À espera das explicações de Palocci

texto de José de Souza Castro:

Nessa história do enriquecimento súbito do ministro da Casa Civil Antônio Palocci, revelado neste fim de semana pela “Folha de S. Paulo”, muita coisa precisa ainda ser explicada pelo denunciado. E ninguém espera que o assunto seja esquecido tão rapidamente quanto deseja o líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), que declarou hoje ao mesmo jornal: “Confio no Palocci. Ele deu uma explicação e, para mim, isso é página virada.”

A explicação do ministro, publicada hoje pelo jornal, é que o apartamento de R$ 6,6 milhões e o escritório de R$ 882 mil foram comprados pela sua empresa, a Projeto, que foi aberta em 2006, quando ele se elegeu deputado federal, para “a prestação de serviços de consultoria econômico-financeira” e que essas atividades foram encerradas em dezembro, por conta da sua nomeação a ministro por Dilma Rousseff. Mas Palocci não disse quem foram os clientes da empresa e nem qual seu faturamento ao longo de quatro anos.

Isso é que precisa ser explicado. Não é possível justificar a multiplicação por vinte do patrimônio de Palocci, em quatro anos, a não ser pelo faturamento da empresa que, pelo que se conhece até agora, só tem uma empregada que nem sabe o que faz a Projeto. A empresa, pelo que declarou o ministro, está agora administrando os seus dois imóveis, apenas. Ainda segundo o jornal, nesses quatro anos, Palocci recebeu da Câmara dos Deputados R$ 974 mil, brutos.

E se o ministro estiver mesmo disposto a esclarecer tudo, ele podia também informar qual o salário que recebe hoje como homem público. Se o de ministro ou o de deputado federal. Se for este, ele está de parabéns: vai embolsar 400 mil reais por ano, com o último reajuste, de 62%, que os parlamentares se concederam.

Se ele conseguir viver apenas dos rendimentos da Projeto – e ela vai ter que faturar muito –, daqui a pouco mais de 18 anos, se continuar deputado federal, ele vai poder comprar outros dois imóveis, pelo mesmo preço, sem precisar se explicar muito.

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