clima diferente no ar, às vésperas do Natal. Mas por essa bonança generalizada, pelo aumento da solidariedade, pela suspensão de certas mesquinharias corriqueiras.

E isso é palpável. Claro que não se aplica a todos, infelizmente, mas a muitas pessoas. O que já faz a diferença.

Em que outra época, por exemplo, eu veria um rapazinho de 24 anos, de Belo Horizonte, se juntando a um frei do Vale do Jequitinhonha — uma das regiões mais pobres do Brasil, encravada na minha linda Minas Gerais –, utilizando da tecnologia de um site bem bacana para tentar angariar R$ 2.000 (vejam bem, não é uma fortuna que possa ser ambicionada por algum corrupto filho da mãe. Na verdade, é pouco mais de 10% do salário que os vereadores de Belo Horizonte querem se dar de presente de Natal, e que o prefeito Marcio Lacerda deve autorizar, com o silêncio conivente da população, que nunca foi de protestar e não vai fazer isso agora)?

Com R$ 2.000, os dois pretendem comprar presentes e comidas gostosas para as crianças do Vale. E o dinheiro, mesmo sem ser uma fortuna, já garante uma festazinha legal.

Até a hora em que escrevo este post, as pessoas já doaram R$ 560, ou 28% do objetivo final.

Temos até sexta-feira para ajudá-los nesta empreitada. O pagamento pode ser feito por cartão de crédito, boleto ou transferência bancária, pelo sistema Pagamento Seguro, que é de confiança. Tomará 5 minutos do seu dia e alguns tostões da sua conta bancária, a depender do seu humor do momento. Então, VÁ EM FRENTE e manifeste seu espírito natalino 😉

(E passe adiante a ideia, plis)

Leia mais sobre minha época do ano favorita: