Choro

Foto: Everaldo Silva/Futura Press

O céu de São Paulo derrete.

Cai todo sobre nossas cabeças

Qual lágrimas dos olhos dos pobres,

que perdem tudo.

Qual cera das velas dos crentes,

que rezam mortos das enchentes.

O céu derretido ocupa as ruas

Carrega os carros

Calibra os rios

Desaba as casas

Enfada os ricos

com as notícias repetidas

as estatísticas, as declarações vazias

previsões de meteorologistas.

E o dilúvio só acaba

Quando o céu se acabar

E, ao mirar os olhos ao alto,

suplicando ajuda,

encontrarmos o vazio.

(23/01/2010)

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2 comentários sobre “Choro

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