As 3 melhores marchinhas do Carnaval de BH em 2019

Hoje é a finalíssima do Concurso de Marchinhas Mestre Jonas e, desde o início da semana, já é possível escutar as 15 marchinhas selecionadas. Basta clicar AQUI 😉

[Correção em 23.2.2019: Ontem foi apenas a seletiva, com escolha das 10 marchinhas finalistas, e não a final, como escrevi no parágrafo anterior. A finalíssima, com decisão da grande vencedora, vai ser no dia 28 de fevereiro, no Baile de Marchinhas Mestre Jonas, no Mercado Distrital do Cruzeiro, a partir das 20h. Saiba mais e confira os prêmios no regulamento do concurso.]

Pra falar a verdade, neste ano não achei que nenhuma se destacou, como em anos anteriores, de pérolas como “Baile do Pó Royal” e “Cidadão de Bem”. O pessoal estava menos inspirado. Senti muita falta de marchinhas criticando a Vale e a tragédia em Brumadinho/Mariana e em todas as outras cidades mineradoras que já estão começando a gerar centenas de desabrigados. E não se pode dizer que foi por falta de tempo: as inscrições iam até 12 de fevereiro, muito depois do dia do rompimento da barragem do Córrego do Feijão, em 25 de janeiro. A única marchinha que faz alguma referência ao episódio mais triste de 2019 foi a “Vale pra mim”, mas num tom que achei extremamente inadequado.

Dito isso, selecionei minhas três marchinhas favoritas e, coincidência ou não, todas elas zoam deste presidente ridículo que puseram no poder. Afinal, tem hora que temos que rir para não chorar (mesmo quando o cara destrói o direito dos mais pobres de se aposentarem algum dia, dentre outros absurdos – em menos de dois meses de governo).

Divirta-se:

Vou torcer para que uma delas leve o prêmio principal da noite, o Oscar das marchinhas politizadas de Beagá! Saberemos na madrugada de amanhã 😉

Máscaras que estão sendo vendidas na rua 25 de Março, em São Paulo. Foto: Renato S. Cerqueira / Futura Press

 

Agora, que tal relembrar as vencedoras dos últimos anos? Cada uma foi melhor que a outra!


 

Leia também:

 

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Retrato sem plumas de uma elite sem lei

É muito raro eu ir ao teatro, por isso vocês quase não veem resenhas de peças aqui no blog. Então foi com satisfação que recebi o texto abaixo, escrito e enviado pelo leitor Douglas Garcia, professor de filosofia da UFOP que já foi apresentado neste espaço. A dica dele é que todos corram para assistir ao espetáculo “Infância, Tiros e Plumas”, em cartaz do Centro Cultural do Banco do Brasil de Belo Horizonte desde a última sexta-feira. Vejam por que vale a pena assistir:

 

Divulgação

Divulgação

“Infância, tiros e plumas” está em cartaz no CCBB de Belo Horizonte, nas sextas, sábados e domingos até o dia 07 de Setembro. Texto de Jô Bilac e direção de Inez Viana. Fugindo do esquema “Zorra total” que grassa como uma praga em nossos palcos, é uma peça que merece ser vista.

O texto e os atores são excelentes, com destaque para as espetaculares atrizes femininas: Bianca Byington, Juliane Bodini e Carolina Pismel. A peça é engraçadíssima, lembrando o humor de filmes como o argentino “Relatos Selvagens”, de Damián Szifron e “Amores Passageiros”, de Pedro Almodóvar. O cenário é simples, mas funciona muito bem visualmente. Há poucas inserções musicais, mas quando ocorrem são de forte impacto dramático.

O texto de Jô Bilac é o maior trunfo da peça. Dotado de uma linguagem rápida e direta, tem enorme potencial de comunicação com o público e é afiado na crítica do presente brasileiro. Mais especificamente, da substituição brasileira da lei pelo “esquema”, praticada de modo complacente pelas suas elites e elevado a forma de vida e de relação com o país e com os outros. Explico.

Enquanto a lei é impessoal, supõe o respeito aos direitos iguais de todos e um compromisso coletivo com o país, o “esquema” é pessoal, supõe o poder de desrespeitar todos que se ponham como obstáculo aos próprios interesses privilegiados e um descompromisso com a ideia de país. Não por acaso, a peça se passa em um aeroporto e em um avião, na primeira classe de um voo para a Disney. Para essa elite, o Brasil é apenas um cenário como outro qualquer.

A peça capta com rara sensibilidade esse estado de coisas que é o nosso. Seu achado é desdobrar em pequenas cenas cômico-dramáticas, que se comunicam entre si, a estrutura geral brasileira de “esquema” e desrespeito sistemático das pessoas. E mostrar como essa estrutura se dinamiza: prática comum das elites, ela se espraia para todos os grupos sociais, inclusive as crianças. Com efeito, uma das cenas mais cruéis da peça se dá quando duas crianças humilham um comissário de bordo negro e nordestino. A peça lança mão de um mecanismo desestabilizador do preconceito: mostra a brutalidade brasileira passada às crianças como mecanismo de perpetuação de desigualdade de direitos e de oportunidades.

Imperdível.

Uma nota pessoal: depois da peça, ouvi uma situação que poderia ter se passado “dentro” da peça. Fui jantar em um bom restaurante da Zona Sul, muito movimentado naquele horário. Ao dirigir-me ao lavabo, não pude deixar de ouvir um dos garçons comentar com outro: “Ele falou para mim: ‘Você vai me atender AGORA!’ e eu falei para ele: ‘E você vai largar o meu braço'”.

Brasil.

—> Mais sobre a peça:

“Infância, Tiros e Plumas”
Em cartaz até 7 de setembro
Sexta, sábado e segunda às 20h; domingo às 19h
Duração: 80 minutos
R$ 10 inteira, R$ 5 a meia
No CCBB: Praça da Liberdade, 450
Mais informações AQUI

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Foi estuprada? A culpa é SUA! [sorrisos doces]

O vídeo satírico acima foi produzido na Índia, onde há uma explosão de estupros, inclusive coletivos, contra as mulheres. Mas sua mensagem é tão universal, que ele logo será disseminado por todo o mundo. Até o momento, só a versão original já foi assistida 2,3 milhões de vezes, enquanto escrevo este post. Mas já há diversas outras reproduções, com milhares de visualizações. Escolhi esta acima porque pode ser vista com legendas em português, para quem não entende inglês (e ainda há explicações bastante didáticas sobre termos típicos da Índia).

Com os sorrisos doces, vamos dar este cala-boca a quem ousar dizer que a vítima é a culpada. O impacto desses sorrisos, aliás, é quase tão forte quanto o de um murro.

"A culpa é sua"

“A culpa é sua”