Saiba como você pode contribuir com o blog

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A contribuição dos leitores sempre foi muito bem-vinda neste blog.

Na última quarta-feira, por exemplo, a leitora Dri contribuiu imensamente oferecendo uma sugestão de pauta, que depois virou post (e foi um dos textos que mais gostei de escrever nos últimos tempos!). Quem quiser enviar uma sugestão de pauta, pode registrar nos comentários dos posts ou me enviar por email.

Também adoro quando os leitores enviam um texto bacana, já pronto para publicação. Às vezes até pego comentários e os transformo em posts, como fiz com um comentário do Matheus no mês passado.

Além disso, é possível contribuir com ideias, não só para posts: outro dia, o leitor Gustavo me sugeriu fazer um concurso literário do blog e estou matutando como vou colocar o plano — que achei excelente — em prática.

Outro jeito de contribuir com o blog é divulgando os posts, seguindo a página nas redes sociais (Twitter e Facebook) e assinando o blog para receber os posts, de graça e diariamente, por email. Assim, os leitores contribuem aumentando a rede do blog e o alcance das publicações. Cá pra nós: a gente escreve para ser lido, né? Então, nada melhor que saber que um texto foi lido por muita gente 😉

E, a partir de agora, a página aceita outro tipo de contribuição: o patrocínio dos leitores. Quem quiser fazer doações ao blog, na quantia e na frequência que quiser, agora também será possível, como já acontece em vários outros blogs. Explico melhor numa nova aba que criei, que ficará fixa na coluna da esquerda, e também pode ser acessada AQUI.

Ficou interessado? Então é só clicar no botão abaixo e fazer sua doação, através de um canal de confiança, que é o PagSeguro. Não é preciso ter cadastro lá para doar:

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Espero que o blog só cresça, cada vez mais, com todas essas contribuições dessa incrível rede de leitores que ajuda a construir este espaço comigo 😀 Obrigada por tornarem este projeto possível!

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Tentando entender os protestos, nesta barafunda de interpretações

São Paulo protesta. (Foto: Miguel Schincariol/AFP)

São Paulo protesta. (Foto: Miguel Schincariol/AFP)

Aparecem vários sociólogos, cientistas políticos, políticos e jornalistas para oferecer sua versão do que é essa massa de mais de 200 mil brasileiros, em dezenas de cidades, protestando há vários dias por um Brasil melhor.

Difícil, já que estudaram a vida inteira, desde a escola, que manifestação tem que ter liderança, bandeira, causa e objetivo. Esta que vivenciamos agora é fluida, diluída, horizontal e, embora não tenha objetivos muito claros, tem uma porção deles.

Brasília protesta. (Ronaldo de Oliveira/CB/D.A Press)

Brasília protesta. (Ronaldo de Oliveira/CB/D.A Press)

Foto: Mídia NINJA, retratando o fato mais emblemático do dia!

Foto: Mídia NINJA, retratando o fato mais emblemático do dia!

Duas circunstâncias agilizaram o movimento, na minha interpretação:

1- A força das redes sociais, que já tinham propiciado várias mobilizações, por causas das menos nobres, com sucesso. O Facebook, especificamente, que propicia a criação de eventos, onde qualquer um pode “confirmar presença”, onde se pode criar enquetes para definir os melhores dias, horários, hinos, cores de roupas, dentre várias coisas, para um protesto. Quer ferramenta mais maravilhosa que esta para um movimento democrático? Sem censura, sem moderação.

2- Um evento internacional, que está em todas as mídias do planeta, comandado por uma instituição velha e corrupta, que é a Fifa, caindo no colo do Brasil. Lentes de aumento, luzes, câmera e ação voltados diretamente para o país, proporcionando o que todo movimento que já tinha como começar e já tinha pessoas com presença confirmada quer: divulgação, para atrair mais pessoas e fazer com que as pessoas tomem uma posição, seja ela qual for.

Ignorar é que não dá, quando se vê que até um jornal da Irlanda estampa em sua primeira página o que ocorre aqui na esquina. Até os mais alienados se vêem forçados a pensar a respeito e decidir de que lado sambam.

E esse lado não estava bem definido quando o protesto começou com um enfoque maior para a “gota d’água” das insatisfações, que foi o aumento das tarifas de ônibus para um transporte público tão precário, e a pauta da tarifa zero. TVs e jornais deram destaque maior ao vandalismo cometido por uma minoria. Ainda estavam longe de entender as reivindicações da massa.

Eis que o governo paulista de Geraldo Alckmin e sua polícia militar deram um empurrãozinho na noite de quinta, aos extrapolarem na repressão, em plena época de Comissão da Verdade e afins: o lado da opinião pública foi tomado de vez. Os indecisos resolveram pular suas cercas e agir, e participar. O movimento, que ainda não era nacional, explodiu de vez.

Salvador protesta. (Nelson Barros Neto/Folhapress)

Salvador protesta. (Nelson Barros Neto/Folhapress)

Esses manifestantes podem ser, sim, em sua maioria jovens (como, aliás, desde a tomada da Bastilha e a queda do czar), de classe média, bem escolarizados etc. Por isso, há os que os tacham de elite, de jovens ignorantes e revoltados sem causa, como se os jovens fossem menos espertos que os adultos que temos por aí. Mas ocorre que também há velhos, há trabalhadores de todas as camadas sociais, aposentados, grevistas, há pessoas que já estavam acostumadas a lutar pelos direitos dos negros, dos gays, das mulheres, dos ciclistas e vários outros, há diretores de grêmios e de DCEs, além de pessoas que nunca tinham protestado contra nada nesta vida e se consideravam conservadoras e passivas. Uma confluência de movimentos e causas de uma multidão de cidadãos – enfim, cidadãos – que têm em comum principalmente sua visão de que vivem numa democracia que lhes dá direito de se expressarem livremente.

Expressar… Eis aí outro ponto forte que move esses protestos: a comunicação. Os dois itens que listei acima passam diretamente pela comunicação. E a repercussão dos movimentos pela internet, que não dependem só dos grandes veículos para se fazerem ouvir, também se trata disso.

O Rio protesta. (Foto: AP/Felipe Dana)

O Rio protesta. (Foto: AP/Felipe Dana)

Vai dar em algo? A galera pergunta. Os sociólogos dão seus palpites. Eu dou o meu também, como sempre fiz:

o Ocupy Wall Street, que era bem parecido em vários sentidos (mas num país com mais tradição em megaprotestos), durou mais de dois meses e acabou não mudando nada muito profundo. Mas só de os jovens brasileiros adotarem os megaprotestos em suas agendas de conscientização política – negando a nojeira que é o fla-flu do PT X PSDB, que já CANSOU, sendo usada desde a chegada do PT à presidência, geralmente orquestrada por pessoas muito bem pagas pra isso, de ambos os “times” –, já é um avanço e tanto! Esse grupo que vai às ruas faz questão de se posicionar acima de qualquer partido ou instituição, o que já me parece maravilhoso – certamente, muito mais democrático.

Como vários cartazes dizem por aí, “o gigante acordou”. Se nada mais mudar, só essa sacudida já terá valido muito. Mas algo me diz que muito mais vem por aí. Nossos netos vão estudar a “revolta do vinagre”, como nós estudamos a da vacina, a dos emboabas e a dos mascates. Como já constam nos livros também a dos caras-pintadas do “Fora Collor”. Sem se limitarem às inocentes hashtags do #forasarney.

E Beagá protesta. (Foto: Mariela Guimarães/O tempo)

E Beagá protesta. (Foto: Mariela Guimarães/O Tempo) – Vídeo AQUI.

PS. Sugiro aos que realmente querem entender o movimento que participem dele. Que vão também às ruas, acompanhem as redes sociais e conversem com os demais manifestantes, para entender e perceber como são heterogêneos. E os que são alienados a ponto de só reclamarem de engarrafamentos e transtornos, com o pau quebrando ao redor, boa sorte nesta nova era da Comunicação que se abre.

PS.S. A polícia não parou sua repressão! Em BH houve bombas de gás e, no Rio, até tiros com fuzis e pistolas, com balas de verdade!

Atualização na terça-feira: Perfil dos manifestantes em SP, segundo o Datafolha:

  • 84% não têm preferência por algum partido
  • 77% têm nível superior
  • 22% são estudantes (pra quem diz que só tem estudante protestando)
  • 53% têm menos de 25 anos (então a maioria é de trabalhador recém-formado)

O que mais me alegrou foi o primeiro número. Rumo ao fim do fla-flu insuportável entre petistas e tucanos! Por uma consciência política apartidária, horizontal, democrática e diluída!

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