As bênçãos da chuva
Não me lembro ao certo, com data de calendário, mas sei que já fazia muitas semanas que não chovia em minha Beagá. Dizem que mais de 90 dias. Tanto tempo que a chuva de hoje virou manchete do portal, com destaque para todo o caos no trânsito, as quedas de árvore, acidentes, piques de luz e desabamentos de casas de praxe. Tristes notícias para uma chuva de inverno tão suave como esta.
Beagá costumava ter um clima bem estável. Chove muito no verão, especialmente no mês de janeiro, chove ainda um pouco no final da primavera e no começo do outono, mas fica seco-seco-seco de março a setembro. Mas as coisas mudaram. Neste ano, choveu pouco em janeiro e a chuva começou a cair lá pro final de março. Totalmente fora de época, a chuva de abril causou alagamentos e enchentes e deixou pessoas ilhadas.
São as tais mudanças climáticas…
Assim, também inexplicavelmente, hoje Beagá amanheceu pingando em pleno inverno, no mês que era pra ser o mais seco do ano. Mas, afora esse caos noticiado, vejo a chuva com bons olhos. Ela traz um alívio para a poeira do ar, para o ardor dos olhos e da garganta, diminui as filas de rinitentos nos pronto-socorros e ainda refresca as plantas e as plantações.
Me lembrou até um velho poema, que fiz em 2007, quando Beagá ficou longos sete meses a seco, sofrendo com a falta d’água que, neste ano, assolou São Paulo. Pra fechar o post, segue abaixo este pedaço de memória com um pouco das bênçãos da chuva, que quase sempre só é lembrada por seus aspectos negativos:
Bocejo
Após longos sete meses
– chove.
E chove e chove e chove
Cheiro sonoro
Barulhinho molhado
Frescor prateado:
uma alegria me invade.
A chuva canta pra mim,
me descansa, me nina
nananeném.
A chuva é um blues delicado
ilustrado nas sombras de vela
e na paz brilhante do mundo.
Os trovões, imponentes,
calam a rua.
E as gotas nos embalam
Triquiquiando nos vidros.
O céu laranja desaba
curtocircuiando em raios
Enquanto a lua boceja
a preguiça dos homens.
E eu me delicio
Me alivio de uma alma seca
e petrificada de sete meses
que desabrocha para a sina
do amanhã natalino ainda.
(18/10/2007)
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Cristina Moreno de Castro Ver tudo
Mineira de Beagá, jornalista, blogueira, poeta, blueseira, atleticana, otimista, aprendendo a ser mãe. Redes: www.facebook.com/blogdakikacastro, twitter.com/kikacastro www.goodreads.com/kikacastro. Mais blog: http://www.otempo.com.br/blogs/19.180341 e http://www.brasilpost.com.br/cristina-moreno-de-castro
Poema suave…
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Tentei acompanhar a chuva 🙂
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A chuva carrega uma infinidade de sons que me fascinam: ventos, trovoadas… um aroma particular… é um ótimo tempero pra vida…
SP anda precisando muito…
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Com certeza! Pobre São Paulo sequinha como está 😦 Deve estar uma poluição danada! Desejo chuvas para Sampa! 🙂
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