O dia em que ganhei o pior presente do amigo-oculto

presente

Como já declarei aqui, eu amo Natal. Quando era criança, fazia shows para minha família, em que distribuía presentes que eu tinha comprado em lojas de R$ 2,99 com tostões que eu ia juntando ao longo do ano. Quando fiquei mais velha, instituí uma nova tradição na casa: o amigo-oculto.

Um dia, numa reunião natalina apenas entre os primos de um dos lados da família, descobrimos a variável do amigo-oculto ladrão. Cada um tinha que levar um presente unissex na faixa dos R$ 30, embrulhado, e o jogo incluía escolher um presente ainda embrulhado ou roubar o que alguém já tinha escolhido antes. Com uma regra de ouro: um mesmo presente só pode ser roubado no máximo duas vezes. E, se ninguém te roubar, já era: aquele embrulho que você escolheu fica sendo o seu.

Como tem que ser unissex, a maioria caprichou nas escolhas de bebidas, chocolates, livros, CDs ou coisas mais divertidas, como um avental de churrasqueiro com estampa com a receita de uma caipirinha, canecos de chopp, enfeites inusitados etc.

Eis que chega minha vez de escolher um embrulho. E, por alguma circunstância que não lembro qual foi, resolvi pegar o único pacotinho que ainda estava fechado, em vez de roubar um bom presente dos outros. Parece que todos os bons presentes já tinham sido roubados duas vezes, numa frenética busca pelo melhor pacote, e eu, que tinha sido a última sorteada, fiquei sem muitas opções.

Expectativa geral. O que haveria naquele último pacotinho, tão menor que os outros, tão mal embrulhado, deixado para trás por todos os participantes?

Quando abro, todos caem na risada: uma calculadora de plástico, dessas que custam R$ 2,99, que não sabem nem fazer raiz quadrada! Muito parecida com aquelas bugigangas que eu conseguia comprar com meus tostões quando era criança e fazia meus shows de Natal para a família. Mas, neste caso, comprada por um primo meio pão-duro que não quis gastar os R$ 30 do jogo 😉

Acho que nunca usei a calculadora, e nem sei onde está. Certamente foi o pior presente de amigo-oculto que já ganhei na vida. Mas, mesmo assim, foi o que mais me marcou – e até hoje desperta as gargalhadas de todos da família, inclusive do primo, já zoadíssimo por todos.

Talvez não tenha sido o pior presente, no fim das contas 😀

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