A angústia em cada minuto

Para ver no cinema: CISNE NEGRO (Black Swan)

Nota 8

Definiram Cisne Negro como terror psicológico. É a melhor definição mesmo. É angustiante do início ao fim, cheio de suspense, a confusão mental da personagem também confunde e exaure os espectadores. Natalie Portman (Nina), magérrima e toda delicada, está uma atriz maravilhosa. Ela é a tensão em pessoa. Está por um fio, em todos os sentidos, físicos, biológicos e psicológicos. E ficou assim, em fiapos, por conta de pressões que sofreu de todos os lados, a começar em casa, com uma mãe controladoríssima, e no trabalho — a companhia de balé –, com pessoas competitivas, fofoqueiras, muitas vezes sem nenhum caráter. O contraste desse fiapo humano com a personagem Lily, vivida por Mila Kunis, é evidente. Ela é sensual, liberal, animada, não tem nenhuma nuvem negra sobre sua cabeça, nenhum peso sobre suas costas, nenhum arranhão em sua pele. É o peso de uma e a leveza da outra. Como um cisne negro e um branco. Enfim, Cisne Negro é um terror psicológico. Seu enredo é simples, quase infantil. Um roteiro que poderia ter sido escrito em uma lauda. Mas é toda a angústia da tensão da cabeça de Nina, que permeia o filme, que torna sua história forte e digna de várias estatuetas. E o final — sobre o qual não darei qualquer dica, podem ficar tranquilos — é perfeito.

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8 comentários sobre “A angústia em cada minuto

  1. Eu gostei muito do filme, mas tinha algo nele que me parecia familiar. Ontem caiu a ficha: o roteiro segue a mesma linha do de “Carmen”, do Carlos Saura.

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  2. Cara, Cris; como é que você acha que esse filme é melhor do que os da Sofia Coppola? É um filme bonito e talz, mas, como você mesmo diz, o contraste entre as personagens é evidente. É mesmo. Evidente, lógico, límpido, claro e chato. Parece um enredo de desenho animado. Não tem ambiguidade, profundidade, inteligencia… tudo que os personagens da Sofia tem. E eu nem vi Somewhere ainda porque não estreou em BH. Pode um negócio desse?

    Beijo 😉

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  3. Oi. “Cisne Negro” foi o filme que mais me impactou até hoje. Tive o que tenho chamado de “uma experiência turbilhonar”. E não foi por falta de ir ao cinema… 🙂 Findo ele, saí, passei numa livraria, saí da livraria e ainda tinha que arfar de vez em quando para retomar o fôlego. Nunca tinha me acontecido isso antes. Trem doido.

    Eu também pus um post sobre ele no meu blog, enquanto ainda estava sob o efeito esbugalhante do grand finale. Concordei com quase tudo no seu, mas não achei que o enredo foi tão simples, não… Há várias coisas amarradas ali, acontecendo simultaneamente: despertar sexual, despertar para o “lado negro”, libertação do domínio materno, junto com a luta para superar-se a si mesma, uma coisa metaforizando a outra. Uma teia de metáforas… Coisa muito fina.

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    • É muito bom quando um filme mexe com a gente assim.
      Isso me aconteceu muito poucas vezes, com poucos filmes.
      O Cisne Negro não me deixou tão pilhada como vc ficou, mas com certeza é um filme marcante, do tipo que a gente não esquece fácil. Aliás, algumas cenas eu até já queria ter esquecido, porque me deixaram muito angustiadas enquanto assisti (unhas, sangue, afe!).
      Parabéns pelo post no seu blog, li lá.

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