Foi na longínqua década de 60 o primeiro beijo gay na TV

O primeiro beijo gay da história da televisão brasileira não foi este protagonizado pelo casal da novela “Amor À Vida”, e transmitido pela TV Globo na última sexta-feira.

O primeiro, na verdade, ocorreu em 1964, no teleteatro “A Calúnia”, na TV Tupi, protagonizado pelas atrizes Vida Alves (mineira!) e Geórgia Gomide. Treze anos após o primeiro beijo hétero na TV brasileira.

Em 1985, na novela “Um Sonho a Mais”, já na TV Globo, os atores Ney Latorraca e Carlos Kroeber trocam um “selinho” – mas Ney estava vestido de mulher, assumindo a identidade de Anabela.

Depois, em 1990, a minissérie “Mãe de Santo”, da TV Manchete, exibiu o beijo entre os personagens de Daniel Barcelos e Rai Alves:

Aí, em 2005, haveria um beijo gay na novela “América”, da Globo, mas foi vetado. E teve também um casal lésbico que morreu explodido em um shopping, em outra telenovela global…

Em 2011, o SBT fez o beijo gay mais ousado até o momento, com 40 segundos de duração, na novela “Amor e Revolução”.

E aí, só com todo esse histórico de vetos e tentativas, de camuflagens e ousadias, é que chegamos ao beijo-quase-selinho do Félix.

(Enquanto isso, vale lembrar que nossos países vizinhos latino-americanos já mostram cenas de beijos gays à exaustão, há anos. Sem falar nos Estados Unidos)

Dito tudo isso, e relembrando que tudo começou ainda na distante (e aparentemente muito mais descolada) década de 1960, não parece meio ridículo e anacrônico o escarcéu atual, com direito a deputado querendo processar a emissora por mostrar algo que já passou da hora de ser considerado banal?

Libertem o beijo, meu povo. Já tá mais que na hora 😉

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Você está preparado para assumir o compromisso de respeitar os pedestres?

adesivopedestreHá exatos dez dias, procurei de novo o colega Acir Galvão para ver se ele topava fazer uma segunda parceria em uma ideia que estava flutuando na minha cabeça havia pelo menos um mês.

Eu queria fazer um adesivo para carro que fosse tão legal e bonito que pudesse ganhar adesão de vários motoristas, como ganhou aquele adesivo da “Família Feliz“. A diferença é que, ao contrário da “Família Feliz”, este adesivo traria uma mensagem importante de trânsito: o respeito pelos pedestres.

Ao pregar aquele adesivo no carro, o motorista estaria assumindo um compromisso público de respeitar — em última instância, todo mundo, já que todos são pedestres algum dia –, de parar na faixa de pedestre, esperar o fim da travessia, dar prioridade, ser gentil etc.

O Acir topou e já começou a executar a ideia. O plano original era colocar quatro personagens bem brasileiros, como o Menino Maluquinho, o Cebolinha e a Emília, já adultos, caminhando numa faixa de pedestres com a mesma postura dos Beatles na Abbey Road. Para não termos problemas com direitos autorais, optamos por personagens folclóricos: Boto Cor-de-Rosa, Iara, Curupira e Saci. E o resultado, vocês podem ver acima, ficou muito bacana 🙂

Só depois é que fui lembrar que estamos em plena Semana Nacional do Trânsito (18 a 25 de setembro) e que domingão, 22 de setembro, seria o Dia Mundial Sem Carro. Foi aí que propusemos ao nosso jornal “O Tempo” uma parceria também — e, de novo, nossa ideia foi abraçada por eles.

Neste domingo, o jornal montou uma página especial só para comemorar o Dia Mundial Sem Carro, com várias reportagens bacanas sobre o assunto, e, num cantinho, lá está nosso projeto para quem quiser baixar, em alta resolução. Pode virar papel de parede do computador, foto de perfil nas redes sociais ou pode mesmo virar um adesivo (se sua impressora não imprime adesivos, há sites que fazem isso, como ESTE, que encontrei em 5 minutos fuçando na internet). O importante é a gente levar adiante esta campanha, que deve ser prioridade na nossa pauta não só no dia 22 de setembro, mas todos os dias. Que motoristas se conscientizem de que um carro é uma arma e de que todos, literalmente, são pedestres em algum momento, vulneráveis a esta arma. É o primeiro passo, simples, para uma mudança de postura que já existe em vários países do mundo e em cidades brasileiras como Brasília e Curitiba.

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Intelectuais X Sábios

Algum sabichão decidiu, não sei quando ou por quê, que quem ouve pagode ou música sertaneja, usa roupa de loja de departamento, assiste a novelas e programas de auditório, gosta de filme blockbuster e lê a revista Veja ou a Superinteressante é menos inteligente, é brega, não sabe o que é bom etc.

São os chamados “intelectuais”, aquele pessoal que, por gostar de jazz, desprezar televisão e assistir a filmes iranianos, se sente melhor do que os outros.

“Tudo o que gostam, ouvem, vestem e falam está acima do bem e do mal”, disse um amigo meu, que está de “saco na lua” com esse tipo de gente.

Ao julgar o gosto e as atitudes dos outros, transparecem, sem perceber, um preconceito arraigado e uma arrogância indissimulada.

O intelectual sabe das coisas. Ele sabe da vida. Ele pode ensinar como se faz.

O intelectual sabe falar e escrever melhor que os outros.

Arrota conhecimentos que só ele tem.

(Isso, aliás, é muito comum no meio jornalístico, onde as pessoas se especializam em generalidades e acham que, por isso, sabem mais que a média. A maioria, na verdade, nem sequer lê um jornal por dia.)

O verdadeiro sábio, o gênio, é aquele que aprende com a cultura popular, que a respeita, porque se sabe parte desse povo. Ele pode até genuinamente detestar televisão, filme de vampiros, coleção do Harry Potter e Zeca Pagodinho — gosto é gosto. Mas ele sabe que não é melhor do que quem gosta dessas coisas, que é apenas diferente.

Sabe ter autocrítica na mesma medida da crítica e saber fazer essa crítica sem se perder na discriminação.

Um pouco do sábio Laerte para os sabichões pensarem: