Retomando a campanha de respeito aos pedestres

Durante a Semana Nacional de Trânsito de 2013, eu e o colega Acir Galvão criamos um adesivo original, com uma mensagem de respeito aos pedestres. Um mês depois, procurei uma gráfica, imprimi um lote desses adesivos e divulguei aqui no blog, para quem tivesse interesse. Enviei a todos os leitores que pediram (só cobrei R$ 1, que foi meu custo unitário na gráfica), mas infelizmente foram muito poucos.

A maioria dos adesivos continuava esquecida no meu armário, guardadinha.

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Até que, há alguns dias, fui procurada pelo leitor Valdir Luiz, de Cornélio Procópio, no Paraná. Ele disse que estava procurando adesivos para colocar em sua frota de ônibus e encontrou os meus na internet. Encomendou dez, de uma vez!

Ele me explicou que trabalha com reforma e revenda de ônibus velhos e que colocou os adesivos em todos os veículos e ainda vai encomendar mais, para distribuir entre os amigos. “É sempre gratificante saber que contribuímos para a conscientização das pessoas e principalmente que salvamos indiretamente a vida de alguém”, me disse Valdir.

E ele me mandou uma foto de um de seus ônibus com o adesivo já colado. Vejam que demais!

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Foto: Valdir Luiz

 

Espero que a iniciativa e o exemplo de Valdir inspirem outros motoristas ao redor do país e que esse trabalho de conscientização continue. Ainda falta pouco mais de um mês para a Semana Nacional de Trânsito de 2015, mas, afinal, todas as semanas deveriam ser de respeito no trânsito, né mesmo?

Se você também tiver interesse em adquirir adesivo(s) para seu carro, entre em contato comigo 😉 Clique AQUI para ver como fica o adesivo em um carro cinza/prata e em um carro vermelho.

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Os flanelinhas e nossas duas opções

Tomador de conta na rua atrás do jornal onde trabalho. Foto: Gustavo Baxter / O Tempo, em março/2014

Tomador de conta na rua atrás do jornal onde trabalho. Foto: Gustavo Baxter / O Tempo, em março/2014

Normalmente eu sou uma pessoa calma, mas, se você quiser me ver fora do sério, brava mesmo, me acompanhe até o carro no dia em que um “tomador de conta” me abordar. Não vou chamá-los de flanelinhas, porque foi-se o tempo em que carregavam uma flanela qualquer que aparentasse remotamente com a prestação de um serviço.

É um dos poucos momentos em que eu fico realmente furiosa. “Vou olhar seu carro, tá?” geralmente é uma pergunta retórica, acompanhada de uma ameaça velada: “Se não me pagar por isso, seu pneu pode não estar tão cheinho quando voltar”. Eu nem respondo. Geralmente, só olho carrancuda, bem nos olhos da pessoa, e continuo no mesmo passo. Obviamente, o tomador de conta não toma conta de nada. E, quando volto do trabalho, costuma ser outro me recepcionando com um agressivo: “E o dinheiro do cafezinho?” Respondo com faíscas nos olhos: “Não!”. E ele fica puto, claro.

Mas não tanto quanto eu. Todos os dias o ritual se repete. Muitas vezes prefiro parar bem longe do jornal, no fim do quarteirão, só para não ter que passar por esses diálogos irritantes.

O tomador de conta é, no meu ponto de vista, uma pessoa que ganha a vida com base na coerção. Da mesma forma que um fiscal do poder público que seja corrupto e ameace um bar se não receber uma propina semanal. Ou um policial corrupto que aja de forma semelhante. Ou um jornalista corrupto que cobre um valor para falar bem de uma fonte. Ou qualquer outra forma de corrupto, essa praga que existe em todas as profissões. É um tipo de corrupção, por ser um tipo de extorsão, sem que nenhum serviço real seja oferecido em troca.

Aliás, esse é o ponto em que eu queria chegar. O cara que está na rua lavando os carros merece todo o meu respeito. Ele oferece um serviço e pede um dinheiro por isso. Mesmo que não esteja pagando os impostos, isso é lá com a secretaria da Fazenda. A mim, ele não me causa qualquer transtorno, vejo como um trabalhador autônomo que está ganhando a vida. Já o “tomador de conta” não faz nada além de tomar conta da rua, tomar o espaço público para si de forma desonesta. Já vi alguns segurando vagas para outras pessoas (aquelas que topam pagar para eles), o que é totalmente ilegal. Já vi váááários pedindo pagamento adiantado — de R$ 10, R$ 20, R$ 30, até R$ 100!!!!! — em dias de eventos mais concorridos. Sem seguro, sem nada que justifique você ter que pagar para aquela pessoa física, além da mais pura coerção ou falta de opção. Muitos saem do universo velado e partem pra agressão verbal explícita. “Se não pagar, vai ver…”.

E a gente tem duas opções: pagar, e alimentar esse loteamento das ruas públicas, ou não pagar, e arriscar-se por isso. Eu sempre opto pela segunda. Por mim, podem riscar o carro inteiro, de cima a baixo, mas me recuso a compactuar com esse roubo velado. (E fico torcendo para só o carro ser o alvo de uma possível vingança, não eu.) Às vezes, até, essa opção pode render uma punição de verdade. É raro, mas acontece.

E você? Como vê essa situação e como reage a ela? No seu bairro ou cidade isso também é muito comum?

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Carros vermelhos voltaram à moda

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Está todo mundo falando sobre como os carros brancos estão fazendo sucesso, mesmo em cidades onde os táxis têm esta cor, como Beagá. Pois eu digo que são os vermelhos que estão bombando. Outro dia saí do jornal e contei dez carros vermelhos estacionados bem em frente:

Foto: CMC

Foto: CMC

Já tive dois carros na minha vida, nestes dez anos de carteira de habilitação. Os dois eram vermelhos. Portanto, sou suspeita para falar: adoro essa cor! E fico feliz que os pratas, tão sem gracinha, estejam cedendo espaço para outros mais coloridos, inclusive amarelos, laranjas e de outras cores que seriam impensáveis há alguns anos.

E você, o que acha dessa nova moda? Gosta de carro vermelho? Também reparou que estão mais comuns? 😀

Abaixo o vidro automático nos carros!

Minha mãe tem um carro que não fecha os vidros de forma automática, só apertando o botão do alarme, como é comum entre vários carros. Sempre vi isso como uma desvantagem.

Nesta semana, após mais uma (de tantas) notícia sobre o pai que esqueceu o bebê dentro do carro, desta vez em Divinópolis, me dei conta de que esta poderia ser, afinal, uma vantagem.

O Eduardo Santos, leitor deste blog, foi quem me disse que, em seu carro, ”

os vidros só se fecham manualmente, apertando os botões”. “Perguntei na concessionária e disseram que os [fabricantes] japoneses alegam que é para não deixar criança lá dentro”, informou ele.

Japonês, como bem sabemos, é um povo esperto. Talvez esta devesse ser mais uma campanha para adotarmos aqui no Brasil, terra dos cintos de segurança, bafômetros e, quem sabe um dia, airbags e outros itens de segurança tornados obrigatórios: abaixo o vidro automático! Todos nós estamos sujeitos a esquecer completamente de algo, por mais valioso que seja, e a tragédia da morte de um filho supera qualquer 30 anos de prisão.

Das vantagens de não ter carro

Este foi meu primeiro e único carrinho, o Red Bull, que tinha um lindo adesivo dos Beatles em pose de Help colado na bunda. Confesso que adoro dirigir. Mas odeio congestionamento. O bom mesmo é pegar uma estrada livre e seguir adiante. Nas cidades, no entanto, ter carro está se tornando uma opção cada vez mais burra.

A cada dia que passa, mais me convenço de que não vale a pena ter carro. Falo tanto do ponto de vista financeiro quanto do de comodidade.

Percebi isso durante meus quase cinco anos vivendo desmotorizada em São Paulo e a convicção se acentuou na volta para Beagá, durante meu trajeto diário de ônibus para o trabalho. Sei a hora em que ele vai passar. Desço para pegá-lo às 7h10 e às 7h15, no máximo 7h20, ele está lá, tirando eventuais atrasos. Ele gasta cerca de 35 minutos para chegar ao meu destino, do outro lado da cidade. Chego no trabalho às 8h, depois de andar um total de quatro quarteirões. Quando consigo me sentar, o que acontece quando o ônibus esvazia no centro (e às vezes antes), tiro um livro da bolsa e aproveito o tempo lendo, em vez de me estressar com o trânsito. Claro, os ônibus têm vários problemas, gerados pela dificuldade que os seres humanos têm em conviver uns com os outros. Mesmo assim, tendo a preferi-los, como vocês verão por quê.

Vejam se eu estivesse indo de carro. Poderia sair para o trabalho às 7h20. Geralmente gasta-se os mesmos 30 minutos de carro até aquele bairro, com o trânsito do horário. O tempo que eu gastaria caminhando alguns quarteirões do ponto de ônibus para a empresa, é o que se gasta procurando vaga para estacionar, em alguns casos. Ou seja, eu chegaria ainda às 8h, mas sem ter podido ler meu livro, tendo que me estressar com congestionamento e tendo gastado bem mais que os R$ 2,65 da passagem de ônibus, com a gasolina, que já está com o litro mais caro que isso em alguns postos (como os carros costumam gastar 1 litro a cada 10 km e o trabalho é distante 11 km de casa, a conta é simples).

Muito bem, aí as pessoas podem argumentar que nem sempre há ônibus para todos os lugares, que não dá para ir de ônibus para uma cachoeira etc.

Eu respondo que, na hora de sair à noite, por exemplo, vale ir de táxi, que em Belo Horizonte não é tão caro (bandeirada de R$ 3,90 e km rodado de R$ 2,24) — eu São Paulo eu já contraindicaria. Assim, para ir a um barzinho a 3 km de distância, gasta-se cerca de R$ 10. Por outro lado, os estacionamentos estão cobrando R$ 10 ou mais por hora para parar o carro.

(Nem vou falar das vantagens de poder beber à vontade sem ter que preocupar com Lei Seca e com homicídio com dolo eventual e com como sua vida pode ser destruída se você dirigir depois de encher a cara. É covardia tocar nesse assunto neste post.)

E, para viajar, vale alugar um carro. Uma diária de um carro econômico sai a cerca de R$ 100, em planos que não cobram gasolina à parte. Dividindo por quatro passageiros, R$ 25 — bem menos que qualquer ônibus de rodoviária. Pode-se passar um fim de semana gastando R$ 50 e, como é esporádico, isso fica mais em conta do que ter um carro.

O meu ponto é: carro é igual família. Você não só gasta R$ 25 mil para adquirir um (contando que seja o mais popular), mas também tem que pagar outros R$ 1.000 por ano de IPVA. Além disso, paga outros R$ 1.000 em parcelas para o seguro. O litro de gasolina sai até a absurdos R$ 2,80 em alguns postos da cidade, mas vamos estimar com R$ 2,30. Para quem anda 20 km por dia para ir e voltar ao trabalho, como eu, e trabalha 24 dias por mês, chegamos a R$ 110 de gasolina gastos por mês, em média, fora as outras viagens com o carro além da ida ao trabalho. Os estacionamentos vêm cobrando até R$ 20 a hora, dependendo do lugar. Tem talão de rodízio, tem flanelinha. E a manutenção, que é o olho da cara. Quantos táxis e ônibus e carros alugados esporadicamente são necessários para compensar toda essa grana?

Deixo o cálculo aos matemáticos, engenheiros de tráfego e economistas. Que fiquem à vontade para trazer o problema nos comentários do blog. Outros estudos já foram feitos a respeito, inclusive desconsiderando o ônibus.

O que mais me interessa é que, além de tudo, não há mais prazer em dirigir nas grandes cidades — e olha que eu amo dirigir! Belo Horizonte travou na última sexta, porque era sexta e porque estava chovendo. São Paulo é um caos há muito tempo, bateu algum recorde na última segunda. Salvador tem um dos piores trânsitos que já vi na vida. Isso porque a média de ocupantes de carros no país é de apenas 1,4 pessoas. Olhe ao redor num congestionamento e tente encontrar um carro com dois ocupantes. Será difícil. Com três simplesmente não existe. Todo mundo quer o suposto conforto de andar de carro, no ar condicionado, a velocidade de galinha. No ônibus, ao menos, é possível ocupar o tempo lendo. Se quarenta ocupantes de carros fossem para os ônibus, estes andariam bem mais rápido, já que as vias estariam 40 carros menos entulhadas, tornando o transporte público mais eficiente.

E aí vamos à questão do ovo e da galinha. Já ouvi de várias pessoas que elas andariam de transporte público, se ele fosse bom. Mas não consideram o contrário: se mais pessoas andassem de transporte público, o espaço aberto pelos carros tirados das ruas seria muito maior, proporcionalmente, possibilitando que houvesse mais ônibus em circulação e que eles andassem mais rápido do que podem andar hoje.

Isso tudo é mudança de mentalidade. Se as pessoas colocassem na ponta do lápis e vissem que carro dói no bolso, na saúde e no conforto, talvez mudassem de postura. E, com isso, talvez levassem os governos a pararem de planejar as cidades apenas para os carros. E, talvez, um dia, chegássemos ao patamar de uma Nova York da vida, em que ninguém anda de carro no centro e há metrô para todo canto. Ou uma Londres, que instituiu o pedágio urbano e tem ônibus considerados referências em todo o mundo. Talvez pudéssemos transformar a região da Savassi num boulevard, fechado para carros, aberto para bicicletas, como nos melhores sonhos urbanísticos. Em vez disso, temos uma avenida Civilização, em Justinópolis, Ribeirão das Neves, abarrotada de carros comprados com IPI reduzido, em política suicida do governo federal, parados em fila, como num grande estacionamento.

É isso. Nossas ruas viraram estacionamentos e logo só nos restará andar a pé.

Trânsito num dia qualquer em São Paulo. (Foto: CMC)

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