Por menos gritos, muros e ódio nos discursos dos meus amigos de Facebook

Não posso simplesmente deletar minha conta do Facebook, porque trabalho com o Facebook. Faz parte das minhas funções profissionais. Também é por esta rede social que melhor divulgo os posts deste blog de estimação.

Mas, se pudesse, já teria mandado esse circo do tio Zuckerberg pelos ares!

A culpa não é do Facebook, é claro. Ele é apenas um espelho (meio retorcido) da sociedade do lado de cá das telas. E é claro também que leio muitos textos legais ali dentro. Saio curtindo uma porção de fotos incríveis de pôr-do-sol lindo na praia tal, de bebê fofo fazendo uma estripulia, de casais apaixonados celebrando a vida. Dá até para ficar relativamente por dentro da vida de meia dúzia de amigos sumidos que os robozinhos do Facebook permitem que eu veja com frequência em minha timeline.

Essa parte é a parte boa.

Mas quando, vez ou outra, resolvo ler mais a fundo os textões e textinhos que são compartilhados ali, saio meio zonza, com uma sensação de embrulho no estômago, de ter levado mil pauladas. Mal estar danado. Continuar lendo

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80 minutos com quatro atores geniais

Para ver no cinema: DEUS DA CARNIFICINA (Carnage)

Nota 7

 

O filme se passa em praticamente um só cenário (sala de estar da casa), que muito pouco se alterna com mais quatro (hall do elevador, cozinha e banheiro da casa e um parque da cidade).

Seus personagens são dois casais, que passam o filme inteiro discutindo a briga entre os filhos. Como em outros filmes com a mesma premissa, como o ótimo chileno “Na Cama“, o assunto inicial vai se desdobrando em vários outros conflitos, ao longo dos 80 minutos de duração.

Para conseguir essa proeza, Roman Polanski teve que contar com quatro indiscutivelmente excelentes atores, que interpretam personagens bem diferentes entre si e bem delineados (também plausíveis, porque conheço gente com todas aquelas personalidades). Vamos conhecendo cada um ao longo do filme e eles são defendidos com drama, mas principalmente muito bom humor.

O melhor é o Alan, feito pelo sensacional Christoph Waltz, que impressionou o mundo com a atuação em Bastardos Inglórios (e ganhou um Oscar por isso). Ele é demais.

Mas também temos John C. Reilly (de Chicago e tantos outros), Kate Winslet (Oscar por O leitor e indicada por outros cinco filmes) e Jodie Foster (dois Oscar na bagagem).

O filme só não merece nota 10 porque as conversas que o carregam por 80 minutos não têm muita profundidade, nem tanta graça assim. Faltou melhorar o argumento.

Mesmo assim, guardei dele, além das risadas, uma reflexão bem interessante:

quanto mais crescemos, mais complicados nos tornamos, com todas as nossas regras morais, autoafirmações, rancores guardados há anos, velhas mágoas e ressentimentos empoeirados, hipocrisias sociais, vícios, manias, convenções e incompatibilidades. Crianças são capazes de dar um murro umas nas outras e, no dia seguinte, estar de bem de novo, seguindo a vida com leveza.

Ou seja: viver é agregar fardos pesados e o desafio do envelhecimento é conseguir libertá-los, em busca de uma alma leve de criança.