Banalizando o desmatamento

O Código Florestal foi aprovado na Câmara, e não em votação apertada, mas com 410 votos favoráveis e apenas 63 contrários. Foi um verdadeiro massacre para o governo Dilma, que era contra, dentre outros pontos polêmicos, a anistia a pessoas que desmataram até 2008.

O Código, apesar do nome, que remete à proteção ambiental, prevê ainda redução das áreas de proteção ambiental, como topos de morro (que ajudam, por exemplo, na formação de nascentes), beiras de rios e florestas. Com o discurso social de que estaria beneficiando uma porção de pequenos ruralistas, os grandões do agronegócio, os latifundiários da CNA, saíram vencendo. Os pequenos ruralistas continuarão pequenos e com a natureza cada vez mais frágil, dificultando ainda mais uma produção saudável.

Agora cabe ao Senado “rever” o código, nas palavras políticas de Aécio Neves (PSDB-MG). E a Dilma, se tiver colhões, vetá-lo. Ou o que teremos será a banalização do crime ambiental, como maravilhosamente ilustrou o gênio Angeli:

E eu pergunto: cadê os churrasqueiros de Higienópolis, os fumaceiros da Marcha da Maconha, os buseiros do Movimento Passe Livre fazendo barulho, aos milhares, na porta do Congresso? Realmente, as questões ambientais ainda não tocam a população. Talvez na geração de nossos netos a coisa mude de figura, ainda que tarde demais.

 

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