O recheio que os leva até o fim

Para ver no cinema: CAMINHO DA LIBERDADE (The Way Back)

Nota 8

Logo de cara vocês serão avisados que três prisioneiros dos campos de trabalho na Sibéria fugiram, percorreram mais de 6.000 quilômetros, e chegaram à Índia, em 1947. Portanto, relaxem, não estou estragando o filme.

É como quando vimos 127 Horas: já sabemos que ele vai ficar preso numa pedra e sabemos como vai conseguir se soltar dela. A graça, portanto, é o que se passa no meio do caminho, entre o início e o fim.

E este belo filme de Peter Weir (do meu querido Sociedade dos Poetas Mortos) tem um recheio de primeira, com muitas boas histórias.

Reparem que, para sair da Sibéria à Índia, além da distância, eles têm que passar por todas as extremidades que a Natureza reservou a este planeta: frio intenso, nevascas, calor intenso, tempestades de areia, sequidão, fome absoluta, montanhas etc. (Se pelo menos estivessem no Brasil, poderiam andar pelo clima mais seguro do planeta…). E tudo tendo razões de sobra para não quererem encontrar civilização pelo caminho.

Para completar o recheio caprichado, temos personagens fortes, com peculiaridades que os humanizam, e atores excepcionais. À exceção de Colin Farrell e Ed Harris (os dois fantásticos), todos os outros são desconhecidos. (Na verdade, nem tanto, como vi agora na ficha corrida do excelente Janusz.)

É uma espécie de Na Natureza Selvagem com o já citado 127 Horas e outros filmes sobre grande provações humanas, com personagens que nos cativam.

O que estragou o filme foi a necessidade de fazer propaganda anticomunista o tempo todo, que já seria desnecessária pela história em si que se quer contar. E o finalzinho, como vocês verão, ficou meio besta. Mas até chegarmos a ele, já teremos derramado lágrimas, cruzado os dedos, nos mexido na cadeira e demonstrado, de todas essas e outras formas, que a história é de grande sensibilidade.

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