Por menos gritos, muros e ódio nos discursos dos meus amigos de Facebook

Não posso simplesmente deletar minha conta do Facebook, porque trabalho com o Facebook. Faz parte das minhas funções profissionais. Também é por esta rede social que melhor divulgo os posts deste blog de estimação.

Mas, se pudesse, já teria mandado esse circo do tio Zuckerberg pelos ares!

A culpa não é do Facebook, é claro. Ele é apenas um espelho (meio retorcido) da sociedade do lado de cá das telas. E é claro também que leio muitos textos legais ali dentro. Saio curtindo uma porção de fotos incríveis de pôr-do-sol lindo na praia tal, de bebê fofo fazendo uma estripulia, de casais apaixonados celebrando a vida. Dá até para ficar relativamente por dentro da vida de meia dúzia de amigos sumidos que os robozinhos do Facebook permitem que eu veja com frequência em minha timeline.

Essa parte é a parte boa.

Mas quando, vez ou outra, resolvo ler mais a fundo os textões e textinhos que são compartilhados ali, saio meio zonza, com uma sensação de embrulho no estômago, de ter levado mil pauladas. Mal estar danado.

E olha que concordo com 70% do que meus amigos de Facebook escrevem (acho que já bloqueei os que falavam muita asneira). Não é questão nem de estar lendo gente aplaudindo Bolsonaros da vida. São pessoas bacanas e sérias, escrevendo geralmente coisas que fazem sentido para mim.

O problema é a forma como fazem isso.

Onde foi parar o bom humor? É tanto ódio embutido nos textos de Facebook, tanto veneno, tanta agressividade. Qualquer debate vira rapidamente uma troca de farpas pontudas e enferrujadas e cheias de tétano. O circo está sempre pegando fogo, já repararam? As pessoas sempre se colocam como oráculos e terminam os textos com algo na linha do “obrigada, de nada”, “faz desse jeito que estou falando, pfvr”. Tem muita gente rosnando, ladrando e latindo. Quase ninguém dialogando pra valer.

Muito julgamento, muito apontar de dedos.

Compreendo que estamos num momento em que a palavra-chave, talvez a palavra do ano, seja “empoderamento”. E o discurso do empoderamento é isso mesmo: dá um poder danado pra gente. Mas muitas vezes esse poder é confundido com arrogância.

Posso estar enganada, é claro, mas tenho pra mim que o grito afasta. Quando gritamos com nossos filhos, por exemplo, estamos afastando eles um pouquinho de nós. O grito é uma muralha, que nos empodera, mas também isola nossos  discursos. E eu sou da turma que prefere as pontes aos muros. Acho que quando a pessoa vem com pedras, ela não atrai pensamentos destoantes, ela os afasta ainda mais. Quando vem com sopros, com flores e com serenidade, ela se faz ouvir.

Quantos heróis e heroínas do passado já nos ensinaram essa estratégia?

Eu também já fui da turma da guerrilha, dos berros, dos palavrões. Mas quando eu era adolescente. Hoje defendo o bom humor, a leveza e a serenidade. E sei, por experiência própria, que esses três ingredientes doces (vez por outra apimentados com uma ironia e um sarcasmozinho aqui ou ali) são capazes de mudar as ideias de muita gente. Fora a tolerância, a gentileza, a cordialidade…

(Claro que nem sempre consigo também. Mas meu esforço diário caminha nesse sentido.)

Eu queria poder navegar por esse retrato da nossa sociedade atual, o Facebook, sem ler tanto ódio nas linhas e entrelinhas, sem tanto grito de guerra, sem tanto piti. Fica meu pedido: por mais leveza, por mais BOM HUMOR e por mais serenidade neste mundão virtual e real! Só assim conseguiremos evoluir sem perder o fígado no meio do caminho 😉

Preservem meu fígado 😉

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2 comentários sobre “Por menos gritos, muros e ódio nos discursos dos meus amigos de Facebook

  1. Tenho reduzido minhas visitas ao Facebook, Cris, justamente por este motivo: é muito ódio, muito grito, muita “lacração” e pouco humor e tolerância. Debater virtuais, nem pensar: ali é o grito que prevalece, seguido não raramente de ofensas e o supra-sumo do “informe-se melhor”. :/

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