A nadadora dentro de mim – parte 3 (e fim?)

Um dos poucos registros que tenho como nadadora, aos 14 anos

Um dos poucos registros que tenho como nadadora, aos 14 anos

Como eu dizia, evoluí muito em meu segundo dia de volta às piscinas.

Mantive a meta de nadar os 500 metros. Mas, desta vez, consegui fluir muito bem nos primeiros 200 e nadei sem parar até os primeiros 400.

Achei um bom método para manter meu ritmo sem cansar muito e, ao mesmo tempo, facilitar a contagem, sem precisar ficar gastando meu pensamento com ela: fui de peito, voltei de costas, fui de peito, voltei de crawl. Assim, como a piscina está com as raias em 25 metros de comprimento (meia olímpica), eu sabia que a chegada no crawl indicava 100 metros completos (uso método parecido para caminhar e correr).

Assim, sem precisar preencher meu cérebro com a contagem de percurso e pensando bem menos na técnica do que na véspera, pude ressuscitar outras memórias do universo da natação.

Lembrei, por exemplo, do técnico Luís Alberto explicando como o exercício intenso provoca a produção de ácido lático, que causa dor muscular e câimbras. E que, para evitá-las, era preciso gastar esse acúmulo de ácido, fazendo os nados “soltos” (mais lentos) ao final do dia de treino.

Lembrei de como era preciso colocar talco na touca de silicone para ela se conservar e não rasgar rapidamente (até comprei um talquinho!). E relembrei, na prática, como os óculos que prometem nunca embaçar embaçam nos primeiros 25 metros de nado.

Percebi que meu nado de costas está, atualmente, o melhor. Consigo relaxar e render muito nadando costas. Foi o que mantive mais a técnica, depois de tantos anos sem nadar rotineiramente. E não consegui lembrar se também era um dos meus melhores nados na adolescência. Sei que o peito nunca foi meu forte em termos de velocidade, embora seja ótimo para relaxar — por isso escolhi o peito como meu principal nado neste recomeço.

Nos últimos 25 metros, para “soltar”, voltei com meu exercício de relaxamento favorito: o nado de costas com pernada parecida com a de peito invertida, e as mãos parecidas com, humm, o nado “cachorrinho” — praticamente imóveis junto ao corpo.

Entrei na água às 11h23 e terminei minha meta às 11h38 — 15 minutos cravados, melhor que na véspera também.

***

Neste segundo dia, não senti muita dor nem dificuldade de respirar. Poderia até ter continuado por mais alguns metros, não fosse o horário. E fiquei satisfeita com meu desempenho, que é uma sensação que só quem nadou por tanto tempo treinando para competições consegue entender.

Se essa determinação de dois dias vai vingar, é outra história, para ser contada neste blog no futuro. (A propósito, até hoje não aprendi o francês.)

Por enquanto, fim.

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Campanha contra o hábito de pegar o elevador para subir só um andar

Existe coisa mais preguiçosa, antiecológica e antipática do que pegar o elevador para subir UM andar?

Bom, talvez só uma: pegar o elevador para descer um andar.

É claro que não estou falando das pessoas idosas, grávidas ou com mobilidade reduzida: foi para elas, afinal, que o elevador foi construído (ou deveria ter sido).

Mas, para o demais, não há qualquer coisa que justifique acionar o botão e desperdiçar 0,025 kWh para subir apenas um andar, que pode ser cumprido tranquilamente em 15 degraus de escada.

No meu trabalho, é comum ver pessoas pegando o elevador no térreo para chegar à sobreloja. Ou pegarem o elevador no sétimo andar para descer até o sexto. Para mim, isso é o fim do mundo. A cada vez que presencio alguém fazendo isso, tenho que me conter para não soltar um palavrão, mas não evito o muxoxo.

E ainda nem entrei no mérito da saúde dessas pessoas. Já viram aquela propaganda de margarina em que as pessoas andam carregando seus corações? No final, o sujeito com coração duro e de aspecto terrível entra bruscamente na frente de outro cara, com o coração normal, apenas para subir pela escada rolante. O cara que ficou pra trás olha para o próprio coração, pensa um segundo, e opta pela escada convencional, ao lado.

Diz-que que é possível gastar de 14 a 20 calorias por minuto durante uma subida de escadas. É um exercício físico, e seria uma ótima contribuição para essas pessoas que passam o dia inteiro com os traseiros grudados na cadeira do computador, preferem mandar o estagiário fazer tudo a andar dez passos até uma impressora para buscar o papel etc. Porque não quero levantar a hipótese de que essas pessoas que pegam elevador para subir um degrau são as mesmas que passam duas horas malhando na academia. Haveria um problema básico de lógica aí.

Nem a pressa é argumento. Tanto em prédios residenciais quanto nos empresariais, é comum a longa espera até a chegada do elevador, muitas vezes abarrotado, obrigando a esperar ainda mais, como quando o trem que chega no metrô está cheio demais. Muito mais rápido e prático abrir a porta da escada e resolver logo a questão a pé.

E há ainda a questão da segurança, já que nunca ouvi falar de escada caindo ou de pessoas pisando em falso num buraco porque a escada não está ali. Nos incêndios, ela já é sempre a recomendada. E ela não trava, lotada, causando pânico em pessoas claustrofóbicas ou nas frescas.

Por tudo isso, instituo, desde já, uma campanha contra o péssimo, preguiçoso, antiecológico, antieconômico, lerdo e pouco saudável hábito de pegar o elevador para subir ou descer um andar (eu estenderia para mais andares, mas acho que aí a adesão seria pequena demais).

Quem concordar, que compartilhe este texto e a foto abaixo. Também vale imprimir e pregar nos elevadores do condomínio (sabia que eles são responsáveis por 6% de todo o consumo de energia do prédio?), da empresa, ou enviar para emails dos colegas sedentários ou os de coração engordurado.

Onde está o botão da sobreloja? Apesar de eu achar muito criativo esse pequeno vandalismo didático, não fui eu que cometi a ousadia.