CAMpeão dos campeões

Desde sempre o time que me despertava mais simpatia era o Galo. Por uma razão bem simples: meus irmãos são atleticanos (meus pais nem ligam pra futebol) e 90% dos meus amigos também (só três são cruzeirenses: Tadeu, Urian e Naty). Todos os namorados e rolos que tive até hoje sempre torceram para o Galo. E a forma como a torcida vibrava nas ruas, mesmo sendo raro estar com vitória garantida, na frente, com títulos, sempre me encantou. Mas não passava de simpatia mesmo, porque, apesar de eu já ter ido ao Mineirão, nunca fui torcedora — como meu irmão, que ia de meião, camisa, short e gorro do Galo 😀 –, não acompanhava os campeonatos e nem entendia as regras deles.

Quando cheguei a São Paulo, em 2008, comecei a ler o caderno de Esporte, que antes eu sempre deixava para trás, por obrigação profissional. Aos poucos, fui gostando de saber os bastidores dos clubes e fui entendendo melhor as regras dos campeonatos (a do jogo eu sempre entendi bem, porque gostava de jogar na escola e acompanhava a Seleção Brasileira nas Copas da vida). Fui conhecendo os melhores jogadores, os melhores técnicos. Foi por essa época que inauguraram o Museu do Futebol, li uma coluna do Juca Kfouri falando sobre ele, fui conferir quando meus amigos de Beagá vieram me visitar, e amei!

Museu do Futebol (Fotos: CMC)

Em 2009, ainda no Campeonato Mineiro, li uma matéria dos trainees da Folha, publicada no online, mostrando no mapinha da cidade todos os bares onde se podia ver jogos de times de outros Estados. Combinei com os amigos mineiros de ir ao Bar do Parque, onde se exibe os jogos do Galo (e hoje é conhecido por todos como Bar do Galo). E lá fomos nós — a maioria não muito ligada a futebol.

Foi ótimo ver que existe um pedacinho de Minas incrustado na Terra Cinza, com todos aqueles sotaques de várias regiões, todos torcendo por um time com que eu já estava familiarizada desde sempre, com camisas desse time, sendo tratados como reis pelos funcionários do lugar (que, a propósito, é um dos três bares com cerveja realmente gelada da cidade, que eu conheça. Padrão mineiro de gelar cerveja).

Pronto, me conquistou.

Depois disso, fiquei um bom tempo indo para lá com uma amiga que torce para o América. Virou nosso programa de domingo (esse dia geralmente entediante). Aos poucos fui conhecendo os outros frequentadores, os funcionários (Jorge e Anderson são os únicos daquela época que continuam), o time, o técnico, fui aprendendo a ver futebol e fui gostando cada vez mais.

(Nesse meio tempo, comecei a namorar um corinthiano e houve o episódio traumático de ir ao Pacaembu ver uma partida de Atlético e Corinthians com ele, na torcida DELE. Nesse dia eu tive certeza que já tinha virado atleticana, porque não queria estar ali “comemorando” gol alheio nem a pau :D)

Um belo dia, comprei uma camisa. Não era oficial, mas foi a primeira camisa. E minha amiga americana deixou de querer ir comigo, mas eu já tinha feito tantos amigos lá (Tiléo e Celme, Vânia, Muchacho, Sô Belico, Leandro, Túlio, Bianca, Marcão, Ana, Raphael, Brunão, Juliano etc), que não tinha problema em ir sozinha. Um dia, um amigo meu me presenteou com um livro do Roberto Drummond. Resgatei o chaveirinho do Galo que meu primeiro namorado me deu, que estava na caixinha de lembranças (um dia vou postar sobre ela) e comecei a usar no lugar da guitarrinha, que descascou. Comecei a rir dos comentários fanáticos do Chico Pinheiro no SPTV (ele que também costumava ir ao Bar do Galo, mas era pé-frio, segundo dizem). Todo amigo de Beagá que vem me visitar, levo para conhecer. E assim fui ficando cada vez mais torcedora.

O que me levou a gostar cada vez mais do Galo foi, justamente, a raiz com a minha terrinha, fincada naquela casa agradável lá ao lado do Parque Água Branca (um cantinho gostoso da cidade, onde galinhas andam soltas pelo chão, como numa fazenda). Foram essas duas horas por semana num lugar onde só se escuta sotaques mineiros e referências a Minas que melhoraram muito minha adaptação nesta Terra Cinza. Eu não sou nem nunca serei fanática, como muita gente que conheci lá no bar. Porque todo fanatismo é burro, como já escrevi aqui. Mas torcer pelo Atlético é, antes de tudo, muito divertido!

Por isso, hoje estarei lá, às 16h, torcendo para que um simples empate leve mais um título de campeão mineiro ao Galo e deixe meus amigos cruzeirenses, com quem vou encontrar mais tarde, um cadim cabisbaixos 😉

Mineiros perdidos na Terra Cinza podem ir ao Bar do Galo na rua Germaine Burchard, 283, ao lado do parque Água Branca. Trocentos ônibus passam pela São João em direção à Lapa e deixam na Francisco Matarazzo, em frente à Vila Country (mesmo quem não conhece, bate o olho e sabe que está em frente à Vila Country…), de onde só tem que andar mais um quarteirão. Também fica perto da estação Barra Funda do metrô/trem. Existe outro bar que transmite jogos do Galo, perto da estação Ana Rosa de metrô, mas não o conheço. E tem um bar de cruzeirenses na Brigadeiro Luis Antônio, a umas seis quadras da Paulista.
Mais informações no site da Galosampa (que não é torcida organizada, fique claro).
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