Post para meu sábio pai

Ao contrário do pai do Calvin, meu pai nunca se importou em me responder com um simples e direto “Não sei”. Várias vezes, quando criança, eu fazia essas perguntas que só as crianças fazem, dificílimas de responder, e ele dizia simplesmente que não sabia a resposta. E eu insistia: como pode meu pai, que é tão inteligente e é meu herói, não saber me explicar essa dúvida? E ele retrucava: “Eu só sei que nada sei”. Quando a gente não sabe uma resposta, não pode inventar. Ponto. Ficaram pra mim três lições dos tempos em que não era tão simples assim sacar o smartphone e “dar um Google” para ter todas as respostas na ponta da língua. A lição de que não sabemos de tudo, de que não temos que saber de tudo e de que não devemos fingir que sabemos de tudo. A lição de que precisamos checar os fatos antes de sair respondendo qualquer coisa (ah, como seria bom se esta fosse colocada em prática com mais frequência por todo mundo…!). E a lição de que os sábios são aqueles que sabem que, na verdade, sabem quase nada.

Tantas lições importantes! E olha que, nessa época, eu devia ter lá meus 5 anos. De lá pra cá, meu sábio pai já me deixou muitas outras lições e ensinamentos cravados na alma e no caráter. Enumerei algumas delas aqui no blog em 2013.

Neste Dia dos Pais, eu só queria que meu querido pai-herói se certificasse de sua importância para mim, mais uma vez 🙂 ❤

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‘O prazer da erudição é reservado aos perdedores’

leitura

Trecho de “Número Zero“, de Umberto Eco, nas páginas 19 e 20:

“(…) quem vive cultivando esperanças impossíveis já é um perdedor. (…) Os perdedores, assim como os autodidatas, sempre têm conhecimentos mais vastos que os vencedores, e quem quiser vencer deverá saber uma única coisa e não perder tempo sabendo todas, o prazer da erudição é reservado aos perdedores. Quanto mais coisas uma pessoa sabe, menos coisas deram certo para ela.” (Record, 4a edição, 2015)

coruja

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O que Rubem Alves diria sobre a crise política do Brasil

Reprodução / Facebook

Rubem Alves. Foto: Reprodução / Facebook

Já falei aqui, e mais de uma vez, sobre o ótimo livro “Ostra Feliz Não Faz Pérola”, do Rubem Alves. Este livro tem uma parte apenas sobre Política.

Nestes tempos de política tão conturbada no Brasil, recorri de novo às reflexões do sábio escritor.

Compartilho, abaixo, seis trechinhos que me chamaram a atenção:

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Sejamos mais cachorros!

Einstein

Einstein

Um amigo meu, que preferiu não ser identificado no post, escreveu uma mensagem tão inspiradora que resolvi compartilhá-la aqui no blog. Para pensar:

“Decidi falar aqui da morte do Einstein, que já rolou há um tempo, para pedir para vocês serem mais cachorros. É que bateu uma saudade imensa dele e o tempo nunca foi muito importante entre a gente. Tive na vida a oportunidade de ir aprendendo com os cachorros a ser mais descalço, mais pelado, mais carinhoso e mais alegre. A gente já vive num mundo tão humano, somos tão obcecados com objetos e eletricidade que nos esquecemos do maravilhoso mistério de nossas próprias biologias. Nossa amizade com os cachorros é em seus poucos milhares de anos talvez a mais profícua relação entre duas espécies, basta olhar e ver. Que no mundo de curtições, catucações e bajulações narcisísticas possamos sempre olhar para nossa ancestralidade comum com os cachorros e, ao invés de fantasiarmos eles como pessoas, possamos ver em nós os mamíferos que somos. Sejam mais cachorros e me chamem para que juntos uivemos sob a lua.”

O lindo cachorro Einstein e seu dono, em foto de arquivo pessoal dele.

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Hachiko: um cão leal

Autor desconhecido

Autor desconhecido. Clique nas fotos para vê-las em tamanho real

Eu nunca tinha ouvido falar de Hachiko até assistir ao filme de 2009 estrelado por Richard Gere.

Ou seja, palmas aos astros de Hollywood por trazerem ao Ocidente histórias que já são célebres no Oriente. Todos nós merecemos conhecer um ser tão especial como este cachorro da raça akita.

Vou resumir a história [se preferir assistir antes ao filme, sem ter nenhuma surpresa estragada, pule para o último parágrafo deste post]: Hachi era o cachorro de um professor da Universidade de Tóquio. Como todo akita, era dócil e inteligente. Aprendia as coisas com facilidade. Todos os dias, acompanhava o professor Ueno até a estação de trem de Shibuya, onde o professor pegava a condução para ir trabalhar. Hachiko (diminutivo de Hachi) deixava o dono lá, cheio de afagos, e voltava sozinho para casa. Mais tarde, pontualmente quando o professor pegava o trem de volta, Hachi voltava de casa até a estação, e o esperava na porta.

hatchicoOs outros passageiros se comoviam com a cena: viam o professor e seu akita, pontuais e no mesmo local, todo santo dia, de manhã e no fim da tarde. O akita acompanhava o dono e horas depois voltava, sozinho, para recepcioná-lo com muito carinho.

Até que, um ano e meio depois, em 1925, o professor Ueno teve um derrame na universidade e não voltou no trem das 17h. Hachi ficou esperando na porta da estação por várias horas até alguém se lembrar de ir buscá-lo. E, nos nove anos seguintes, continuou aparecendo na estação, todos os dias, pontualmente, no horário do trem do professor Ueno, à espera de seu dono.

A última foto de Hachiko.

A última foto de Hachiko.

Chegaram a tentar levá-lo para outra cidade, mas Hachi fugia e voltava sempre a aparecer na estação, obstinadamente. Começou a ficar famoso, virou tema de reportagens e, quando morreu, em 1934, doente e fraco, aos 11 anos, Hachiko foi homenageado com uma estátua, que pode ser vista até hoje na estação de Shibuya, em Tóquio.

Para mim, Hachi é exemplo de lealdade, amizade, paciência e perseverança. la-statut-d-hachiko-aConceitos muito em baixa nesses tempos de amigos virtuais, pressa, imediatismo a intolerância.

Por isso, recomendo que assistam ao filme de Lasse Hallström (sueco que dirigiu outros filmes simpáticos como Gilbert Grape: Aprendiz de Sonhador, Regras da Vida e Chocolate) e emocionem-se. Não é um filme brilhante, mas a história de Hachi, por si só, é inspiradora. Preparem-se para chorar um bocado 😉

Atualização em 13/3: o leitor Gustavo descobriu no site Japão em Foco que uma nova estátua estava para ser inaugurada agora em março, na Universidade de Tóquio. Nela, Hachiko e seu dono são finalmente reunidos, após oito décadas. Lindo demais, né 😉

Vejam a foto que o site divulgou:

estatua

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