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Intelectuais X Sábios

Algum sabichão decidiu, não sei quando ou por quê, que quem ouve pagode ou música sertaneja, usa roupa de loja de departamento, assiste a novelas e programas de auditório, gosta de filme blockbuster e lê a revista Veja ou a Superinteressante é menos inteligente, é brega, não sabe o que é bom etc.

São os chamados “intelectuais”, aquele pessoal que, por gostar de jazz, desprezar televisão e assistir a filmes iranianos, se sente melhor do que os outros.

“Tudo o que gostam, ouvem, vestem e falam está acima do bem e do mal”, disse um amigo meu, que está de “saco na lua” com esse tipo de gente.

Ao julgar o gosto e as atitudes dos outros, transparecem, sem perceber, um preconceito arraigado e uma arrogância indissimulada.

O intelectual sabe das coisas. Ele sabe da vida. Ele pode ensinar como se faz.

O intelectual sabe falar e escrever melhor que os outros.

Arrota conhecimentos que só ele tem.

(Isso, aliás, é muito comum no meio jornalístico, onde as pessoas se especializam em generalidades e acham que, por isso, sabem mais que a média. A maioria, na verdade, nem sequer lê um jornal por dia.)

O verdadeiro sábio, o gênio, é aquele que aprende com a cultura popular, que a respeita, porque se sabe parte desse povo. Ele pode até genuinamente detestar televisão, filme de vampiros, coleção do Harry Potter e Zeca Pagodinho — gosto é gosto. Mas ele sabe que não é melhor do que quem gosta dessas coisas, que é apenas diferente.

Sabe ter autocrítica na mesma medida da crítica e saber fazer essa crítica sem se perder na discriminação.

Um pouco do sábio Laerte para os sabichões pensarem:

Cristina Moreno de Castro Ver tudo

Mineira de Beagá, jornalista, blogueira, poeta, blueseira, atleticana, otimista, aprendendo a ser mãe. Redes: www.facebook.com/blogdakikacastro, twitter.com/kikacastro www.goodreads.com/kikacastro. Mais blog: http://www.otempo.com.br/blogs/19.180341 e http://www.brasilpost.com.br/cristina-moreno-de-castro

34 comentários em “Intelectuais X Sábios Deixe um comentário

  1. Cris, vc escreveu o texto q eu sempre quis escrever! É isso mesmo! Vou até guardá-lo.
    Não suporto gente tirando onda e se achando melhor que os outros por esses motivos tão banais.
    Quem não é do clubinho e não respeita suas regras de como se portar, do q se vestir, oq ouvir e assistir é simplesmente descartado e tratado como um ser menor.
    Haja paciência, meu saco já estourou com esse tipo de gente.
    Parabéns pelo texto.
    Bjo

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  2. Cris, tb gostei muito do que escreveu!

    Há tanta gente intolerante mundo a fora… e tudo começa com pequenas coisas…

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  3. A Menina Eva tem razão. O intelectual genuíno pensa como um sábio e se expressa como um simples. Ouvi essa frase e, ingratamente, não recordo o autor.
    Assim como na ciência, deve-se buscar a verdade conexa (causa/efeito) incansavelmente, porém, generaliza-la moderadamente, na vida deve-se alimentar o intelecto sempre, mas viver sabiamente, fruindo a beleza na sua plenitude.
    Bons texto e comentários, Cristina. Parabéns.
    Abraços.

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  4. Eu já tinha passado por aqui durante a semana, mas só agora deixo um comentário.

    Cris, isso é muito comum também no meio acadêmico ao menos no setor da Educação, que é por onde transito, obviamente. Eu costumo usar um termo que outros tantos utilizam para essa turma: vaidade acadêmica.

    É verdade que o acadêmico tem que se orgulhar se sua produção, de suas pesquisas, do conhecimento que possui; mas daí a “levantar os queixo”( como diz um pessoal do interior), não dá. Convivi e convivo com muitos “exemplares” dessa espécie.

    Mas vez em quando rendem boas histórias. Dia desses um pretenso cinéfilo me falava do quanto amava o cinema, que se considerava um expert no assunto e etc e tal. E começou a citar uma lista de filmes dos quais ele dizia serem fundamentais para se compreender a sétima arte. Eu, que não sou chegado a filmes, estranhei a ausência – dentre outros – de “Cidadão Kane”.

    – Esse eu nunca assisti. Já ouvi falar, mas nunca vi. De quem é? – perguntou o rapaz.

    Isso aconteceu mesmo, creia! hahaha

    Bjk!

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  5. Concordo em parte com este texto. É óbvio que o intelectual não pode se julgar como superior aos outros, caso faça isso ele simplesmente não é intelectual, é pseudo-intelectual, como bem disseram acima.
    O grande problema não a música de Zeca Pagodinho, a novela ou qualquer coisa do tipo. O gosto não deve ser discutido! Mas devemos parar e pensar naquilo que fazemos.
    Pode parecer conversa “chata” de pseudo-intelectual, mas às vezes, esse tipo de reposta que você deu sobre os intelectuais pode assumir interpretações perigosas.
    Qualquer pessoa que analise com paciência o mundo ao seu redor, percebe que existe um padrão nas pessoas. Gostam de assistir as mesmas coisas, fazem as mesmas, pensam as mesmas coisas… enfim. Aqueles que pensam um pouco mais, vêem que isso tudo se configura como parte da chamada alienação cultural.
    Antes que pensem que sou algum tipo de chato ou estou com vaidade academica, como disseram acima, falo que ainda tenho 17 anos e sequer entrei na Universidade! Não preciso de tratados científicos ou qualquer outra coisa para perceber o que está ao meu redor.
    Sou um adolescente e percebo como meus colegas adolescentes ficam mais idiotas a cada dia. É triste ver o destino que cada um deles vai tomar…
    Não critico quem ouve, veste ou assiste essas coisas, eu mesmo adoro a superinteressante. Apenas digo uma coisa: Essa pretensa cultura popular de que você fala, cujo os sábios deveriam respeitar, às vezes pode estar impregnada de ideologias. A maior prova disso é quando vejo aquelas enredos cansativos e repetivos das novelas. A empresa disputada, a herança ambicionada, os amores e armações, os pobres e empregados que aparecem felizes e alegres mesmo com a dificuldade de suas vidas…
    Os programas de auditório trazendo mulheres seminuas, olimpiadas bobocas e quadros sensacionalistas e outras coisas que nos fazem perder horas na frente da televisão.
    A moda, que nos faz perder tempo na vida com suas etiquetas e pormenores ridículos…
    Diga-me: Que tipo de conhecimentos podemos aproveitar disso? O que nos fará melhor assistir e agir dessa maneira?
    Alguns podem até dizer: “Mas é apenas entretenimento”. Tudo bem, não discordo. Porém, apenas cegos poderiam deixar de enxergar que existem pessoas que se alimentam unicamente dessas ideologias. São aqueles que vivem o tempo parados na vida.
    Como dizia Jim Rohn: “Para ser mais amanhã é preciso ser mais do que é hoje”
    Pode acontecer de nos tornarmos seres ineptos, se não soubermos medir aquilo que fazemos.
    O conselho que dou é que tome um pouco de cuidado, para que não tire conclusões precipitadas. Ás vezes esses intelectuais são grandes amigos e nem sempre querem criticar os outros ou se achar melhores. Querem na verdade mostrar outros mundos para vocês.
    Eu, exemplo, sofro muito esse tipo de preconceito, pois os outros acham que quero ser melhor do que eles quando digo que devem parar de assistir um pouco o Big Brother e tentar ler algum livro bacana. Não quero dizer que estão errados e que sou o melhor, quero apenas mostrar que a vida deles não é o único caminho e nem sempre é o melhor. Quem vai viver de assistir novelas?!
    Só para completar: Já assisti Cidadão Kane. Gostaria de saber quem também já assistiu Além do Cidadão Kane, um documentário que falava sobre o poder da mídia e principalmente da Rede Globo sobre as pessoas. Para aqueles que acham que é besteira, pensem: Por que será que ele foi proibido apenas no Brasil?!
    Pensem nisso.
    Agradeço pelo espaço e desculpem por roubar muito de seu tempo.

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    • Matheus, o problema é pensar que a população é sempre um gado, manipulado pela indústria cultural e pela mídia.
      Isso é uma teoria antiga, já defasada e contestada inúmeras vezes.
      A população se apropria da cultura e ajuda a transformá-la também, após reinterpretação em suas próprias vidas.
      Vc vê seus colegas adolescentes e acha que eles ficam idiotas a cada dia, mas pode estar enganado. Daqui a uns 3 anos, quando todos estiverem avançados numa faculdade, eles podem te surpreender. Gostos mudam, formas de pensar mudam.
      Mesmo sua postura hoje, aos 17 aninhos, achando que tem uma visão privilegiada sobre “o que está acontecendo” ao seu redor, vai mudar, daqui a alguns anos, quando vc adquirir outros tipos de experiência.
      Eu acho Big Brother um lixo, detesto assistir a novelas, mas não vejo nenhum problema especial em quem goste das duas coisas.
      Assim como já assisti ao Cidadão Kane e ao documentário sobre a Globo (disponível fartamente no Youtube) e não me considero mais entendida que os outros por isso.
      Sábio é o que entende que todos têm potencial de ser inteligentes e de agregar algo ao mundo, independente das preferências que possuem.
      abraços e volte sempre!

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  6. Compreendo perfeitamente o que você disse. Jamais seria idiota a ponto de considerar as pessoas como um gado formado por seres “anencéfalos” que não fariam outra coisa senão serem comandados. Mas reflito sobre até onde a cultura de um povo pode influenciar o desenvolvimento moral do indivíduo e até que ponto isso é salutar.
    Nos “meus 17 aninhos” não penso ter uma visão privilegiada. Ao contrário, penso que enxergo apenas uma pequeníssima superfície da realidade, mas dei-me conta que não é tão simples quanto parece para a maioria das pessoas compreender essa mesma pequenina parte.
    Ficaria muito satisfeito em ver meus colegas, hoje problemáticos, transformarem-se e ficarem pessoas mais maduras. Aliás, essa parece ser a regra geral da evolução humana. Mas não acredito plenamente que todos sejam capazes de evoluir de maneira tão natural. Ora, de onde surgiu toda a cultura que consumimos? As roupas, a moda, as músicas a televisão? De onde surgiu tudo isso? Fomos nós que criamos? Óbvio que isso teve uma origem. Mas por que pessoas que nasceram em uma determinada cultura raramente excedem aquilo que lhes foi imposto?
    A sociologia explica esse fato perfeitamente: A socialização do indíviduo e o poder coercitivo. Ambas tem capacidade de moldar as decisões de um ser humano ao longo de sua vida.
    Não me entenda mal, não quero dizer que alguém que ouça Zeca Pagodinho não possa ser sábio, quero dizer apenas que devem existir limites entre o entrenimento e a dominação ideológica. Muitos podem simplesmente ouvir porque gostam do ritmo e etc. Nada contra.
    Mas também não podemos negar que realmente existe uma dominação ideológica por trás da cultura de massas (Caso contrário não existiria massas!). Muitas vezes, essa dominação pode ser definida de acordo com o processo de Lavagem Cerebral.
    Não, não falo daquela que os militares faziam no passado, nem dessas que as seitas religiosas costumam aplicar. Falo de uma mais perigosa: Uma que cresce conosco desde pequeno e molda os atos de nossa vida.
    Antes que diga que todos temos os mesmos potenciais (com o que estou totalmente de acordo), relembro a famosa Alegoria da Caverna de Platão: Quando um deles conseguiu escapar, viu a beleza dos campos iluminados e voltou. Os outros, que viveram sempre na escuridão, consideraram-no louco e o mataram.
    Dessa forma, como esperar que alguém que viveu sempre na obscuridade da sociedade de massas possa simplesmente tornar-se crítica do nada?
    Sei que as pessoas se apropriam da cultura e a modificam (li várias e várias vezes esse discurso nos livros de filosofia da escola). Mas faço uma única pergunta: Como poderão se apropriar de algo que foi minuciosamente planejado para impedir esse instinto de apropriação? Mesmo que eu tenha potencial para construir um prédio, como vou fazê-lo se ninguém nunca me disse que eu poderia?! É um contra-senso.
    Obrigado mais uma vez e até mais.

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    • Outras alegorias já foram criadas e discutidas a partir da de Platão. Em uma delas, por exemplo, o sujeito que escapa já acha insuportável o mundo lá fora e decide, ele próprio retornar, mas não para convencer os outros a o seguirem e sim para viver no conforto da vida que conhecia.
      Em outra, ele volta e consegue levar outros consigo, a partir de suas descrições.
      Se vc conseguiu, com seus 17 aninhos, enxergar essa pequeníssima superfície de conhecimento (algo invisível, como bem nos lembra o grande Sagan: https://kikacastro.wordpress.com/2011/02/14/post-especial-para-quem-se-acha-com-o-rei-na-barriga/), além da que muitos conseguem, mesmo imerso na “cultura de massa”, é porque todos podem fazer o mesmo.
      E porque nem toda cultura de massa é ideológica, logo, “minuciosamente planejada para impedir apropriação”.
      abraço,

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  7. Tenho o livro A República de Platão. Já li e reli várias vezes e também achei a alegoria interpretativa, apesar de que o diálogo de Sócrates e Glauco é bem claro quando Glauco responde que o matariam. Acredito que a interpretação mais coerente com relação a este caso, seja a do próprio Platão, que imaginava o homem que saía como o filósofo que descobriu um novo mundo e decidiu “beber” do conhecimento novo. As outras, levam em conta outros fatores, mas não deixam de ser totalmente válidas.
    Carl Sagan é um dos grandes ídolos que tenho e que transformaram minha maneira de pensar. Assisti toda a Série de Cosmos várias vezes quando era criança e sempre concordei com a ideia de que somos “Poeiras das Estrelas”. Foi muito bom ter lembrado dele no texto.
    Concordo com a sua posição de que todos podemos fazer o mesmo. Sei que somos todos sujeitos morais que temos (até certo ponto, claro) a liberdade de decidir o que pensamos e fazemos. Só não concordo com a ideia de que a cultura de massa não é ideológica. Vários intelectuais já perceberam que apesar de nossas condutas serem livres e termos o poder de transformar a moral da sociedade, nas sociedades sempre há uma tendência quase natural para o desenvolvimento de uma ética baseada nos preceitos de um grupo social, visando manter seu status quo. Isso é um fenômeno real, pois sempre observamos nas pessoas em geral um ideal de vida que tende a leva-las a pensar em uma ascensão social às classes dominantes e ricas (as mais poderosas de nossa civilzação).
    O ideal de vida capitalista esconde de forma sutial a ideologia de que os mais ricos são melhores e os mais pobres os piores. Apesar de isso não ser verdade, essa é a visão amplamente divulgada na mídia e em outros lugares. O dinheiro impera sobre o saber. Assim, o próprio conhecimento transforma-se em um simples instrumento nas mãos de pessoas que visam a riqueza. Daí surgem os tecnicistas, que sabem muito sobre aquilo que estudaram e quase nada sobre o resto (a maior parte dos acadêmicos seguem essa linha). Ora, qual o verdadeiro significado do saber? Será apenas um simples instrumento e nada mais? Há algo muito profundo na verdadeira sabedoria. Algo que os olhos mundanos recusam-se a enxergar.
    Uma vez, ouvi uma conversa entre uma mulher e um homem em que o homem falava sobre um doutor em física que dava aulas em uma universidade. Disse que ele havia escrito mais de 20 artigos científicos… Quando disse que esse fisico tinha um filho, a mulher, que nem estava prestando atenção, disse: “Tenho pena dele. Ter um pai assim nerd e doido assim, ninguém merece”.
    Não podemos negar que grande parte da sociedade compartilha dessa visão sobre os intelectuais. No fundo, por mais difícil que seja aceitar, muitos acreditam que o conhecimento não tem valor algum, já que podem ficar milionários de uma hora para outra no Big Brother ou na loteria. É essa visão que deve ser combatida, pois para que haja uma revolução política, social e moral, é preciso antes uma revolução intelectual. Acredito que o Brasil possa se tornar um país melhor se as pessoas aprendessem a valorizar o “aprender” e não o “decorar”.
    Foi por isso que, na primeira vez, disse que concordava em parte com o que você disse, kika. Suas palavras eram verdadeiras, mas poderiam tomar rumos perigosos. Imagina se todo mundo pensasse que sabedoria não é nada?
    Sonho que um dia me tornarei um filósofo e poderei achar uma resposta para o Brasil (sonho de adolescente de 17 aninhos, talvez). Não acho que as pessoas devam gostar das mesmas coisas, nem que intelectuais sejam so aqueles caras de cabelhos grisalhos que ficam lendo com charutos em poltronas. Não, queria que todos pudessem ter intelctualidade e mesmo que todo mundo tenha esse potencial, vejo que o mundo não colabora, pois nos faz perder tempo com coisas que talvez não sejam tão importantes (talvez ai esteja o pequeno problema em quem gosta de moda ou novelas).
    Só para concluir, se a cultura de massas não é algo determinante, não se pode negar que é prepoderante e tornar-se preferível a ideia de repensarmos os valores de nossa socierdade, de moso que possamos achar novas respostas.
    Desculpe pelo texto longo (é meu jeito de escrever mesmo) e obrigado

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    • Não é que sabedoria não seja nada. O que eu ironizei, no post, foi justamente a diferença entre intelectuais e sábios 😉
      Hoje estou com a cabeça longe, ruim para continuar esta discussão…
      Mas obrigada pelos ótimos comentários.
      Mantenha seu sonho de fazer filosofia. Faltam mais filósofos sábios no mundo (e sobram os pseudointelectuais, que tanto critico).
      abraços

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  8. Penso a mesma coisa Cristina. Hoje em dia parece que qualquer pessoa que chegue com um diploma nas mãos considera-se intelectual. Mas as pessoas esqueceram que o verdadeiro sgnificado de sabedoria está atrelado a n fatores. Ostentar um título para humilhar os outros é sinal de ignorância.
    Uma vez o psicólogo Lawrence Kohlberg comentou sobre os níveis de consciência das pessoas na sociedade. Disse que existia a consciência pré-convencional, a convencional e a pós-convencional. Na verdade, não existe uma hierarquia entre elas com uma sendo melhor do que a outra, mas existe características específicas que podem ser atreladas a três fases da vida: A infância, a adolescência e a fase adulta. Para Kohlberg, as pessoas que anseiam demasiadamente por ser reconhecidas (buscam a fama como objetivo de vida) estão na consciência infantil, a pré-convencional. As que estão no convencional estão em transição e é na pós que encontramos os grandes sábios, pois são pessoas mais maduras que não se preocupam com fama nem com a aprovação dos outros, mas com a sua evolução como seres humanos. São questionadores e buscam respostas para os problemas do mundo.
    Infelizmente, mesmo no meio academico, esse numero de pessoas é reduzido. Não faltam aqueles que vivem falando que são Phds ou Doutores e que são melhores por isso. Meu pai, que está terminando o mestrado, me disse uma vez que conheceu uma mulher com pós-doutorado que sabia muito sobre sua área de conhecimento e que se auto-bajulava (desculpe a expressão incoerente). Mas era só mudar um pouquinho de nada o assunto, que ela perdia-se completamente. Não sabia nem mesmo o que era a Guerra do Iraque!
    Tudo o que quero é fugir desse meio “perdido” dos intelectuais. Ora, quero buscar uma filosofia ativa e transformadora que possa, quem sabe, trazer novas alternativas para o nosso país. Já me perguntei várias vezes, e percebi que o Brasil (apesar da presença de intelectuais de prestígio) nunca desenvolveu uma escola de pensamento ou algo que pudesse definir os rumos científicos e filosóficos nacionais. Importamos tudo de fora e apenas nas últimas décadas começamos a produzir algum tipo de conhecimento. Mesmo assim a educação de nosso país é uma das piores do mundo. E aí caímos naquele círculo vicioso….
    Obrigado pelo incentivo e até a próxima.

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    • É isso, siga em frente!
      E guarde isto para sempre: as melhores pessoas que conheço, as mais sábias e mais feras em sua área de conhecimento (os melhores jornalistas, por exemplo), são super simples. Os metidos e convencidos não vão muito pra frente, não.
      abraços,

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  9. Sou um intelectual também, e estiloso. Os Nerds são uma verdadeira revolução eu admiro tudo de porreta que eles fazem. Você sabia que muito antes de fundar a Microsoft, Bill Gates era um típico nerd?

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  10. Um intelectual é apenas uma pessoa que usa o seu intelecto para refletir com relevância social e coletiva. Seu gosto musical e etc não o fazem intelectual. Isso é um pré-julgamento, um pré-conceito. Uma pessoa que curta as coisas citadas pode ser sábia ou não, assim como um intelectual pode ser um sábio. Essas coisas não são rotuladas, porque, como você disse, “gosto é gosto”.

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  11. Cada mente é um Universo. Desejos, vontades, gostos, tudo isso é apenas a expressão dos nossos sentimentos particulares. Obviamente, sofremos influência do mundo ao nosso redor, nesse sentido, mas a mente é mais complexa do que isso. O grande problema está em nós mesmos, na nossa arrogância, por acreditarmos na maior das ilusões de nosso mundo: A ilusão da grandeza.
    Os “intelectuais” citados no texto são os pequenos príncipes de seus reinos particulares. Aqueles que, por serem tão pobres de alma, não veem outra opção senão apostar na “riqueza” recebida pela “grandeza”, pelo status quo. É puro e simples desespero. Desespero por algo que justifique sua existência simplória…
    Os sábios não são aqueles que arrotam informações. Não são aqueles que acreditam enxergar horizontes impossíveis para outras pessoas (como um dia eu, infelizmente, já fiz). Eles reconhecem sua simplicidade, sua ignorância. Ouvem mais e falam menos. Não se orgulham apenas de aprender pequenas lições de monumentais eventos e fantásticos nomes como Nietzsche, mas sim de aprender grandes lições de pequenos eventos e nomes comuns, como o Seu Edson do táxi…
    Realmente, não faltam intelectuais por aí. Não faltam aqueles que se vangloriem por ouvir Mozart, nem aqueles que intimidem os mais simples com mecânicas citações de Sartre, Heidegger entre outros. O que falta mesmo são os que se questionam sobre o porquê da necessidade de intimidar ou se vangloriar…
    É isso que eu, hoje com 20 anos, penso desse texto. Acredito ter entendido melhor sua mensagem agora, Cristina. E ainda mantenho meu sonho de algum dia fazer filosofia…

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    • Muito bom te ver de volta por aqui, Matheus! Fiquei feliz com o retorno e com seu amadurecimento. Adorei seu comentário e reli os de três anos atrás e também os achei muito inteligentes. Por que ainda não fez filosofia? Espero que um dia realize este sonho 🙂
      Vou tomar a liberdade de postar seu comentário no blog, em forma de texto, para que mais pessoas possam lê-lo, tudo bem?
      Um abraço!

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      • Agradeço a consideração e o incentivo. Na verdade, o que aconteceu foi que à medida que o tempo passou decidi cursar engenharia. Estou hoje no 4º período. Não foi uma escolha difícil. Sempre gostei dessa área também. O que pretendo é algum dia fazer filosofia para realizar outros sonhos, já que também amo essa área. No entanto, nunca deixei de ler e me aprofundar em diversos assuntos.
        Decidi comentar aqui de novo justamente para fazer um contraste entre as duas épocas. Quando reli os meus comentários antigos, confesso que fiquei meio envergonhado kkkk. Quanto ao texto, se você acha que merece ser publicado, não há problema. Ficaria honrado.
        Abraços!

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