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Crônicas do fim do mundo — o jornal impresso

Sempre fui defensora da resistência do jornal impresso diante de novas mídias. Ele pode até perder uma fatia do público, mas vai continuar firme e forte por vários anos, como o rádio e até a já idosa TV — era o que eu sempre dizia.

Mas uma conversa no táxi ontem me desiludiu:

— Você está lendo o jornal por obrigação profissional ou porque você gosta de ler mesmo?, me perguntou o taxista enquanto eu ia para a leitura do terceiro caderno.

Surpresa, levei uns dois segundos para responder.

— Porque eu gosto.

Ele riu alto.

— É que ler jornal hoje em dia é suspeito, né!

É duro. Se o taxista acha tão espantoso que eu leia jornal, é sinal de que ele nunca vê ninguém lendo. E taxistas convivem com trocentas pessoas todo santo dia, de todas as idades, durante o dia todo.

É o fim do mundo…

Cristina Moreno de Castro Ver tudo

Mineira de Beagá, jornalista, blogueira, poeta, blueseira, atleticana, otimista, aprendendo a ser mãe. Redes: www.facebook.com/blogdakikacastro, twitter.com/kikacastro www.goodreads.com/kikacastro. Mais blog: http://www.otempo.com.br/blogs/19.180341 e http://www.brasilpost.com.br/cristina-moreno-de-castro

6 comentários em “Crônicas do fim do mundo — o jornal impresso Deixe um comentário

  1. Acho que não é o fim do mundo, não. É como o mp3, q matou o CD, q havia matado o vinil. Muda o modo como se consome a informação, mas ela ainda é consumida. Mais preocupante do que a morte de uma mídia é a natureza e a qualidade da informação consumida. Certo q as pessoas sempre consumiram muito mais entretenimento do que hard news, mas estão consumindo mais ainda o primeiro em detrimento do segundo?

    []s,

    Roberto Takata

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    • Não sei se é mais ainda. Acho que é porque as pessoas estão consumindo MUITO MAIS informações, toneladas a mais do que uns 30 anos atrás. Então, proporcionalmente, consomem também muito mais porcaria. Mas acho que, no geral, estão mais bem informadas, seja pela TV, pelos sites de notícias ou pela blogosfera. bjos

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  2. Não, Cris, não é o fim do mundo não…
    é simplesmente porque os jornais de hoje não são como os de antigamente.
    hoje só vemos notícias plantadas, cópias de releases distribuidos pelos governos. Onde estão os grandes repórteres que iam ao fundo do poço para arrancar as verdades que precisavam ser conhecidas pelos leitores?
    Não é o fim do mundo, é o fim dos jornais. Infelizmente!

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    • Professor, acho que você anda lendo muito APENAS a blogosfera e está há anos sem ler um jornal. Com isso, sua visão fica bastante parcial sobre o que é noticiado nos jornais ou deixa de ser. Como eu leio jornais e revistas sempre, inclusive a Veja (por razões profissionais e porque meu pai me ensinou que é preciso ler de tudo, mesmo do que não gostamos, para sermos capazes de criticá-los), sei que as principais denúncias que pipocaram nos últimos anos, de importância e gravidade para todo o país, surgiram do esforço investigativo de ótimos repórteres que ainda penam na imprensa. Que depois é repercutido (“chupado”) na blogosfera e por todos os outros veículos de comunicação (e ainda bem que é assim, já que poucos ainda lêem jornal). É uma pena que a guerra política tenha criado um discurso enviesado, que desvaloriza todo esse esforço, que também é meu.

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  3. É triste mas é verdade. Outro dia, no barbeiro um amigo ex dono de jornal comentou que ainda assina um jornal da região apenas para usar como forro da gaiola de seus passarinhos. A internet realmente abalou o jornal impresso assim como tende a abalar os livros impressos também.

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    • Minha esperança é que o jornal continue cumprindo seu papel de cavoucar grandes histórias para que a internet reproduza depois. Porque não conheço ainda nenhum site de notícias ou blog que se sustente sozinho com jornalismo investigativo. A grande maioria ainda é apenas um espaço de opiniões (o que também é ótimo), baseadas em algo que foi revelado antes pela imprensa e mídia eletrônica com estruturas de equipe maior para fazerem a investigação (justamente por terem mais dinheiro). E às vezes baseadas também em preconceito ou interesses políticos à parte (o que é legítimo).

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