The show must go on: sempre, e obrigada por me lembrar disso, Freddie Mercury!

Para ver no cinema: BOHEMIAN RHAPSODY
Nota 10

Faz apenas sete horas que escrevi aqui no blog que estou em pausa, com a página entregue às moscas, por absoluto cansaço pós-eleições. Voltaria quando o ânimo voltasse, prometi.

Eis que agora reapareço com um post novinho em folha. O que aconteceu nessas sete horas? Angustiada, saí de casa para dar uma volta e acabei me reconectando com a Cris de 18 anos atrás, fã incondicional de Queen, uma das bandas com mais hits da história do rock.

Ao assistir aos 134 minutos de “Bohemian Rhapsody” (mesmo nome de uma das músicas mais perfeitas já criadas na face da Terra), sem me permitir tirar os olhos da telona por nem meio segundo, eu me vi diante de um dos grandes gênios da música que já surgiram no planeta, uma das figuras mais carismáticas, ainda que polêmicas, que era o Freddie Mercury. Um dos primeiros artistas a sucumbir com a aids, com apenas 45 anos, em 1991.

Um vozeirão, mas também um performer completo, um baita compositor, um sujeito muito além de seu tempo.

Diante da tela, mesmo com as falhas normais dos roteiros de Hollywood, vivi o mais puro deleite ao ver/ouvir a criação de músicas geniais, como a que dá nome ao filme, além de Love of my Life, Another One Bites the Dust, We Will Rock You, e tantas outras. Presenciar um solitário Mercury dando escape às suas angústias por meio da música (e de otras cositas más) foi maravilhoso. O filme, que teve entre os produtores Brian May e Roger Taylor, foi uma das melhores experiências cinematográficas da minha vida e fez jus à lenda que era Freddie Mercury. O cara capaz de levar milhares de pessoas para além do céu, com sua voz e com sua persona no palco, ainda que fora dali ele não conseguisse romper o casulo da tristeza.

A atuação de Rami Malek é absurdamente incrível. Já arrisco dizer, com tanta antecedência, que ele será um dos favoritos ao Oscar. Consegue reproduzir cada tique nervoso do Freddie original. A apresentação do Live Aid, um dos melhores shows da história, foi catártica, nos transportou direto para 1985 – ano em que eu nasci. (Sim, nasci na década errada.) Para melhorar, os atores que interpretaram Brian May, Roger Taylor e John Deacon eram absolutamente perfeitos. Sósias na tela, ainda que não o sejam de fato.

Saí da sala do cinema rejuvenescida. Sentindo-me, aos 33, de volta aos 15 anos de idade, quando eu colocava para tocar as fitas k7 com músicas do Queen (e do Led e Beatles) no recreio da escola, para todo mundo ouvir. Quando eu andava na rua em bando de amigos e cantando “Bohemian Rhapsody” beeeeem alto, como só os adolescentes fazem, sem medo de incomodar os outros. De volta ao batente, com um frescor que só o rock é capaz de nos proporcionar.

Afinal, não podemos nos deixar abater: the show must go on! Sempre.

Assista ao trailer do filme:

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#Playlist: uma homenagem a Dolores O’Riordan e Flávio Henrique, nossas tristes perdas da semana

Esta semana ficou triste por conta da morte, tão jovem, com meros 46 anos, da cantora e compositora Dolores O’Riordan, vocalista da banda irlandesa The Cranberries, e em seguida da morte, tão jovem, com meros 49 anos, do compositor mineiro, cantor, produtor cultural, agitador político, fazedor de marchinhas de Carnaval, vocalista e instrumentista do grupo Cobra Coral e presidente da Empresa Mineira de Comunicação, Flávio Henrique Alves de Oliveira.

A playlist da semana não foi criada por mim. Desta vez, resolvi apenas ligar o som e deixar tocar tudo o que foi produzido por Dolores nos Cranberries e por Flávio Henrique, que fez tantas parcerias ao longo da carreira, com gente como Milton Nascimento, Lô Borges, Zeca Baleiro, Ney Matogrosso, e muitos outros. Que seja a trilha sonora de todos no fim de semana!

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Manual de como se comportar num show de rock

Meu primeiro show do Paul, em São Paulo.

Rock, por natureza, não deveria requerer qualquer manual. Afinal, trata-se do gênero e da atitude da liberdade, não das regras. Da contravenção, não da obediência. Mas minha experiência no último show do sir Paul McCartney, no dia 17, me obrigou a criar este manual. Muito por causa do item 5 que eu destaco abaixo.

Fiz o manual a partir da minha experiência em vários showzaços ao longo da vida, a maioria de rock: Paul McCartney (três vezes), Eric Clapton, Rolling Stones, Deep Purple (duas vezes), B.B. King, Queen, Buddy Guy, Creedence, Jethro Tull, Mud Morganfield, John Mayall, Focus, Herbie Hancock, Milteau, Sonny Rollins, Maceo Parker, Madeleine Peyroux, Novos Baianos, Mutantes, Paralamas, Titãs, Rita Lee, Jorge BenJor, Skank, Caetano, Marisa Monte, Paulinho da Viola, Luiz Melodia, dentre outros, inclusive em várias Viradas Culturais (SP e BH) e Pop Rocks da vida.

Yes, eu vi o B.B. King!

Anote aí: Continuar lendo

Finalmente! Beagá volta a ter uma rádio do rock!

registrei por aqui meu protesto contra as rádios de Beagá, especialmente contra a ausência quase completa do rock nelas.

A CDL tem um programa bem bom na manhã de sábado chamado “Café com Rock”, mas fora isso é bem pop. Inconfidência tem “Esse Tal de Rock ‘n Roll”, com o Márcio Ronei, na noite de sábado, dedicado ao rock nacional. Mas, olha, difícil ver um “rock’n’roll” por ali de verdade, viu. UFMG Educativa tem alguns programas de rock e até pílulas de blues, ao estilo das barbearias que eu fiz por um tempinho, mas não são o forte da rádio.

Então fiquei feliz demais quando a 98FM anunciou que voltaria a suas raízes longínquas e tocaria exclusivamente rock em seus programas de música. Excelente iniciativa!

Na última vez que sintonizei, só ouvi monstros do rock, um atrás do outro: Lynyrd Skynyrd, Beatles, Stones, Sabbath, Springsteen, Pink Floyd, Led, U2, The Who… Só clássicos!

A galera do rock de Beagá curtiu tanto que fizeram até um vídeo agradecendo à rádio: Continuar lendo

60 músicas de Rita Lee comentadas por ela própria

Rita Lee, a rainha do rock’n’roll brasileiro. Show em outubro de 2008, em Nova Lima. Foto: CMC

Todo mundo já escreveu sobre a autobiografia de Rita Lee, eu acho. Há os que a amaram (como eu!) e os que a odiaram, geralmente o pessoal que achou que ela foi injusta com os Mutantes, etc e tal. Paciência, não vou entrar nesse mérito.

O que me parece incontestável, seja de qual time você for, é que Rita é nossa rainha do rock, uma mulher incrível, criativa, grande compositora e letrista, totalmente porra-louca, e que muito contribuiu para a música brasileira, para a quebra de diversos tabus e para abrir caminhos para outras mulheres fazerem o que lhes desse/der na telha.

É sobre as músicas dela que vou falar neste post, não sobre sua biografia contestadíssima. Porque, sim, dentro dessa autobiografia de histórias conturbadas, que passam pela ditadura militar, pelas drogas, pelos E.T.s, pelos casamentos e até por uma cena de abuso sexual infantil grotesca, há muitas informações sobre as músicas incríveis criadas pela fazedora-de-hits Rita Lee — contadas por ela própria, tem coisa melhor que isso? Explicações, comentários, bastidores, inspirações…

Super recomendo a leitura integral do livro, mas, se você quiser saber especialmente sobre as canções, este post dá um gostinho. Separei algumas dessas partes na biografia em que Rita Lee fala sobre suas composições e transcrevo abaixo, entre aspas, na ordem de aparição no livro. Bom divertimento! Continuar lendo