Como se exercitar depois da maternidade? Sobre Qi Gong, corrida e planejamento

Fazer exercícios é igual a escovar os dentes. Tem que estar entranhado em nossa rotina, pelo bem da saúde. “Ah, mas não tenho tempo, ah, mas estou cansada demais, ah, mas trabalho muito e ainda tenho que cuidar do meu filho pequeno, aiaiaiai.” Como você vai conseguir esse tempo é um problema seu, não me interessa. Mas que você tem que conseguir, tem. Assim como sempre consegue tempo para tomar banho, por exemplo.

***

Foram mais ou menos essas palavras do parágrafo acima que ouvi do doutor Drauzio Varella na palestra que ele deu no 3º Seminário Internacional de Mães, que ajudei a cobrir pela “Canguru”. Isso foi no dia 6 de maio e, até hoje, fica retumbando na minha cabeça.

Nunca fui sedentária na vida, pelo contrário, fui até atleta de equipe de natação na adolescência. Sempre fiz corrida ou caminhada para equilibrar as várias horas sentada numa cadeira diante do computador. Mas, depois que o Luiz nasceu, tem sido muuuuuuito difícil encontrar tempo e, principalmente, disposição para fazer alguma atividade física. Tempo eu até tenho, depois das 21h, quando ele já está dormindo. Mas é nesse tempo que eu arrumo a bagunça da casa, lavo as vasilhas, ponho roupa na máquina, tento manter este blog atualizado, vejo minha série favorita (só na terça) ou, simplesmente, apago. Sim, porque às vezes vou colocar meu bebê para dormir e acabo dormindo junto com ele. Como, com tanta exaustão, posso encontrar forças para calçar um tênis e ligar a esteira para caminhar ou correr?

Mas a frase do dr. Drauzio ficou tocando no meu cérebro igual a um alarme: você não encontra tempo para tomar banho todo dia? Tire pelo menos 30 minutos! etc.

Porque uma coisa é certa: pela primeira vez na vida, estou chegando ao terceiro andar de uma escada totalmente sem ar. Isso sem falar no tanto que tenho adoecido.

Por isso, na semana passada, resolvi estabelecer metas. Coloquei num papelzinho os dias da semana e o que pretendo fazer no meu tempinho normalmente livre (21h às 23h) em cada um deles. Intercalei a corrida com o Qi Gong, prática oriental que me fez muito bem durante a gravidez. Meia horinha é suficiente, disse o doutor Drauzio. Pois meia horinha de Qi Gong proporciona efeitos incríveis para a saúde!

Você nunca ouviu falar do Qi Gong? Em março de 2015, escrevi um post contando como descobri esses exercícios e detalhando como funcionam, ainda com uma dica de livro que tem me servido de guia. CLIQUE AQUI para ler, se tiver interesse 😉

Alguns exercícios de Qi Gong

Se não tiver vontade de fazer Qi Gong, se não tiver esteira em casa (que quebra bem o galho), se não tiver tempo ou condição de sair à rua para correr ou nadar, não importa: o importante é que você precisa encontrar um exercício diário para garantir sua saúde, seja ele qual for! Use a criatividade, pesquise, experimente, planeje, crie metas (mas seja flexível, porque já bastam as outras cobranças da vida), reserve um tempinho do seu dia para você, só para você! Seu filho será o primeiro a te agradecer por isso no futuro.

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Você tem olhado o que vê pela frente?

Uma flor bonita no meio de um lote vago qualquer, em Belo Horizonte. Foto: CMC

Uma flor bonita no meio de um lote vago qualquer, em Belo Horizonte. Foto: CMC

Não sei se foi a temporada morando sozinha ou se sempre tive esses momentos de introspecção, mas foi com eles que aprendi a perceber que estava olhando o mundo ao redor. Porque acho que às vezes a gente se esquece. A gente se concentra em um foco e desfoca o redor dele. Ou, muitas vezes, andamos tanto no automático que nem o foco entra direito em nosso cérebro.

Vou dar um exemplo: vamos supor que você dirija, todos os dias, cerca de 15 km entre sua casa e seu trabalho. É um trajeto respeitável e você o cumpre, religiosamente, de segunda a sexta. Passando por um mesmo lugar com tanta frequência, deveríamos, no mínimo, saber descrever tudo o que se encontra pelo caminho, certo? Mas quanto desse percurso você consegue detalhar, se parar pra pensar? Quantas bancas de revista cruzam seu caminho? E quantas quaresmeiras floridas? Já reparou naquela casa linda que fica na esquina da avenida com a ruazinha íngreme?

Na verdade, você entra no carro e avisa ao seu cérebro: “Olha, você só precisa me levar praquele lugar de sempre, naquele caminho de sempre, e dirigir daquele jeito que você já sabe, passando as marchas de acordo com o barulho do motor e parando nos sinais vermelhos. Beleza?”. O cérebro concorda, começa a viagem, e você vai indo, distraída em seus pensamentos, sem olhar muito o que acontece ao redor. No máximo, tendo que se concentrar com um ou outro barbeiro que corta seu caminho.

Na hora que o sinal fecha, ainda dá tempo de espiar o carro ao lado, o casal passeando com um cachorro na calçada, a quaresmeira florida — que bonita! — do outro lado da rua. Mas a verdade é que, nessas horas, muita gente já está trocando o prazer de olhar pelo vício de checar rapidamente o celular e ver se nenhuma nova mensagem de WhatsApp pipocou nesse meio-tempo.

Mas de carro é complicado ver o mundo mesmo, pode-se alegar. É caminhando que a gente consegue ler realmente todas as plaquetas das casas, descobrir que o prédio da outra rua esconde uma escada na garagem que você nunca tinha visto antes, se maravilhar com as costelinhas assadas que o mercado do bairro vende, detectar que existe uma lojinha de coisas encantadoras naquele caminho, reparar no verde escandaloso com que pintaram aquela casa, se alegrar com a existência de um cachorro tão grande que mais parece um bezerro, preso naquele quintal, se impressionar com a forma redondíssima da copa daquela árvore, que até parece cuidada por um jardineiro da Disney.

Mas, fala a verdade: mesmo a pé você tem conseguido ver o mundo ao seu redor? Reparar nas pinturas de flores que fizeram no portão daquela casa abandonada? Se impressionar com as flores estranhas e coloridas que surgiram no meio daquele lote vago? Perceber que aquela babá cuida com muito mais carinho da menininha que seus pais impacientes? Cumprimentar os malabaristas do sinal, que trabalham ainda com mais afinco  nos domingos e feriados? Descobrir que existe um boteco novo naquela esquina, mas, puxa vida, este é bem copo-sujo? Se emocionar com as luzinhas se acendendo na favela, uma a uma, formando uma gigantesca árvore de natal contra o céu da hora mágica?

O automatismo é uma arma que nosso cérebro criou para descansar um pouquinho. Ele nos permite saber chegar em casa, respirar, colocar um pé diante do outro, desviar dos buracos e parar nas faixas de pedestre sem ter que pensar seriamente em cada um desses gestos. E assim nos deixa com tempo e segurança para pensar em outras coisas mais importantes, como a sobrevivência no mundo, uma preocupação incômoda qualquer ou a mais nova ideia para um best-seller. Mas o automatismo também pode nos desviar da absorção do mundo. Da incrível oportunidade de sugar as imagens, sons e cheiros que existem nas ruas. Das descobertas maravilhosas que fazemos com o simples gesto de olhar.

Então, deixo esta sugestão ao seu cérebro acomodado, com tendências a sempre buscar o que é mais fácil: Ô, massa cinzenta! Sacode um pouquinho essas células aí e deixa o mundo entrar! Cansa, mas vale a pena. Só assim você ainda poderá se surpreender enxergando o que nunca antes conseguiu ver. Inclusive os olhos de outra alma interessante que estiver à solta nas ruas, como você.

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Sentar-se em excesso é o cigarro da nova geração

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Nuh! A frase do título deste post é pesada, né? Comparar o gesto de sentar-se com o de fumar, que todo mundo já está careca de saber que faz mal para todos os órgãos vitais do nosso corpo, parece um baita exagero.

Mas será?

Ontem, quando eu preparava o post sobre o uso correto do computador, acabei encontrando vídeos que são verdadeiras campanhas contra a cadeira e a favor de ficar de pé mais horas por dia.

E esses vídeos me fizeram pensar. A bem da verdade, alguns dos números e dados trazidos por eles me assustaram.

Vejam vocês que:

  • Segundo um dos vídeos, a gente gasta, em média, 337 minutos sentados diante de um computador no trabalho;
  • Sentados no trabalho sem computador (em reuniões etc) por 97 minutos;
  • Mais 71 minutos trabalhando, só que no computador de casa;
  • Mais 115 minutos sentados diante do computador de casa para uso pessoal;
  • Mais 102 minutos sentados para comer etc;
  • Mais 132 minutos sentados vendo TV;
  • Mais 81 minutos sentados durante a locomoção de um lugar ao outro;
  • E para ficar de pé, caminhando, cozinhando, fazendo atividades físicas etc etc etc? Só 73 minutos em todo o dia! :O
  • Outro vídeo diz que nós fazemos sentados mais de 90% de nossas atividades modernas!
  • Segundo esse vídeo, quem fica sentado a maior parte do dia tem 54% mais chances de morrer de ataque cardíaco;
  • Também tem mais chances de desenvolver diabetes e obesidade;
  • Se você se senta por mais de 6 horas ao dia, você tem 40% mais chances de morrer em 50 anos do que os que se sentam por menos de 3 horas (os que têm trabalhos em que ficam de pé, como vigilantes)

Os vídeos estão todos abaixo (em inglês), para quem quiser mais informações. Agora, eu vou é tratar de sair deste computador e fazer uma bela caminhada, porque já está me dando coceira ficar sentada! 😉

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Receita infalível para um recorde mundial

Uma pessoa falante e distraída

+

Uma noite numa rua escura

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A mania de caminhar rápido demais

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Um troço destes (nem sei como chama) no meio da calçada e sem tinta amarelo-brilhante pra ajudar a chamar a atenção:

=

ao maior roxão do universo inteiro, disparado:

 

Não desistam! Vocês podem tentar bater meu recorde nas ruas de São Paulo!  \o/