Carta aberta de um bebê de 9 meses

Fazer bagunça pode, Luiz. Ainda mais com esse imenso interesse por livros, CDs e DVDs que você tem :D Foto: CMC

Fazer bagunça pode, Luiz. Ainda mais com esse imenso interesse por livros, CDs e DVDs que você tem 😀

 

Foi outro dia mesmo que aprendi o que significa “Não pode!” e esta já é a frase que mais escuto. Até então, eu só ouvia o blablablá da mamãe e do papai, mas não sabia o que eles queriam me dizer. Aos poucos fui associando o tom de voz dos dois – carinhoso, encantado, impaciente, bravo, cansado, alegre etc – às palavras que eles diziam. “Parabéns”, “Viva!”, “Muito bem” e outros incentivos foram dando lugar cada vez maior ao danado do “Não pode!”, principalmente quando fui aprendendo a me arrastar (mais tarde, a engatinhar) e comecei a querer pegar tudo e, claro, colocar na minha boca para conhecer melhor.

Descobri que, na vida aqui fora, a gente “não pode” um monte de coisas.

Por exemplo, eu estava outro dia deitado ao lado da minha mãezinha, rindo, quando me detive naqueles dois buraquinhos que ficam bem no meio do rosto dela. Não pensei duas vezes: coloquei meus dedinhos num deles. Ela já foi tirando e dizendo, ao mesmo tempo: “Não pode fazer isso, meu amor!” Mas não disse por quê.

Às vezes ela explica melhor. Não pode pôr o dedinho na tomada, vai levar choque. Não pode puxar o fio da TV, ela pode cair em cima de você e machucar. Não pode puxar o prato de vidro, vai quebrar. Não pode virar o caneco de café, vai se queimar. Não pode ficar se mexendo tanto na banheira, vai acabar causando um acidente! Não pode ficar mexendo tanto no trocador, mamãe tem que te vestir logo para ficar quentinho. Não pode brincar com remédio, é perigoso. Não pode brincar com saco plástico, vai sufocar. Não pode puxar o cabelo da mamãe, dói. Não pode pôr o chinelo do papai na boca, é sujo! Não pega na roda do carrinho, filho, é imundo! Não lambe o chão. Não derruba a comida. Não chore sem motivo…

Dano a chorar.

Ora essa, nada pode! E minha curiosidade? E como vou saber se uma coisa é boa se não puder sentir seu gosto? Nem pegar pode?! Por que não posso me sujar, afinal? Depois eu não tomo banho pra ficar limpinho? E como mamãe quer que eu fique parado na banheira se é tão divertido fazer bagunça na água?

Outro dia, mamãe me contou, aos risos, que, quando tinha uns 2 anos de idade, ela gostava de subir nas cadeiras. Minha vovó, assim que a via, falava em tom severo: “Cê cai, meniiiina!”. Ela aprendeu a frase e, em vez de apenas continuar subindo nas cadeiras, passou a subir com mais frequência e já entoando lá de cima, como um grito de guerra: “Xê cai meniiiiiiina!”. Com direito a dedinho em riste e tudo. Vovó não conseguia ficar brava: morria de rir da travessura.

Pois eu vou fazer igual à minha mamãe quando ela era criança. Assim que aprender a falar “mamãe” e “papai”, vou aprender a falar “não pode”. E sair por aí, me aventurando, e sempre entoando para quem quiser ouvir meu grito de guerra: “Não pode! Não pode! Não pode!”. Para não virem dizer que não estou ciente dos meus próprios atos.

Porque posso ter só 9 meses de idade, mas sei bem o que eu quero: eu quero poder!

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Um comentário sobre “Carta aberta de um bebê de 9 meses

  1. Sempre uma emoção ler as lindas histórias de meu amado neto Luiz, contadas por sua criativa mamãe ❤ Agradecida por este amor que nos torna mais suaves em tempos tão duros…❤

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