Mais um ano de vida. E a mesma alma de anos atrás

À esquerda, eu aos 26 anos, em 2011. À direita, eu deitada na rede, olhando a paisagem, neste ano de 2019. Diferente, mas igual.

Sempre que chega meu aniversário, gosto de fazer um balanço da vida. Ver os rumos que estou tomando, as curvas ou atalhos que peguei no caminho, os destinos aos quais pretendo chegar algum dia. Desde que este blog foi criado, já fiz sete balanços do tipo (só pulei o de 2016, no auge da licença-maternidade, quando o blog teve que ficar meio abandonado).

Hoje chego aos 34 anos com um certo desânimo, mais ou menos inédito na minha vida. Provavelmente agravado pelo momento político absurdo, surreal, que estamos vivendo, com verdadeiros patetas nas três esferas do poder, fazendo pataquadas diárias, ou várias por dia – e depois tendo que recuar, numa rotina que deprime até os mais otimistas.

Depois de muitos percalços na minha vida, estou com o campo profissional e pessoal finalmente serenos. Ufa. Mas não dá pra dizer que eu esteja “de bem com a vida”. Como em outras ocasiões, resolvi fazer o que faço melhor: arregacei as mangas e tomei providências. Decidi cuidar mais de mim. No início do mês, fiz um check-up na saúde (está tudo bem), me inscrevi em uma atividade física, voltei a fazer reeducação alimentar. Comecei a cortar a internet no momentos de lazer, a trabalhar menos fora do expediente de trabalho. Agora estou batalhando para trabalhar minha cuca, para que se estresse menos, se deprima menos, se abale menos. Quero ser mais zen. Tão pilhada como sou? É tudo um caminho a se perseguir, enfim.

Falei, falei e não falei nada. É que o balanço deste ano está bem menos inspirado que nos outros sete anos. No ano passado, refleti sobre as tantas mudanças pelas quais passei na última década e sobre como é bom mudar para que, no processo, possamos jogar fora os caquinhos guardados inutilmente.

Em 2017, contei a história de uma velhinha que muito me inspirou, e sobre como eu queria poder ser eternamente jovem, como ela, esteja eu em qual idade estiver.

Em 2015, refleti sobre o suposto “divisor de águas” que é chegar aos 30 anos de idade: “Não sou a correspondente internacional, autora de best-sellers, viajante do mundo inteiro, como eu previa que ia ser, quando eu tinha apenas uns 15 anos. Mas aprendi a ser feliz com menos, a curtir minha própria companhia, a gostar de ficar em casa numa sexta à noite, só conversando com meu amor, a gostar de passar uma tarde de domingo com a família, em vez de num churrascão. São coisas prosaicas que, chegados os 30 anos, me parecem o maior dos luxos. E outros sonhos vão surgindo no lugar dos antigos.”

Em 2014, meu texto foi cheio de gratidão pelo caminho percorrido até os 29 anos e, principalmente, pelas pessoas (ou “poeiras cósmicas”) que cruzaram minha jornada.

Em 2013, eu parecia estar explodindo de felicidade. Certa de que todas as mudanças que tinha enfrentado antes tinham culminado no melhor dos mundos.

Em 2012, escrevi, após um período de grande melancolia que eu vivia naquele começo de ano: “A tristeza é útil, para nos fazer reconhecer a alegria. Assim como a morte existe para destacar e distinguir a vida.”

E em 2011, fiz um poema que tentava traduzir minha vida até aquele momento, aos 26 anos. Engraçado que, de todos esses balanços, é esse mais antigo, de quase uma década atrás, o que mais me trouxe identificação neste 2019. É por isso que decidi, nesta noite pouco inspirada, reproduzir o poema daquele ano aqui. Só tomando a liberdade de atualizar a conta de dias, horas e minutos vividos e de destacar meus trechos favoritos:

“Ri, sorri
(fotogenicamente)
Chorei
(de acordar com duas bolas nos olhos)
Quis morrer
(e fiz poema, instead)
Quis chegar aos cem
(como a Maude e a Luísa)
Fiz o bem
(ou o tentei, sempre)
Perdi amigos
(que viraram em outras curvas)
Dispensei outros
(que mostraram não valer o título)
Conquistei pessoas
(mas me conquistaram em cheio)
Amei
(sofri)
Trabalhei e venho trabalhando
(aventuras ou percalços)
Envelheci:

Já tenho cabelos brancos,
barriga de chopp,
linhas de rugas na testa,
olheiras,
mas ainda assim me dão a idade certa
(e há os que suspeitam que minha idade mental seja de criança).

A impressão que tenho é que nunca vou viver o bastante
para o tanto que quero fazer e tentar
(e, ao mesmo tempo, me canso de tanta vida.)

À beira dos 12.410 dias
Mais de 290 mil horas
E de 17 milhões de minutos
Que interferem, como estrelas,
em outras constelações paralelas.
De forma luminosa, pois sim,
mas absolutamente insignificante no todo.

A vida é isso:
um amontoado de insignificâncias,
de encontros e desencontros,
de apontamentos e desapontamentos,
de convivências certas e erradas,
de fugas e momentos de audácia,
de liberdade sempre contida
e felicidade sempre instável.

Seguirei sendo esse ser fundamentalmente bipolar
um poço de defeitos feios
mas de intenções sinceramente boas
(como as que povoam o inferno.)

Que o deus do bom humor me guie,
porque é só dele que precisamos
para que a dura vida dure sendo leve.”

É engraçado pensar que minha vida, hoje, nada tem a ver com aquela da Cris de 2011, de 26 anos, morando sozinha em São Paulo, vivendo exclusivamente para trabalhar, sem marido, sem filho, “foca” na profissão. E que, ao mesmo tempo, tenhamos tanto ainda em comum. Ou seja: a gente cresce, amadurece, vira uma profissional experiente, se casa, publica livros, vira mãe, muda de cidade, muda mil vezes de lar, muda mil vezes de emprego, leva calotes, contrai dívidas, engorda, emagrece, engorda de novo, muda de hábitos, volta a hábitos antigos, lê dezenas de livros, assiste a centenas de filmes. Mas, ainda assim, nossa alma dá um jeito de continuar a mesma.

Torço para que minha alma ainda conserve a alegria e entusiasmo da Cris menina, hoje e para sempre! Como dizia meu pai, “Peter Pana”. Lutando bravamente para transformar este mundo insano numa Terra do Nunca decente.

Leia também:

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30 memórias com minha mãe (e um exercício para você fazer)

Quadro de Van Gogh.

Quadro de Van Gogh.

Dia desses minha mãe leu o livro “Quase Memória“, de Carlos Heitor Cony, que li há mais de 10 anos e do qual pouca coisa me lembro. Depois de terminar a leitura, ela escreveu para mim e meus irmãos: “Gostaria que vocês tivessem boas memórias de mim, como as que o Cony guarda do pai dele.”

Pouco depois, assisti àquele filme “Juventude”, de que falei aqui no blog. E aquela frase do protagonista do filme, também sobre a memória, me marcou tanto.

Neste domingo, 8 de maio, comemoro meu primeiro Dia das Mães de verdade (no ano passado até comemorei, já barrigudinha, mas ainda não tinha a menor ideia do que era ser mãe. Então foi uma comemoração café-com-leite). Ou seja, é o primeiro em que sou tanto filha quanto mãe. E me peguei pensando na frase do filme e na frase que minha mãe nos escreveu…

Resolvi, então, fazer um pequeno exercício de memória (com minha desmemória). Tentar lembrar de algum momento vivido com minha mãe a cada ano da minha vida. Um momento qualquer, não precisa ser nada espalhafatoso: um pequeno instante de amor ou de graça, que geralmente é contido nos gestos mais singelos mesmo. Para minha mãe perceber que, sim, ela também nos imprime diversas lembranças, assim como o pai do Cony deixou para ele. E para eu perceber que, apesar de ser verdade o que o filme me mostrou com tanto assombro — que nos esquecemos até dos momentos mais especiais e deliberados –, ainda há muitos tesouros guardados dentro da gente, daqueles que não me arrancam nem com lobotomia.

Aí vai, querida mamãe. Um presente de Dia das Mães. Pequenas memórias que guardo como tesouros (com datas aproximadas, porque meu cérebro não é muito informatizado, não). Você se lembra delas também? 😉 Continuar lendo

25 ideias de presentes CRIATIVOS

Toda vez que datas comemorativas comerciais se aproximam, como o Dia dos Namorados, o Dia das Mães e o Dia das Mulheres, começam a surgir aquelas matérias clássicas nos portais de todo o Brasil: “X sugestões de presentes para sua namorada”. Mas já repararam como os presentes sugeridos são sempre os mesmos? Flores, chocolates, maquiagem, roupa… Se for homem, falam em relógios, meias, gravatas, canetas.

Quanta falta de criatividade!

Foi por isso que resolvi fazer um esforcinho e pensar em sugestões de presentes mais criativos, inusitados ou úteis, para homens e mulheres, com todas as faixas de preços. Não vou colocar aqui lojas ou marcas que vendam esses presentes, porque a ideia deste post é ser um brainstorm para todo mundo que estiver sem ideias de presentes para comprar — inclusive nos aniversários ao longo do ano. Mas ponho os links de buscadores, que levarão a várias opções de lojas, preços e marcas.

Vamos às minhas ideias:

FAIXA DE ATÉ R$ 20

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  1. Meia de dedinhos – é um presente divertido, ainda mais para essa época de inverno. Encontrei meias dessas a partir de R$ 6 na internet, mas o melhor é dar pelo menos uns três pares de cores diferentes, né?
  2. Luz para leitura – essa lanterninha portátil é super útil, principalmente para quem gosta de ler na cama, antes de dormir, ou gosta de ler em ônibus e aviões sem incomodar ninguém. A luz fica bastante direcionada para a página e não atrapalha nem quem dorme ao lado, na mesma cama. É possível encontrar a partir de R$ 11 na internet.

R$ 21 A R$ 50

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  1. Porta-garrafas do time do coração – dá para encontrar a partir de R$ 23 na internet, como AQUI e AQUI. Tem também umas em formatos diferentes, mais criativos.
  2. Livro de colorir para adultos – a modinha chegou com força e já encontrei seis opções diferentes em uma livraria de BH. É divertido mesmo e pode ser achado por cerca de R$ 25, fora os lápis de colorir.
  3. Livros de receitas – também encontrados por todos os preços, mas a faixa principal é esta. Dá para ser ainda mais criativo e comprar um livro que tenha mais a ver com o presenteado: só com receitas de chocolate ou só com receitas veganas ou só receitas light, por exemplo. Só saladas, só churrascos, só drinks… Tem de tudo!
  4. Livro com exercícios – este também é um presente original, porque você pode dar a alguém um livro com exercícios totalmente diferentes, de que a pessoa nunca ouviu falar, como o Qi Gong. Poderá incentivá-la a conhecer algo novo, que pode fazer um bem danado à saúde e à cabeça.
  5. Quadro para avisos – é um presente muito legal! Serve para deixar lembretes num lugar de fácil acesso ou para deixar recadinhos carinhosos para outros membros da família. Tem de todos os preços; minha sugestão é comprar os voltados para crianças, que costumam ter a mesma função e ser bem mais baratos.
  6. Namoradeira – vai para algum interior de Minas? Ou alguma cidade histórica qualquer do Brasil? Compre uma namoradeira! É um presente muito bonito, típico do nosso artesanato, e ótimo enfeite para casa. Dá para achar com todas as faixas de preço, mas AQUI eu vi a partir de R$ 25.
  7. Pout-pourri de flores secas – são muito legais para aromatizar a casa, e podem ser colocadas, por exemplo, em vasinhos no banheiro, ou na sala. Não achei fácil de encontrar na internet, mas vi AQUI, a R$ 29,90. Alguns sites ensinam a fazer, como ESTE e ESTE.
  8. Quadro dos Beatles (ou de outra banda favorita) – fáceis de encontrar por cerca de R$ 29 na internet.
  9. Quadros personalizados – ou que tal montar você mesmo um quadro com várias fotos de bandas, escritores e atores favoritos do seu presenteado e pedir para as lojas de revelação de fotos imprimirem já no formato de quadro? Fiz um para mim e, na época, custou R$ 30 a impressão. Outra opção é transformar as imagens em ímãs de geladeira ou porta-corpos em sites como ESTE.
  10. Fichinhas para poker – é um presente divertido, que incentiva a pessoa a convidar os amigos ou reunir a família para uma partida de baralho. Pode ser encontrado a partir de uns R$ 35.
  11. Jogo de dardos com alvo – tem de todos os preços, mas dá pra achar na faixa de R$ 35. É divertido para pendurar na parede de casa e brincar, sozinho ou em dupla, inclusive com crianças.
  12. Caixa de ferramentas – é um presente muito útil, tanto para homens como para mulheres. Pode ser encontrado a partir de R$ 35 na internet, com as principais peças.
  13. Cofre camuflado como livro – além de ser um presente divertido, é um lugar legal para se guardar alguns pequenos bens valiosos sem chamar muito a atenção. Dá pra encontrar a partir de R$ 37 na internet.
  14. Porta-calcinhas – um desses organizadores muito úteis, especialmente para quem viaja muito. Ele tem uma divisória para pôr as calcinhas limpas e outra para as usadas. Algumas lojas que vendem pela internet: 1, 2 e 3.
  15. Pantufas divertidas – dá para encontrar a partir de R$ 35, com todos os formatos, desenhos, estampas, tecidos e gostos. Ideal para o inverno.
  16. Caixas de memórias – caixas decorativas, geralmente de aço ou madeira, para guardar cartões, fotos ou outras coisas que nos faça lembrar do passado. Você pode dar até a caixa já com alguns itens dentro, que lembrem a história que você tem com o presenteado da vez 😉 Encontrada em todas as papelarias, livrarias e afins, em preços diversos.

R$ 51 A R$ 75

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  1. Arquivo para guardar documentos – é muito útil para todo mundo ter um lugar organizado de colocar recibos de contas, notas fiscais, diplomas, certificados, certidões e outros documentos importantes sem ocupar muito espaço. Dá pra achar a partir de R$ 37, mas a maioria está na faixa dos R$ 60.
  2. Licor – é uma bebida legal para dar de presente, por causa de sua durabilidade. Se você der uma cerveja artesanal gostosa, vai ser ótimo, mas a pessoa vai acabar com o presente em uma sentada. O mesmo com um vinho. Mas o licor é para tomar aos pouquinhos, em copinhos — depois do almoço, por exemplo. Então é um presente que vai estar sempre lá, sendo consumido e lembrado. Dá pra comprar uns artesanais gostosos a partir de R$ 20, mas a faixa de preço no supermercado ou na internet está em uns R$ 50.
  3. Licoreira – a licoreira é um incentivo para o presenteado querer fazer seu próprio licor! Se for para comprar uma bem boa, de cristal e tal, fica na faixa dos R$ 70. Mas é possível achar umas de vidro comum bem bonitas e muuuito mais baratas, em qualquer lojinha de bairro. Para tornar o presente mais caprichado e pessoal, que tal fazer um caderninho com receitas de licor, escritas a mão, e entregar junto? Ontem divulguei quatro dessas receitas, veja AQUI.
  4. Caixinha de música a manivela – é um presente singelo, mas que costuma custar muito caro no Brasil, na faixa de R$ 70, como AQUI. Dizem que em Paris isso custa 5 euros… :/
  5. Jogo de tabuleiro – Imagem&Ação, Jogo da Vida, Banco Imobiliário, Detetive, Scotland Yard, Cara a Cara… São tantos jogos legais, para 2, 4, 6 pessoas…! Acho um presente e tanto e dá pra encontrar a partir de uns R$ 50, dependendo do jogo.

MAIS DE R$ 75

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  1. Balança – é um presente útil para todos, nessa era da saúde que estamos vivendo. Algumas balanças indicam, além do peso, coisas como o nível de gordura e de líquido do corpo, a massa muscular e óssea e o IMC. Outras permitem você gravar o peso na memória, para ir acompanhando a evolução ao longo de um tempo. Essas são mais caras, com preços muito variados, embora haja balanças simples por bem menos.
  2. Pufe – é o presente mais gostoso do mundo! Pro presenteado se esbaldar depois de um dia cansativo. É melhor comprar desses grandões em feiras de artesanato, que costumam vender a um preço melhor do que pela internet.

Leia também:

  1. 15 dicas para criar seu próprio blog
  2. 10 dicas para ter uma hortinha em casa ou no apê
  3. Dicas para montar um portfólio online
  4. Dicas para perder peso sem perder a cabeça
  5. Dicas de livros
  6. Dicas de filmes
  7. Dicas de viagens

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O caráter, o juízo, o legado

Para ver no cinema: O JUIZ (The Judge)
Nota 8

thejudge

Comecei a assistir ao filme sem saber nem do que se tratava, como gosto de fazer quase sempre. Faltavam dez minutos para começar, eu já estava ali mesmo, e era meu dia de folga. Só sabia do nome: “O Juiz”. Seria uma espécie de Law & Order? Filme de tribunal, com enredo à moda John Grisham? No começo, foi o que pareceu. Aos poucos, no entanto, fui descobrindo que trata-se mais de um filme de aceitação do passado, de retorno à família, de lembrança das origens. E de pais e filhos, ressentimentos, rancores, perdão, essa coisa toda. Como em “Nebraska“, sabem?

Não pensem que, ao enquadrá-lo em um modelo pré-formatado, estou querendo desmerecer “O Juiz”. De jeito nenhum. Uma vez enquadrado, o filme pode nos surpreender ou não. E “O Juiz” me surpreendeu em vários momentos.

Primeiro, que logo teremos um crime. E o julgamento desse crime vai tomar o filme todo. Mas, paralelamente a esse julgamento da Lei, haverá o julgamento do pai com o filho, e vice-versa. O julgamento dos homens, das famílias, das lembranças. E esses julgamentos paralelos vão te fazer chorar, se você estiver com o mesmo espírito sensível que eu. Chorei, chorei, chorei, como há tempos não me acontecia vendo um filme. Apesar desse drama todo, também dei boas risadas. Há momentos de dureza e há os de candura, como na vida de todos nós.

Eu e minha mania de querer escrever resenha de filmes contando o mínimo possível! Assim não dá. Mas é que sempre prefiro me surpreender com os filmes, e desejo a mesma preferência a quem chega aqui no blog. O que posso dizer mais? O juiz da história é interpretado por um monstro do cinema, ninguém menos que Robert Duvall, com quase 150 filmes nas costas. Seu filho, que será também seu advogado, é outro cara de que gosto muito, Robert Downey Jr, famoso por fazer papéis de super-heróis e Sherlocks, mas também por atuações tocantes como em O Solista. E os dois conseguiram arrancar de mim muitas reflexões.

Por exemplo:

Será que ninguém é passível de cometer o crime que o juiz cometeu, pelo motivo que ele cometeu? O que define o caráter de uma pessoa? O que é justiça, o que é justo? Será que podemos julgar os outros ao nosso redor, especialmente os que mais amamos, quando não agem conosco da forma como queríamos? E estamos prontos para aceitar o julgamento que fazem de nós?

Muitas vezes não adianta muito ter o melhor emprego, uma Ferrari na garagem, uma mulher com “bumbum de atleta do colegial”, uma filha maravilhosa e um salário com muitos dígitos, se não temos o bom juízo daqueles que consideramos “o” juiz. Ou se não deixamos um legado quando morremos.

Veja o trailer:

Leia também:

Mais posts sobre filmes

As 34 coisas que já fiz e as 17 que ainda não fiz

Vi ontem uma espécie de baralho, com 51 cartas, com coisas que deveríamos, segundo as cartas, fazer pelo menos uma vez na vida.

Sabe aqueles livros “1.001 lugares para conhecer antes de morrer”, etc? Pois é, mas numa versão mais enxuta de cartas de baralho.

O que achei legal nem foram as sugestões (algumas ridículas), mas a possibilidade de lembrar de pequenas aventuras que já fiz na vida. Dividi as cartas em dois grupos: um, mais gordinho, com 34 cartas, fala de coisas que eu já fiz, pelo menos uma vez na vida — e não necessariamente foram voluntárias ou satisfatórias. O outro, com as 17 restantes, fala de outras que ainda não pude fazer — e não necessariamente mais difíceis ou desejadas.

Vista no topo do Pico do Pião, em Ibitipoca.

Vista no topo do Pico do Pião, em Ibitipoca. Foto: CMC

Vejam abaixo todas as memórias que foram surgindo do que já fiz:

  1. Ir ao circo (demorei anos para ir, e sempre lamentava por nunca ter sido levada a um circo quando ainda era criança. Mas fui uma vez, com minha irmã, naquele do ator Global que esqueço agora como chama).
  2. Fazer um seguro (fiz aqueles coletivos da empresa. Também já arrisquei fazer uma previdência privada, na época que valia a pena, mas, depois de uns cinco anos investindo um pouquinho do meu salário todo mês, conferi o saldo e vi que tinha menos da metade do que eu tinha aplicado naquele período. Se eu tivesse guardado o dinheiro no colchão e tacado fogo, era capaz de ter sobrado mais. Então fechei o plano).
  3. Fazer uma galinhada e convidar os amigos (já fiz muitas fornadas de pães de queijo para convidar os amigos para casa. Agora estou na fase de fazer uma frangoada e convidar a família).
  4. Fazer uma carta de amor (xi, já fiz várias. Cartaz, emails, poemas e torpedos. Já recebi várias também. E, claro, já levei muitos foras também ;)).
  5. Dormir sob estrelas (na verdade, acho que nunca dormi. Mas deitar sob um céu estrelado e ficar, bem acordada, observando, é bom demais!).
  6. Visitar uma de sete maravilhas listadas (no caso, apenas o Rio de Janeiro, dentre as sugestões que dão, que incluem o vulcão Paricutín, no México, e a barreira de corais na Austrália).
  7. Pegar uma fotografia autografada do ídolo (esta eu adapto para os livros e CDs autografados, que são muito mais legais).
  8. Ver alguma coisa crescer e se desenvolver (além de sobrinhas e priminhas, eu tenho minha horta, que ainda será tema de post aqui no blog. O manjericão cresceu rapidinho e já foi parar na salada de tomates).
  9. Falar em público (já tive que dar algumas palestras. Sempre começo tímida, mas termino feliz. Deve ser por isso que quero tanto dar aulas :)).
  10. Se apaixonar (claro que já, né! Que nunca? Eu, no mínimo umas 30 vezes. E hoje vivo dia e noite apaixonada pelo meu amor).
  11. Comprar um bilhete de loteria (várias vezes, quando passo na frente de uma lotérica e não tem ninguém na fila).
  12. Aumentar a família (eles sugerem um cachorrinho, e eu já tive a Kikinha ;)).
  13. Vestir para arrasar (falam de colocar uma roupa toda diferente do normal, para ocasiões aleatórias. E eu faço isso direto rs).
  14. Um dia todo na cama (também já passei algumas vezes, embora geralmente estivesse doente ou deprê. Quando estou realmente bem, prefiro fazer mil coisas, mesmo que naquele dia de chuva preguicento).
  15. Enviar flores (na verdade, prefiro comprar vasinhos e entregar eu mesma. Minha mãe sempre foi minha vítima favorita ;)).
  16. Relaxar e curtir a vida (ôxe, sempre que posso! Vale até aproveitar o sol que entra na fresta da janela, estender uma canga no chão do quarto, pôr um biquíni e aproveitar umas boas horinhas…).
  17. Comprar poltronas na primeira fila (para algum show ou espetáculo que queremos muito ver. Já fiz isso muito).
  18. Escalar uma montanha (já subi alguns morros, como aquele pico maravilhoso em Ibitipoca. Nenhum Everest da vida).
  19. Fazer um pedido, jogando moeda na fonte (já contribuí muito para o enriquecimento dos poços de cidades pequenas).
  20. Passar uma noite inteira acordada, até o sol nascer (já fiz isso mil vezes, mas geralmente era por força de uma insônia terrível).
  21. Passear de moto (só uma vez, e quando eu era bem pequena, na garupa e uma amiga da minha mãe).
  22. Escrever um livro infantil (já escrevi vários, quando eu mesma era criança. Tinha capa ilustrada por mim, grampinhos fazendo o formato de livro, “diagramação” e tudo o mais).
  23. Visitar o cerrado (Serra do Cipó, meu amor!).
  24. Dançar e cantar na chuva (eu fazia isso com mais frequência quando era mais nova, mas ainda arrisco de vez em quando).
  25. Nadar no mar (sim, e bem depois das bandeirinhas vermelhas!).
  26. Perdoar seus pais (falam pra montar uma lista e ir “perdoando”, item a item. Já fiz isso um monte de vezes, mas também tem as listas com meus próprios problemas a serem perdoados ;)).
  27. Empinar uma pipa (quando eu era criança, e nunca mais =/).
  28. Jogar futebol (na escola eu jogava nas aulas de educação física. Na faculdade, até arriscamos montar um time feminino da sala).
  29. Fazer uma viagem espontânea (sim, mas só pra lugares próximos, como a Serra do Cipó).
  30. Uma semana sem ligar praquela dorzinha (tive que ficar vários meses ignorando o dorzão que sentia no ombro direito, enquanto o técnico falava que atleta tem que “ignorar a dor, porque é normal”. Então sim).
  31. Participar de uma boa causa (algumas).
  32. Fazer uma massagem (menos do que eu gostaria, mas já fiz algumas vezes).
  33. Ler um livro em uma só noite (já fiz algumas vezes, durante as insônias. Dois que lembro de cabeça que comecei a terminei numa mesma noite: “Notas do Subterrâneo”, de Dostoievski, e “A Soleira e o Século”, de Iacyr Anderson Freitas. Pela manhã, até descobri o email do poeta e enviei a ele, dizendo o quanto havia gostado do livro!).
  34. Fazer sua própria lista (sou a pessoa que mais faz listas do universo. Um dos meus prazeres é ir riscando item por item, quando já cumprido. E ver aquele papel todo percorrido, ao final de uma jornada. Bom demais! Aqui no blog, já fiz pelo menos duas: AQUI e AQUI).
Nunca pesquei...

Nunca pesquei…

E o que ainda não consegui ou não quis fazer:

  1. Nadar nua.
  2. Inventar algo incrível.
  3. Convidar um completo estranho pra sair.
  4. Fazer um voo de balão, um safári, e outras coisas do gênero (mas como quero!).
  5. Ganhar um Oscar (ou fazer o discurso que eu falaria se ganhasse).
  6. Provar o gosto da neve (ainda não tive a oportunidade de conhecer a dita-cuja).
  7. Fazer uma mudança radical no visual (no máximo, já cortei meu cabelo da cintura até perto da orelha, umas três vezes. Também já tive que fazer um permanente pra enrolar meu cabelo, quando criança. Mas nem pintar o cabelo eu nunca pintei; nada é “radical”, eu acho).
  8. Fazer uma tatuagem.
  9. Ler só a primeira e última página de um livro (achei uma bobagem sem tamanho. Pra quê? Por que não ler o livro todo?!).
  10. Ordenhar uma vaca.
  11. Alimentar um cavalo.
  12. Gastar um monte de dinheiro e, tipo, comprar um zoológico ou uma ilha (hahahah, essa foi boa!).
  13. Escrever o grande romance brasileiro (quem sabe um dia eu consiga? É meu maior sonho).
  14. Aprender mandarim.
  15. Trocar uma fralda.
  16. Pescar (o fato de eu não gostar de comer peixe tira um pouco a graça).
  17. Fazer a barba à moda antiga (bem, esta não vai dar :D).

E vocês? O que já fizeram? Como foi a experiência? O que ainda sonham em fazer? 😀