Retomando a campanha de respeito aos pedestres

Durante a Semana Nacional de Trânsito de 2013, eu e o colega Acir Galvão criamos um adesivo original, com uma mensagem de respeito aos pedestres. Um mês depois, procurei uma gráfica, imprimi um lote desses adesivos e divulguei aqui no blog, para quem tivesse interesse. Enviei a todos os leitores que pediram (só cobrei R$ 1, que foi meu custo unitário na gráfica), mas infelizmente foram muito poucos.

A maioria dos adesivos continuava esquecida no meu armário, guardadinha.

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Até que, há alguns dias, fui procurada pelo leitor Valdir Luiz, de Cornélio Procópio, no Paraná. Ele disse que estava procurando adesivos para colocar em sua frota de ônibus e encontrou os meus na internet. Encomendou dez, de uma vez!

Ele me explicou que trabalha com reforma e revenda de ônibus velhos e que colocou os adesivos em todos os veículos e ainda vai encomendar mais, para distribuir entre os amigos. “É sempre gratificante saber que contribuímos para a conscientização das pessoas e principalmente que salvamos indiretamente a vida de alguém”, me disse Valdir.

E ele me mandou uma foto de um de seus ônibus com o adesivo já colado. Vejam que demais!

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Foto: Valdir Luiz

 

Espero que a iniciativa e o exemplo de Valdir inspirem outros motoristas ao redor do país e que esse trabalho de conscientização continue. Ainda falta pouco mais de um mês para a Semana Nacional de Trânsito de 2015, mas, afinal, todas as semanas deveriam ser de respeito no trânsito, né mesmo?

Se você também tiver interesse em adquirir adesivo(s) para seu carro, entre em contato comigo 😉 Clique AQUI para ver como fica o adesivo em um carro cinza/prata e em um carro vermelho.

Leia também:

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10 textos para refletirmos sobre a importância de respeitar a OPINIÃO dos outros

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Charge do Duke

 

Na última terça-feira publiquei o texto em que eu dizia por que não pretendo fazer parte da marcha que vai acontecer no dia 15, próximo domingo (a propósito, também não vou na de hoje). Apesar de achar protestos legítimos e também uma maneira útil de demonstrar a insatisfação com o governante e cobrar respostas, o mote principal da marcha do dia 15 é o impeachment da presidente da República, que é um processo muito traumático para o país e que, na minha opinião, não faz sentido neste momento, já que nenhuma acusação prevista em lei paira sobre a mandatária reeleita. Por fim, registrei meu temor de ver este protesto sendo apropriado por um grupo que defende a intervenção militar no país, que é algo que vai totalmente de encontro às minhas convicções pessoais.

Bom, foi minha opinião. Tenho este blog para, entre outras coisas, escrever livremente minhas ideias, para quem quiser ler. A resposta foi impressionante. No momento em que escrevo este post (manhã de quinta), foram 663 comentários ao post, nos quatro endereços em que ele foi publicado (aqui, no jornal “O Tempo“, no Brasil Post e na revista Fórum) e na página do Facebook do blog. Pode-se dizer que 80% dos comentários eram para me xingar, muitos dizendo que sou petista ou que recebo dinheiro do governo para escrever no meu blog. Fico me perguntando se essas pessoas só vão para a passeata porque receberam dinheiro da oposição ou por serem filiadas a algum partido. Será que as pessoas só se posicionam porque foram compradas? Bom, eu não. Como respondi a um deles, minhas “asneiras” eu escrevo de graça mesmo 😉

(Por outro lado, aproximadamente 101.000 pessoas tinham compartilhado o post, pelas ferramentas das quatro páginas, até a manhã de ontem. Como 90% dos que compartilharam o fizeram porque gostaram do texto, posso dizer que aqueles que comentaram me xingando são uma minoria pequetitinha.)

O que me entristece é que já temos 30 anos consecutivos de democracia e liberdade de imprensa no Brasil e até hoje as pessoas não aprenderam a lidar com a divergência de ideias, opiniões e visões de mundo. Quer dizer, ainda não amadurecemos como democracia. Discordar, hoje em dia, significa brigar, agredir. Isso nas redes sociais e na internet como um todo é ainda mais visível. As pessoas, com raras exceções, não convivem bem com quem pensa diferente: se pensa diferente, é comprado, ou é petista fanático, ou tucano fanático. É preto ou branco: ninguém mais enxerga o cinza.

Como este é outro dos temas recorrentes aqui no blog, resolvi fazer uma compilação de posts, assim como fiz no Dia da Mulher. Textos que podem, quem sabe, ajudar na reflexão para esses dias de tamanha intolerância, de tamanho ódio, de tamanha arrogância, que vemos amplificados no mundo virtual. Talvez, ao fim desta leitura, as pessoas parem para pensar se vale a pena continuar xingando, agredindo ou gritando — alguém ainda vence algum debate no grito? — ou se não é muito melhor usar argumentos, fontes confiáveis de informação, troca de ideias educadas. Se ninguém se convencer do seu ponto de vista, pelo menos não terá deixado relacionamentos mortos ou feridos no meio do caminho, né 😉

Aí vai:

  1. Manifesto a favor do direito de divergir, em que defendemos a divergência de ideias em forma de um manifesto, escrito pelo jornalista Beto Trajano.
  2. Fanatismo é burro, mas perigoso, em que falamos da perigosa autoconfiança que o fanatismo proporciona às pessoas, que as leva a tomar as decisões mais estúpidas.
  3. O anarquista que enxerga, em que faço uma crônica sobre as pessoas, com visões de mundo diferentes e até antagônicas, que convivem todos os dias, o tempo todo, sem se darem conta disso.
  4. Para uns, para outros e para mim, em que reitero que devemos respeitar as opiniões diferentes e falo que nem sempre ter convicções de tudo é bom.
  5. Tem certeza absoluta? Que pena, em que compartilho uma frase que minha professora favorita da UFMG disse um dia e que me marcou para sempre.
  6. O vizinho que pensa diferente de você, em que uma charge do Duke vale mais que mil palavras.
  7. Post especial para quem se acha com o rei na barriga, em que trago uma reflexão do grande cientista e escritor Carl Sagan, que nos coloca em nosso lugar.
  8. Reflexão para as pessoas cheias de si, em que divido um texto da sabedoria chinesa sobre o assunto.
  9. A saudável loucura de cada um de nós, em que também relativizo a forma como olhamos para os defeitos dos outros.
  10. Qual é a sua opinião, cidadão?, em que mostro um jeito simples de os cidadãos opinarem sobre os assuntos mais importantes que estão sendo debatidos no Congresso e pressionarem os legisladores, mesmo sem precisar sair de casa.
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Charge do Laerte

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15 de março: eu não vou

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Vi o banner acima ontem, pela primeira vez, no Facebook. Não sei quem o criou. Eu gostei, compartilhei pelo Twitter, e, duas horas depois, mais de 150 pessoas tinham compartilhado meu compartilhamento. (E assim continuou nas horas seguintes, mas parei de contar.)

Então, fiquei com a impressão de que nem todo mundo bateu panela e gritou “Fora Dilma” na janela de casa no último domingo

Escrevi o seguinte, antes de compartilhar: “Democracia é aceitar o que uma maioria quis e trabalhar/cobrar para que dê certo para todos. Quatro anos depois, escolher livremente o candidato favorito, mais uma vez. E assim por diante ;)”

Claro que, dentro do “cobrar”, do parágrafo acima, cabe também protestar. É legítimo protestar. É legítimo fazer buzinaço, panelaço, vaiar e xingar (embora, que pena, muitos tenham optado por xingar baixarias contra a presidente da República, em pleno Dia Internacional da Mulher). Tudo isso, felizmente, é permitido e só pode acontecer porque ainda vivemos numa democracia.

Quando há reclamação e crítica, o governante da vez se preocupa e busca uma reação para agradar àquela parcela, para a qual ele também governa, e que está demonstrando insatisfação.

O que me preocupa é quando tentam fortalecer o discurso do impeachment, sem nenhum respaldo para isso. É tentar mudar um resultado por meio do tapetão, ou seja, sem respeitar as regras vigentes e, neste caso, sem respeitar a maioria.

Dilma saindo, por um impeachment nonsense, quem assumiria em seu lugar? Segundo a Constituição (art. 79), seria Michel Temer, o vice-presidente, que é do PMDB (entenda mais AQUI ou AQUI). Mesmo partido de Renan Calheiros e Eduardo Cunha, que dispensam apresentações.

O pior é que não é nem isso que quer um grupelho que estava quieto há 30 anos e, com esta gritaria, voltou a ressurgir das trevas. Esse grupo, que já tem milhares de seguidores só em uma comunidade do Facebook, defende nada mais nada menos que a intervenção militar. [Não vou colocar o link para a comunidade, por motivos óbvios]. E aí, bye-bye panelaço, buzinaço e o escambau. Que seria do futuro? Imprevisível. E não algo que possa ser planejado ou reformulado num novo pleito, em quatro anos, como acontece hoje. O horizonte passa a ser obscuro quando deixamos de viver numa democracia. Assim como essa instabilidade do período pré-tapetão também dificulta qualquer possibilidade de tomar rumos que melhorem o Brasil. Vira só uma grande histeria, cada dia mais radical e intolerante, e menos aberta a divergências.

É isso que você quer? Eu não. Por isso, me abstenho de participar dessa marcha do dia 15. Não pela marcha em si: é muito válido criticar a presidente, que está deixando muita gente insatisfeita, inclusive vários que são até filiados ao seu partido, o PT. Mas pelos que estão se aproveitando da marcha para gerar histeria e, com a histeria, criar o ambiente certo para um golpe, como aconteceu há 50 anos no Brasil (e, também daquela vez, começou com “marchas”). Sou otimista demais pra embarcar nesta canoa furada 😀

Para fechar, recomendo a leitura da coluna de Murilo Rocha, publicada no jornal “O Tempo” na semana passada.

Leia também:

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(Con)vivências

Temos que ser Cirilos convivendo com Marias Joaquinas a todo momento.

Temos que ser Cirilos convivendo com Marias Joaquinas a todo momento.

Minha sobrinha de 6 anos acaba de ver um coleguinha da escola, passando ao longe, e comenta comigo.

— Ele é seu amigo?, pergunto.

— Não, é só meu colega. E ele é o chefe dos meninos.

— Como assim “chefe dos meninos”?

— É ele que decide quando vão jogar bola e quando vão brincar de pega-pega.

— Mas por que ele decide? Por que é o chefe?

— Porque sim.

— E quem é a chefe das meninas?

— É a fulana.

— Por que ela é a chefe?

— Porque todos os meninos querem se casar com ela. E ela conta as histórias de Carrossel e Chiquititas e todas as meninas gostam dela.

— Você também?

— Não. E eu não vejo Carrossel e Chiquititas.

— Não tem problema você não gostar da novelinha que as outras gostam, viu?

— Mas eu não sei se eu não gosto. Eu nunca assisti pra saber.

***

Duas senhoras, aparentando uns 90 anos, entram no banheiro, conversando.

— Mas você é alegre, cheia de gente na família! Tem filhos, netos, bisnetos…, tagarela uma delas.

— Você também tem netos, comenta a outra.

— E também vou ganhar um bisneto. Mas minha neta não fala comigo, então nem vou conhecê-lo. Minha neta é de uma metideza…! Outro dia ouvi uma conversa de que ela estava esperando um bebê, mas eu nem quis saber, então acho que vou ter um bisneto, mas não tenho certeza.

***

Estou atravessando a rua. É domingo, estou na Savassi, uma região com excesso de faixas de pedestre e de pedestres. É domingo, eu já disse, quando em tese as pessoas estão com menos pressa.

Paro numa faixa de pedestres, à espera do fim do eterno fluxo de carros ou da boa educação de um motorista — o que vier primeiro.

Uma motorista para e faz o sinal para que eu atravesse na faixa. Ela vai me esperar, sorri. Começo a atravessar, respondendo com um joinha.

Eis que o carro atrás dela, sem querer esperar pela minha travessia, desvia pela direita e acelera em minha direção, passando a centímetros de mim.

***

Dizem que viver é difícil, mas conviver é muito mais. Porque vivemos num mundo de chefes, de megeras e de espertalhões. Ou de panelinhas, de desentendimentos e de mal-educados. E, entre minha sobrinha de 6 anos e a senhora de 90, haverá muitas travessias perigosas.

Minhas notas para a Copa do Mundo 2014

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Agora que a Copa acabou, é hora de fazer avaliações (e de sentir alguma nostalgia também, vai). O presidente da Fifa já deu nota 9,25 para o Mundial no Brasil, a Dilma já lançou o bordão “Copa das Copas“, e outros já tinham dito algo parecido, entre turistas e jornalistas do mundo todo. Os estádios, construídos ou reformados para o evento, também foram bem avaliados em geral.

Então é minha vez de dar notas também, eba! Vejam só minhas principais notas e as explicações entre parêntesis:

  • Copa do Mundo no Brasil = 10 (e o caos que todos alardeavam não houve!)
  • Seleção alemã = 10 (em todos os quesitos: qualidade em campo, simpatia, respeito aos brasileiros etc; mereceram o título e era previsível a surra que deram no Brasil — tanto que até eu previ 😀 )
  • Hospitalidade brasileira = 9 (-1 por cair em algumas provocações infantis)
  • Brasileiros nos estádios = 5 (-5 pelos imbecis vaiadores de hinos e de chefes de Estado)
  • Torcedores argentinos = 2 (-8 pelas provocações, alimentação de uma rivalidade que nem era bilateral, alimentação de ódio, desrespeito e cenas de racismo que vi ou foram noticiadas)
  • Seleção argentina = 7 (a campanha foi na base do sufoco, embora tenha jogado pau a pau com os alemães no tempo normal do jogo da final, desaparecendo na prorrogação; eles também entraram na provocação de sua torcida)
  • Messi = 6 (nem Maradona acha que ele merecia o prêmio de consolação que levou; a nota vai mais para a Fifa, no caso)
  • Seleção brasileira = 1 (maior vexame da história do futebol brasileiro)
  • Simpatia dos jogadores da Seleção brasileira = 9 (só perderam para os alemães nesse quesito porque saíram fugidos depois de levar 7 a 1)
  • Felipão = 1 (pelo menos chegou às quartas)
  • Paula Lavigne = 0 (atitude mais vergonhosa do que os 7 a 1 dos canarinhos)

Concordam com minhas notas? Quais são as suas? Coloque aí nos comentários 😉

CLIQUE AQUI para ler as notas para a Copa em Beagá (e no Mineirão), especificamente.

P.S. Propositalmente, abordei apenas o aspecto futebolístico nas notas acima. Não quero discutir problemas estruturais ou antigos do Brasil (como os que explicam a triste tragédia da queda do viaduto em Beagá, que tirou o gosto de festa da minha boca na fase final da Copa) num post sobre esporte.

Leia os outros posts sobre a Copa do Mundo: