Seu destino é… se sentar aqui!

Vale ver no cinema: OS AGENTES DO DESTINO (The Adjustment Bureau)

Nota 7

Vou ser do contra de novo, como daquela vez em que defendi os ônibus em vez dos aviões: eu não gosto de lugar marcado no cinema.

E não dá nem pra dizer que é porque não me acostumei, que é a típica aversão a mudanças, porque o cinema que mais frequento já numera as cadeiras há anos.

A questão é que:

  1. As pessoas gastam mais tempo nas filas para comprar o ingresso quando a cadeira é numerada, ficam escolhendo, têm dúvidas etc.
  2. As pessoas ficam relaxaaaadas por ter lugar marcado e param de se preocupar com horário. Chegam depois que o filme já começou, passam os cabeções no meio do trailer mais legal, ficam muito menos pontuais do que quando precisavam chegar logo para pegar o melhor lugar.
  3. Se você dá o azar de se sentar atrás de um jogador de basquete, azar o seu. Principalmente se estiver naquelas salas de cinema antigas, sem degraus, em que é impossível escapar do pescoção na frente. Seu lugar é aquele, não dá pra mudar, bom torcicolo pra você.
  4. Se dá o azar de se sentar ao lado daqueles casais que estavam sem coragem de ir ao motel e decidiram ir ao cinema, pior ainda. Hoje tive esse prazer (ou melhor, eles tiveram). Levantaram o encosto de braço entre eles, ela se deitou no namorado e os beijos dos dois eram tão afoitos que o microclima ao redor tinha temperatura até mais alta que o do resto da sala. Azar o meu: aquele é meu lugar, quem mandou? Aguenta.
  5. O mesmo saco você tem que ter se se sentar ao lado daqueles tagarelas,
  6. dos que nunca entendem o que está acontecendo no filme,
  7. das crianças choronas,
  8. dos que não conseguem ler a legenda e ficam perguntando,
  9. dos carentes que ficam puxando papo com você
  10. etc.

Simplesmente deixou de existir aquela bela opção de levantar e trocar de lugar. Ou de entrar numa sala de cinema relativamente cheia e olhar bem para cada lugar vazio antes de escolher o melhor. E não existe mais a justiça que havia antes, quando os cinéfilos eram os primeiros a chegar e tinham todas as opções do mundo para recompensar o empenho: agora é mais comum chegarmos com meia hora de antecedência e, mesmo assim, as cadeiras terem sido todas compradas pela internet antes e só sobrar aquele lugar láááá na frente, junto aos espaços porcamente reservados para os cadeirantes, onde veremos os cabeções atrasados chegarem ao longo de vários minutos.

Sim, este post está meio mal-humorado, e não é só por causa do casal que achava que estava em casa bem ao meu lado. O filme “Agentes do destino“, que vi por falta de opção no horário, foi melhor do que eu esperava (com essa tradução de título, cheguei a ter dúvidas se ia ver uma comédia romântica ou um filme espírita ou o que mais), mas bem pior para uma noite de sexta. Não vou fazer a crítica dele porque é melhor vê-lo às cegas, como eu fiz, do que já chegar sabendo do que se tratam aqueles homens de chapéus logo de cara. (Mas uma coisa eu tenho que dizer: apesar das boas sacadas e do sempre ótimo Matt Damon, essa história do chapéu foi conversa pra boi dormir total, né? Depois que vocês virem, hão de concordar comigo. E também com o fato de que é irritante como a cada dois minutos um personagem se esforça para justificar a trama com a mesma frase, que vocês vão saber qual é durante o filme… O que mais salva a história é o lado sci-fi, explorado principalmente no início, do conto de Philip K. Dick).

Anyway, tenho saudades da surpresa que era um cinema sem cadeiras marcadas…

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