‘Mãe!’, um filme para nos fazer sofrer

Em cartaz nos cinemas: MÃE! (Mother!)
Nota 5

Assisti ao filme “Mãe!” há umas duas semanas e, até hoje, ainda estava acabando de digerir e pensar sobre ele.

Na sessão de cinema, que muitas pessoas abandonaram ao longo dos 121 minutos de filme, persisti bravamente até o final, mesmo me sentindo totalmente perturbada em vários momentos.

É claro que o incômodo era proposital e até esperado num filme do diretor de “Cisne Negro“, mestre no terror psicológico. Mas o nível de angústia que esse longa gerou em mim, somado a uma estética horrenda e a uma história repetitiva à exaustão, foram uma coisa realmente difícil de aturar. Saí da sala do cinema atordoada, praguejando contra um dos piores filmes que tinha visto na vida.

Depois, comecei a rever meus conceitos. Por um único motivo: não parei de pensar a respeito do filme por dias. Qualquer momento de ócio e lá vinha o “Mãe!” na minha cabeça, raciocinando sobre as alegorias que Darren Aronofsky pretendeu construir. E acho que uma história que tem tamanha capacidade de nos fazer pensar e que não é tão óbvia em suas chaves deve ter algum mérito. OK, não vai ser nota zero, talvez uma nota 3.

O que me leva a aumentar um pouco mais a nota final é a atuação impecável de uma das mais talentosas atrizes da geração atual, que é Jennifer Lawrence, já elogiada várias vezes aqui no blog. O filme gira em torno dela, é contado a partir do ponto de vista dela, a câmera enquadra a “mãe” a todo momento, é a angústia dela que estamos todos sentindo em nossas poltronas. E a pessoa tem que ser uma atriz MUITO fera para conseguir segurar essa responsabilidade por duas horas. Javier Bardem, outro monstro da atuação, também está ótimo, assim como os veteranos Ed HarrisMichelle Pfeiffer, mas é Jennifer que conta a história o tempo todo.

No mais, é bem provável que este filme entre naquele rol de amados e odiados, que só as grandes alegorias conseguem atingir. Justamente porque uns vão achar a explicação para a história “genial” e outros vão achar que não compensa o sofrimento de passar por essas duas horas de filme dentro daquela casa dos infernos. Eu vou ficar mais ou menos em cima do muro, respeitando o poder de uma história não muito óbvia, mas desejando ardentemente jamais me ver exposta a este filme de novo. Como eu disse outro dia aqui no blog, arte também pode ser feita para incomodar, não é mesmo? Nem sempre precisa ser bela, genial ou mesmo satisfatória.

 

P.S. Não vou tecer comentários sobre as explicações para a alegoria, até porque cada um está sujeito a fazer a interpretação que achar melhor, mas meu motivo é simples: odeio spoilar aqui no blog. Quem quiser, pode discutir comigo por e-mail 😉

Assista ao trailer legendado:

Leia também:

faceblogttblog

Anúncios

2 comentários sobre “‘Mãe!’, um filme para nos fazer sofrer

  1. Filme de nos tira do lugar… fomos, minha irmã e eu, atraídas talvez pela atriz e ator, em torno dos quais se constrói a história de muita angústia e inquietações… e tb. pelo nome “MÂE”, estávamos numa conversa sobre maternidade e lá fomos nós… e saímos sem entender muito e em silêncio… deixa passar o impacto… vamos refletir, pensar e sentir o que o autor quis nos dizer .. e depois lemos críticas e entendemos mais um pouquinho… nem tudo na vida da Mãe são flores… desafios… angústias…. mortes… incêndios… vamos seguindo nesta vida que nos desafia a cada momento… Obrigada Cris por mais este diálogo… beijos e muita força nesses tempos atuais… ( beijos para lindo neto Luiz!!)

    Curtir

Deixe aqui seu comentário! ;)

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s