Um contraponto sobre o filme ‘Mãe!’

No post de ontem, escrevi como achei o filme “Mãe!” sofrível, apesar de ter seus méritos. Recebi um e-mail do leitor Angelo Novaes, poeta e filósofo que já escreveu várias vezes aqui no blog, trazendo um contraponto interessante. Por isso, com a devida autorização dele, decidi reproduzir aqui no blog, ainda mais levando em conta que este é um dos filmes mais polêmicos dos últimos tempos. Antes de lerem o texto do Douglas, um alerta: contém spoilers! Não muitos, mas contém, porque ele já traz a interpretação que ele fez da alegoria de Darren Aronofsky.

Aí vai:

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‘Mãe!’, um filme para nos fazer sofrer

Em cartaz nos cinemas: MÃE! (Mother!)
Nota 5

Assisti ao filme “Mãe!” há umas duas semanas e, até hoje, ainda estava acabando de digerir e pensar sobre ele.

Na sessão de cinema, que muitas pessoas abandonaram ao longo dos 121 minutos de filme, persisti bravamente até o final, mesmo me sentindo totalmente perturbada em vários momentos.

É claro que o incômodo era proposital e até esperado num filme do diretor de “Cisne Negro“, mestre no terror psicológico. Mas o nível de angústia que esse longa gerou em mim, somado a uma estética horrenda e a uma história repetitiva à exaustão, foram uma coisa realmente difícil de aturar. Saí da sala do cinema atordoada, praguejando contra um dos piores filmes que tinha visto na vida.

Depois, comecei a rever meus conceitos. Por um único motivo: não parei de pensar a respeito do filme por dias. Qualquer momento de ócio e lá vinha o “Mãe!” na minha cabeça, raciocinando sobre as alegorias que Darren Aronofsky pretendeu construir. E acho que uma história que tem tamanha capacidade de nos fazer pensar e que não é tão óbvia em suas chaves deve ter algum mérito. OK, não vai ser nota zero, talvez uma nota 3.

O que me leva a aumentar um pouco mais a nota final é Continuar lendo

Dia dos avós: quando nossos pais se tornam vovós

Amanhã comemora-se o Dia dos Avós. 26 de julho.

Já escrevi aqui no blog sobre minhas duas avózinhas que conheci na vida, vovó Rosa e vovó Angélica. Mas, quando escrevi aquele post, no já longíquo 2013, eu associava a palavra “avó” apenas a elas. Desde dezembro de 2015, quando meu Luiz nasceu, meus pais, subitamente, também se tornaram avós. Tanto para o Luiz quanto para mim, porque ganhei esta nova perspectiva deles, do papai-vovô e da mamãe-vovó.

(E olha que eles já tinham muitos netos antes, mas é só depois que nasce o nosso bebê que a gente entende essa dimensão, parece…)

Já escrevi também sobre meu pai e sobre minha mãe aqui no blog — váááárias vezes. Tipo aqui, aqui, aqui… e aqui, aqui e aqui. Mas eles eram sempre pai e mãe, eu nunca escrevi sobre eles como avós. Os vovós do Luiz.

É o que farei hoje. Porque minha mãe ficou 20 dias lá em casa comigo, quando eu tinha acabado de parir, para dormir ao lado do Luiz num sofá-cama bem duro, acordar várias vezes durante a madrugada para levá-lo até mim para mamar, me ajudar com o banho, o umbigo e outros mistérios cabeludíssimos que não foram explicados no manual de instruções do bebê. E porque meu pai ficou com o Luiz durante cinco meses, todas as tardes, de segunda a sexta, brincando, trocando fraldas e alimentando, para que eu pudesse encarar uma nova aventura profissional, que era mesmo uma aventura, depois de quase dar um tilt e pifar no trabalho anterior. Continuar lendo

O preconceito contra as mães no mercado de trabalho

Nove meses após o nascimento de seu 1° filho, Fernanda Nascimento engravidou de novo e passou a ser afastada de projetos | Foto: Moacyr Lopes Junior / Malagueta

Neste domingo de Dia das Mães, vocês vão ler inúmeras reportagens especiais, em todos os veículos de comunicação do mundo, tentando encontrar um gancho diferente para abordar a efeméride. Vão surgir personagens intrigantes, histórias emocionantes, todo tipo de coisas incríveis (ou meio clichês/óbvias) para se ler sobre a maternidade nos dias de hoje. Minha indicação de leitura é a reportagem feita pela revista “Canguru”, onde trabalho, sobre mulheres que, ainda no século 21, são demitidas apenas por terem se tornado mães. Com casos de fazer corar até os mais machistas, além de dados sobre as contestações no judiciário e entrevista com representante do Ministério Público do Trabalho.

Ser mãe não diminui nenhuma mulher, e jamais pode ser justificativa para deixar de ser promovida no trabalho ou (muito menos) para ser demitida. Aliás, tive grandes chefes ao longo da vida que eram mães (em ordem cronológica: Tacy Arce, Ana Estela de Sousa Pinto, Michele Borges da Costa, Ivana Moreira) e minha própria mãe, Ivona, criou 4 filhos, sempre trabalhando em dois empregos, e ainda fez duas pós-graduações.

Como diz uma das entrevistadas na reportagem da Isabella Grossi, “quando você é mãe, o seu rendimento não cai, pelo contrário. Sua performance melhora, porque você quer entregar tudo mais rápido”. Se eu já não era procrastinadora antes do Luiz, posso dizer que dupliquei meu nível de “bomba atômica” desde que ele nasceu. Enfim, não deixem de ler esta reportagem, queridas mães e pais e pessoas que não têm filhos. Será uma das melhores que vocês vão encontrar neste Dia das Mães. Clique no link abaixo:

Até hoje mulheres ainda são demitidas só porque se tornaram mães

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Depoimento da minha mãe sobre o câncer de mama: ‘Me senti sem chão’

laco_rosaEm meu último post sobre maternidade, falei sobre a importância da amamentação para prevenir o câncer de mama. Afinal, estamos em pleno Outubro Rosa, quando deveríamos nos conscientizar sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce, para aumentar as chances de cura deste que é o segundo tipo mais comum de câncer entre as mulheres.

Mas meu contato com o câncer de mama foi mais próximo: no ano passado, minha mãe foi diagnosticada com essa doença. A família toda ficou muito triste e preocupada, mas, felizmente, por ser sempre precavida, minha mãe pôde ser diagnosticada bem no início, quando o nódulo nem era apalpável, foi tratada rapidamente e hoje está curada. Mesmo assim, a experiência para ela foi muito intensa, com baterias de exames, cirurgia, remédios e o medo em torno de cada um desses procedimentos.

Pedi que escrevesse um relato para o blog, na esperança de que, assim, ela pudesse inspirar outras mulheres a cuidarem da própria saúde com bastante atenção e não se abaterem diante de uma grave doença.

Fiquem agora com o depoimento da minha mãe, Ivona Moreno de Castro: Continuar lendo