Banalizando o desmatamento

O Código Florestal foi aprovado na Câmara, e não em votação apertada, mas com 410 votos favoráveis e apenas 63 contrários. Foi um verdadeiro massacre para o governo Dilma, que era contra, dentre outros pontos polêmicos, a anistia a pessoas que desmataram até 2008.

O Código, apesar do nome, que remete à proteção ambiental, prevê ainda redução das áreas de proteção ambiental, como topos de morro (que ajudam, por exemplo, na formação de nascentes), beiras de rios e florestas. Com o discurso social de que estaria beneficiando uma porção de pequenos ruralistas, os grandões do agronegócio, os latifundiários da CNA, saíram vencendo. Os pequenos ruralistas continuarão pequenos e com a natureza cada vez mais frágil, dificultando ainda mais uma produção saudável.

Agora cabe ao Senado “rever” o código, nas palavras políticas de Aécio Neves (PSDB-MG). E a Dilma, se tiver colhões, vetá-lo. Ou o que teremos será a banalização do crime ambiental, como maravilhosamente ilustrou o gênio Angeli:

E eu pergunto: cadê os churrasqueiros de Higienópolis, os fumaceiros da Marcha da Maconha, os buseiros do Movimento Passe Livre fazendo barulho, aos milhares, na porta do Congresso? Realmente, as questões ambientais ainda não tocam a população. Talvez na geração de nossos netos a coisa mude de figura, ainda que tarde demais.

 

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16 comentários sobre “Banalizando o desmatamento

  1. Eu respondo:
    devem estar teclando do como loucos no Twitter ou no Facebook, enfrentando filas prá comprar o iPad2, assistindo performances (?!?) de stand-up comedy, shows (?!?) de Diego Nogueiro ou Paula Fernandes, quem até mesmo defendendo a natureza, ao apoiarem esta lei imbecil das sacolinhas aqui de Belô.
    Prá mim, já deu.

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  2. “Aldo Rebelo oportunista: se vendeu pra bancada ruralista”

    “Aldo Rebelo, você não presta, nós queremos nossa floresta”

    Esses foram dois dos gritos de guerra da marcha da liberdade hoje. Além disso, vários cartazes falavam contra o Código Florestal. Não vejo a coisa com tanto pessimismo assim, Kika.

    🙂

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  3. Kika,

    faço meu seu pessimismo com relação ao Código, mas quis mostrar que a juventude e o pessoal que protesta contra a proibição da maconha e contra o aumento também atentou para os problemas ambientais.

    O que mais espanta é ver o Aldo defender isso como se fosse um grande avanço.

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    • Ah, na verdade o pessoal pegou carona em outro protesto e soltou esses gritos de guerra ao léo, né?
      Na prática, tá faltando milhares de pessoas lá na porta do Congresso, na semana em que dobraram o próprio salário e nesta semana tensa para nossas questões ambientais 😦
      Não sei se protestar adianta alguma coisa, mas, sei lá, a impressão que eu tenho é que o pessoal acha que botar #forasarney nos trending topics do Twitter já é uma revolução. Mas poucos andam fazendo política de verdade, né? Quando fazem, partidarizam tudo, vira aquele nojo que foi a campanha do ano passado, com discussões maquiavélicas sobre aborto e tudo o mais.
      Enfim, ando pessimista com a política como um todo, sabe… Tudo parece meio invertido…

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  4. Kika,

    respeito sua impressão, mas não achei que os protestos contra o Aldo foram feitos de forma aleatória. Fizeram parte do contexto geral da manifestação, que era um protesto contra tudo, aberto a todas as expressões. Muita gente pegou o sentido de xingar o Aldo e o porquê daquilo e gritou junto. Além disso, havia muitos cartazes falando do Código.

    Também acho que falta gente reclamando na frente do Congresso, mas um dos objetivos velados de Brasília era esse mesmo, né? Tirar a capital de perto das zonas mais perigosas em termos de protestos.

    Meu pessimismo existe com relação à política. Concordo contigo que o panorama é tenebroso. Minha esperança é justamente com relação à (re)invenção das esquerdas atualmente – no sentido da desburocratização e da abertura para a criatividade. No texto que escrevi sobre o protesto de hoje (http://descremar.blogspot.com/2011/05/vi-muitos-vazios-quando-cheguei-ao-vao.html) falo um pouquinho disso. Se quiser ler, ficaria feliz.

    Beijos!

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  5. Gostei do seu comentário e recomentei lá! Mas como não sei colocar a ferramenta de acompanhar comentários, sei que (quase) ninguém vê minhas respostas, hehe. Então te avisei por aqui. Nem precisa aceitar esse comentário aqui. É só pra avisar, mesmo.

    Beijo,

    Caio

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