‘Mãe!’, um filme para nos fazer sofrer

Em cartaz nos cinemas: MÃE! (Mother!)
Nota 5

Assisti ao filme “Mãe!” há umas duas semanas e, até hoje, ainda estava acabando de digerir e pensar sobre ele.

Na sessão de cinema, que muitas pessoas abandonaram ao longo dos 121 minutos de filme, persisti bravamente até o final, mesmo me sentindo totalmente perturbada em vários momentos.

É claro que o incômodo era proposital e até esperado num filme do diretor de “Cisne Negro“, mestre no terror psicológico. Mas o nível de angústia que esse longa gerou em mim, somado a uma estética horrenda e a uma história repetitiva à exaustão, foram uma coisa realmente difícil de aturar. Saí da sala do cinema atordoada, praguejando contra um dos piores filmes que tinha visto na vida.

Depois, comecei a rever meus conceitos. Por um único motivo: não parei de pensar a respeito do filme por dias. Qualquer momento de ócio e lá vinha o “Mãe!” na minha cabeça, raciocinando sobre as alegorias que Darren Aronofsky pretendeu construir. E acho que uma história que tem tamanha capacidade de nos fazer pensar e que não é tão óbvia em suas chaves deve ter algum mérito. OK, não vai ser nota zero, talvez uma nota 3.

O que me leva a aumentar um pouco mais a nota final é Continuar lendo

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‘Passageiros’: uma boa história desperdiçada

Para ver no cinema: PASSAGEIROS (Passengers)
Nota 6

passageiros

A premissa de “Passageiros” é muito legal. O filme se passa em um futuro em que é tão possível viajar a outro planeta quanto hoje é possível pegar um avião para ir a Miami. Em que é até corriqueiro o transporte intergalático, e a “companhia aérea” faz esse transporte o tempo todo. Os 5.000 passageiros da nave ficam hibernados durante os 120 anos de viagem e são acordados apenas quatro meses antes de chegarem ao planeta colonizado paradisíaco, como se tivessem tirado apenas uma soneca em todo o período. Mas uma pane, logo nos minutos iniciais do filme, faz com que um único passageiro seja acordado antes da hora. Noventa anos antes da hora. Continuar lendo

Só a Joy da vida real segura o filme

Para ver se tiver tempo: JOY: O NOME DO SUCESSO (Joy)
Nota 6

joy

Trata-se de um filme sobre uma personagem real interessantíssima, uma norte-americana chamada Joy Mangano que, graças a sua criatividade excepcional, conseguiu sair de uma vida de grande dificuldade financeira para se tornar uma megaempresária de sucesso. Inventora, ela tem mais de 100 patentes de produtos que facilitam a lida das donas e donos de casa.

O problema é que a ótima atriz Jennifer Lawrence não convenceu no papel de mãe-trabalhadora-que-sustenta-a-família-toda-inclusive-o-ex, que é Joy. Não sei se porque a atriz encarnou muito bem seu papel em “O Lado Bom da Vida“, que lhe rendeu um contestado Oscar, mas acho que ela ainda não desencarnou a ponto de virar uma Joy. Mesmo assim, a academia a indicou mais uma vez para a estatueta de melhor atriz da edição 2016 do Oscar. Vai entender.

Desta vez, no entanto, a academia deixou de lado a direção e roteiro de David O. Russell, que trabalhou com Jennifer também em “O Lado Bom da Vida” e em “Trapaça”. E Bradley Cooper, que completa a trinca de parceiros, também não foi lembrado por seu papel insosso como ator coadjuvante. O filme ficou de fora em todas as outras categorias.

Talvez os críticos tenham ficado com a mesma impressão que eu: que Russell desperdiçou uma grande história, de uma baita personagem, e não soube contá-la muito bem. Entregou a narrativa para a avó de Joy, que tem papel quase insignificante no filme, gastou tempo demais desenhando o perfil dos outros personagens, que são insuportáveis e caricatos (com destaque para a madrasta e para a mãe de Joy, dois tipos humanos muito inverossímeis), e fez tudo se resolver muito rapidamente no final, como se Russell tivesse pensado em fazer um filme de 3 horas de duração, desistido da ideia e, em vez de editar tudo, resolvido “cortar pelo pé”, como nos textos ruins.

A nota que dou, no entanto, é acima da média, porque, ao fim e ao cabo, a história de Joy segura o entretenimento. Poucas vezes vejo filmes sobre empreendedores desconhecidos do grande público (pode ser que Joy seja famosa para alguns telespectadores norte-americanos, mas, ao menos no Brasil, é uma anônima). Se é pra falar de empreendedor, o filme será sobre um Steve Jobs da vida, ou sobre algum grande inventor que ficou pra história. Não sobre a mulher que criou um produto de limpeza revolucionário ou um cabide inovador para pendurar as roupas. Saber que existe esta mulher com tamanha capacidade de imaginação e invenção, e conhecer um pouquinho da história dela, mesmo que numa narrativa não muito bem amarrada, já vale as duas horas de filme. Mas por favor, academia, não entreguem a estatueta para Jennifer desta vez.

(Ah, a trilha sonora também é ótima!)

Assista ao trailer do filme:

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Mais pelo disco que pelo filme

Para ver no cinema: TRAPAÇA (American Hustle)

Nota 7

trapacaO que torna este filme legal, merecedor de sua nota 7, são esses dois atores aí em cima, que formam um casal atípico de trapaceiros (ou fraudadores, pra falar em bom Português). Sydney e Irving, interpretados respectivamente por Amy Adams (“Na Estrada“) e Christian Bale (“Psicopata Americano“), dão um show. São personagens sensacionais em sua falta de escrúpulos, daqueles que a gente simpatiza com facilidade, mesmo sendo bandidos. A recriação impecável dos charmosos anos 70 e a trilha sonora deliciosa — que inclui Duke Ellington, Frank Sinatra, Thelonious Monk, Ella Fitzgerald, Temptations, Elton John, Santana, David Bowie e Paul McCartney — são um espetáculo à parte.

Os dois, Adams e Bale, concorrem ao Oscar como melhores atores principais — merecidamente, embora acho que tenham chances nulas de levar a estatueta. E os dois atores coadjuvantes — a dupla já famosa Bradley Cooper e Jennifer Lawrence — também estão concorrendo em suas categorias. Aqui vai o parêntesis: apesar de eu adorar o trabalho de Lawrence e ter dito até que ela merecia muitos prêmios por sua atuação em “O Lado Bom da Vida” (em que ela contracena com Cooper e atua de novo sob a direção de David O. Russell), aqui, neste filme, ela está sendo, definitivamente, supervalorizada. Seu papel e sua atuação são caricatos e inverossímeis demais, o que fica óbvio na cena em que ela canta o clássico “Live and Let Die”. Vejam e tirem suas próprias conclusões 😉

Mas a nota minorada nem é por conta da mais nova queridinha da América. O que me irritou foi o final. Previsível, desses que a gente já viu em dúzias de roteiros de filmes do gênero. “Nove Rainhas“, pra ficar em um exemplo, daria um banho em “Trapaça” — mas passou longe de qualquer indicação ao Oscar, ainda mais de melhor filme. Mas, no fim das contas, é a melhor trilha sonora desde “Quase Famosos“, e agradeço os trapaceiros por me proporcionarem um clipe divertido para este fabuloso disco de jazz e rock.

Campanha contra os que riem quando os outros levam um tombo

O tombo que a ótima atriz Jennifer Lawrence tomou na escadaria da festa do Oscar.

O tombo que a ótima atriz Jennifer Lawrence tomou na escadaria da festa do Oscar…

Sempre me considerei uma pessoa de riso fácil. Morro de rir dos seriados de comédia da TV, dos filmes do gênero, sou fã número 1 do Chaves. Mas acho que nasci com uma falha genética: nunca achei a menor graça em ver alguém levando um tombo.

Com certeza é uma falha, porque o histórico das comédias mundiais demonstra que os tombos fazem o maior sucesso. O Gordo e o Magro, o próprio Chaves, os Trapalhões, Chaplin, todos os ídolos do humor já usaram a fórmula da casca de banana. O que indica que muitas pessoas se divertem com ela.

E o que dizer das antiquérrimas Videocassetadas do Faustão? Elas existem desde que eu era criança e, pelo visto, continuam agradando, já que continuam surgindo vídeos de tombos, enviados pelos telespectadores – mesmo depois que os videocassetes deixaram de existir, diminuindo a esperteza do nome.

Quando vejo uma série dessas, de pessoas se espatifando no chão, minha primeira reação costuma ser virar a cara. Porque o que enxergo ali são pessoas morrendo de dor, às vezes vítimas de quedas gravíssimas que, em casos dos mais frágeis, podem até vir a ser fatais.

E se é ao vivo, alguém se espatifando bem na minha frente, aí é que eu viro a cara mesmo. Pela vergonha de ter presenciado a queda, sabedora que sou dos constrangimentos dos recém-caídos. Quando não dá pra simplesmente fingir que não vi, vou lá oferecer uma ajuda para a pessoa se levantar. Mas nunca rio de um tombo. Tombos são graves. Deles podem surgir fraturas, sequelas e, certamente, muitas dores.

Por isso, do alto da minha experiência de desajeitada crônica, depois de já ter caído centenas de vezes na minha vida, de ter um joelho com cicatrizes umas sobre as outras e de já ter batido a cabeça, várias vezes, com tanta força que os galos viraram chifres, venho a público lançar uma nova campanha: tombo não é engraçado, riam só do que faz rir.

Aguardo adesões 😉

... e a reação dela aos que ficaram zoando depois.

… e a reação dela aos que ficaram zoando depois.

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