Dilma em entrevista ao Valor: Temer é fraco e extremamente medroso

Foto: Roberto Stuckert Filho/PR

Texto escrito por José de Souza Castro:

“A segunda torre de Dilma” é o título de longa entrevista publicada nesta sexta-feira no caderno Cultura e Estilo do jornal “Valor Econômico”, do mesmo grupo dono de “O Globo” e da TV Globo. A reportagem assinada por Maria Cristina Fernandes, feita na quinta-feira pós-carnaval e publicada 15 dias depois, é extensa – afinal, foram quase quatro horas de entrevista no apartamento da ex-presidente em Porto Alegre – e vale ser lida na íntegra.

Não conheço pessoalmente a repórter, que trabalha no “Valor” desde sua criação no ano 2000, a maior parte do tempo como editora de política, mas tenho excelentes referências dela. Por exemplo, aqui. E esta sua reportagem confirma seu valor profissional. Além do livro “Os candidatos”, publicado pela Companhia das Letras.

Posso imaginar, pela experiência que tive no “Globo”, que Maria Cristina gastou muito mais tempo do que o da entrevista, negociando no jornal a publicação do texto. É possível que ela teve que ceder em alguns pontos, mas não é qualquer jornalista, trabalhando para um grupo que vem se beneficiando do governo Temer, na distribuição da verba publicitária, que conseguiria emplacar essa fala de Dilma Rousseff no jornal dos Marinhos:

“Saber demais não significa que você é capaz de impedir algumas coisas. Por exemplo, o gato angorá [Moreira Franco] tem uma bronca danada de mim porque eu não o deixei roubar, querida. É literal isso: eu não deixei o gato angorá roubar na Secretaria de Aviação Civil. Chamei o Temer e disse: “Ele não fica. Não fica!”. Porque algumas coisas são absurdas, outras não consegui impedir. Porque para isso eu tinha de ter um nível de ruptura mais aberto, e eu não tinha prova, não tinha certeza, entendeu? Não acho que é relevante fazer fofoca, conversinha. Posso contar mil coisas do Padilha e do Temer, então? Porque o Temer é isso que está aí, querida. Não adianta toda a mídia falar que ele é habilidoso. Temer é um cara frágil. Extremamente frágil. Fraco. Medroso. Completamente medroso. Padilha não é. A hora em que ele [Temer] começa assim [em pé, mostra as mãos em sentido contrário, com os dedos apertados em forma de gancho]. É um cara que não enfrenta nada!”.

Diz a repórter que foi na tessitura das relações com as quais tentou permanecer no poder que a presidente reconhece seu segundo erro: levar Michel Temer para o coração da articulação política. O então vice-presidente percebeu a fragilidade do governo junto a uma base que não parava de se queixar. Ao lado de Eliseu Padilha, atual ministro-chefe da Casa Civil, à época na Aviação Civil, mapeou o cerco. “Arrepende-se de tê-lo colocado dentro do governo?”, pergunta a repórter.

“Olha, minha filha, não sabíamos que o nível de cumplicidade dele com o Eduardo Cunha era tão grande. Nenhum de nós sabia, nem o Lula. Depois é que descobrimos. Ele sempre negou essa cumplicidade que agora todo mundo já sabe”, respondeu Dilma. E passa a explicar porque “saber demais não significa que você é capaz de impedir algumas coisas”, como já transcrito.

Antes de dizer como Dilma vive hoje, a repórter escreve que estão à vista na estante do escritório onde faz a entrevista os dois primeiros volumes dos diários de Fernando Henrique Cardoso, presenteados por duas jornalistas, e que a entrevistada diz que não os leu.

Muito já se falou da maneira grandiosa como FHC vive, inclusive por mim desde que o sociólogo deixou a Presidência da República,. E como vive a economista Dilma? Deixo para a entrevistadora do “Valor” a resposta:

“Dilma vive com a aposentadoria do INSS de R$5.578,00 e a renda de aluguéis de imóveis deixados pelo pai, que ainda custeiam o sustento da mãe, Dona Dilma, e do irmão, Igor. Não revela a renda mensal, mas é dela que tira ainda o aluguel de um depósito onde guarda os objetos ganhos durante a Presidência, e a viagem mensal que faz a Belo Horizonte para visitar a mãe de 94 anos. (…) Passou a receber a aposentadoria assim que deixou a Presidência, aos 68 anos, mas enfrenta batalha jurídica com o governo para que, além da idade e dos anos trabalhados, se leve em consideração também o período da clandestinidade pelo qual foi anistiada. Atribui a pendenga à perseguição e diz que a única reparação que pretende é a do reconhecimento formal, no documento previdenciário, da anistia”.

Encerro por aqui, recomendando, mais uma vez, a leitura da reportagem. Enquanto escrevo, às 13h desta sexta-feira, havia mais de 2,9 mil compartilhamentos do artigo, só na página do “Valor”.

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