Imperdível! Últimos dias de Los Carpinteros em Beagá

De cara, já confesso minha ignorância: nunca tinha ouvido falar do coletivo cubano Los Carpinteros.

Nem mesmo tinha lido na imprensa sobre a exposição que está no CCBB desde o início de fevereiro.

Foi por acaso, ao decidir mostrar o lado turístico de Beagá para a amiga carioca que estava hospedada em casa, que fui parar nesta exposição interessantíssima que mistura carpintaria, arquitetura e design.

Lá, vi violões simulando as fases da lua, vi outros instrumentos musicais derretendo, vi referências políticas, frases bem-humoradas, duas camas de solteiro entrelaçadas como se fossem um viaduto, e mais uma porção de objetos reinventados de maneira, acima de tudo, irreverente. Mas também imaginativa e instigante. Em tempos de tanto mau humor, achei essa exposição cheia de um frescor muito bem-vindo.

Aí estão algumas poucas fotos que fizemos durante o percurso de uma hora: Continuar lendo

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Por onde você anda?

Já reparou por onde anda pisando?

Não sei se é porque sou míope, como contei aqui anteontem, mas sempre tive o hábito de andar olhando para o chão. Meu pai, nascido e criado na roça, foi quem me ensinou: é bom saber por onde está andando, para poder desviar dos percalços que surgirem no caminho — como cobras, pedras, corpos e dejetos. As ruas são cheias de perigos.

Nessas andanças cabisbaixas, já vi muita calçada bonita na vida, muito ladrilho, pedrinha e pintura bem feita. E, claro, muito buraco e rachadura também. Já fiz muita matéria sobre calçadas, desde os tempos de estagiária, e quando cobria trânsito e transporte, fiz questão de abordar o assunto — porque tem muito especialista que defende que queda na calçada é uma forma de acidente de trânsito, assim como batida de carro. Sem falar na questão da acessibilidade…

Mas meu olhar era muito mais prático do que poético. Nunca pensei em sair fotografando o chão que eu piso. E foi essa a ideia genial que a amiga jornalista Paola Carvalho teve.

Ela decidiu criar uma página no Facebook, Chão que eu Piso, e colocar as fotografias que fez de chãos por onde já passou. E não só isso: ela informa direitinho o endereço daquele piso e toda a história por trás dele.

Por exemplo, vejam só este:

Fotografia de Paola Carvalho

Todas as fotografias: Paola Carvalho

Ele está lá no Cine Theatro Brasil, em plena Praça Sete, centrão de Beagá. E Paola nos conta que foi inaugurado em 1932, no prédio projetado pelo arquiteto Alberto Murgel, o primeiro na cidade “com influência do estilo Art-Déco, inspirado na arquitetura francesa, com volumes geométricos definidos”.

E ela segue explicando várias coisas sobre outros pisos, como estes:

piso1 piso2 piso3 piso5Achei a ideia genial.

Se você também achou, visite lá a página dela, dê uma “curtida” (pra poder acompanhar as atualizações) e aprenda um pouquinho mais sobre onde você anda pisando 😉

Os caixotes sombrios da cidade

Esse outro caixote ficou pronto em 2007.

Outro dia li um editorial da Folha que criticava os shoppings e empreendimentos mais parecidos com “bunkers”, fechados para a rua. São agressivos e tornam cidades como São Paulo pouco convidativas para os passeios a pé.

Acho que Belo Horizonte, ao menos em suas regiões centro e sul, ainda é muito convidativa para o deleite dos pedestres, para as longas caminhadas. Afinal, é uma cidade arborizada (muito mais que São Paulo), com mais canteiros centrais ajardinados, com mais sombras, com muitos bares (cheios de vida), com muitas casinhas remanescentes até em bairros antigos. E muita gente ainda caminhando nas ruas.

Mas, infelizmente, Beagá também caminha para se tornar uma São Paulo. Basta ver os últimos shoppings construídos. O fim das galerias. A descaracterização da Praça da Savassi. Até o alardeado fim do tradicionalíssimo Bolão!

Pra mim, um exemplo claro de que Beagá está se fechando e se tornando uma concretude amarga e nada convidativa são os novos prédios do Minas Tênis Clube. Após mais de quatro anos de obras, a reforma e ampliação do prédio onde antes havia um restaurante e sala de jogos e outras partes do clube está para terminar (a previsão, que ainda está no site, era de terminar até 2011, mas deve, mais uma vez, atrasar, para meados do ano que vem).

[Atenção, colegas mineiros: isso é pauta de cidades!!]

Hoje estávamos observando o novo prédio, que já perdeu até os andaimes. Eu posso não entender muito de arquitetura e urbanismo, mas sou capaz de apostar uma bolada como 9 em cada 10 arquitetos sérios condenariam aquela estrutura. É um caixote! Com grades! Parece uma prisão com, no centro, uma redoma que lembra alto-fornos de indústrias siderúrgicas! Uma monstruosidade fechada em mil paredes, sem janelas, sem aproveitamento da luz solar, sem vidros, sem nenhum verde. E bem ao redor da nova piscina, o que deve, para piorar, prejudicar a entrada de sol para quem vai ao clube, ora vejam, tomar sol!

Com a palavra, Serapião e outros bons arquitetos mineiros.