‘A Chegada’: sci-fi com drama, e as minhas reticências

Para ver no cinema: A CHEGADA (Arrival)
Nota 7

achegada

Que nota dar para um filme como “A Chegada”? Já confessei aqui no blog que não sou a maior fã de sci-fi. Geralmente, quando vejo que tem aliens envolvidos numa trama, fico com uma preguiça danada de assistir. É igual ver filme de guerra do Mel Gibson. Ou seja, tinha dois filmes indicadíssimos ao Oscar deste ano que não estavam me atraindo nem um pouco.

Mas tenho cá minha tradição de ver os filmes do Oscar, então fui em frente. E o que vi me surpreendeu positivamente (como já aconteceu outras tantas vezes, no mesmo gênero).

Pra começo de conversa, “A Chegada” bem pode ser classificado como um drama. Os primeiros cinco minutos de filme me lembraram “Uma Prova de Amor“, muito mais que “Contatos Imediatos de Terceiro Grau“.

A sinopse: Continuar lendo

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‘Passageiros’: uma boa história desperdiçada

Para ver no cinema: PASSAGEIROS (Passengers)
Nota 6

passageiros

A premissa de “Passageiros” é muito legal. O filme se passa em um futuro em que é tão possível viajar a outro planeta quanto hoje é possível pegar um avião para ir a Miami. Em que é até corriqueiro o transporte intergalático, e a “companhia aérea” faz esse transporte o tempo todo. Os 5.000 passageiros da nave ficam hibernados durante os 120 anos de viagem e são acordados apenas quatro meses antes de chegarem ao planeta colonizado paradisíaco, como se tivessem tirado apenas uma soneca em todo o período. Mas uma pane, logo nos minutos iniciais do filme, faz com que um único passageiro seja acordado antes da hora. Noventa anos antes da hora. Continuar lendo

Depois da água em Marte

Não deixe de assistir: PERDIDO EM MARTE (The Martian)
Nota 8

marte

Já confesso de cara: não gosto muito de filmes de astronautas no espaço. Tenho um pouco de preguiça. E, no entanto, é um filão sempre na moda, talvez até com mais força do que nunca, com três representantes em cerimônias do Oscar consecutivas: “Gravidade”, “Interestelar” e este “Perdido em Marte”. Será que a Nasa aumentou o caixa da publicidade?

Apesar de ter assistido ao filme com essa ponta de pré-conceito, achei The Martian muito legal, no fim das contas. Trata-se de um cientista que é “abandonado” em Marte, sem querer, por sua equipe. Isso acontece logo nos primeiros minutos de filme e o protagonista, vivido por Matt Damon, se vê com uma perspectiva bastante sombria: a próxima missão naquele planeta inóspito só voltaria em quatro anos e a base espacial que virou sua casa só tem provisões para alguns meses. Como sobreviver?

A premissa levaria o longa para aquele caminho dos filmes de sobrevivência, de náufragos e afins: com o ator principal racionando comida, emagrecendo 30 quilos, e toda aquela peleja, e as cenas exaustivas da paisagem extraterrestre, e um drama danado. Mas o diretor Ridley Scott (dos clássicos Alien e Blade Runner e de Gladiador e Hannibal) optou por um filme bem-humorado, otimista, com um personagem obstinado e carismático. A gente não fica em nenhum momento exasperado com a condição absurda em que o protagonista se encontra: assim como ele, sempre acreditamos que tudo tem solução, com uma ajudinha da ciência.

“Perdido em Marte” foi indicado a sete categorias do Oscar: melhor ator, melhor roteiro adaptado, mixagem de som, edição de som, efeitos visuais, design de produção e melhor filme do ano. Acho que leva os prêmios mais técnicos. Matt Damon não deve levar, porque neste ano o Oscar finalmente é de Leonardo DiCaprio, como já escrevi aqui.

Por fim, embora seja um filme de entretenimento, é também cheio de referências científicas exatas, que devem atrair todo mundo que curte uma boa ficção científica. Na mesma semana em que o filme foi lançado, a Nasa anunciou ter encontrado água em Marte. Em quanto tempo será que a agência vai anunciar ser possível uma viagem ao planeta vermelho? Enquanto isso não acontece, podemos viver essas aventuras nas naves hollywoodianas…

Veja o trailer do filme:

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O futuro não existe

O amigo Jorge Soufen, além de excelente jornalista (ele é editor-assistente no jornal “Agora São Paulo”, do Grupo Folha), é um ótimo escritor. Espirituoso, sério, irônico, crítico, analítico, hilário — um pouco de tudo. Ele não tem blog (deveria!), mas de vez em quando deixa um textinho público em sua página de Faceboook. Ontem, dia em que todos compartilharam imagens sobre o filme “De Volta Para o Futuro”, ele também escreveu a respeito. Com sua autorização, compartilho aqui no blog:

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“Hoje, às 16h29, é o momento exato em que o personagem Marty McFly chega ao futuro no segundo filme da trilogia “De Volta para o Futuro”, de Steven Spielberg, direção de Robert Zemeckis.

Com raras exceções, filmes ou qualquer outra ficção que abordam o futuro fazem previsões desastrosas. Um skate voador. Uma roupa que seca sozinha. Um tênis que fecha sozinho. Casas protegidas pela impressão digital. Um micro-ondas que aumenta os alimentos… E para mim, o mais absurdo: previsão do tempo com margem de erro de segundos…

Os exemplos são inúmeros. Todas previsões fracassadas. E assim segue em filmes também clássicos como “Star Trek”, “O Vingador do Futuro”, “Blade Runner” e até “Minority Report”, no qual autores reuniram estudos científicos reais sobre como será o futuro.

Fica claro que é inerente ao ser humano tentar prever como será sua vida. Daqui a minutos (Terei tempo para almoçar hoje? Vou conseguir ver um filme com minha mulher? Será que meu pai vai me ligar?) ou daqui a anos (Viverei mais tempo? Serei mais feliz? Terei mais conforto? O mundo será melhor? Serei rico?).

Isso é bom? Acredito que sim. Biologicamente, é algo que só nós, humanos, temos: olhar para frente, planejar, se preparar para o que vem lá na frente.

Mas… Por que essa ânsia de saber o que está por vir, se nem conseguimos administrar o que ocorre agora, neste momento? É inacreditável o quanto perdemos tempo AGORA lamentando o ANTES e esperando o DEPOIS.

É inacreditável o quanto sofremos tentando imaginar todas as possibilidades sobre o que vai acontecer e, quando o momento chega, tudo é diferente. E, mesmo sabendo disso, o quanto repetimos e repetimos esse processo mental, sem parar, por toda a vida.

Faça o que tem que fazer JÁ. Beije seu filho. Fale que ama quem merece. Resolva o que é importante, apenas. Reserve tempo para o que é realmente necessário. Foda-se que tudo isso é clichê. Faça.

Porque nem eu, nem você, nem ninguém, neste universo, terá a chance, como McFly teve, de viajar para o passado ou para o futuro para corrigir seus erros.”

Aproveito para indicar outros três textos recentes que ele escreveu em sua página no Facebook e deixou em modo público: “O Caso do Bar dos Escritores“, “Desafio para o Dia do Poeta” e “Corrigir é um ato de amor“.

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Mistério da física

Não deixe de assistir: INTERESTELAR (Interstellar)
Nota 7

interestelar

Assim como em outros filmes de Christopher Nolan, assisti a Interestelar esperando muita mágica, digamos assim. Desta vez, não foi a memória ou os sonhos, como nos filmes “Amnésia” e “A Origem“: o tempo foi a matéria-prima deste roteiro. E o Tempo é, justamente, um dos temas que mais me atraem no universo.

O roteiro foi baseado em preceitos da física, embora, é claro, tenha havido um punhado de elasticidade para comportar as ideias de Nolan. E, apesar disso, e de toda a loucura que cabe naquela cabeça, achei que o filme pecou (e perdeu 3 pontos da minha nota) por ter acabado com um final previsível e ter tido alguns clichês em se tratando de um filme sobre o tempo. Outro problema é que o filme tem quase 3 horas de duração e elas não são exatamente indispensáveis. Há várias cenas lentas demais, com diálogos muito exaustivos.

Por outro lado, é uma história muito bem amarrada, com direito a algum suspense e algumas surpresinhas no final. Ao contrário de “Gravidade“, que concorreu ao Oscar no ano passado e também se passava no espaço sideral, “Interestelar” tem história mesmo, não só técnica. Não só paisagens sensacionais, que não estamos acostumados a ver todos os dias, mas também um enredo, um começo, um meio e um fim. Com atuações razoáveis (não brilhantes) dos ótimos e premiadíssimos atores Matthew McConaugheyAnne HathawayMichael CaineJessica ChastainMatt Damon. (Nenhum deles concorre ao Oscar.)

O filme foi indicado por cinco categorias bastante técnicas (como tinha acontecido com “Gravidade”): mixagem de som, edição de som, efeitos visuais, música e também direção de arte. Deve levar as três primeiras.

No fim das contas, embora seja um filmaço, é um Nolan bem menos legal do que o que eu estava acostumada a assistir, que consegue ser, ao mesmo tempo, mágico e previsível. Como isso é possível? Mistérios da física…

Veja o trailer:

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