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Carta ao meu filho Luiz, 5 anos

Pronto, filho, você agora fez a mão cheia.

Ninguém imaginava que seria no meio de uma pandemia. Que seu aniversário teria só os vovós e a tia , sem nenhum outro amiguinho – e, mesmo assim, com tão pouca gente, teria que ser adiado por causa de uma gripe que te pegou na véspera, com coriza, febre e tosse, depois de meses trancado em casa e sem ter nadica de nada.

Você chorou quando ouviu a médica dizendo, na teleconsulta, que teria que ficar 14 dias sem ver os avós, por precaução, mesmo se o teste de Covid-19 desse negativo. Estamos vivendo uma guerra, e você, tão novinho, já é parte dela.

Mas depois, como é de costume, você entendeu. Sentou ao meu lado e me viu contando os dias no calendário, e entendeu o plano que estava sendo traçado.

Você tem cinco anos, e já está começando a entender que nem sempre temos o que queremos, nesta vida.

Leia também: Carta ao meu filho Luiz, 4 anos

Luiz me dá tchau pela janela quase todo dia. “Bom trabalho, mamãe! Te amo!” E às vezes também quando escuta meu carro voltando, no fim do dia: “Eba, mamãe chegou!!!”

Está cada dia mais crescido, e mais independente. Já sabe escovar os dentes sozinho, encher um copo de suco sem derramar, tomar o suco em copo de vidro, escolher sua roupa e se vestir todo sozinho, faz até a sua malinha quando vamos ao sítio. Sabe baixar joguinho no tablet (escolhe usando o microfone para ditar o que quer), sabe escolher o desenho animado na TV e, quando acorda antes da gente, vai lá na geladeira, pega o iogurte, e fica bonitinho na sala, vendo “Peppa” até a gente acordar (ou você perder a paciência e ir nos chamar).

Toma banho sozinho, vai ao banheiro sozinho, já faz quase tudo sozinho. Mas ainda precisa da minha mão apertada para conseguir dormir. Precisa mesmo, será? Ou é um ritual que nos une e nos fortalece, noite após noite? Luiz na cama, eu no pufe ao lado, mãozinha na mãozona, e a gente se desejando “só sonha sonho bom”, como nos ensinou o vovô…

Você chega aos 5 anos independente assim e também cheio de personalidade. Se não quer fazer uma coisa, não adianta insistir, você NÃO FAZ. Se quer, e não pode, a gente se desdobra pra você entender. Mas entende. Entende até ter o aniversário adiado em duas semanas por conta do que pode ser só um resfriado.

Luiz desenhando dinossauros.

Mesmo com tanta personalidade, um pouco bravo, você é tão carinhoso! Faz desenhos (a coisa que mais gosta no mundo é desenhar) e escreve “mamãe”, “papai” e “Luiz”, com corações e setinhas apontando o amor de um pro outro. Cria musiquinhas com letras mágicas como: “você é a melhor mãe do mundo, dos planetas, das estrelas, do sol, da Terra, ninguém pode ser melhor que você”… Ama preparar “café da manhã de hotel” para mim ou para o papai, e cuida para que ele seja surpresa até o sortudo da vez acordar.

Nesta quarentena, perdeu um ano de escola, ficou em casa quase o tempo todo, mas também aprendeu muita coisa nova. Já sabe de cor e salteado toda as letrinhas, sabe escrever algumas poucas palavrinhas (além daquelas três, tem “vovô”, “zé”, “ana”, “ovo”) – as que não sabe, pergunta e vai escrevendo à medida em que ditamos –, sabe fazer umas continhas nos dedos, se apaixonou por insetos e, mais recentemente, por dinossauros.

Sabe os nomes de todos eles, por mais difíceis que sejam: parassaurolofo, diplódoco, coritossauro, paquicefalossauro, terizidinossauro (esses últimos dois só você sabe falar), megalodon, deyosuchus, galimimo, ornitomimo, microrraptor, troodonte etc.

Leia também: Os melhores presentes e ideias para crianças que amam dinossauros

O ano não se perdeu pra você, meu amor, porque você é criativo e curioso. Foi renovando os estoques de conhecimento, um após o outro, aliado ao presente que você mais gosta de ganhar: livros! Sua bibliotequinha está indo de vento em popa, porque é a única coisa com a qual sua mamãe não economiza. E, com os livros, também descobriu mais sobre os vulcões, o planeta Terra (oh, yeah, ele é redondo!), o corpo humano, e por aí vai.

Luiz gota de explorar a natureza, com a câmera, o binóculo, a lupa.

Da escola, restou o desafio semanal que eles inventam no Instagram, que nem sempre você anima a fazer, mas, quando faz, é com carinho e enviado junto a um áudio cheio de amor para a professora: “Oi, professora Aline, tudo bem? Fiz um baiacu porque ele é um círculo, mas ele tem espinhos, você sabe, né? Por isso os triângulos”. E terminando com seu inevitável: “Te amo, beijo, tchau!“, presente em todos os áudios carinhosos que distribui.

O uso do celular, apesar de nem sempre autorizado por nós, é um capítulo à parte. Você sabe escolher os destinatários das mensagens, envia áudios, faz selfies, faz vídeo com mensagens de amor, coloca corações e outros ícones, escreve no meio da tela, envia e depois ainda dispara dezenas de emojis com todo tipo de imagens, inclusive algumas inesperadas, como escorpiões e crocodilos.

Luiz fala que quer ser cientista. Na foto, ele queimando a folha com a lupa e a luz do sol.

Por falar nesses bichos peçonhentos, você é um menininho desprovido de medo. Tirando a injeção, que te faz chorar muito, você não liga pra escuro, nem pra bruxas, nem monstros, nem trovão, nem nada do que costuma deixar seus amiguinhos da mesma idade de cabelo em pé. Pelo contrário: depois dos dinos, seus personagens favoritos são os bruxos do “Detetives do Prédio Azul”. E sua indecisão crônica te fez pedir que o tema do aniversário fosse uma mistura improvável de répteis pré-históricos e magos.

E assim você chega aos 5 anos: independente, com personalidade forte, corajoso e em constante aprendizado. É assim que espero que chegue também aos 10, aos 15, aos 20, aos 70. Essas são quatro qualidades importantes, ainda que nem sempre fáceis para quem está educando, porque não combinam muito com docilidade e obediência.

Sigo, como há um ano, surpresa com o meu papel nisso tudo. E me sentindo privilegiada por poder participar do seu desenvolvimento, e por conviver tão de pertinho com você, nesse relacionamento de constante ensinar-e-aprender juntos.

Juntos chegamos a esses mais de 1.800 dias – e espero que cheguemos a outros milhares, juntos, juntinhos. Estou ansiosa por isso, meu amor! Você sempre pergunta e eu cá respondo de novo: sim, serei sua mãe pra sempre, e serei sua amiga pra sempre, e te amarei pra sempre. Não tenha dúvidas disso!

Feliz aniversário de 5 anos!

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Cristina Moreno de Castro Ver tudo

Mineira de Beagá, jornalista, blogueira, poeta, blueseira, atleticana, otimista, aprendendo a ser mãe. Redes: www.facebook.com/blogdakikacastro, twitter.com/kikacastro www.goodreads.com/kikacastro. Mais blog: http://www.otempo.com.br/blogs/19.180341 e http://www.brasilpost.com.br/cristina-moreno-de-castro

Um comentário em “Carta ao meu filho Luiz, 5 anos Deixe um comentário

  1. VIVA O LUIZ!! e VOVÓ ANA fica feliz quando LUIZ escreve esta Vovó em muitos desenhos que a gente faz juntos… E vamos ficando bem juntinhos nesses dias sem escola que a pandemia nos impõe… NAS QUINTAS-FEIRAS É NOSSO DIA DE ENCONTRAR E FAZER MUITA COISA JUNTINIHOS…E MAMÃE falou bonito sobre as conquistas de LUIZ e seu jeito forte e independente de ser!! PARABÉNS AMADO NETO!! COMO DIZ VOCÊ, TE AMO MUITO, MUITO, MUITO!!!!

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