O Rio de Janeiro continua… o mesmo das reportagens de Tim Lopes

Uma das cenas do vídeo. Este aí trabalha na boca, mas ainda está bem abaixo do chefão.

Uma das cenas do vídeo. Este aí trabalha na boca, mas ainda está bem abaixo do chefão.

Vi na coluna do Ancelmo Góis, no jornal “O Globo”, que a TV norte-americana ABC News fez uma série de reportagens sobre o tráfico de drogas nas favelas do Rio. Nas palavras de Góis, trata-se de “uma das maiores reportagens em favelas, desde que Tim Lopes foi preso, julgado e condenado à morte por traficantes, em junho de 2002”. E é verdade: muito pelo fato de os veículos terem decidido preservar a segurança de seus repórteres, que passaram a ser muito visados pelo crime organizado, e muito também por boicote deliberado a este “Estado paralelo”, que, na opinião de alguns veículos, acaba sendo legitimado ao ganhar as páginas dos jornais.

Bom, agora fui assistir ao vídeo da ABC e achei as imagens e relatos bastante impressionantes. Em pouco mais de 16 minutos, o repórter Dan Harris, acompanhado de um cinegrafista e um intérprete que já tinha sido membro do tráfico no Rio e conhecia o pessoal que ele queria entrevistar, mostra as seguintes cenas:

1) As cracolândias (fechada e aberta), onde até garotos de 14 anos fumam sua droga. Essas cenas não me marcaram tanto, porque eu morava a poucos quarteirões da cracolândia paulistana, que é provável que seja bem maior, e já ficava com estômago embrulhado ao ver, de perto, todos aqueles homens, mulheres e crianças transformados em zumbis. Beagá também já tem uma cracolândia para chamar de sua e acho que isso já está comum até em pequenas cidades do interior.

2) A boca de fumo, que mais parece um feirão a céu aberto, com caixas e caixas de papelotes, separados por seu peso, cada um com uma embalagem de cor diferente, e sendo anunciados aos berros: “Pó de 2! Pó de 5! Pó de 10! Pó de 15!” Eu também já tinha visto reportagens mostrando essas feiras, se não me engano, do próprio Tim Lopes. Mas são sempre impressionantes. E, tantos anos depois, continuam intactas, ainda muito mais organizadas.

3) O chefe do tráfico, branco, cujo rosto é escondido (condição para que a reportagem fosse feita), que, em dado momento, pergunta ao repórter: “E se eu decidir te matar ou te sequestrar agora? Quem tá podendo? Eu ou você?” (Depois diz que estava brincando e começa a rir do repórter)

4) Aquelas cenas que já estamos mais acostumados a ver — infelizmente — de mães e soldados sendo assassinados e enterrados, pessoas chorando e protestando com rostos de vítimas estampados na blusa, e o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, dizendo que excessos da polícia são “exceção”.

Convido todos os brasileiros a também assistirem. Infelizmente, não encontrei versão com legenda. Mas mesmo quem não entender inglês, vai compreender muito bem o vídeo, que tem vários diálogos em português:

As duas partes do vídeo também podem ser vistas no site da ABC, AQUI e AQUI. Acima, já foram juntadas em um vídeo só.

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2 comentários sobre “O Rio de Janeiro continua… o mesmo das reportagens de Tim Lopes

  1. E o chefão ainda solta um “eu, me preocupar? Cada um cuida de si, meu filho.”. Baita reportagem, o jornalista foi muito corajoso. As “cracolândias” estão comuns mesmo, em Salvador também temos esse “espaço”. Aliás, há alguns meses, um jornal inglês publicou um ensaio fotográfico sobre a periferia de Salvador – traficantes posando com armas, corpos nas ruas, crianças expostas à violência… vi essas cenas do Rio de Janeiro e fiz um comparativo com a capital baiana e só uma pergunta na cabeça: isso tudo um dia vai acabar? 😦

    Aqui, o link do Dailymail: http://www.dailymail.co.uk/news/article-2318403/The-drug-gangs-violence-Brazilian-city-expecting-hundreds-thousands-football-fans-years-World-Cup.html

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