590.148 receitas de papinhas para você fazer para seu bebê: veja vídeo

papinha

Quem me acompanha há mais tempo sabe que não sou nada boa de cozinha; o chef lá em casa é o papai Beto. Mesmo assim, vou compartilhar com vocês um segredo: com a ajuda do marido, sou capaz de preparar nada menos que 590.148 receitas diferentes de papinhas para o Luiz. Você leu direito: quase 600 mil possibilidades de comidinhas para meu bebê!

Neste post, vou ensinar a preparar TODAS elas.

Para fazer essas papinhas, usamos alguns grupos de alimentos, como folhas (couve, repolho, brócolis), raízes (batata, cenoura, beterraba), alimentos ricos em carboidratos, como arroz e macarrão, além de carnes ou ovo. A papinha mais básica, no dia em que a geladeira de casa está maisssss vazia, vai ter pelo menos um item de cada grupo: uma folha, uma carne e uma batata, por exemplo. E a papinha mais rica, quando temos mais opções, leva até 10 ingredientes (por exemplo: arroz, feijão, frango, couve, brócolis, repolho, batata, batata doce, cenoura e beterraba).

Divido esses ingredientes em três grupos:

Grupo 1

Couve
Agrião
Brócolis
Espinafre
Repolho

Grupo 2

Carne moída
Músculo
Frango desfiado
Ovo

Grupo 3

Batata
Batata doce
Mandioca
Baroa
Inhame
Abóbora
Abobrinha
Cenoura
Beterraba
Arroz
Feijão
Ervilha
Macarrão

E colocamos nossos temperinhos em tudo, claro: sal, cebola, alho, alho-poró, cebolinha e/ou salsinha.

MUITO MAIS QUE 1.001 POSSIBILIDADES

Pedi ajuda para meu amigo Bill, que é matemático e também é pai da Julinha, ou seja, especialista em contas difíceis e em papinhas, para me dizer quantas possibilidades de papinhas podem sair dessas combinações de ingredientes. Se usar pelo menos um ingrediente de cada grupo, sem restrições de ingredientes no prato, chegamos a um resultado estratosférico: 3.808.815 maneiras de preparar a papinha! Uau!

Pedi ao Bill para refazer a conta de uma maneira mais próxima da realidade: usar só um item do grupo 2 (nunca colocamos mais de um tipo de carne no prato) e até 10 itens no total, sendo no mínimo 1 item por grupo. É aí que chegamos ao incrível número que dá título a este post: são nada menos que 590.148 possibilidades de papinhas para seu bebê!

Isso facilita muito as coisas, não é verdade? Porque você pode ser como eu, e não saber fazer muito além de cozinhar uma cenoura e uma batata, mas ainda assim conseguir preparar pratos com sabores (e aparências) diversificados para seu pequeno. E ainda com um temperinho caseiro de fundo! 😉

Neste vídeo, reuni fotos de diversas papinhas que já fiz para o Luiz, desde que ele tinha 6 meses de idade. Veja como essas imagens não me deixam mentir: os pratos ficam bonitos, coloridos e deliciosos, e cada um tem uma aparência totalmente diferente da outra, mostrando como é fácil diversificar:

TRÊS DICAS PARA FACILITAR AINDA MAIS A ROTINA

Lá em casa usamos um sistema que é muito prático e facilita muito no preparo das refeições do Luiz:

1- Beto faz arroz e feijão que dura a semana toda, para os três membros da família.

2- E faz carne para o Luiz que costuma durar pelo menos uns 5 dias. Essa carne é congelada em forminha de gelo e a gente usa um quadradinho da forminha a cada refeição.

3- Eu ou ele cozinhamos legumes em quantidade que pode durar pelo menos 4 dias, na geladeira, sempre guardado em vasilha de vidro, que conserva melhor.

Na hora do almoço ou do jantar, fervemos um pouco de água e colocamos o cubinho de carne pronta e congelada e um pouco do legume para cozinhar junto, no fogão. Em coisa de 10 minutinhos, a refeição está prontinha e gostosa como se fosse feita na hora!

Você pode fazer várias opções de legumes – brócolis, batata, baroa, batata doce, beterraba, mandioca, abobrinha, moranga… – e variá-los em cada refeição, para que cada uma tenha um sabor diferente da outra. Ou então dar a mesma papinha durante uma semana e, na semana seguinte, fazer uma carne e legumes diferentes, para o bebê não enjoar de comer sempre o mesmo.

Lembre-se: com poucos ingredientes, já é possível preparar, literalmente, milhaaaaaares de refeições totalmente diferentes! 😀

DICA EXTRA

Minha amiga Bruna Saniele, também jornalista e mãe de dois bebês, criou a página Comidinha de Criança, em que ela compartilha várias dicas para preparar as papinhas. O melhor: assim como o Beto, ela sabe e ama cozinhar! 😉 CLIQUE AQUI para espiar.

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+ 15 coisas que aprendi em sete meses de gravidez

Quando eu estava com exatamente quatro meses de gravidez, escrevi um post com as 15 coisas que eu tinha aprendido até então. Foi muito legal descobrir que eu não era a única: dezenas de outras futuras mamães também relataram sentir ou experimentar as mesmíssimas coisas que eu (veja AQUI os comentários delas).

Agora já estou na 29ª semana, quase sete meses, e dentro do terceiro e último trimestre de gestação. Com mais apenas nove semaninhas, meu bebê pode dar as caras sem ser considerado prematuro. Tá chegando!, e já começo a sentir um frio na barriga. Não leio mais só os livros sobre grávidas, mas sobre os cuidados com os bebês. E, claro, aprendi mais uma porção de coisas, que compartilho no post de hoje:


 

luiz21. SABER O SEXO FAZ TODA A DIFERENÇA – Naquele post eu disse que a pergunta que eu mais ouvia era “Já sabe o sexo?” e que as pessoas ficavam intrigadas quando eu respondia que não estava ansiosa para saber. Mas, no mesmo dia, fiz um ultrassom que me contou que eu esperava um menino. E foi impressionante como isso fez toda a diferença para mim! Passei a imaginá-lo de forma mais definida e uma das maiores delícias foi discutir o nome com meu marido. Passamos a comprar (e ganhar) mais coisas para o enxoval e me parece que ficou mais concreta a ideia de um bebê crescendo dentro de mim. Respeito muito os pais que decidem não saber o sexo dos bebês até o nascimento – e imagino que deva ser uma surpresa e tanto! –, mas hoje não sei como conseguem 🙂

2. O NOME – Para escolher o nome do nosso bebê (Luiz), nós buscamos as origens etimológicas da palavra (lutador, guerreiro), pesquisamos se ele estava muito comum (não entrava nem nos top 100 que estão na moda), comparamos com outros de que nós dois gostávamos (Mateus, Lucas, João), tentamos lembrar de conhecidos com o mesmo nome (quase ninguém, ainda mais sem ser composto), depois tentamos lembrar de personalidades com mesmo nome (Luiz Gonzaga, Luís de Camões, Luiz Tatit, Luiz Melodia, os vários reis da França, Lewis Carroll, Louis Armstrong) e até fomos ver de quem São Luís era padroeiro (da juventude e dos estudantes). Foi um papo gostoso de ter, que entrou madrugada adentro. Por isso, uma das coisas que mais me irritaram na vida foi quando falei sobre esse nome, quando ainda estava sendo conjecturado, e ouvi um “Não gosto de Luiz”. Dica a todas as pessoas do universo: não façam isso! Respeitem a escolha cuidadosa e carinhosa feita pelos pais.

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3. POR FALAR EM IRRITAÇÃO – De um mês pra cá eu ando numa impaciência incrível. Pequenas coisas já me tiram do sério, ando irritada com todo mundo (especialmente os conselheiros e palpiteiros sabichões de plantão) e não tenho saco nem pra manter as menores conversas. Ando achando todo mundo muito CHATO também, como contei outro dia aqui no blog (provavelmente, sou eu que estou chata, mas isso também passa). Foi um alívio reunir na minha casa, outro dia, grandes amigos de infância e perceber que com eles eu ainda podia passar horas conversando e me sentir em paz e alegre com isso. Amigas grávidas: quando tudo estiver te tirando do sério, ligue para os amigos que te fazem se sentir mais à vontade e marque um lanche com eles 😉

4. MAS O ASTRAL MELHORA – Apesar da impaciência, outras coisas melhoraram muito no meu humor. No começo da gravidez, eu fiquei para baixo em vários momentos, sem explicação aparente. Ao longo do segundo trimestre, até agora, esse coquetel hormonal das gestantes parou de me afetar tanto. Estou bem mais leve na cabeça, à medida que o corpo vai perdendo a leveza.

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5. O CANSAÇO SÓ AUMENTA – Aprendi que isso não vai melhorar com o tempo de gestação, pelo contrário. Na outra semana (sabatina de Janot, acareação da Lava Jato, eliminações na Copa do Brasil, Lula em BH e mais uma porção de notícias gigantes), pós-plantão, me senti tão exausta e com tanta overdose de informações, que até fiz algo inédito: abandonei este blog por cinco dias inteiros, sem dar qualquer satisfação (vocês notaram, né?). No jornal, mantive meu ritmo de trabalho frenético, mas, em casa, eu só queria dormir. A verdade é que tem dia que dá vontade de jogar tudo pro alto e fugir pras montanhas. Aliás, foi o que fiz há alguns fins de semana, fugindo para o Santuário do Caraça. Recomendo essa viagem a todas as grávidas do planeta.

Tchau, Santuário! Obrigada por lavar minha alma!

6. O SONO NÃO É UM SONHO – É um paradoxo: ao mesmo tempo em que ficamos mais cansadas e com um sono insuportável durante o dia todo, vai aumentando a dificuldade para dormir. Eu sempre preferi dormir de lado, mas foi só me dizerem que as grávidas precisam dormir de lado, que eu comecei a sentir falta de dormir com a barriga pra cima! Ainda não vi vantagem em entulhar a cama de almofadas para supostamente me deixar mais confortável, e também não acho posição só com meu travesseiro de sempre. Pra complicar, a gente continua levantando muito à noite para fazer os constantes xixis, então é comum eu me ver com a velha insônia, ou num sono muito turbulento, o que só prejudica o cansaço do resto do dia. Uma coisa que melhorou muito meu sono no inverno, que ficou uns dois meses sendo interrompido por tosses secas, foi a compra de um umidificador, que deixo ligado a noite toda, bem perto da cama.

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7. MUITO PRAZER, SOU SEUS PÉS – Pela primeira vez, comecei a prestar atenção maior aos meus pés. Eles de vez em quando chamam minha atenção: alô, tou doendo! Não é bem uma dor e os meus nem estão inchados como os de algumas mulheres grávidas (tem até quem mude o tamanho do calçado durante a gravidez), mas às vezes incomodam. Aprendi que, nessas horas, nada melhor que deixar com os pés pra cima, sobre duas almofadas, e ficar nessa posição por alguns minutos, relaxando, ouvindo uma música ou lendo um bom livro.

8. AS PREOCUPAÇÕES MUDAM – Se antes eu ficava preocupada com as milhões de coisas que dizem que podem acometer as grávidas, agora já virei a chavinha: já estou com a cabeça loooonge, pensando em como será a amamentação, se vou conseguir ser uma boa mãe, como será a personalidade do meu bebê, onde vou deixá-lo quando acabar a licença-maternidade etc. E, claro, como será o parto. Já parei de ler livros sobre gestantes e estou lendo alguns sobre cuidados com bebês. Acho que parte do motivo é o fato de eu ter tido uma gestação muito tranquila até agora, sem qualquer tipo de complicação, sem emergências, sem sustos.

9. SOBRE OS SUSTOS – Bom, eu tive um susto. Passei dois dias com uma dor de barriga fortíssima, mas sem nada que a justificasse, como diarreia. Como a barriga é o lugar mais preocupante para uma grávida sentir dor, minha médica me mandou ir imediatamente ao pronto-socorro. No final, descobrimos que não era nada de mais, mas, no caminho para o PS, sozinha no táxi, eu fiquei com o coração na boca, pensando só em coisas ruins, e tentando conter o choro. As bobagens que não me causariam a menor preocupação antes de engravidar agora se tornam pequenos monstrinhos.

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10. SOBRE OS LIVROS – Os livros começam a ficar repetitivos e a gente fica com aquela impressão de que, na prática, tudo será muito diferente da teoria, então é uma perda de tempo lê-los. Fico pensando que, quando meu bebê adoecer, os monstrinhos que me preocuparam naquele dia do susto vão virar verdadeiros monstrengos. E não haverá livro que salve, só a paciência e a coragem. Por isso, tomei grande antipatia de livros que tratam os pais como idiotas e a autora como uma mágica que sabe de tudo e conhece os filhos melhor que seus progenitores. É o caso do terrível “A Encantadora de Bebês”, de uma tal Tracy Hogg, que diz que “resolve todos os seus problemas”. Ela inventa siglas para falar sobre os métodos que os pais devem seguir e repete, a todo momento, coisas como: “As minhas técnicas sobre encantamento de bebês funcionam.” E fala sobre os bebês como se todos fossem robozinhos idênticos. Não consegui passar do primeiro capítulo. Por outro lado, gostei muito do livro “Nasceu, e agora?“, que já recomendei aqui no blog.
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11. SENTINDO O BEBÊ – Lá pela 20ª semana, finalmente comecei a sentir os movimentos do meu bebê. Primeiro, bem suaves, hoje em dia, constantes e bastante fortes (na sexta-feira, pela primeira vez, consegui até mesmo ver a barriga se mexendo com os chutes). É muito legal perceber que o bebê tem até horário favorito para se mexer! E é emocionante, uma grande alegria mesmo, colocar a mão do meu marido na minha barriga e ver o assombro e encantamento dele ao sentir o chutinho, que é algo que só foi acontecer lá pela 25ª semana.

luiz12. VENDO O BEBÊ – O ultrassom sempre foi um momento muito especial da gestação. É quando descobríamos o tamanho e peso do bebê, ouvíamos seu coração bater, e conseguíamos ver os contornos do rosto, a coluna, os pezinhos… Na semana passada, entrei na fase para fazer o ultrassom 3D. O plano de saúde não cobre, é caro, e a médica foi clara: “É só uma ‘perfumaria’, para mim, não faz diferença nenhuma se você não fizer.” Fiquei em dúvida se deveria mesmo pagar para ver aquele bonequinho de barro, ou massinha, que o 3D mostra. Mas não resisti e acabei fazendo. E foi muito legal! Deu para ver direitinho o nariz, a boca, o queixo… O bebê ficou muito mais concreto na tela do computador. Sei que ele ainda vai mudar muito até o nascimento, mas foi muito legal essa experiência neste momento, e está guardada pra sempre num DVD.

13. O MUNDINHO DO BEBÊ – Outra grande alegria dessa fase é começar a comprar as coisas para o quarto do bebê. Hoje, se me perguntarem, sei tudo sobre berços. A gente pesquisa e vai ajeitando as coisas, e dá uma paz danada entrar naquele cômodo que, mesmo ainda sem cara de quarto de bebê, a gente sabe que vai ser um dos nossos recantos mais frequentados nos meses seguintes.

eugravida14. NÃO É MAIS BARRIGA DE CHOPP – Agora não tem jeito: você está publicamente grávida, é preciso ser muito lerdo para uma pessoa olhar para você e não perceber isso imediatamente. Aliás, é muito comum que todos olhem primeiro para sua barriga e depois para seu rosto, ao te verem chegando. O lado bom é que diminuem as desconfianças nas filas preferenciais dos caixas e as pessoas tendem a ser um pouco mais educadas quando sabem que estão falando com uma mulher grávida. A consciência de que existe um pequeno ser humano se desenvolvendo (quase pronto!) dentro de você (e todas as implicações disso), que antes era praticamente só sua, agora passa a ser de todos ao redor: do garçom ao colega de trabalho, do vendedor da loja ao vizinho.


15. PARA NÃO VIRAR BARRIGA DE CHOPP –
À medida que a barriga cresce, a gente vai ficando meio desajeitada, empacada, lenta, uma virada na cama já começa a dar trabalho. Como se estivéssemos num outro corpo, dentro de uma fantasia de bonecão de posto, rs. Imagino que a coisa só Boneco_Biruta_17_piore daqui pra frente (o que me dá um certo medo antecipado). Tenho mantido o mesmo mantra do início da gravidez: não neurar com dieta ou exercícios, mas me alimentar de forma saudável e fazer os exercícios sempre que houver disposição. Só peso na balança quando vou à médica, uma vez por mês. Mas o autocuidado, em geral, aumentou: eu, que nunca fui uma pessoa vaidosa, estou aprendendo a cuidar melhor de mim mesma. Tenho me habituado a passar creme hidratante depois do banho, a passar protetor solar no rosto antes de sair de casa, a tomar o sol indicado para ajudar na amamentação, tomar as vitaminas e vacinas pedidas, e, dentre todas essas coisinhas, também a me alimentar de forma mais saudável. Por enquanto, tenho conseguido manter um peso razoável e fazer atividades físicas com uma frequência OK. Agora que o calor voltou com força, quero voltar a praticar o melhor esporte para as grávidas: a natação. Afinal, é na piscina que nos sentimos mais leves de novo 😀


 

Importante: nada do que escrevi acima é regra geral de nada, nem conselho, nem certeza. São só minhas experiências pessoais, filtradas pela minha percepção. Mas cada mulher é de um jeito! Por isso, amigas grávidas ou ex-grávidas: Comentem aí 😉 O que aprenderam durante a gravidez? Tiveram muitos desejos? A experiência foi ou está sendo parecida com a minha? Vamos compartilhar!

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Uma música mais saudável para Chico Buarque

Lembram do post que escrevi dia desses sobre essa mania de comida saudável que estamos vivemos? (Lembra não? Clique AQUI para refrescar a memória).

Pois então. Voltei a pensar no assunto hoje, enquanto escutava um dos melhores programas de rádio do país, O Samba Bate Outra Vez (sábado e domingo, de 12h às 14h, na 100,9 FM). Tocou um dos melhores sambas do Chico Buarque, que até quem não gosta de Chico não consegue deixar de aplaudir pela letra bem-humorada e, digamos, suculenta. Tou falando de “Feijoada Completa”.

A letra é a seguinte:

Mulher, você vai gostar:
Tô levando uns amigos pra conversar.
Eles vão com uma fome
Que nem me contem;
Eles vão com uma sede de anteontem.
Salta a cerveja estupidamente
Gelada pr’um batalhão
E vamos botar água no feijão.

Mulher, não vá se afobar;
Não tem que pôr a mesa, nem dá lugar.
Ponha os pratos no chão e o chão tá posto
E prepare as lingüiças pro tiragosto.
Uca, açúcar, cumbuca de gelo, limão
E vamos botar água no feijão.

Mulher, você vai fritar
Um montão de torresmo pra acompanhar:
Arroz branco, farofa e a malagueta;
A laranja-bahia ou da seleta.
Joga o paio, carne seca,
Toucinho no caldeirão
E vamos botar água no feijão.

Mulher, depois de salgar
Faça um bom refogado,
Que é pra engrossar.
Aproveite a gordura da frigideira
Pra melhor temperar a couve mineira.
Diz que tá dura, pendura
A fatura no nosso irmão
E vamos botar água no feijão.

Letra com cara de domingo! Dessas de despertar o apetite. Nham… Mas somem as calorias de tudo isso: cerveja prum batalhão, cachaça (uca), um montão de torresmo, linguiça, farofa, arroz, paio, carne seca, toucinho e, claro, bastante feijão. Nem a couve foi poupada de um monte de gordura, pra ficar mais saborosa.

O pessoal da dieta saudável provavelmente infarta só de ouvir a canção. Pensa no tanto de colesterol, na gordurada, nas calorias…

Para poupá-los de tanto sofrimento, resolvi fazer uma versão mais light, que eles poderão entoar no domingão de sol, enquanto degustam um pratão de linhaça com arroz integral.

Vamos lá, cantem comigo! 😀

Mulher, você vai gostar:
Tô levando uns amigos pra conversar.
Eles vão com uma fome
Que nem me contem;
Eles vão com uma sede de anteontem.
Salta o chá de gengibre
gelado pr’um batalhão
E vamos botar água no agrião.

Mulher, não vá se afobar;
Não tem que pôr a mesa, nem dá lugar.
Ponha os pratos no chão e o chão tá posto
E prepare as linhaças pro tiragosto.
Uva, adoçante, cumbuca de gelo, limão
E vamos botar água no agrião.

Mulher, você vai picar
Um montão de edamame pra acompanhar:
Arroz integral e algas marinhas;
A laranja-bahia ou da seleta.
Joga a chia, o shiitake,
Espinafre no caldeirão
E vamos botar água no agrião.

Mulher, depois de salgar
Faça um bom refogado,
Que é pra engrossar.
Aproveite o azeite da frigideira
Pra melhor temperar a couve vegana.
Diz que tá dura, pendura
A fatura no nosso irmão
E vamos botar água no agrião.

Falem a verdade: ia ser um sucesso essa música do Chico, hein! Só que não 😉

saudavel

O saudável que sai caro

saudavel

A moda dos tempos atuais é comer tudo “ligth”. Não só light: integral, orgânico, de soja, com grãos, de peito de peru, sem lactose e/ou com nome difícil. Já ouviu falar na lichia? Aposto que sim, mas na chia ou só fui ouvir falar na última sexta-feira, ao ler a matéria da minha colega Ana Paula Pedrosa. Isso pra não falar da quinoa, outro tipo de grão da moda, junto com a linhaça.

A ditadura do alimento saudável tem um grito de guerra: é preciso emagrecer! E ainda: há que se preservar o colesterol bom!, não podemos nos entupir de açúcar!, devemos perder gordura! Não são alternativas, são mandamentos. Todos com verbo no imperativo. Muitos dos quais ligados às opções vegetarianas, que somam as preocupações humanas com o bem-estar dos animais usados para fazer gordurosas salsichas e mortadelas.

Taria tudo muito bem, tudo muito bom, não fosse por outro tipo de peso: no bolso. Segundo a já citada matéria, que saiu hoje em “O Tempo”, comprar substitutos mais saudáveis para torresmos e danoninhos implica pagar quase o dobro. Os supermercados dizem que é porque a demanda é pequena. Bom, então 99% das pessoas que conheço não frequentam esses supermercados. Para mim, o alto custo está mais associado ao fato de essa moda ter pegado primeiro entre as pessoas de melhor poder aquisitivo, dispostas a pagar o quanto for por uma promessa de vida longa e feliz.

Confiram a tabela publicada junto com a reportagem. As diferenças são impressionantes:

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Para ficar num exemplo bisonho: suco de uva “normal” custa R$ 2,79, mas o “orgânico” sobe para R$ 16,98. Que uva é essa, meu deus!?

Eu já não era muito adepta dessa nova religião, por questões de ponto de vista. Gosto de queijo, amo queijo!, gosto de café, gosto de cerveja, adoro uma farofa amanteigada, e fico muito feliz quando me servem torresmo ou pão de alho num churrasco. Enfim, coisas que fariam um nutricionista moderno ter ânsia de vômito. Agora, ao ler a matéria, me convenci: prefiro morrer mais cedo e mais saciada do que mais tarde e mais pobre, além de comendo — literalmente — como um passarinho.

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