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A rinite

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Quem tem rinite sabe como é.

Dormir na roça passa a ser uma noite de luta contra o nariz. Um círculo vicioso: quanto mais penso no nariz, mais difícil fica dormir. Porém, ele só para de escorrer quando (e se) consigo dormir. A tranquilidade da roça, com o silêncio absoluto à noite, sob céu tão mais estrelado, e os sons mágicos dos passarinhos e do galo cantando pela manhã, é quebrada pelas assoadas constantes, frutos da poeirada acumulada na roupa de cama e do cheiro de mofo típico das casas muito tempo fechadas, que afetam diretamente os narizes mais sensíveis dos riniteiros.

Ir para qualquer passeio, na verdade, é um suspense. Os rinitenses entram ansiosos no quarto do hotel ou da pousada, para saber se são suficientemente ventilados. Evitam os cobertores oferecidos pela hospedagem. Qualquer casa, que não a dos próprios rinitários, é, aliás, potencialmente suspeita. Não importa se são casarões de luxo ou barracões de lixo. Apenas aqueles ambientes cotidianos — onde se dorme todo santo dia, e onde estão os ácaros já familiares ao organismo — já atingiram um nível de limpeza e ventilação ótimo para os narizes e suas coceiras insuportáveis da alergia-a-tudo.

Rinitórios, notoriamente, andam sempre com lenços de papel na bolsa e no bolso. E caixas de lenços ou rolos de papel higiênico no criado-mudo, ao lado da cama, que amanhece cercada por papeizinhos amassados. E os antialérgicos no estojo de remédios do banheiro. Mas nada disso adianta, quando vão parar nas armadilhas dos lugares noturnos diferentes: assoam, espirram, assoam tanto, que a única vontade que eles têm é de poder arrancar fora o nariz, deixá-lo num estojinho, como se faz com as dentaduras, e recolocá-los na face só quando o sol estiver mais alto — e o corpo mais descansado. Assoar cansa.

Respirar, quando o nariz está tendo uma de suas crises, cansa também. Aliás, até dói. Alguns optam por ignorar de vez os dutos respiratórios apropriados e seguem de boca aberta, respirando por ali. Mas dá-lhe tempo seco de junho, que passa a exigir a moringa d’água pra refrescar a goela a todo instante. Levanta pra apanhar a garrafinha. Daí a pouco,  é preciso ir ao banheiro fazer xixi. E, é claro, aproveitar a excelente oportunidade de estar diante de uma pia para assoar o nariz por outros cinco minutos. A esta altura, às 3h da madrugada, o riniteiro, prisioneiro de sua respiração dificultosa, já está completamente aceso. E começa a reparar que aquele colchão, que não é o seu, é mole demais, e que os cachorros estão em plena conversação lá fora. E vem a insônia, parente direta da rinite. Melhor levantar, mesmo sendo ainda alta madrugada.

Ahhhh… (tchim!), só quem tem sabe…!

Cristina Moreno de Castro Ver tudo

Mineira de Beagá, jornalista, blogueira, poeta, blueseira, atleticana, otimista, aprendendo a ser mãe. Redes: www.facebook.com/blogdakikacastro, twitter.com/kikacastro www.goodreads.com/kikacastro. Mais blog: http://www.otempo.com.br/blogs/19.180341 e http://www.brasilpost.com.br/cristina-moreno-de-castro

4 comentários em “A rinite Deixe um comentário

    • É, esqueci de falar que, depois de uma noite terrível, o riniteiro também acorda com o nariz entupidíssimo, e precisa de vários espirros e assoadas pra voltar ao normal. Aliás, acordar mal ele sempre acorda, mesmo depois de uma boa noite de sono.

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  1. Cris me abraça! acontece comigo sempre, só dormir numa casa diferente. No frio e na roça são ainda piores. 😦

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