Um ano depois (e a coragem para mudar)

O céu que vejo com mais frequência há um ano :) (Foto: CMC)

O céu que vejo com mais frequência há um ano 🙂 (Foto: CMC)

Há exatamente um ano, eu estava desembarcando na rodoviária de Belo Horizonte, com uma mochila pequena (quase todo o resto tinha vindo num caminhão, dois dias antes), o corpo todo dolorido da noite dormindo sentada, vendo um céu absolutamente azul de 8h.

Quando decidi largar tudo o que tinha caçado e construído em São Paulo, e voltar para minha terrinha, não sabia nem mesmo se iria encontrar um emprego. Estava disposta a frilar pro resto da vida, se fosse preciso. Já tinha encontrado um cantinho para morar no meu retorno e estava com o espírito preparado para recomeçar, seja lá o que fosse. Cheia de sonhos e planos, como cinco anos antes, quando fui para a Terra Cinza.

Acho que requer alguma coragem para abandonar coisas que estão indo bem e encarar outras, que são como uma folha de papel em branco, e podem também ser boas, mas podem ser frustrantes ou até mesmo desastrosas. Mas esse tipo de coragem é necessário e acho que todo mundo tem que ter pelo menos umas cinco vezes na vida. Não tem nada mais triste do que seguir num mesmo barco apenas por acomodação, sem explorar novas condições na vida, mesmo que elas venham com um monte de sacudidas (o que, quem frequenta barcos, sabe que é comum de acontecer em alto-mar 😀 ).

Quem me conhece mais a fundo e pessoalmente, sabe que esse último ano foi uma verdadeira guinada na minha vida. É como se minha história tivesse sido fatiada em três partes: em Beagá até os 22 anos, em São Paulo, dos 22 aos 27, e em Beagá de novo, dali até hoje. Minha vida mudou em todos os aspectos, nos campos pessoal e profissional. Mas não houve ruptura: tudo é consequência do que aprendi nas duas etapas anteriores e que foi moldando (ou forjando) minha alma.

Só posso dizer, neste blog, que estou muito mais feliz que há um ano (mas talvez tão feliz quanto há cinco anos). E que essas experiências que tive só me dão coragem para repetir futuras guinadas, sempre que sentir falta de uma sacudida na vida. Daqui a um ano, ou dez, quem sabe estarei de volta a São Paulo, ou em outro país, ou no mesmo lugar que hoje? Eu não sei. Viver é um risco.

Desejo aos meus leitores que estão em dúvida que tenham a mesma vontade de mudar: prometo que será indolor e, na maioria das vezes, recompensador. Porque, no fundo, no fundo, até por uma questão evolutiva, a gente sempre sabe o que é melhor para nossa vida. E se há uma coceira por mudança, é porque ela é necessária para nossa vida, naquele momento (e não quando for tarde demais).

Leia também:

Anúncios