Imperdível! Últimos dias de Los Carpinteros em Beagá

De cara, já confesso minha ignorância: nunca tinha ouvido falar do coletivo cubano Los Carpinteros.

Nem mesmo tinha lido na imprensa sobre a exposição que está no CCBB desde o início de fevereiro.

Foi por acaso, ao decidir mostrar o lado turístico de Beagá para a amiga carioca que estava hospedada em casa, que fui parar nesta exposição interessantíssima que mistura carpintaria, arquitetura e design.

Lá, vi violões simulando as fases da lua, vi outros instrumentos musicais derretendo, vi referências políticas, frases bem-humoradas, duas camas de solteiro entrelaçadas como se fossem um viaduto, e mais uma porção de objetos reinventados de maneira, acima de tudo, irreverente. Mas também imaginativa e instigante. Em tempos de tanto mau humor, achei essa exposição cheia de um frescor muito bem-vindo.

Aí estão algumas poucas fotos que fizemos durante o percurso de uma hora: Continuar lendo

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Para a ‘Folha’, ditadura de Batista foi melhor que a de Fidel Castro

Foto: Ismael Francisco/ Cubadebate

Foto: Ismael Francisco/ Cubadebate

Texto escrito por José de Souza Castro:

Em editorial publicado dia 29 de novembro, quatro dias depois da morte de Fidel Castro, a “Folha de S.Paulo” deu alguns dos motivos que a levaram, desde sempre, a fazer ferrenha oposição ao líder revolucionário cubano. Seus leitores não esperavam outra coisa. Mas talvez alguns, como eu, tenham se surpreendido com esta frase: “Cuba já era, entretanto, um dos países com menor taxa de analfabetismo da América Latina, e o de menor taxa de mortalidade infantil, sob a ditadura de Batista”.

A frase surpreendente dita assim, sem citar fonte, vem após este trecho do editorial:

“Um sistema feito à força, do qual centenas de milhares de pessoas são levadas a fugir, e no qual as que restam vivem sob censura e medo, não se flexibiliza nem evolui. Estaciona no tempo, ou cai definitivamente: é destino de toda ditadura não ter perspectiva de futuro.

Dessa ineficiência estrutural, os simpatizantes de Cuba não costumam se dar conta, preferindo defender o regime numa espécie particularmente desonesta de negociação: não há respeito aos direitos humanos, mas as conquistas na educação e na saúde valeriam a pena.”

Antes de Fidel Castro, Cuba já era um dos países com menor taxa de analfabetismo da América Latina… Uma pesquisa cuidadosa no Google não me confirmou.

Encontrei, porém, estas informações, que resumo abaixo com minhas próprias palavras:

Fulgêncio Batista foi eleito presidente de Cuba em 1940 e teve seu governo marcado pela corrupção e pelo alinhamento com os Estados Unidos. Em 1944, foi eleito Ramón Grau San Martín, ano em que o embaixador americano informou ao seu governo que o novo presidente encontraria os caixas vazios quando tomasse posse em outubro, em razão do “roubo sistemático dos fundos do Tesouro”.

Em 29 de julho de 1948, o Departamento de Estado enfatizou que a economia monocultora de Cuba dependia quase exclusivamente dos Estados Unidos. “Se manipularmos os preços ou o contingente açucareiro podemos afundar toda a ilha na pobreza”, registrou o Opera Mundi. E prossegue essa publicação, reconhecidamente de esquerda, enquanto a “Folha” diz não ter o rabo preso com ninguém:

Carlos Prío Socarrás, que tinha sido primeiro-ministro e ministro do Trabalho desse governo, foi eleito presidente em 1948, mas foi derrubado no dia 10 de março de 1953, por um golpe militar. Fulgêncio Batista passou a governar como ditador até ser derrubado por Fidel Castro. De cara, ele aumentou os salários das Forças Armadas e da Polícia e mais que quintuplicou o salário de Presidente da República, para 144 mil dólares (na época o presidente dos EUA, Harry S. Truman ganhava 100 mil).

Talvez a Folha de S.Paulo soubesse de tudo isso. Afinal, seus editorialistas tiveram quatro dias para pesquisar. Mas eles se impressionaram, talvez, com essa informação:

A educação cubana foi objeto de grande debate político antes da revolução de Fidel Castro. Em 1940, a Constituição feita sob Fulgêncio Batista dizia que o Ministério da Educação deveria receber a maior parcela do orçamento governamental, exceto em casos de emergência. E determinou a educação primária compulsória para idades entre seis e 14 anos.

Se avançasse um pouco mais na pesquisa, os editorialistas descobririam que em 1953, ano em que foi feito o ultimo censo completo antes da Revolução de Fidel Castro, apenas 44% das crianças nessa idade estavam na escola.

Nos anos 1950, é verdade, embora Cuba tivesse um índice de analfabetismo de 23% (subindo para 53% na área rural), isso era considerado bom para a América Latina. Em 1953, 12% dos jovens cubanos entre 15 e 19 anos estavam matriculados no 2º grau, uma taxa bem elevada para a região.

Talvez esteja aí a fundamentação do editorial da “Folha”.  Que faltou dizer, por não vir ao caso, que nos anos seguintes, até o fim da ditadura Batista, o PIB caiu 11,4%. Não encontrei informações sobre investimentos na educação nesse período.

Os editorialistas da “Folha” são sofisticados demais para buscar informações na Wikipedia. Não fosse isso, poderiam ter lido lá o seguinte:

“A educação é controlada pelo Estado e a Constituição de Cuba determina que o ensino fundamental, médio e superior devem ser gratuitos a todos os cidadãos cubanos e é obrigatória até o 9º ano. Em 1958, antes do triunfo da revolução, 23,6% da população cubana era analfabeta e, entre a população rural, os analfabetos eram 41,7%. Em 1961 se realiza uma campanha nacional para alfabetizar a população e Cuba torna-se o primeiro país do mundo a erradicar o analfabetismo (Segundo dados do próprio governo). Hoje não há mais analfabetos em Cuba. Segundo o The World Factbook 2007, publicado pela CIA, 99.8% da população cubana, acima de 15 anos, sabe ler e escrever.”

Pergunto aos meus botões: se tivessem lido, os editorialistas teriam escrito o que escreveram?

Eles respondem: sim.

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Fidel Castro e o medo do inferno

Foto: Ismael Francisco/ Cubadebate

Foto: Ismael Francisco/ Cubadebate

Texto escrito por José de Souza Castro:

Eu poderia escrever muito sobre Fidel Castro, pois venho acompanhando sua trajetória, pela imprensa e por livros, como o de Sartre, desde 1959, aos 15 anos de idade. No mesmo ano em que os cubanos se libertaram de uma cruel ditadura apoiada pelos Estados Unidos e dominada mais de perto pela máfia americana, eu me libertei do medo do inferno.

Nesse tempo todo, tenho procurado viver longe do inferno – o que não é fácil. Quanto ao inferno como muitos tentaram descrever a ilha dominada por Fidel Castro, neste acho que nunca acreditei mesmo.

Foto: Ismael Francisco/ Cubadebate

Foto: Ismael Francisco/ Cubadebate

Muitos vão escrever sobre a morte de Fidel Castro e a morte da esquerda, como Clovis Rossi, nesta manhã de sábado.

Outros, como Fernando Brito, vêm ao meu socorro, quando ensina que seria “pretensioso procurar resumir aqui 70 anos de lutas políticas e quase 60 em que foi um dos nomes mais amados e mais temidos do mundo”.

O pouco que ele escreveu, porém, em seu Tijolaço, vale ser lido. E este comentário de um desconhecido (para mim) pernambucano: Continuar lendo

Cuba, Obama e a audácia da esperança

Obama e Raul Castro fizeram anúncio simultaneamente. Fotos: AFP

Obama e Raul Castro fizeram anúncio simultaneamente. Fotos: AFP

Texto escrito por José de Souza Castro:

Barack Obama foi eleito presidente dos Estados Unidos em novembro de 2008. Dois anos antes, foi lançado pela Crown Publishers, de Nova York, seu livro “The Audacity of Hope” (no Brasil, “A Audácia da Esperança”), para lastrear a campanha eleitoral do então senador democrata pelo Estado de Illinois que sonhava ser o primeiro negro a presidir seu país. Em suas quase 400 páginas, o livro trata de muitos problemas, mas nada fala sobre Cuba, uma ilha do Caribe com 11 milhões de habitantes, castigada pelos Estados Unidos desde a revolução vitoriosa liderada por Fidel Castro em 1959.

Uma revolução contra um cruel regime ditatorial de Fulgêncio Batista. Não tinha inspiração comunista, mas foi lançada nos braços da União Soviética, em plena Guerra Fria, para que os cubanos que não haviam fugido para Miami pudessem sobreviver, vítimas de um cruel embargo econômico imposto pela nação mais poderosa da terra. E que já dura 53 anos.

Na quarta-feira, Obama surpreendeu o mundo ao anunciar substanciais mudanças para normalizar as relações com Cuba, uma ação audaciosa para pôr fim a um dos mais mal orientados (“misguided”) capítulos na política exterior americana, como reconhece o “New York Times” em editorial.

Misguided? É pouco, tendo em vista o que escreveu Janio de Freitas, em sua coluna das quintas-feiras na “Folha de S. Paulo”: “Os 53 anos do bloqueio americano a Cuba não foram ao regime comunista cubano. Foram a milhões de crianças, e a milhões de mulheres, e a milhões de homens, que compuseram na infância, na juventude, como adultos e como velhos as sucessivas gerações submetidas a mais de meio século do flagelo inútil de carências terríveis”. Íntegra AQUI.

Eu era um jovem universitário quando li, entre outros livros de Sartre, “Furacão sobre Cuba”, publicado no Brasil pela Editora do Autor. É um relato entusiasmado do que o filósofo francês e sua mulher Simone de Beauvoir viram na ilha, entre fevereiro e março de 1960. O livro publica também depoimentos de Rubem Braga e Fernando Sabino sobre suas próprias viagens a Cuba.

O livro era um contraponto interessante a tudo que se lia em revistas e jornais brasileiros sobre Cuba. Todos esquecidos dos horrores da ditadura Fulgêncio Batista, derrubada pela revolução. Nesse meio século, pouco mudou do que se lê por aqui, com raros interregnos, como a série de reportagens feitas por Fernando Morais em 1975 que deu origem ao livro “A Ilha”. Entrevistado no mesmo dia do anúncio de Obama pelo jornal paulista, Morais comemorou: “Não é só uma frase de efeito, mas a Guerra Fria acabou hoje”. Em 2011, ele havia publicado novo livro sobre Cuba, intitulado “Os Últimos Soldados da Guerra Fria” – uma referência aos cinco cubanos que estavam presos nos EUA sob a acusação de espionagem.

Em seu editorial, o NYT afirma que, como parte das negociações secretas que se desenvolveram nos últimos meses entre Cuba e EUA, o governo cubano libertou um espião norte-americano que estava preso havia quase 20 anos e um empresário norte-americano, Alan Gross, preso em Havana em 2009. Já o governo Obama libertou três espiões cubanos que ficaram presos por mais de 13 anos. O que terá acontecido com os outros dois?

De qualquer forma, a troca de prisioneiros pavimentou o caminho para uma revisão política que poderia se tornar o principal legado da política externa de Obama, afirma o editorial do mais importante jornal norte-americano. Que adverte, no entanto, que o Congresso provavelmente não dará, tão cedo, passos complementares rumo a uma relação mais saudável com Cuba.

Como se sabe, o Partido Democrata, de Obama, perdeu o controle das duas casas do Congresso dos Estados Unidos, para o Partido Republicano, historicamente inimigo de Cuba, desde que seus dirigentes desapropriaram propriedades agrícolas de norte-americanos e fecharam os cassinos, boates e prostíbulos pertencentes à Máfia dos Estados Unidos, doadora da campanha eleitoral de John Kennedy. Que só não derrubou Fidel Castro por causa do fracasso da invasão na Baía dos Porcos, em abril de 1961.

É cedo para comemorar o anúncio de Obama, que teria as bênçãos do Papa Francisco.

Lembre-se que em janeiro de 1998 o papa João Paulo II, que muito havia contribuído para o fim do comunismo na Rússia e da União Soviética, visitou Cuba e se encontrou com Fidel Castro. Bill Clinton, do Partido Democrata, presidia os Estados Unidos. E muito se falou, na época, do fim do embargo e do reatamento das relações diplomáticas com Havana, como agora. Em editorial, no dia 16 de fevereiro de 1998, a “Folha de S. Paulo” citou o chanceler britânico Robin Cook, que havia condenado o bloqueio econômico imposto à ilha, e concluiu: “A nova política de Fidel Castro começa a dar frutos e, se incrementada, pode representar a única oportunidade do líder cubano de dar uma sobrevida ao seu regime exausto.”

Quase 16 anos se passaram. Fidel Castro ainda não morreu, seu irmão Raúl assumiu o poder, e o bloqueio econômico por parte dos Estados Unidos permaneceu. E o livro de Obama, oito anos após sua publicação, mal serve como citação para os futuros historiadores, malsucedidas que têm sido aquelas suas audazes esperanças de fazer com que seu país pudesse ainda tornar o mundo menos injusto e belicoso.

De qualquer modo, vale torcer para que, desta vez, Obama tenha êxito. Para felicidade de Obama e da Construtora Odebrecht, que conseguiu do governo brasileiro, a partir de 2009, que o BNDES desembolsasse muito dinheiro, concedendo crédito para o governo cubano comprar de fornecedores brasileiros de bens e serviços. Cito mais uma vez a “Folha de S. Paulo”:

“O maior símbolo da aposta é o porto de Mariel, a 45 km de Havana. Inaugurado em janeiro, foi um projeto da Odebrecht e recebeu financiamento de US$ 800 milhões. Mas Mariel é apenas a parte mais vistosa da investida do Brasil. São mais de 300 as empresas brasileiras que têm negócios ou se fixaram em Cuba. Grande parte usa recursos do Banco do Brasil ou BNDES. Muitas são fornecedoras do porto. Em Cuba, a Odebrecht também trabalha na ampliação do aeroporto Jose Martí, em Havana, e tem um projeto no setor sucroalcooleiro.”

É quase um consenso entre analistas (leia AQUI, AQUI e AQUI) que o Brasil será um grande beneficiado por esta reaproximação entre Cuba e Estados Unidos justamente por causa do porto de Mariel, tão duramente criticado pela campanha tucana durante as eleições deste ano. Esqueça-se o comunismo. Como disse o marqueteiro político norte-americano James Carville, durante a campanha de Bill Clinton à presidência dos Estados Unidos, em 1992: “É a economia, estúpido!”

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Os médicos e a blogueira — o fator Cuba

Recebi o depoimento, que reproduzo abaixo, de alguém que não pode ser acusado de comunista (nesses tempos de Nova Guerra Fria que vivemos no Brasil): o ex-presidente da Federação das Indústria do Estado de Minas Gerais, Stefan Bogdan Salej.

“Quando tive uma aguda crise de saúde na visita oficial que fiz a Caracas na função de enviado especial da Eslovênia para América Latina e Caribe e Presidente do Grupo para América Latina e Caribe do Conselho da União Européia, levaram-me, em vez de para um hospital, para o Palácio Presidencial Miramar. Lá fui tratado por um médico do Presidente Chávez, um cubano.
Quando voltei para a Europa com uma verdadeira gambiarra no corpo porque não tinha nem isso e nem aquilo no ambulatório chaveta, o médico europeu disse que fui, do ponto de vista clínico, muito bem tratado. E os diplomatas cubanos em Bruxelas me colocaram imediatamente a par de todo o tratamento, felizes de que fui tratado por um conterrâneo deles.
Em dois anos que participei de reuniões da UE sobre a América Latina, e a maioria tratava de Cuba, não houve reunião de que os cubanos não soubessem em tempo real o que havia sido discutido pelos europeus. Em detalhes, o que falava quem. Nenhuma varredura conseguiu descobrir o vazamento. A diplomacia cubana era pertinaz, persistente, educada e inflexível. E apresentava o país como eterna vítima do imperialismo mundial. Mas, mais importante, era o uso com perfeição de sua posição geoestratégica e a mensagem de que a sua independência era importante para todos e em especial para a América Latina.
Os cubanos sabem o que querem e sabem quão importante para a independência deles é o bom relacionamento com o Brasil.
Depois de terem cutucado a onça com vara curta quando forçaram a condecoração de Che Guevara por Jânio Quadros e treinaram os guerrilheiros brasileiros, mudaram o disco e permitiram que uma tabacaria brasileira de origem anglo-americana se tornasse símbolo de resistência ao bloqueio americano, funcionando como brasileira na ilha. Permitiram que empreiteiros brasileiros, com generosos empréstimos, construíssem magníficas obras, e até permitiram a vinda da blogueira oposicionista ao Brasil.
A política externa cubana é coerente e tem objetivo e visão. E tem flexibilidade. Acabou a ajuda militar a Angola, forma-se um exército de dentistas, oculistas e outros médicos e manda-os para o mundo. Aliás, essa abertura, usando mão de obra qualificada para obter divisas, começou com o Marechal Tito, na década de setenta, quando a Alemanha precisou de mão de obra qualificada e a Iugoslávia mandou milhares de emigrantes. Mas não ficaram com as famílias amarradas e a absoluta maioria ficou na Alemanha.
E nesta história de vinda de médicos cubanos, é, do ponto de vista logístico, formidável um país dispor de 4.000 mil profissionais prontos, da noite para o dia, sem que seu sistema de saúde sofra qualquer alteração.”

Para mim, afora a questão do corporativismo médico, defendido pelos CRMs e sindicatos da categoria, e afora uma certa xenofobia e racismo em geral, na recepção dos médicos estrangeiros (como a “jornalista” que disse que as médicas cubanas mais pareciam empregadas domésticas e os jovens vaiando os médicos no Ceará aos gritos de “ESCRAVO! ESCRAVO!”), há, ainda, o fator Cuba.

Sim, porque os médicos cubanos estão sendo muito mais hostilizados do que os espanhóis, portugueses, argentinos e outros que já chegaram por essas paragens, atendendo à proposta (que não é de todo má) do “Mais Médicos”.

Os médicos acham um absurdo o governo criar um programa para alocar pessoas para trabalhar onde não querem (e não querem não só por ser um lugar “sem estrutura”, como alegam, mas também pelo direito, legítimo, que eles têm de quererem ficar perto da família, nos grandes centros, onde há supostamente mais conforto, embora os hospitais também estejam aos cacarecos, como em todo o sistema público e privado de saúde no Brasil). Beleza, têm todo o direito de achar e de protestar contra isso, mas o alvo não deveria ser o governo, em vez dos colegas estrangeiros?

Para mim, uma das razões para toda essa mobilização é o fato de Cuba, ainda hoje, mais de 50 anos após sua revolução, despertar paixões — de amor e de ódio –, em especial nos vizinhos latino-americanos.

Se não fosse isso, o que explicaria mobilização semelhante, mas partindo dos ditos “de esquerda”, contra uma blogueira cubana que apenas tinha vindo ao Brasil para expor, livremente, suas ideias, como espera-se que qualquer pessoa possa fazer num país democrático?

São motivos, propósitos, contextos e grupos diferentes que se mobilizaram no caso de Yoani Sánchez e agora, dos médicos cubanos. Mas os dois casos têm dois fatores em comum: a paixão pró e contra Cuba e a falta de educação, em geral, dos brasileiros, que ainda não se afeiçoaram à ideia de que uma democracia só é real quando as pessoas podem se expressar livremente, mesmo que defendendo uma posição contrária à nossa — e deveríamos lutar, se queremos uma democracia mais forte, justamente pelo direito de os outros gritarem as ideias contrárias às que defendemos.

Sobre isso, um rapaz, que não conheço, postou uma frase maravilhosa, que vai direto ao ponto, e que já foi compartilhada, até o momento em que escrevo, por mais de 73 mil pessoas no Facebook. Fecho este post com ela:

placacuba

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