A entrega do Brasil aos pedaços ao capital estrangeiro

Charge do Casso

Charge do Casso

Texto escrito por José de Souza Castro:

Vivemos um tempo em que fatos e atos se atropelam, levando de cambulhada os que tentam pôr ordem ao caos sem perder o fio da meada. Poucos. A maioria parece se comportar como Astrogildo, protagonista de “A Lua vem da Ásia”, livro escrito pelo mineiro de Uberaba Campos de Carvalho em meados do século passado. O louco Astrogildo dizia não acreditar “em quaisquer outras coisas passadas, presentes ou futuras”.

Quem não é louco precisa acreditar que o Brasil atravessa uma crise política, econômica e social sem paralelo em nossa história, a qual, com muito esforço de todos – e não apenas da maioria trabalhadora e os mais pobres – pode ser superada. Sem isso, tudo o que os brasileiros vêm construindo desde os tempos de Astrogildo será destruído.

A começar pelo próprio país, se vingar a proposta em gestação no governo Temer de vender aos pedaços, ao capital internacional, seu território.

Há seis meses, o governo brasileiro iniciou com os Estados Unidos negociações para que eles pudessem usar as instalações de Alcântara, no Maranhão, para lançamento de satélites. É uma ideia discutida, em 2002, no governo Fernando Henrique Cardoso, engavetada nos governos petistas e que retorna com força total – e muito mais entreguista.

Se depender do ministro da Defesa, Raul Jungmann, o Centro de Lançamento de Alcântara se transformará em algo como a Base Naval da Baía de Guantánamo, um pedaço de Cuba, de 117 km², ocupado pelos Estados Unidos desde 1903, em troca de um aluguel anual de 2 mil dólares, sem cláusula de reajuste. O valor se tornou tão ínfimo que, em 1960, Fidel Castro passou a não mais cobrá-lo, exigindo, sem êxito, a devolução do território aos cubanos.

Alcântara, que ocupa área de pouco mais de oito mil hectares, talvez seja o menor de nossos problemas, pois áreas ainda mais extensas e valiosas, como partes do Pré-Sal, e setores estratégicos, estão em vias de serem entregues na bacia das almas ao capital estrangeiro pelo governo Temer.

A Lava Jato, infelizmente, vem contribuindo para isso – em sigilo ou não.

Quatro dias depois do acidente, um juiz da 1ª Vara Federal de Angra dos Reis decretou o sigilo das investigações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal sobre a queda do avião que transportava o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Teori Zavascki e outras quatro pessoas. O sigilo ajudou a imprensa brasileira a esquecer, por enquanto, a morte do juiz que era o responsável maior pelo andamento correto da Lava Jato. Continuar lendo

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