O adolescente do Morro do Papagaio e o adulto de Stanford

crimes

Recentemente li no jornal “O Globo” que uma comediante norte-americana cometeu uma série de infrações, na cara dos policiais, e não foi presa por nenhum deles. Ela tentou mostrar com seu vídeo que, por ser branca, tinha privilégios — se um negro tivesse feito a mesma coisa, provavelmente teria ido em cana, ou até sido morto. A provocação ocorre num momento em que os EUA vivem sérios problemas com mortes de jovens negros por policiais, desde o crime em Ferguson, quando o adolescente negro Michael Brown, de 18 anos — que estava desarmado — foi morto a tiros por um policial branco, que pouco depois foi inocentado pelo Grande Júri, levando o país inteiro a protestar.

Bom, será que no Brasil a coisa é muito diferente? Basta ver o raio-X do sistema penitenciário brasileiro para perceber que não: nossos presos são, em sua maioria, negros (67% em média e, em alguns Estados, chegam a ser 90% do total! Enquanto, na população em geral, pretos e pardos somam apenas 51%). Quem tiver interesse em conhecer melhor nossos presídios sem ter que ir visitá-los pessoalmente pode se debruçar sobre ESTE levantamento divulgado pelo Ministério da Justiça em junho de 2014, com destaque para as páginas 48 a 72. Diz o texto de introdução, assinado pelo ministro da Justiça: “Os problemas no sistema penitenciário que se concretizam em nosso país devem nos conduzir a profundas reflexões, sobretudo em uma conjuntura em que o perfil das pessoas presas é majoritariamente de jovens negros, de baixa escolaridade e de baixa renda.”

A grande maioria dos crimes que levam uma pessoa à prisão são crimes contra o patrimônio, principalmente furto e roubo simples, além de tráfico de drogas. Acontece que, com essas Polícias Civis sucateadas que nós temos, que não conseguem investigar (há um déficit de 31.500 peritos no país, pra não falar de delegados e outros), boa parte dos crimes é construída em cima de flagrantes. E a diferença entre enquadrar uma pessoa como usuária de drogas ou como traficante é muito subjetiva: pra se ter uma ideia, a média de apreensões de drogas no país é de 66,5 gramas — menos que uma caixinha de remédios! (Esses dados podem ser vistos AQUI.) Um branco rico pode ser ouvido e liberado na mesma noite em que um negro pobre e morador da favela pode ser fichado como traficante perigoso.

Quando falamos em criminosos que cometeram crimes de furto ou roubo, a coisa também fica clara. Enquanto o furto de galinhas ou de chinelos leva pessoas pobres à prisão e emperra ainda mais nosso já atolado sistema judiciário, com ações chegando até ao Supremo Tribunal Federal, os megacriminosos, que roubam milhões ou bilhões, não são presos (crimes contra a administração pública são a acusação de apenas 0,4% dos presos). Eles têm bons e caros advogados, afinal…

Nesta semana, outro tipo de crime se tornou emblemático para este post: os crimes contra a honra.

Há dois dias, um adolescente de 14 anos, que não tinha passagem pela polícia, morador do Morro do Papagaio, uma comunidade de Belo Horizonte, postou em seu Instagram uma foto de dois policiais militares em sua rua, com a seguinte legenda: “Vermes lombrando a quebrada”. A foto foi rapidamente compartilhada pelo WhatsApp, outra rede social, e chegou até os PMs daquele batalhão. Eles rapidamente apreenderam o rapaz. Motivo: ele cometeu um crime de “injúria” (o mesmo que você comete ao chamar alguém de “imbecil”, por exemplo).

Um dia depois desse episódio, um adulto branco, brasileiro que mora nos Estados Unidos, burlou a vigilância de seguranças e se infiltrou numa comitiva presidencial, da chefe de Estado brasileira, a presidente Dilma Rousseff, que estava em viagem oficial aos Estados Unidos, onde firmou vários acordos com Barack Obama. Ele conseguiu — por uma grave falha de segurança, diga-se — ficar num mesmo corredor estreito por onde passou a presidente da República. Ao vê-la, começou a chamá-la de “vagabunda” e “comunista de merda” (crimes de injúria), “assassina” (crime de calúnia, que é mais grave que a injúria) e ainda cometeu uma ameaça, que é um crime previsto no artigo 147 do nosso Código Penal (“…tem mais é que ser morto”).

Tudo foi registrado em vídeo pelo próprio agressor, que postou a filmagem em seu Facebook. Nada aconteceu com ele, até agora (além de ser aplaudido por um punhado de antipetistas fanáticos). Não foi interrogado, nem levado para depor, como o adolescente do Morro do Papagaio, mesmo tendo cometido crimes mais graves desferidos contra uma chefe de Estado.

Dois pesos, duas medidas.


(Nesse passo, prevejo um futuro próximo. A maioridade penal vai ser reduzida até os 10, 12 anos de idade, para todos os tipos de crime. As crianças negras e/ou pobres que encherem o saco de policiais vão ser rapidamente detidas e levadas para prisões. Sem advogados que prestam e com a defensoria pública cada vez mais atolada, vão ficar mofando vários meses ou anos até que alguém se lembre de julgá-las. É possível que, se tiverem mesmo cometido um furto ou roubo, seu caso vá parar até no STF antes que possam ser soltas. Os presídios, já sem vagas, vão se abarrotar cada vez mais, e os presos vão começar a morrer lá dentro. Os brasileiros “de bem” vão comemorar (finalmente a pena de morte terá sido oficializada no país), do lado de fora, até que seus filhos sejam pegos na boca de fumo comprando maconha ou se envolvam em um crime de trânsito porque beberam demais na balada e eles tenham que pagar um advogado bom para livrá-los da prisão e seguirem com suas vidas — afinal, são só jovens, quem nunca fiz isso antes?, merecem uma segunda chance, vou endireitá-los. E a limpeza étnica e social vai seguir, firme e cada vez mais forte no país.)

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Ponte: o novo canal de segurança pública e direitos humanos

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O Brasil vai ganhar, a partir de semana que vem, um canal de jornalismo independente que abordará exclusivamente pautas de segurança pública, Justiça e direitos humanos, o Ponte. E eu já aviso desde já: é bom todo mundo ficar atento ao que será veiculado por ali, porque tenho certeza de que vai ser só reportagem bombástica e muitos furos (e é o que espero já para a estreia).

Falo isso por causa do time de jornalistas que estão tocando o projeto. Começa com meu amigo André Caramante, que já citei várias vezes aqui no blog, passa pela excepcional Laura Capriglione e segue com os feras Bruno Paes Manso, Fausto Salvadori Filho, Claudia Belfort, dentre outros. São “só” os melhores jornalistas de segurança pública e direitos humanos deste Brasil. Sou fã de todos eles e os tenho como inspiração (ao lado do meu pai).

Eles não vão sair publicando qualquer vídeo de celular capturado nas ruas, como já fazem bem outros grupos de jornalismo independente que contam com o caráter viral das redes sociais: se tiverem acesso a um vídeo com carga grave de denúncia, vão publicá-lo junto com um trabalho de jornalismo investigativo, com uma apuração profissional, de quem já trabalha há anos com reportagem e sabe como se faz. Esse é o diferencial em que aposto.

Por isso, recomendo desde já que não só os leitores em geral, mas principalmente os jornalistas de outras Redações fiquem atentos ao que será produzido ali, porque certamente haverá material para grande repercussão e debate público.

Conheça mais a intenção de alguns dos criadores do projeto no vídeo abaixo:

CLIQUE AQUI para ir para o site do Ponte — e salvar o endereço nos Favoritos para acompanhá-lo a partir da semana que vem 😉

VEJA AQUI a lista de apoiadores do projeto, que inclui figuras como Julian Assange, editor do WikiLeaks, os ex-ministros da Justiça José Gregori e Marcio Thomaz Bastos, o cientista político Luiz Eduardo Soares (co-autor de “Tropa de Elite”), o dramaturgo José Celso Martinez Correa, o escritor Paulo Lins (autor de “Cidade de Deus”), o rapper Emicida, o grupo Racionais MC’s, e várias outras pessoas e instituições de peso.

O dia em que fui presa (e assim continuei)

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Texto escrito por Queila Ariadne*:

Nesta semana eu fui presa pela segunda vez em menos de dois meses, pelo mesmo motivo: roubo de carro. Pelo menos fui solta mais rápido que da primeira vez, que aconteceu pouco antes do Natal. Mas isso só aconteceu porque preferi pagar a fiança.

Meu carro foi arrombado por volta das 20h40min, na rua Professor Morais, na Savassi. Eu e meu namorado estávamos a caminho do teatro quando chegamos ao local do crime e nos deparamos com o vidro lateral esquerdo traseiro todo estraçalhado. A prisão começou a partir daí: chamei a polícia, perdi o teatro, perdi o tempo que ficaria com meu filho. Isso foi numa quinta-feira. Liguei para o seguro e ouvi a sentença: Você pode trocar o seu vidro na próxima quarta-feira, só temos este horário. Diante disso, preferi pagar por fora, já que tenho que deixar meu carro na rua, para trabalhar, e não poderia ficar presa mais do que um dia. Paguei a “fiança” de R$ 150 e minha pena foi reduzida de uma semana para um dia.

Voltando para cena do crime, chegamos e fomos avisados por um segurança de outro local que os “trabalhadores” tinham acabado de quebrar minha janela e subiram a rua Cláudio Manoel. Meu namorado foi atrás. Levou a esperança de encontrar a mochila e deixou o pânico. Fiquei apavorada e implorei para que ele voltasse. E ele voltou.

Logo em seguida chegou a viatura que eu tinha chamado. Foi aí que eu descobri que a culpa do assalto foi minha. Minha culpa, minha máxima culpa. “Ah, mas não pode deixar nada no carro que eles levam mesmo!!!”, explicou a policial militar. E olha que nunca deixei nada no carro, mas, na única vez que cometi o deslize, fui punida. Afinal, quem é que tem o direito de deixar alguma coisa dentro da própria propriedade? Minha culpa, minha máxima culpa. Já na delegacia, o soldado de plantão pergunta: “Dele foi a mochila, e da senhora?”. Meu? Foi a paz, a tranquilidade e o tempo. “Quer que eu registre isso?”, perguntou ele. Eu queria. Roubaram até a minha fé na bondade das pessoas. Porque um moço parou para nos ajudar, mas eu duvidei da boa fé dele.

***

Essa foi a segunda vez. A primeira vez em que fui presa foi muito pior. Foram quatro dias de prisão, mas até hoje vivo sob condicional. Dois caras tomaram-me o carro por volta das 19h, num domingo, na porta da casa da minha mãe. Jogaram-me contra o muro, tomaram as chaves e o levaram. Foi tão perto da delegacia que fui a pé, imediatamente, prestar a queixa. Lá, me perguntaram se eu já tinha ligado para o 190. “Mas eu estou aqui, por que tenho que ligar para chamar a polícia?”. Porque é assim, para integrar no sistema, me explicaram. Então liguei, e a saga começou. Durante a ocorrência, a soldado tentou me tranqüilizar. “Ah, mas você tem que colocar as mãos para o céu, uma moça assim, bonita. Eles podiam ter te levado e feito mal a você”. Eu até estava tranqüila, mas aí comecei a chorar.

Próximo passo, Detran. No dia seguinte, a prisão continuou. Acharam o carro à tarde. Baixei numa delegacia no bairro Ressaca. Vi o carro. Mas não podia pegá-lo porque o procedimento é levá-lo para o pátio, onde, três dias depois, pagamos diária.

Vi o menor que foi pego dirigindo o meu carro. Não o reconheci, mas achei que o crime de ser flagrado dirigindo um veículo roubado era o suficiente. Engano. Com ele, nada aconteceu. Seguimos juntinhos, na mesma viatura, pra outra maldita delegacia em Contagem, onde o tempo estimado era de cinco horas. E o fofo saiu antes de mim, rindo da minha cara. Gritei, protestei e o policial civil ameaçou me algemar por desacato. “Quem está sendo desacatada aqui sou eu, vendo vagabundo bandido sair da delegacia antes de mim”. “Mas é a lei, minha senhora”, ele me explicou.

Ele foi solto. Eu segui presa. Tinha que ir à delegacia de Furtos e Roubos, pegar um alvará de soltura pro carro, que estava no pátio. Ao pegar a senha, o aviso: vai demorar umas cinco horas. Eu seguindo presa e levando meu namorado junto, que estava atrasado para o trabalho, fora tudo que deixamos de fazer pra estar ali. Mas não ficou pronto. E eu sem carro, andando de ônibus e dependendo de carona, remarcando compromissos etc. Tive que voltar no outro dia. De lá, ir correndo pro pátio, onde mais uma espera me esperava: para resgatar o carro.

Pronto.  Agora fui solta. Mas a sensação de estar presa permanece.

 

* Queila Ariadne, 35, é uma premiada repórter de Economia no jornal “O Tempo”, graduada em jornalismo pela PUC Minas e pós-graduada em Produção de Texto e Literatura pela Uni-BH.

***

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O Rio de Janeiro continua… o mesmo das reportagens de Tim Lopes

Uma das cenas do vídeo. Este aí trabalha na boca, mas ainda está bem abaixo do chefão.

Uma das cenas do vídeo. Este aí trabalha na boca, mas ainda está bem abaixo do chefão.

Vi na coluna do Ancelmo Góis, no jornal “O Globo”, que a TV norte-americana ABC News fez uma série de reportagens sobre o tráfico de drogas nas favelas do Rio. Nas palavras de Góis, trata-se de “uma das maiores reportagens em favelas, desde que Tim Lopes foi preso, julgado e condenado à morte por traficantes, em junho de 2002”. E é verdade: muito pelo fato de os veículos terem decidido preservar a segurança de seus repórteres, que passaram a ser muito visados pelo crime organizado, e muito também por boicote deliberado a este “Estado paralelo”, que, na opinião de alguns veículos, acaba sendo legitimado ao ganhar as páginas dos jornais.

Bom, agora fui assistir ao vídeo da ABC e achei as imagens e relatos bastante impressionantes. Em pouco mais de 16 minutos, o repórter Dan Harris, acompanhado de um cinegrafista e um intérprete que já tinha sido membro do tráfico no Rio e conhecia o pessoal que ele queria entrevistar, mostra as seguintes cenas:

1) As cracolândias (fechada e aberta), onde até garotos de 14 anos fumam sua droga. Essas cenas não me marcaram tanto, porque eu morava a poucos quarteirões da cracolândia paulistana, que é provável que seja bem maior, e já ficava com estômago embrulhado ao ver, de perto, todos aqueles homens, mulheres e crianças transformados em zumbis. Beagá também já tem uma cracolândia para chamar de sua e acho que isso já está comum até em pequenas cidades do interior.

2) A boca de fumo, que mais parece um feirão a céu aberto, com caixas e caixas de papelotes, separados por seu peso, cada um com uma embalagem de cor diferente, e sendo anunciados aos berros: “Pó de 2! Pó de 5! Pó de 10! Pó de 15!” Eu também já tinha visto reportagens mostrando essas feiras, se não me engano, do próprio Tim Lopes. Mas são sempre impressionantes. E, tantos anos depois, continuam intactas, ainda muito mais organizadas.

3) O chefe do tráfico, branco, cujo rosto é escondido (condição para que a reportagem fosse feita), que, em dado momento, pergunta ao repórter: “E se eu decidir te matar ou te sequestrar agora? Quem tá podendo? Eu ou você?” (Depois diz que estava brincando e começa a rir do repórter)

4) Aquelas cenas que já estamos mais acostumados a ver — infelizmente — de mães e soldados sendo assassinados e enterrados, pessoas chorando e protestando com rostos de vítimas estampados na blusa, e o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, dizendo que excessos da polícia são “exceção”.

Convido todos os brasileiros a também assistirem. Infelizmente, não encontrei versão com legenda. Mas mesmo quem não entender inglês, vai compreender muito bem o vídeo, que tem vários diálogos em português:

As duas partes do vídeo também podem ser vistas no site da ABC, AQUI e AQUI. Acima, já foram juntadas em um vídeo só.

10 observações sobre os protestos contra as tarifas de ônibus

Foto: Daniel Teixeira/AE

Foto: Daniel Teixeira/AE

  1. As tarifas estão mesmo exorbitantes, ainda mais para um transporte público tão ineficiente e ruim.
  2. 65% da população nas capitais dependem de transporte público, segundo estudo do Ipea de 2011.
  3. Mais da metade das famílias paulistas viam como problema o alto preço da passagem de ônibus em São Paulo, segundo estudo de 2004 (página 11). Na época, a tarifa custava R$ 1,70
  4. A tarifa de 2013, de R$ 3,20, é bem maior que a inflação acumulada de 332%, desde 1994, contrariando os argumentos do prefeito paulistano Fernando Haddad.
  5. Protesto é uma forma válida de reivindicar mudanças que afetam a uma maioria, como é o caso. Estamos acostumados a ver as manifestações na Turquia, França e Grécia como atos de coragem e luta pelos direitos dos cidadãos daqueles países, mas pouco fazemos pelos nossos direitos corriqueiros no Brasil, além das futricas via redes sociais, com suas ineficazes hashtags, ou marchas da maconha e das vadias. Resultado: é mais comum ver um jornal de fora, como o “El País”, dar destaque às reivindicações dos brasileiros do que ver um jornal local refletir sobre o mesmo, em vez de destacar apenas os vandalismos cometidos.
  6. Há como protestar e se manifestar sem vandalizar a cidade, que é de todos. Acredito que muitos dos que promovem esses atos de banditismo, como destruir pontos de ônibus e agências bancárias públicas, sejam movidos por organizações político-partidárias, com interesse em afetar a imagem ora dos tucanos (o governador Geraldo Alckmin, responsável pela PM paulista), ora dos petistas (o prefeito Fernando Haddad, responsável pelas tarifas de ônibus). Também acho que os vândalos sejam minoria, pelos relatos que li.
  7. Nem o vandalismo justifica ações agressivas coletivas como as que a PM vem tomando. Por exemplo, ao agredir e prender um jornalista no exercício da profissão, deter outros dois repórteres que se identificaram, prender outro, junto a 40, apenas porque “portava vinagre”espancar um gaiato que estava apenas observando os protestos etc. [Atualização na quinta (13/6) à noite: também atingiram o olho de uma repórter em plena cobertura, além de vários outros repórteres. A foto dela me chocou. Outro repórter-fotográfico provavelmente vai ficar cego, pelo mesmo motivo. Espancaram um casal que apenas tomava chopp num bar da Paulista. Bateram num engravatado que apenas deixava o serviço e ia pegar o metrô para casa. Jogaram bomba de gás num carro onde havia um senhor de 74 anos, que não queria protestar. Elio Gaspari diz a hora exata em que os confrontos começaram na quinta e afirma: 20 PMs chegaram ali exclusivamente para atacar. Não há mais dúvida de que eles começaram o conflito nesta quinta, sob ordens de…]
  8. Por outro lado, a truculência da PM tampouco justifica o linchamento que dez pessoas quase promoveram contra um policial sozinho, que fazia a vigília de um prédio público e apenas foi impedir uma pichação. A covardia é registrada em vídeo e texto.
  9. Dito tudo isso, recomendo a leitura do texto, muito mais completo, de Leonardo Sakamoto. Um trecho: “Não estou defendendo que interditar vias públicas de grande circulação é a forma correta de protestar até porque “forma correta de protestar” é por si só uma contradição. Para algumas pessoas e grupos sociais é a saída encontrada para sair da invisibilidade. Ao contrário do que muitos pensam, ninguém faz greve porque quer ver multidões plantadas no aeroporto, chegando atrasadas no emprego ou perdendo o ano letivo, da mesma forma que ninguém protesta pelo prazer de ver outros se descabelarem no carro. ”Ah, mas o congestionamento afetou a vida de mais gente, por isso é a notícia mais importante.” O conceito de relevância jornalística se perde em justificativas como essa, desumanizando a situação, quando o motivo do protesto nem é devidamente citado.” [Depois ele fez uma continuação ao post, AQUI].
  10. Por fim, protestar não resolve? Se as “primaveras” de outros países não nos servem de exemplo, fiquemos com o outono brasileiro e a seguinte luz (temporária) no fim do túnel: “MP vai propôr suspensão de tarifa em SP para evitar novos protestos“. E existem exemplos concretos, pelo mundo afora e até no Brasil, de cidades com transporte público gratuito, como reivindica o Movimento Passe Livre. Quem sabe um dia não teremos isso em mais cidades brasileiras?

Este é meu pitaco. Deixem o de vocês nos comentários 😉