Como se exercitar depois da maternidade? Sobre Qi Gong, corrida e planejamento

Fazer exercícios é igual a escovar os dentes. Tem que estar entranhado em nossa rotina, pelo bem da saúde. “Ah, mas não tenho tempo, ah, mas estou cansada demais, ah, mas trabalho muito e ainda tenho que cuidar do meu filho pequeno, aiaiaiai.” Como você vai conseguir esse tempo é um problema seu, não me interessa. Mas que você tem que conseguir, tem. Assim como sempre consegue tempo para tomar banho, por exemplo.

***

Foram mais ou menos essas palavras do parágrafo acima que ouvi do doutor Drauzio Varella na palestra que ele deu no 3º Seminário Internacional de Mães, que ajudei a cobrir pela “Canguru”. Isso foi no dia 6 de maio e, até hoje, fica retumbando na minha cabeça.

Nunca fui sedentária na vida, pelo contrário, fui até atleta de equipe de natação na adolescência. Sempre fiz corrida ou caminhada para equilibrar as várias horas sentada numa cadeira diante do computador. Mas, depois que o Luiz nasceu, tem sido muuuuuuito difícil encontrar tempo e, principalmente, disposição para fazer alguma atividade física. Tempo eu até tenho, depois das 21h, quando ele já está dormindo. Mas é nesse tempo que eu arrumo a bagunça da casa, lavo as vasilhas, ponho roupa na máquina, tento manter este blog atualizado, vejo minha série favorita (só na terça) ou, simplesmente, apago. Sim, porque às vezes vou colocar meu bebê para dormir e acabo dormindo junto com ele. Como, com tanta exaustão, posso encontrar forças para calçar um tênis e ligar a esteira para caminhar ou correr?

Mas a frase do dr. Drauzio ficou tocando no meu cérebro igual a um alarme: você não encontra tempo para tomar banho todo dia? Tire pelo menos 30 minutos! etc.

Porque uma coisa é certa: pela primeira vez na vida, estou chegando ao terceiro andar de uma escada totalmente sem ar. Isso sem falar no tanto que tenho adoecido.

Por isso, na semana passada, resolvi estabelecer metas. Coloquei num papelzinho os dias da semana e o que pretendo fazer no meu tempinho normalmente livre (21h às 23h) em cada um deles. Intercalei a corrida com o Qi Gong, prática oriental que me fez muito bem durante a gravidez. Meia horinha é suficiente, disse o doutor Drauzio. Pois meia horinha de Qi Gong proporciona efeitos incríveis para a saúde!

Você nunca ouviu falar do Qi Gong? Em março de 2015, escrevi um post contando como descobri esses exercícios e detalhando como funcionam, ainda com uma dica de livro que tem me servido de guia. CLIQUE AQUI para ler, se tiver interesse 😉

Alguns exercícios de Qi Gong

Se não tiver vontade de fazer Qi Gong, se não tiver esteira em casa (que quebra bem o galho), se não tiver tempo ou condição de sair à rua para correr ou nadar, não importa: o importante é que você precisa encontrar um exercício diário para garantir sua saúde, seja ele qual for! Use a criatividade, pesquise, experimente, planeje, crie metas (mas seja flexível, porque já bastam as outras cobranças da vida), reserve um tempinho do seu dia para você, só para você! Seu filho será o primeiro a te agradecer por isso no futuro.

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+ 15 coisas que aprendi em sete meses de gravidez

Quando eu estava com exatamente quatro meses de gravidez, escrevi um post com as 15 coisas que eu tinha aprendido até então. Foi muito legal descobrir que eu não era a única: dezenas de outras futuras mamães também relataram sentir ou experimentar as mesmíssimas coisas que eu (veja AQUI os comentários delas).

Agora já estou na 29ª semana, quase sete meses, e dentro do terceiro e último trimestre de gestação. Com mais apenas nove semaninhas, meu bebê pode dar as caras sem ser considerado prematuro. Tá chegando!, e já começo a sentir um frio na barriga. Não leio mais só os livros sobre grávidas, mas sobre os cuidados com os bebês. E, claro, aprendi mais uma porção de coisas, que compartilho no post de hoje:


 

luiz21. SABER O SEXO FAZ TODA A DIFERENÇA – Naquele post eu disse que a pergunta que eu mais ouvia era “Já sabe o sexo?” e que as pessoas ficavam intrigadas quando eu respondia que não estava ansiosa para saber. Mas, no mesmo dia, fiz um ultrassom que me contou que eu esperava um menino. E foi impressionante como isso fez toda a diferença para mim! Passei a imaginá-lo de forma mais definida e uma das maiores delícias foi discutir o nome com meu marido. Passamos a comprar (e ganhar) mais coisas para o enxoval e me parece que ficou mais concreta a ideia de um bebê crescendo dentro de mim. Respeito muito os pais que decidem não saber o sexo dos bebês até o nascimento – e imagino que deva ser uma surpresa e tanto! –, mas hoje não sei como conseguem 🙂

2. O NOME – Para escolher o nome do nosso bebê (Luiz), nós buscamos as origens etimológicas da palavra (lutador, guerreiro), pesquisamos se ele estava muito comum (não entrava nem nos top 100 que estão na moda), comparamos com outros de que nós dois gostávamos (Mateus, Lucas, João), tentamos lembrar de conhecidos com o mesmo nome (quase ninguém, ainda mais sem ser composto), depois tentamos lembrar de personalidades com mesmo nome (Luiz Gonzaga, Luís de Camões, Luiz Tatit, Luiz Melodia, os vários reis da França, Lewis Carroll, Louis Armstrong) e até fomos ver de quem São Luís era padroeiro (da juventude e dos estudantes). Foi um papo gostoso de ter, que entrou madrugada adentro. Por isso, uma das coisas que mais me irritaram na vida foi quando falei sobre esse nome, quando ainda estava sendo conjecturado, e ouvi um “Não gosto de Luiz”. Dica a todas as pessoas do universo: não façam isso! Respeitem a escolha cuidadosa e carinhosa feita pelos pais.

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3. POR FALAR EM IRRITAÇÃO – De um mês pra cá eu ando numa impaciência incrível. Pequenas coisas já me tiram do sério, ando irritada com todo mundo (especialmente os conselheiros e palpiteiros sabichões de plantão) e não tenho saco nem pra manter as menores conversas. Ando achando todo mundo muito CHATO também, como contei outro dia aqui no blog (provavelmente, sou eu que estou chata, mas isso também passa). Foi um alívio reunir na minha casa, outro dia, grandes amigos de infância e perceber que com eles eu ainda podia passar horas conversando e me sentir em paz e alegre com isso. Amigas grávidas: quando tudo estiver te tirando do sério, ligue para os amigos que te fazem se sentir mais à vontade e marque um lanche com eles 😉

4. MAS O ASTRAL MELHORA – Apesar da impaciência, outras coisas melhoraram muito no meu humor. No começo da gravidez, eu fiquei para baixo em vários momentos, sem explicação aparente. Ao longo do segundo trimestre, até agora, esse coquetel hormonal das gestantes parou de me afetar tanto. Estou bem mais leve na cabeça, à medida que o corpo vai perdendo a leveza.

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5. O CANSAÇO SÓ AUMENTA – Aprendi que isso não vai melhorar com o tempo de gestação, pelo contrário. Na outra semana (sabatina de Janot, acareação da Lava Jato, eliminações na Copa do Brasil, Lula em BH e mais uma porção de notícias gigantes), pós-plantão, me senti tão exausta e com tanta overdose de informações, que até fiz algo inédito: abandonei este blog por cinco dias inteiros, sem dar qualquer satisfação (vocês notaram, né?). No jornal, mantive meu ritmo de trabalho frenético, mas, em casa, eu só queria dormir. A verdade é que tem dia que dá vontade de jogar tudo pro alto e fugir pras montanhas. Aliás, foi o que fiz há alguns fins de semana, fugindo para o Santuário do Caraça. Recomendo essa viagem a todas as grávidas do planeta.

Tchau, Santuário! Obrigada por lavar minha alma!

6. O SONO NÃO É UM SONHO – É um paradoxo: ao mesmo tempo em que ficamos mais cansadas e com um sono insuportável durante o dia todo, vai aumentando a dificuldade para dormir. Eu sempre preferi dormir de lado, mas foi só me dizerem que as grávidas precisam dormir de lado, que eu comecei a sentir falta de dormir com a barriga pra cima! Ainda não vi vantagem em entulhar a cama de almofadas para supostamente me deixar mais confortável, e também não acho posição só com meu travesseiro de sempre. Pra complicar, a gente continua levantando muito à noite para fazer os constantes xixis, então é comum eu me ver com a velha insônia, ou num sono muito turbulento, o que só prejudica o cansaço do resto do dia. Uma coisa que melhorou muito meu sono no inverno, que ficou uns dois meses sendo interrompido por tosses secas, foi a compra de um umidificador, que deixo ligado a noite toda, bem perto da cama.

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7. MUITO PRAZER, SOU SEUS PÉS – Pela primeira vez, comecei a prestar atenção maior aos meus pés. Eles de vez em quando chamam minha atenção: alô, tou doendo! Não é bem uma dor e os meus nem estão inchados como os de algumas mulheres grávidas (tem até quem mude o tamanho do calçado durante a gravidez), mas às vezes incomodam. Aprendi que, nessas horas, nada melhor que deixar com os pés pra cima, sobre duas almofadas, e ficar nessa posição por alguns minutos, relaxando, ouvindo uma música ou lendo um bom livro.

8. AS PREOCUPAÇÕES MUDAM – Se antes eu ficava preocupada com as milhões de coisas que dizem que podem acometer as grávidas, agora já virei a chavinha: já estou com a cabeça loooonge, pensando em como será a amamentação, se vou conseguir ser uma boa mãe, como será a personalidade do meu bebê, onde vou deixá-lo quando acabar a licença-maternidade etc. E, claro, como será o parto. Já parei de ler livros sobre gestantes e estou lendo alguns sobre cuidados com bebês. Acho que parte do motivo é o fato de eu ter tido uma gestação muito tranquila até agora, sem qualquer tipo de complicação, sem emergências, sem sustos.

9. SOBRE OS SUSTOS – Bom, eu tive um susto. Passei dois dias com uma dor de barriga fortíssima, mas sem nada que a justificasse, como diarreia. Como a barriga é o lugar mais preocupante para uma grávida sentir dor, minha médica me mandou ir imediatamente ao pronto-socorro. No final, descobrimos que não era nada de mais, mas, no caminho para o PS, sozinha no táxi, eu fiquei com o coração na boca, pensando só em coisas ruins, e tentando conter o choro. As bobagens que não me causariam a menor preocupação antes de engravidar agora se tornam pequenos monstrinhos.

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10. SOBRE OS LIVROS – Os livros começam a ficar repetitivos e a gente fica com aquela impressão de que, na prática, tudo será muito diferente da teoria, então é uma perda de tempo lê-los. Fico pensando que, quando meu bebê adoecer, os monstrinhos que me preocuparam naquele dia do susto vão virar verdadeiros monstrengos. E não haverá livro que salve, só a paciência e a coragem. Por isso, tomei grande antipatia de livros que tratam os pais como idiotas e a autora como uma mágica que sabe de tudo e conhece os filhos melhor que seus progenitores. É o caso do terrível “A Encantadora de Bebês”, de uma tal Tracy Hogg, que diz que “resolve todos os seus problemas”. Ela inventa siglas para falar sobre os métodos que os pais devem seguir e repete, a todo momento, coisas como: “As minhas técnicas sobre encantamento de bebês funcionam.” E fala sobre os bebês como se todos fossem robozinhos idênticos. Não consegui passar do primeiro capítulo. Por outro lado, gostei muito do livro “Nasceu, e agora?“, que já recomendei aqui no blog.
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11. SENTINDO O BEBÊ – Lá pela 20ª semana, finalmente comecei a sentir os movimentos do meu bebê. Primeiro, bem suaves, hoje em dia, constantes e bastante fortes (na sexta-feira, pela primeira vez, consegui até mesmo ver a barriga se mexendo com os chutes). É muito legal perceber que o bebê tem até horário favorito para se mexer! E é emocionante, uma grande alegria mesmo, colocar a mão do meu marido na minha barriga e ver o assombro e encantamento dele ao sentir o chutinho, que é algo que só foi acontecer lá pela 25ª semana.

luiz12. VENDO O BEBÊ – O ultrassom sempre foi um momento muito especial da gestação. É quando descobríamos o tamanho e peso do bebê, ouvíamos seu coração bater, e conseguíamos ver os contornos do rosto, a coluna, os pezinhos… Na semana passada, entrei na fase para fazer o ultrassom 3D. O plano de saúde não cobre, é caro, e a médica foi clara: “É só uma ‘perfumaria’, para mim, não faz diferença nenhuma se você não fizer.” Fiquei em dúvida se deveria mesmo pagar para ver aquele bonequinho de barro, ou massinha, que o 3D mostra. Mas não resisti e acabei fazendo. E foi muito legal! Deu para ver direitinho o nariz, a boca, o queixo… O bebê ficou muito mais concreto na tela do computador. Sei que ele ainda vai mudar muito até o nascimento, mas foi muito legal essa experiência neste momento, e está guardada pra sempre num DVD.

13. O MUNDINHO DO BEBÊ – Outra grande alegria dessa fase é começar a comprar as coisas para o quarto do bebê. Hoje, se me perguntarem, sei tudo sobre berços. A gente pesquisa e vai ajeitando as coisas, e dá uma paz danada entrar naquele cômodo que, mesmo ainda sem cara de quarto de bebê, a gente sabe que vai ser um dos nossos recantos mais frequentados nos meses seguintes.

eugravida14. NÃO É MAIS BARRIGA DE CHOPP – Agora não tem jeito: você está publicamente grávida, é preciso ser muito lerdo para uma pessoa olhar para você e não perceber isso imediatamente. Aliás, é muito comum que todos olhem primeiro para sua barriga e depois para seu rosto, ao te verem chegando. O lado bom é que diminuem as desconfianças nas filas preferenciais dos caixas e as pessoas tendem a ser um pouco mais educadas quando sabem que estão falando com uma mulher grávida. A consciência de que existe um pequeno ser humano se desenvolvendo (quase pronto!) dentro de você (e todas as implicações disso), que antes era praticamente só sua, agora passa a ser de todos ao redor: do garçom ao colega de trabalho, do vendedor da loja ao vizinho.


15. PARA NÃO VIRAR BARRIGA DE CHOPP –
À medida que a barriga cresce, a gente vai ficando meio desajeitada, empacada, lenta, uma virada na cama já começa a dar trabalho. Como se estivéssemos num outro corpo, dentro de uma fantasia de bonecão de posto, rs. Imagino que a coisa só Boneco_Biruta_17_piore daqui pra frente (o que me dá um certo medo antecipado). Tenho mantido o mesmo mantra do início da gravidez: não neurar com dieta ou exercícios, mas me alimentar de forma saudável e fazer os exercícios sempre que houver disposição. Só peso na balança quando vou à médica, uma vez por mês. Mas o autocuidado, em geral, aumentou: eu, que nunca fui uma pessoa vaidosa, estou aprendendo a cuidar melhor de mim mesma. Tenho me habituado a passar creme hidratante depois do banho, a passar protetor solar no rosto antes de sair de casa, a tomar o sol indicado para ajudar na amamentação, tomar as vitaminas e vacinas pedidas, e, dentre todas essas coisinhas, também a me alimentar de forma mais saudável. Por enquanto, tenho conseguido manter um peso razoável e fazer atividades físicas com uma frequência OK. Agora que o calor voltou com força, quero voltar a praticar o melhor esporte para as grávidas: a natação. Afinal, é na piscina que nos sentimos mais leves de novo 😀


 

Importante: nada do que escrevi acima é regra geral de nada, nem conselho, nem certeza. São só minhas experiências pessoais, filtradas pela minha percepção. Mas cada mulher é de um jeito! Por isso, amigas grávidas ou ex-grávidas: Comentem aí 😉 O que aprenderam durante a gravidez? Tiveram muitos desejos? A experiência foi ou está sendo parecida com a minha? Vamos compartilhar!

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Como perdi 7 kg sem perder a cabeça

Já falei várias vezes aqui no blog: sou contra pessoas bitoladas por causa de peso, sou contra excesso de magreza, sou contra pessoas que abdicam de comida de verdade para comerem grãos, igual passarinho, ou vitaminas e suplementos artificiais, sou contra o preconceito exacerbado que existe contra os gordos, sou contra forçação de barra para se encaixar em um padrão de beleza — magra, cabelo liso, unhas feitas, pernão etc. Acho que as mulheres precisam tomar ainda mais cuidado para não cair nessa armadilha moderna.

Mas acho importante a gente procurar ter uma vida saudável, praticar exercícios regularmente e cuidar para que o colesterol e as outras coisas fiquem nos níveis recomendáveis.

Havia pelo menos dois anos que eu estava numa dieta 100% livre. Por livre, entenda descontrolada, esbórnia total. Eu comia torresmo e barriga como quem toma água, me esbaldava em churrascos de sexta a domingo, comia pipoca lotada de manteiga derretida por cima, fazia panelas de brigadeiro, comia chips à vontade, essas coisas. Nunca me importei muito em ser uma beldade, então dava de ombros para qualquer tipo de restrição na dieta. Mesmo assim, sempre pratiquei caminhadas ou corridas e, de um ano pra cá, voltei a nadar com alguma frequência.

Essa longa introdução foi para que vocês entendessem melhor como funciona minha cabeça e, aos que não me conhecem pessoalmente, compreenderem melhor este post. Se você se identificou, recomendo que passe ao próximo capítulo 😉

Mudanças de comportamento

O máximo de peso que atingi na vida foi nas minhas férias deste ano, em maio: 76 kg. Depois que voltei das viagens, perdi um pouco do excesso acumulado nas aventuras e, em julho, estava com 74 kg. Foi quando uma das minhas irmãs me procurou para dizer que achava que eu estava descontrolada demais, e se eu não deveria repensar meus hábitos de alimentação. E, junto com o toque, me passou o telefone de um médico endocrinologista que é amigo dela.

Fui até ele e fiquei muito satisfeita com a forma como ele me explicou as coisas, bem didaticamente. Fiquei ainda mais satisfeita por ele ter prescrito uma dieta possível e não ter indicado nenhum remédio (detesto remédio!), e por ele ser daquele tipo de médico em extinção: atencioso, que reserva um tempo grande à consulta e procura entender o problema específico do paciente da vez.

Saí de lá meio apavorada pela perspectiva de ter de abrir mão de várias coisas que amo comer (como queijo minas à vontade), mas decidida a tentar, pelo menos nos primeiros dois meses, quando eu teria que voltar para o acompanhamento do médico. Eu queria ver os efeitos que essa decisão teria na minha saúde, inclusive nos exames de sangue e tudo o mais.

Posso dizer que as primeiras duas semanas foram muito difíceis, mas que em nenhum momento eu passei fome (pelo contrário: às vezes até comi sem fome, como vocês verão mais abaixo). Perdi, de cara, em dois meses, 4,5 kg. E, nos dois meses e meio seguintes, num ritmo mais estável e abrindo algumas concessões, outros 2,5 kg. Nesse meio-tempo, fui a festinhas de crianças, a um casamento, à praia, a aniversários, a botecos — enfim, fiz muita coisa normal, com as cervejas, queijos e doces esperados nos programas de fins de semana.

Ainda vou continuar o acompanhamento, de dois em dois meses, com este ótimo médico, mas o mais importante é que, nesses quase cinco meses, mudei meus hábitos alimentares, perdi 7 kg, voltei a um IMC recomendado (de 27 para 24), baixei meus níveis de triglicérides, e fiz tudo isso sem nenhum grande sacrifício, sem abrir mão de coisas de que gosto muuuuito e sem fazer loucuras que muita gente faz pra emagrecer. Enfim, sem perder a cabeça. Por isso, como deu certo para mim, acho que pode dar certo para outras pessoas que queiram apenas uma vida mais saudável. É para elas que preparei as 10 dicas abaixo:

1. Procure um bom médico

Estou falando um médico bom mesmo, não esses mil picaretas que existem por aí. Evite aqueles que te mandam parar de comer e substituir tudo por suplementos. Evite aqueles que te entopem de remédios. Evite aqueles que te cobram como se você estivesse no Exército. O bom médico tem que entender o que é possível para você, entender do que você não abre mão de jeito nenhum, e recomendar uma dieta que altere seus hábitos, mas não te faça morrer de fome. (Passo os contatos do meu médico por mensagem privada, mas não vou colocar aqui no post, porque não pedi essa autorização a ele). Acho importante esse acompanhamento médico, porque cada pessoa é de um jeito e o bom médico saberá dar as orientações condizentes com o seu perfil.

2. Conte a todo mundo que você está de dieta

Logo que comecei o acompanhamento médico, avisei a todos os meus colegas de trabalho, à família, ao amigos. Quanto mais as pessoas souberem que você está de dieta, mais elas vão evitar que você caia em tentações desnecessárias. Isso não significa que você não possa experimentar o delicioso bolo de churros que uma colega levou ao trabalho um dia, mas eles não vão te oferecer pão de queijo quentinho todas as tardes. Mais importante ainda é fazer o marido/namorado/companheiro compreender bem o que você quer, porque ele também passará a te acompanhar na alimentação mais saudável do almoço e fins de semana, nas caminhadas em dupla, e vai te incentivar, além de também mudar os próprios hábitos.

3. Não precisa cortar o que você mais ama

Ok, o médico falou que eu devo trocar o queijo minas padrão, que sempre amei, por um frescal. Não gosto de frescal, mas achei possível fazer, então fiz. Já a cervejinha de fim de semana e a pipoca na hora do filme, uma vez por semana, eu não ia conseguir cortar — nem tentei. E tudo bem. Se a gente tem que sacrificar o que mais dá prazer, a dieta passa a ficar insuportável e a gente desiste no meio do caminho. Se a gente mantém, cortando só o que for possível, tudo fica mais fácil e podemos preservar aquele bom hábito para sempre.

Algumas trocas que fiz em julho e que continuo fazendo até hoje, e, provavelmente, para sempre:

  • Açúcar por adoçante (não gosto de aspartame, então fiquei feliz ao descobrir o stevia, que não tem o mesmo gosto ruim);
  • Queijo minas padrão e outros deliciosos por queijo frescal (ou pelo padrão light, mas é bem mais caro, então só de vez em quando);
  • Leite integral por desnatado;
  • Suco de caixinha por suco natural;
  • Pão de sal por pão de forma integral ou 4 biscoitos de água e sal

(Vou acrescentando à medida que me lembrar de mais coisas)

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(O queijo, o pão de queijo e a cerveja foram exagero/brincadeira, mas já mostra o espírito da coisa 😀 )

4. A quantidade é o segredo da felicidade

Perguntei ao meu médico se eu tinha que abrir mão da pipoca e da farofa e ele respondeu: “De vez em quando e com moderação quase tudo pode, ok?” Esta frase foi a salvação da pátria. Foi assim que pude manter a vida normal, as idas a pizzarias e eventos, sem ficar salivando e sem desistir. Não tem problema comer brigadeiro, só não podem ser dez. Em vez de comer três fatias de pizza, como uma e meia. E assim por diante. No lugar do queijo frescal, também posso passar requeijão no pão, mas em vez de lotar o pão de creme, transbordando, ponho só uma colher de chá, suficiente pra “sujar” a superfície do pão. É gostoso do mesmo jeito, só não é exagerado. E hoje nem sinto mais falta dos excessos que eu cometia antes.

5. Por outro lado, tem que comer mais

É isso mesmo que você leu: comer mais, pelo menos em termos de frequência. Eu nunca tomava café da manhã, almoçava pra danar e depois ficava o resto do dia comendo quase nada, pelo menos de segunda a sexta. Resultado: o corpo acumulava mais gordura, para suportar a privação que eu, descontrolada, impunha e ele nas várias horas sem nada para comer. Agora acordo e tomo café, mesmo sem fome. Pão, requeijão ou queijo, café com leite. No meio da manhã, como uma banana ou três biscoitos. Almoço menos do que almoçava antes, porque estou com muito menos fome (3 colheres de arroz, 2 de feijão, 3 de batata cozida, um bife médio de carne, salada — coisas assim, que o médico saberá te recomendar em detalhes). Mas vale ressaltar que passei a comer arroz e feijão, que eu nunca comia antes. No meio da tarde, mais uma fruta ou três biscoitos. À noite, sanduíche ou jantar do estilo do almoço. Como eu disse na introdução, não senti fome com a dieta: pelo contrário, em alguns momentos, comi quando estava sem fome, para forçar o hábito. E isso foi ótimo, porque fez com que o sacrifício por não me encher de batatas fritas todos os dias fosse menor. Lembre-se: não é preciso passar fome quando se faz uma dieta alimentar saudável. No máximo, passar vontade 😉

6. Exercícios físicos são essenciais

Sei que esta é a parte mais difícil pra muita gente, mas foi a mais tranquila pra mim, porque sempre pratiquei caminhadas. Continuei na mesma toada, mas me esforçando mais para fazer pelo menos 3km por dia, mesmo naqueles dias de soooono ou quando eu estava com aquela preguiiiiça. O fato de ser diário é que era bom, mesmo que durasse só meia horinha. Repare bem: eu odeio academia, então me neguei veementemente a ir para uma delas e estou fazendo as caminhadas na rua, como sempre preferi. Isso é importante: você precisa descobrir o exercício que vai te fazer melhor, que não seja só obrigação. Que tal andar de bike? Nadar? Fazer boxe? Peteca? Dança do ventre? Judô? Musculação mesmo? Descubra qual esporte te dá mais prazer e invista!

Um dos poucos registros que tenho como nadadora, aos 14 anos

Um dos poucos registros que tenho como nadadora, aos 14 anos

7. Cuidado com fim de semana; crie rotina

Confesso que me esbaldei em todos ou praticamente todos os fins de semana de julho pra cá. Mas procurava fazer essa festa só em um dos dois dias, mantendo a rotina mais ou menos conservada no sábado ou domingo. Rotina é uma coisa muito boa para quem quer criar um hábito, seja ele bom ou ruim. No meu caso, tentei estabelecer um horário para as caminhadas e procurei me lembrar de comer no intervalo entre duas grandes refeições, mesmo sem muita fome. Não cheguei ao cúmulo de colocar despertador para comer, como já vi gente fazendo, mas me pautava pelo relógio mesmo. Tipo assim: tomei café às 6h e vou almoçar às 13h, então, lá pelas 9h30, eu tentava comer uma banana. A rotina ajuda até mesmo para as idas ao banheiro, que são um problema para muitas mulheres (e homens também, claro).

8. Cuidado com a balança

Balança é um troço meio frustrante para muitas pessoas. Você não vê resultados nela como numa planilha de contador. Nem sempre ela faz sentido. Por isso, não se descabele muito. Eu sugiro pesar no máximo uma vez por semana (máximo MESMO) e só nas sextas-feiras, quando o esforço acumulado dos dias úteis é mais visível. Se você pesa numa segunda-feira depois de um churrascão de domingo, vai achar que foi tudo em vão. E mais: se sua balança for como a minha, desista. Melhor nem pesar. A minha é tão maluca que, num dia, me dá 68 kg e, poucas horas depois, registra 65 kg. Por isso, agora só peso na balança do médico, uma vez por bimestre, e tá bom demais.

9. Tenha paciência e dê tempo ao tempo

Se você queria uma receita mirabolante para perder 7 kg em uma semana, entrou no blog errado. Sou contra tudo o que é mirabolante demais, antinatural demais, como coloquei logo no primeiro parágrafo do post. O que estamos falando aqui é de mudança de hábitos — ou seja, de algo gradual, mas permanente. E, como não quis perder a cabeça junto com a pança, esse método foi lento, na base da paciência. Perde-se muito no primeiro mês, porque era o excesso do excesso. Depois perde-se num ritmo menor no segundo mês. E assim por diante: a curva vai suavizando com o tempo, mas continua caindo (até chegar a um limite natural), como no gráfico abaixo. Como vou continuar com minha nova rotina, imagino que eu ainda chegue a uns 64 kg sem muito esforço, ao longo dos próximos meses. E, chegando nesse patamar, já acho que nem preciso de perder mais nada, estará bom demais.

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10. Lembre-se: não é uma dieta, é uma mudança de hábitos

Já falei isso mil vezes, mas acho que merece um capítulo à parte. Porque quando entramos num acompanhamento como esse tendemos a querer nos submeter a um esforço de pouco tempo, e depois voltar tudo a como era antes, quando a meta individual tiver sido atingida. Mas não pode ser assim. Quando saí do consultório do meu médico pela primeira vez, quase chorei de tristeza pela vida de adoçantes, queijos frescais e poucas pipocas que eu via pela frente. Pensei: vou me esforçar, ver se me sinto melhor e, depois de dois meses, paro. Mas logo no primeiro dia já percebi que não seria impossível – já se passaram quase cinco meses e já guardei muitos dos hábitos. Acho só que precisamos renovar as restrições de tempos em tempos, quando começamos a ficar muito condescendentes com nossas exceções. Dar uma relembrada nas informações passadas pelo médico, dar uma reexaminada no sangue etc. Mas não precisa haver estresse. Se você realmente mudar os hábitos, o processo será suave — e, mais importante, não haverá efeito-sanfona, como nas dietas de capa de revista.

É importante perceber que, nesse caso específico (o meu, e imagino que o de quem chegou até aqui neste post imenso), o mais importante não é perder peso. É buscar uma vida mais saudável, mas sem neuras idiotas e sem abdicar totalmente do que nos dá prazer. Não é uma mera questão estética — embora ela surja, de alguma maneira. Nos últimos seis meses, desde a volta das minhas férias, perdi 9 kg. Mas também ganhei um pique enorme para os exercícios físicos, estou dormindo igual a uma pedra à noite, estou trabalhando igual a uma doida de manhã e até este blog ficou mais produtivo. Sentindo-me mais feliz, também me sinto mais bonita. Ou vice-versa. Não é isso o que realmente importa, esse bem estar? 🙂

Arquivo pessoal / Foto de agosto de 2013, quando eu ainda estava na fase dos torresmos ;)

Arquivo pessoal / Foto de agosto de 2013, quando eu ainda estava na fase dos torresmos 😉

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