A vã espera dos defensores de Luiz Inácio Lula da Silva

Texto escrito por José de Souza Castro:

Ministro Edson Fachin durante sessão plenária. Foto: Rosinei Coutinho/SCO/STF (25/09/2019)

Depois que o relator da Lava Jato no STF (Supremo Tribunal Federal), ministro Edson Fachin, votou na tarde desta quarta-feira (25) “contra o recurso que pode anular uma das sentenças do ex-presidente Lula e provocar uma reviravolta nos casos da operação”, a sessão foi suspensa. Os 10 ministros que votarão na tarde desta quinta (26) vão poder digerir, por algumas horas, o longo voto do relator. Quem votará contra ele?

O trecho entre aspas acima é da “Folha”, que deu a notícia com o título “STF adia julgamento de ação que pode afetar Lula e Lava Jato”, enquanto o G1, do Grupo Globo, escolheu este: “Relator no STF vota contra tese que pode levar à anulação de sentenças da Lava Jato”.

Se um e outro desses gigantes do jornalismo pátrio acreditasse que sentenças da Lava Jato seriam anuladas por causa desse julgamento no Supremo, nenhum teria escolhido títulos tão coincidentes.
Escolheram, porque não acreditam. Escolheram porque, ao não acreditar, não deixariam passar ao largo a oportunidade de reforçar as sentenças de Sergio Moro na Lava Jato, que tão bem fizeram ao atual estado de coisas no Brasil com a prisão de Lula, tão desejada por eles.

Foi também por não acreditar que o presidente do Supremo, Dias Toffoli, marcou para esta semana o tal julgamento. No qual Edson Fachin, que fora derrotado na segunda turma no julgamento do ex-presidente do Banco do Brasil Aldemir Bendine, pôde nadar de braçada ao abraçar a tese da Procuradoria Geral da República, apresentada nesta quarta-feira pelo procurador geral interino, Alcides Martins.

Em julgamento não estava Lula, como a imprensa, espertamente, se esforçou por dar a entender ao público, nos últimos dias. O que os 11 ministros julgavam era um habeas corpus apresentado pelos advogados de um ex-gerente da Petrobras, Márcio de Almeida Ferreira, condenado na Lava Jato em Curitiba a 10 anos e três meses de prisão e cujo recurso no Tribunal Regional Federal, em Porto Alegre, ainda não foi julgado.

Como no caso de Bendine, a defesa argumenta que réus delatados deveriam apresentar alegações finais no processo após os réus delatores, o que não foi feito neste e em todos os outros casos julgados por Sergio Moro.

A diferença, que facilitou a vida de Edson Fachin, é que, ao contrário do processo contra Bendine, a defesa não apresentou o argumento ao juiz de primeira instância, Sergio Moro, mas só ao Supremo, depois da vitória do ex-presidente do BB na segunda turma do STF. Outra facilidade, segundo o próprio Fachin: a defesa de Ferreira sequer argumentou que a ordem das alegações finais teria causado prejuízo “efetivo, concreto e específico” ao cliente.

Claro, Fachin gastou páginas e mais páginas do seu tedioso voto para afirmar, com base em entendimentos anteriores de ministros do Supremo, que não importa a ordem em que as alegações finais são apresentadas ao juiz, sejam elas da defesa ou da acusação, e que o mais importante é se houve ou não prejuízos à defesa do réu.

É esperar os votos de mais 10 ministros do Supremo. Alguém duvida do resultado do julgamento? Se o resultado for o esperado pelo presidente do Supremo, pela imprensa, pelo ministro da Justiça e, vá lá, por Deus e o Diabo, coitado do Lula.

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Minha seleção pessoal de notícias boas que ajudei a divulgar

Foto: Nidin Sanches / Canguru

 

Na semana passada, compartilhei aqui minha exasperação ao ler apenas notícias tenebrosas no noticiário em geral. Crimes e outros relatos, principalmente nas editorias de Cidades, de fazer a gente perder a fé na humanidade. Tipo tatuagem na testa de garoto e afins.

Instei os leitores a procurarem notícias boas nos sites e jornais e me ajudarem a formar uma coleção de histórias bacanas e inspiradoras aqui no blog – mas recebi pouquíssimo retorno, porque a maioria só encontrou notícias péssimas mesmo.

Por fim, meu pai escreveu ontem um contraponto a essas divagações, em que contou do esforço dos governos, desde sempre, em comprarem a imprensa para apenas noticiarem coisas boas sobre o país/Estado/cidade e sobre o interesse maior dos leitores em lerem noticias ruins do que boas.

Pra fechar o assunto, que já está rendendo demais, quero apenas deixar claro que as notícias boas que eu defendo no noticiário não são aquelas pagas ou encomendadas pelo governante-anunciante da vez, mas as várias histórias incríveis que pululam ao nosso redor, e que cabe ao repórter com alguma sensibilidade conseguir descobrir e recontar.

Felizmente, tive a oportunidade de tomar conhecimento de algumas dessas histórias, nos veículos onde trabalhei, e sempre gostei de valorizá-las em minhas sugestões em pauta. Em meio ao negativismo majoritário, dos acidentes, crimes, desvios e cagadas em geral dos governantes, acho que cabe um respiro de humanidade.

Compartilho aqui 20 reportagens que gostei de ter feito e que, mesmo quando não se tratam 100% de “notícias boas”, muitas vezes carregam histórias curiosas que fazem os olhos da gente brilharem um tiquinho: Continuar lendo

O artista que espalha palhacinhos pelas ruas de BH

Palhacinho de Zack, na esquina da av. Francisco Sales, Carandaí e rua Grão Pará, no Santa Efigênia. Fotografado por CMC em 13.4.2014.

Já que falei aqui no blog, no último post, sobre os grafites de Beagá, vale a pena destacar hoje a ótima entrevista que o Beto Trajano (meu marido) fez com um dos meus grafiteiros favoritos: o Nilo Zack, que pinta palhacinhos pela capital mineira. Aí em cima tem uma foto que fiz de um dos lindos palhacinhos do Zack.

O trabalho dele é muito legal e, na entrevista, ele conta como começou a carreira, como é o processo de criação e fala até da picuinha da Prefeitura de BH, que chega a cobrar taxa de quem contrata um grafite, como se fosse uma propaganda de outdoor. Ê, Marcio Lacerda…!

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Jogo eleitoral com propostas genéricas

jogoeleitoral

Já estamos todos devidamente no clima das eleições municipais, né? É bom estarmos, porque o primeiro turno já é neste domingo. Em meu primeiro post sobre o assunto, coloquei dicas para alguns sites onde é possível coletar informações sobre os candidatos. A começar pelo site do TSE, onde estão registrados os planos de governo dos 11 candidatos à Prefeitura de BH.

Está com preguiça de ler todo aquele blablablá? Recomendo mais um link: o jogo eleitoral que foi formulado pelo portal “G1”.

Brinquei com esse jogo no último fim de semana. Sabe o que descobri? Que as propostas dos 11 candidatos são praticamente IDÊNTICAS, independente de o cara ser de extrema-direita ou extrema-esquerda, de ser governista ou da oposição.

“Que medida irá tomar para melhorar o ensino na educação infantil da cidade?”, começa o jogo. Quase todos responderam algo como ampliar vagas nas UMEIs, ou expandir vagas na UMEIs, ou, se mais ousado, “universalizar” essas vagas.

“Qual é sua principal proposta para melhorar o sistema de ônibus na cidade?” E lá vai a maioria falando em incrementar o Move.

Tudo segue na mesma toada quando o assunto é metrô, ocupação de sem-teto, morador de rua, turismo, Pampulha, crack e inundações na época de chuvas. Além de as propostas serem muito parecidas, 90% delas são genéricas demais, mais preocupadas em apresentar frases de efeito do que soluções concretas e práticas para a cidade.

Sabe qual foi o resultado do meu jogo? Empate! Isso mesmo, consegui a proeza de votar, às cegas, praticamente uma resposta de cada candidato. É que fui procurando a resposta que apresentava uma solução mais prática em cada caso, e aí imagino que eu tenha votado no único campo de conhecimento que cada candidato realmente possui. Se fosse tomar minha decisão com base no jogo (ou seja, nos programas de governo de cada candidato), eu teria que anular meu voto.

Claro que a gente coloca outras coisas na balança ao decidir por um candidato. Eu considero, por exemplo, o nome do vice, a composição da chapa, o grupo político que aquele nome representa, o histórico de vida daquele candidato, se ele ou o grupo dele já ocupou o poder e como foi esse desempenho, dentre vários outros fatores. As promessas, infelizmente, não estão no topo dos meus pré-requisitos, porque, como bem demonstra esse joguinho do G1, elas são, em geral, vazias e genéricas. É como se o cara tivesse copiado e colado uma resposta de um candidato de outro país, ou de outra década – e acaba valendo.

E você: que critérios usa para escolher seu candidato? As propostas do seu candidato refletem seu ideal? Ao escolher as propostas no jogo do G1 você se surpreendeu com o candidato que é autor da maioria delas? Comente aí 😉

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Dez anos de jornalismo (com nova mudança de emprego)

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São mais de 13 anos como blogueira, mas 10 como jornalista mesmo. Um mochilão que só cresce!

Foi em agosto de 2006, há exatamente dez anos portanto, que comecei meu estágio da rádio UFMG Educativa, dando a largada para minha carreira como jornalista. Lá aprendi um monte de coisas com a Tacy Arce e a Grazi Mendes, amigas até hoje.

Desde então, completei a graduação, tirei o diploma de Comunicação Social pela UFMG em julho de 2007, entrei no programa de trainees da “Folha de S.Paulo” em março de 2008, fiz um monte de coisas naquele jornal — até um livro! — até setembro de 2012, voltei a Beagá, passei rapidamente pelo G1, e, nos últimos três anos e meio, estive no jornal “O Tempo”.

Nessa caminhada, continuei aprendendo mais um bocado — assim como há dez anos — e fiz uma das coisas que mais gosto no universo: repassei adiante o que eu tinha aprendido (já falei que um dia quero ser professora, né?).

Agora, com 10 anos de profissão nas costas (um verdadeiro mochilão, que encheu rápido demais!), comecei um novo desafio: virei editora da revista “Canguru“, cujo projeto me encantou desde o primeiro momento em que vi. Além de assumir uma função diferente das que já experimentei, vou tratar de temas nos quais estou mergulhada até o talo: a maternidade e a criação de filhos.

Eu não podia deixar de dividir isso aqui no blog, como fiz quando tomei a decisão de pedir demissão da “Folha” e sair de São Paulo. Já até atualizei a seção “Quem somos nós?“.

Que venham mais dez anos de jornalismo — e mais dez, e mais dez, e mais dez…! 😀

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