Aproveite o Natal para ensinar o bem

Era sábado, 22 de dezembro, quando chamei o Luiz, meu filhote de 3 anos anos, para me ajudar a arrumar os armários e gavetas da casa. Adoro virar o ano com tudo nos conformes, começando o ano seguinte com tudo organizadinho.

Arrumamos o quarto do pequeno e propus a ele de separarmos os brinquedos que ele não usa mais para doar às criancinhas que não têm muitos brinquedos. Assim como fizemos com os livros há alguns meses. E ele foi pegando os brinquedos “de bebê” e foi colocando sobre a cama, até que formamos uma pilha razoável. Guardamos tudo num saco.

O saco de brinquedos e outros dois, com roupas, para doação.

No dia 23, domingo, saímos em busca de algum lugar para fazer as doações. No meio do caminho, vimos uma moça sentada no chão da calçada, dando mamá ao filho de cerca de 1 ano, e pedindo esmola aos passantes. Fui com o Luiz entregar dois brinquedos ao filho dela, o Vitor. O garotinho abriu um sorriso de todo tamanho quando recebeu o brinquedo de virar chavinhas e apertar botões. Fazia tempo que eu não via um sorriso daqueles. Luiz entregou a naninha para ele, impressionado.

Depois passamos na Igreja do Carmo para entregar o resto da sacola. É um dos lugares que promovem ações sociais impactantes em Beagá e que está sempre aberto, inclusive aos domingos e alguns feriados, para receber doações de roupas e brinquedos. (Lá também tem farmácia com medicamentos gratuitos, ambulatório, atendimento psicológico, biblioteca e muitos outros serviços de graça para a comunidade em geral.)

Mais tarde, conversamos sobre crianças e adultos que ficam nas ruas, sobre pessoas que não têm tantos brinquedos como ele, sobre pessoas que não têm dinheiro para ir simplesmente “comprar no mercado” quando acaba algum ingrediente da geladeira. Tenho certeza de que plantei uma sementinha bacana no meu filho. Todas as vezes que separo roupas para doar, envolvo ele no processo. O mesmo já tinha acontecido com os livros. E, agora, com os brinquedos, que achei que envolveria mais dificuldade, mas meu filhote demonstrou grande generosidade e desprendimento, o que me encheu de orgulho.

Que tal aproveitar datas especiais como o Natal para espalhar essa sementinha aí na sua casa também?

Pra encerrar o post, resgato o programa 17 da Barbearia de Blues, que produzi entre 2007 e 2008, só com canções natalinas. Feliz Natal!

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Qual a idade mínima para ensinar sobre a importância de doar?

Com que idade uma criança já consegue entender o conceito de fazer uma doação?

Não sei. Mas sei que, com 2 anos e 8 meses, o Luiz entende. E, se ele entende, certamente outros pequenos como ele também têm a mesma capacidade.

Hoje ele deu mostra disso, e me deixou muito orgulhosa.

Expliquei a ele que no sábado teríamos um piquenique literário em sua escola. Que a gente tinha que levar uns cinco livrinhos de que ele gosta muito para lermos lá, emprestarmos aos coleguinhas e depois trazer de volta pra casa. E, em outra sacola, colocaríamos os livros de que ele já não gostava mais, para serem doados à biblioteca da escola. “Para outras criancinhas também poderem ler”, desenhei.

Primeiro, pegamos todos os livros da pequena biblioteca do Luiz e os colocamos espalhados no chão. Ele me ajudou com tudo. Em seguida, fui apontando os livros aleatoriamente e ele foi dizendo:

– Este é muito legal!

– Este eu acho chato, podemos doar para outras criancinhas.

Depois, elaborou um pouquinho mais ainda:

– Este a gente guarda porque vou gostar quando eu for maior.

E foi colocando os livros favoritos numa pilha maior, deixando os outros em outra pilha.

Quando ele colocava um livro na pilha de doações, eu fazia questão de confirmar várias vezes: “Tem certeza que não gosta mais deste, filho? Podemos dar para ficar com outra criança pra sempre?” Queria ter certeza que ele estava entendendo bem o conceito. Ele sempre confirmava: “Sim, eu já não gosto mais deste livro.” Ou: “Este livro é chato” etc.

Uns três que ele pôs na pilha de doações eu segurei, explicando que tinham sido um presente da vovó ou que ele ainda ia adorar ler quando fosse mais velho ou que tinha sido meu quando eu era criança e guardei por todos esses anos porque considerava especial. Mas, no geral, todos que estavam lá eram mesmo publicações que nunca tinham despertado a atenção ou interesse dele antes. Ou seja, muito bem escolhidos.

Aproveitei o embalo e pedi que ele escolhesse CDs para doar. Ele escolheu sete, eu que guardei dois deles porque pensei que poderia gostar algum dia.

Por fim, a sacola de doação ficou com 11 livros e 5 CDs:

Tenho certeza que farão a alegria de muitas crianças da biblioteca da escolinha!

Ah, depois de separarmos tudo nas duas sacolas, o Luiz me ajudou a organizar de volta a biblioteca. Aproveitamos para reler alguns livrinhos que a gente não via há tempos. Foi um momento muito divertido para nós dois, meu pequeno se sentiu muito importante, e eu fiquei morrendo de orgulho dele!

Se tem duas qualidades que quero passar ao meu filho são a solidariedade e a generosidade. Quero que ele entenda que coisas são coisas, que não é preciso se apegar a elas. E que muitas pessoas podem precisar mais delas do que nós. E que devemos doar a essas pessoas aqueles objetos que já não usamos – mas desde que estejam em bom estado, porque ninguém merece ganhar lixo.

E aí na sua casa, você pratica e incentiva a doação? Conte aí nos comentários 😉

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Natal no pé de amora

Um dos motivos que me motivaram a entrar nesta vida maluca do jornalismo foi a possibilidade de ouvir e transmitir boas histórias. Contar causos, eis a primeira função do repórter. Se eles vão derrubar ministros ou apenas emocionar e provocar reflexões no leitor, para mim é uma questão secundária.

Quando uma boa história cai no meu colo, não sossego até apurar tudinho e escrever o texto que transmita com maior riqueza de detalhes possível aquela história. Foi o que aconteceu quando soube que uma moradora de rua tinha tido seu bebê debaixo de um pé de amora, numa calçada do nobre bairro Santo Antônio.

Na mesma noite em que ouvi esta história pela primeira vez, entrei em contato com a fonte para pegar mais informações. Não consegui nem dormir. Nos dias seguintes, fui correndo atrás e descobrindo todos os detalhes que pude sobre o episódio. Até a velocidade do vento naquele horário específico em que a pequena bebezinha veio ao mundo, sem qualquer apoio médico ou hospitalar, me interessava. Contei com a ajuda da excelente repórter Rafaela Matias para buscar informações sobre as mulheres em situação de rua na capital.

Meus pais, que tinham ouvido a história antes de mim e se emocionaram com ela, ficaram satisfeitos com a reportagem final. Isso pra mim foi um termômetro importante. Por isso, resolvi recomendar a todos a leitura, como já fiz em outras ocasiões 😉

CLIQUE AQUI para ler o “Natal no Pé de Amora”.

 

Foto: NIDIN SANCHES / Revista Canguru

Foto: NIDIN SANCHES / Revista Canguru

P.S. Que tal aproveitar o espírito natalino para praticar o bem, e ajudar crianças (e adultos) de rua ou outras pessoas em situação de vulnerabilidade? Veja AQUI 10 instituições de confiança, que estão arrecadando doações para fazer a alegria dessas pessoas no Natal.

Leia também:

Saiba como você pode contribuir com o blog

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A contribuição dos leitores sempre foi muito bem-vinda neste blog.

Na última quarta-feira, por exemplo, a leitora Dri contribuiu imensamente oferecendo uma sugestão de pauta, que depois virou post (e foi um dos textos que mais gostei de escrever nos últimos tempos!). Quem quiser enviar uma sugestão de pauta, pode registrar nos comentários dos posts ou me enviar por email.

Também adoro quando os leitores enviam um texto bacana, já pronto para publicação. Às vezes até pego comentários e os transformo em posts, como fiz com um comentário do Matheus no mês passado.

Além disso, é possível contribuir com ideias, não só para posts: outro dia, o leitor Gustavo me sugeriu fazer um concurso literário do blog e estou matutando como vou colocar o plano — que achei excelente — em prática.

Outro jeito de contribuir com o blog é divulgando os posts, seguindo a página nas redes sociais (Twitter e Facebook) e assinando o blog para receber os posts, de graça e diariamente, por email. Assim, os leitores contribuem aumentando a rede do blog e o alcance das publicações. Cá pra nós: a gente escreve para ser lido, né? Então, nada melhor que saber que um texto foi lido por muita gente 😉

E, a partir de agora, a página aceita outro tipo de contribuição: o patrocínio dos leitores. Quem quiser fazer doações ao blog, na quantia e na frequência que quiser, agora também será possível, como já acontece em vários outros blogs. Explico melhor numa nova aba que criei, que ficará fixa na coluna da esquerda, e também pode ser acessada AQUI.

Ficou interessado? Então é só clicar no botão abaixo e fazer sua doação, através de um canal de confiança, que é o PagSeguro. Não é preciso ter cadastro lá para doar:

Pague com PagSeguro - é rápido, grátis e seguro!

Espero que o blog só cresça, cada vez mais, com todas essas contribuições dessa incrível rede de leitores que ajuda a construir este espaço comigo 😀 Obrigada por tornarem este projeto possível!

As duas faces do Natal (qual é a sua favorita?)

Todo mundo condena o Natal pelo excesso de consumismo etc e tals.

É verdade, consome-se bem mais nesta época do ano: gasta-se com presentes, com comilança, e, como é de praxe, só gasta quem pode, os pobres ficam no desejo.

Por isso Papai Noel é visto como o rei do capitalismo, com sua roupa vermelha à moda da Coca-Cola e tudo o mais. Nada a ver com a origem cristã da festa, com o dia do Sol etc.

Ok, mas não é só isso.

Porque no Natal as pessoas não só gastam mais para si próprias e para seus queridos, mas também se tornam mais generosas, doam mais aos menos favorecidos, abrem os bolsos para as caixinhas de fim de ano dos funcionários da padaria da esquina, adotam crianças pelo sistema dos Correios, esvaziam as roupas não usadas das gavetas, até os bancos fazem mutirões para minimizar dívidas etc.

Não é só pelas luzinhas dispendiosas da cidade que sentimos um clima diferente no ar, às vésperas do Natal. Mas por essa bonança generalizada, pelo aumento da solidariedade, pela suspensão de certas mesquinharias corriqueiras.

E isso é palpável. Claro que não se aplica a todos, infelizmente, mas a muitas pessoas. O que já faz a diferença.

Em que outra época, por exemplo, eu veria um rapazinho de 24 anos, de Belo Horizonte, se juntando a um frei do Vale do Jequitinhonha — uma das regiões mais pobres do Brasil, encravada na minha linda Minas Gerais –, utilizando da tecnologia de um site bem bacana para tentar angariar R$ 2.000 (vejam bem, não é uma fortuna que possa ser ambicionada por algum corrupto filho da mãe. Na verdade, é pouco mais de 10% do salário que os vereadores de Belo Horizonte querem se dar de presente de Natal, e que o prefeito Marcio Lacerda deve autorizar, com o silêncio conivente da população, que nunca foi de protestar e não vai fazer isso agora)?

Com R$ 2.000, os dois pretendem comprar presentes e comidas gostosas para as crianças do Vale. E o dinheiro, mesmo sem ser uma fortuna, já garante uma festazinha legal.

Até a hora em que escrevo este post, as pessoas já doaram R$ 560, ou 28% do objetivo final.

Temos até sexta-feira para ajudá-los nesta empreitada. O pagamento pode ser feito por cartão de crédito, boleto ou transferência bancária, pelo sistema Pagamento Seguro, que é de confiança. Tomará 5 minutos do seu dia e alguns tostões da sua conta bancária, a depender do seu humor do momento. Então, VÁ EM FRENTE e manifeste seu espírito natalino 😉

(E passe adiante a ideia, plis)

Leia mais sobre minha época do ano favorita: