Todo mundo cortando a água!

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Pois é, como eu disse ontem, o racionamento foi decretado em Minas. Ou quase. A Copasa deu a entender que só precisa de um aval do Igam para bater o martelo e começar a implementar políticas de rodízio e mesmo de sobretaxa pelo uso da água nos mais de 600 municípios mineiros atendidos por ela. Pediu economia de 30% no uso da água – o que pouco fará diferença na minha casa ou na sua, mas que com certeza vai ter um peso imenso se o corte for realmente adotado pelas grandes indústrias. Veremos…

Enquanto isso, a situação dos nossos reservatórios mineiros, que são gerenciados pela Copasa, está periclitante. De uma forma que nem imaginávamos, já que o governo anterior (a dobradinha Aécio/Anastasia) jamais veio a público falar a respeito.

Recomendo a leitura das reportagens de hoje do jornal “O Tempo”, onde trabalho, que está fazendo uma cobertura muito completa sobre a crise hídrica em Minas:

Para quem não leu ainda, sugiro ler o post de ontem aqui do blog, chamando as autoridades de todo o país e de todos os partidos políticos à responsabilidade.

E, para fechar, se você também quer fazer sua parte, e inclusive atender ao apelo da Copasa de reduzir em 30% a água consumida em sua casa, relembre as 17 maneiras simples de racionarmos a água por conta própria, clicando AQUI 😉

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Só tenho uma coisa a dizer

CHOVEEEEEEEUUUUUUUUUUUU!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!! EEEEEEEEEEEEEEEEEEÊÊÊÊÊ!!!!!!!!!!!!!!! 😀

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De novo, o desperdício de água

Não adianta a gente se esforçar para evitar o desperdício de água no nosso apartamento se, no prédio, a faxineira continua lavando a calçada com mangueira durante vários minutos.

Outro dia a Cecília Quintão, irmã de uma amiga minha, flagrou o pessoal de limpeza do Centro Cultural do Banco do Brasil lavando AS PAREDES do prédio com mangueira! Pasmem:

A culpa não necessariamente é deles: muitos estão só seguindo ordens. A falta de consciência foi tema da charge do Duke nesta quinta-feira (16). As pessoas dão de ombros enquanto a água continua pingando em suas torneiras. Beira o cinismo:

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A questão é: até quando a água vai continuar pingando? O racionamento já chegou à nossa porta aqui na Grande BH! Ontem, Caeté, que fica já na região metropolitana, decretou estado de emergência e vai cortar o fornecimento de água, diariamente, de 10h às 20h, para todos os moradores da cidade, por um período de 60 dias, prorrogáveis por mais 60. Também ficou proibido lavar calçadas e carros com mangueira ou encher piscina, por exemplo, sob pena de multa. Em Formiga, já foi decretado estado de calamidade pública, que é uma situação ainda mais grave. Em BH, a Copasa não está assumindo ainda o racionamento, mas vários bairros, como Padre Eustáquio, Sagrada Família, Floresta e Santa Tereza estão enfrentando cortes de água. Logo vão ter que decretar estado de emergência aqui também, não vai dar pra fugir do assunto pra sempre.

Se as pessoas não têm essa consciência sempre — como deveriam — que a desenvolvam pelo menos em tempos de crise. Já está passando da hora, a ampulheta já virou.

Atualização em 17/10: Já falta água em 81 bairros de Belo Horizonte. Se a Copasa não admite é uma questão de transparência, mas o racionamento já chegou à capital mineira. CLIQUE AQUI para ver a reportagem de Ludmila Pizarro.

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17 maneiras simples de racionarmos a água por conta própria

Ferrou-se: a principal nascente do rio São Francisco secou. A estiagem já impacta a vida de mais da metade dos municípios do país. Já afeta a economia, a produção agrícola, a saúde das pessoas, como eu já falei aqui no blog e vem sendo tema de reportagens praticamente diárias na maioria dos jornais do país. A principal responsabilidade, afora as questões que dizem respeito a São Pedro, é dos governos, em todas as esferas. Nem as prefeituras, nem os Estados e nem o governo federal cuidam direito das nossas bacias e mananciais. E eles ignoram o tema RACIONAMENTO, em ano de eleições, por ser impopular. Ignoram também em anos não-eleitorais por serem problemas que exigem soluções difíceis, caras e de longuíssimo prazo, que só renderão frutos mais concretos a administrações futuras, sabe-se lá se do partido rival… Enfim, o problema da falta d’água só será enfrentado de verdade quando não tiver mais jeito: tiver tudo seco, perdido, poluído, estragado, desertificado. Aí, subitamente, as pessoas vão se preocupar.

Mas, enquanto os governos não nos convocam (e convocam as indústrias, que são as que gastam mais) para um necessário racionamento, que tal nós mesmos racionarmos, por conta própria? Vi a campanha “Não chove não lavo” e pensei: boa! Tá na hora de inventarmos essas pequenas revoluções e termos sacadas como esta — nem que seja só até a próxima temporada de chuva. Eu já tinha aderido a esta campanha há semanas sem nem saber, risos 😀

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Então, aí vamos nós: o que podemos fazer a respeito? Como cuidar desse bem escasso (e finito) que é a água?

Abaixo, algumas sugestões:

  1. Não lavar o carro até a próxima chuvarada (e, ao lavar, usar baldes, em vez de mangueira)
  2. Tomar apenas e no máximo um banho por dia
  3. Não demorar mais que cinco minutos no banho (vale até a dica da Dri de colocar um relógio no banheiro, para não perdermos a noção de tempo!)
  4. Lavar com a metade da frequência o bichinho de estimação (se forem gatos, nem lavar)
  5. OBVIAMENTE não lavar calçada ou telhado com a mangueira, tipo NUNCA (a faxineira do seu prédio faz isso? Oriente ela a não fazer ou peça ao síndico)
  6. Da mesma forma, preferir limpar a área de casa (quintal, varanda, laje, terraço e afins, se existirem) com vassoura, em vez de mangueira. No máximo, um balde com pano e rodo
  7. Fechar a torneira quando estiver ensaboando ou passando detergente nas vasilhas ou passando xampu no cabelo
  8. Não encher a piscina até a próxima temporada de chuvas (e usar lona ou outra coisa pra cobrir a piscina e manter a água pelo máximo de tempo possível, sem necessidade de trocar)
  9. Em vez de banho de mangueira na laje, que tal um banho de regador? É uma delícia e refresca do mesmo jeito 🙂
  10. Regar as plantas só uma vez ao dia e num horário fresco, como manhãzinha e fim de tarde, de preferência com baldes, em vez de mangueira
  11. Dar descarga só quando realmente necessário e não ficar usando privada como se fosse lixeira
  12. Consertar todos os vazamentos e chuveiros pingantes que existirem na sua casa
  13. Só lavar roupa quando estiver com bastante roupa suja acumulada, e só de vez em quando
  14. Lavar os lençóis e toalhas da casa com menos frequência é a dica da Teresa. Afinal, eles costumam ocupar praticamente uma máquina de roupa inteira!
  15. Aproveitar a água da máquina de lavar para lavar o quintal de casa, se você morar em uma casa ou em um apê com quintal. Sugestão da Dri!
  16. A Carol sugere deixar um balde no chuveiro, na hora do banho, e reaproveitar a água coletada na limpeza do chão da casa ou descarga.
  17. Sugerir ao seu condomínio a implantação de conta de água individual, pra conscientizar os que gastam mais ao doer no bolso (mas sei que essa medida não é “simples” como as demais, e tem custo alto, embora logo recompensador)

O que mais que a gente pode fazer? Me ajude a ter ideias e acrescentar à nossa campanha! 😉

 

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Carta a São Pedro

Ontem acordei com o céu, como sempre, azul-azul. Mas, de repente, o tempo fechou. Nuvens surgiram do nada, uma ventania derrubando vasinhos de plantas, o céu sendo pintado de branco-infinito. Fiquei feliz: a chuva! Finalmente!

Eis que, menos de uma hora depois, sem que nenhuma gota caísse, o sol já reaparecia. À noite, mais uma vez, tudo estava tão limpo que todas as estrelas podiam ser vistas. E hoje, de novo, cá está o céu azul-azul, o de brigadeiro.

Assim não dá mais, São Pedro. A garganta acordou arranhada, a poluição machuca nossos olhos e vias respiratórias, os ambulatórios estão lotados, está quente demais. A chuva se faz necessária.

E não só por essas razões individualistas, mas também pelas gerais. Metade dos municípios do Brasil corre risco de desabastecimento de água iminente. Várias cidades estão em situação de emergência agora. Até o rio São Francisco, aquele mar de rio, está ficando sem água, gerando prejuízos incalculáveis para a população que dele depende. A energia, consequentemente, também corre risco. Se não chover pra valer em um mês, a coisa vai ficar bem feia.

Eu sei que a culpa não é só da chuva. Outro dia fiquei irritadíssima — e externei minha irritação — ao ver um sujeito lavando O TELHADO (!) com mangueira. Tenho vontade de chamar a polícia toda vez que vejo alguém fazendo o mesmo com a calçada. E, se os indivíduos já fazem essas merdas, as gestões — municipais, estaduais e federal — tampouco tomam atitudes sérias para coibir o desperdício. É muita água jogada no LIXO, como bem ilustrou o Duke na última sexta-feira:

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Uma série de reportagens, das ótimas repórteres Queila Ariadne e Ana Paula Pedrosa, mostra parte do problema causado pela seca. CLIQUE AQUI para ler “Às Margens da Seca”, do jornal “O Tempo”. Creio que o senhor vai se comover com a situação dos pequenos produtores.

E saiba que, em tempos eleitorais, qualquer coisa — até o clima — é usada de forma politiqueira. Sua inação pode ter consequências até para o nosso futuro político, veja bem.

São Pedro, São Pedro, eu estou com medo. Já imagino a chuva furiosa que vai desabar do céu quando não tiver mais jeito de segurar tanta água aí em cima. Já prevejo as inundações, enchentes, enxurradas, desabamentos e afogamentos. Os alertas da Defesa Civil, os resgates dos bombeiros, os carros ilhados na Prudente de Morais, os pobres que perdem tudo o que têm na lama, as casas que rolam morro abaixo, tanto nos aglomerados quanto nos bairros de luxo, com vista privilegiada da cidade. Fora os acidentes de trânsito, porque ninguém dirige direito na chuva e as pistas ficam escorregadias, sujas de óleo molhado.

Deixa chover, meu São Pedro. E deixa chover aos pouquinhos, com delicadeza. Diariamente, dias e noites inteiros, um dilúvio de 40 dias. As praias e clubes vão esvaziar, as peles vão desbotar, os vendedores de coco vão perder uma graninha, as obras de construção civil vão ter que ser suspensas, os acidentes ainda vão acontecer, os reclamões vão reclamar de tanta chuva em pleno fim de semana, os penteados vão se desfazer antes das festas, as roupas vão demorar mais a secar nos varais, mas ainda assim será um dilúvio necessário e bem-vindo. Fica meu pedido.

Encerro esta carta com uma imagem nostálgica, para o senhor se lembrar de como é bom dormir embalado pelo barulhinho de gotas caindo nas poças:

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Ai, ai…

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