O afastamento de Dilma em capas de jornal: qual cobertura foi a mais correta?

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Dois temas são muito caros a este blog: política e jornalismo. E, me desculpem os leitores que preferem os posts sobre cinema e música, mas, neste momento em que estamos vivendo, acaba sendo difícil abordar qualquer outro assunto mais ameno.

A forma como a chamada “grande mídia” tem feito suas coberturas da atual crise política vem sendo muito criticada pelos leitores, que hoje têm acesso a muito mais informações, via internet, do que há, digamos, 24 anos atrás, quando ocorreu o último processo de impeachment no Brasil. Os leitores mais bem informados olham tudo com lupa e não perdoam nenhum deslize, mesmo não intencional. Tampouco têm perdoado vieses e tomada de partido de uma imprensa que, ao contrário do que já acontece em outros países, não se assume parcial. É vendida sempre como imparcial, isenta, equilibrada — mesmo que a balança penda, claramente, para um dos lados do jogo político.

Como alguém que está dos dois lados da bancada — jornalista e leitora crítica, ao mesmo tempo –, tenho grande interesse pelas coberturas, especialmente em dias historicamente importantes, como foi a última quinta-feira, 12 de maio. Gosto de ver as primeiras páginas dos jornais e compará-las: qual exagerou na dose? Qual foi mais inteligente? Qual descambou pro mau gosto? Qual virou um panfletão descarado e nada jornalístico?

Com a ajuda do excelente site Newseum, selecionei 20 primeiras páginas dos principais jornais de 11 Estados do Brasil, mais Distrito Federal, das edições de quinta-feira (12). Montei a galeria abaixo e agora pergunto a você, caro leitor crítico:

qual destes jornais foi, em sua opinião, o mais correto em sua primeira página — e por quê?

Veja a galeria em tamanho maior clicando sobre qualquer foto (as capas aparecem em modo aleatório): Continuar lendo

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Mais um passaralho

Lá vem mais um passaralho

Movimentando a Redação

Boatos, cochicho, azia,

Cada dia mais tensão.

 

O próximo será quem?

Nunca se sabe ao certo.

O critério é manter refém

Aquele que é mais esperto.

 

E vai o salário alto,

E o último prêmio Esso

O que derrubou ministro

O inconformado confesso.

 

Um aproveita a deixa

E já pede pra sair

O outro relembra as queixas

Do sangue jorrado ali.

 

Os que ficam fazem o triplo

Trabalho vira uma cruz

Transformam-se logo em suco

— o último apaga a luz.

***

No meio do ano passado, acompanhei de perto a tensão que é um passaralho [demissão em massa]. Já tinha presenciado outros, mas nunca tão grandes como aquele. Foram mais de 30 pessoas dispensadas na “Folha”, algumas com décadas de casa. No mesmo período, houve cortes no Estadão, Band, iG e Diário do Grande ABC. Depois foram demitidos funcionários dos jornais “O Dia” e “Meia Hora” e foi fechado o esportivo “Marca Brasil“. Ao todo, segundo o site Comunique-se, mais de 1.200 jornalistas foram demitidos no ano passado.

Boatos diziam que novos passaralhos ocorreriam no final do ano. Demoraram um pouco mais, mas o processo voltou com força agora.

Após o fim do histórico “Jornal da Tarde“, com demissões de parte de seus jornalistas, foi anunciado um enxugamento nos cadernos do “Estadão” e a demissão de 50 jornalistas, posteriormente suspensas pelo TRT (alguém sabe em que pé isso está hoje?). Depois o “Valor Econômico” demitiu 50; a Record demitiu 400 (!!); “Trip” demitiu ao menos 14; “Folha de Pernambuco” demite nove. Vejam que irônico: a “Caros Amigos” demitiu 11 por terem exercito o constitucional direito de greve. E há um boato (ah, os boatos! Tornam o passaralho muito mais doloroso) de que a “Abril” demitirá 1.000 (!!!) até setembro.

Como que para fechar o ciclo, volta a “Folha” a demitir nesta semana, desde terça. Desta vez, fala-se em outros 40 jornalistas cortados. Gente da melhor qualidade, até a repórter vencedora do Esso que derrubou o ministro Palocci. A “Folha” se justificou dizendo que “o fraco desemprenho da economia e seu reflexo na publicidade dos jornais” tornou necessários os “ajustes”. E também enxugou, fundiu ou limou cadernos inteiros…

Há tempos a academia se debruça sobre as mudanças no jornalismo, ainda em curso. Como toda revolução em curso, só dá para entender plenamente o que ela significa depois de alguns anos de seu fim. No meio do redemoinho é difícil ter uma percepção clara das coisas. O que os jornais impressos vão virar, com a concorrência da internet em multiplataformas? E, se todos estiverem buscando informação na internet mas a publicidade não acompanha esse ritmo, quem vai sustentar as grandes apurações? Fazer reportagem é caro, e não é fácil. Será que veremos um declínio da qualidade do jornalismo, ou ele vai se reinventar, mais forte? O que me preocupa é que todo país de jornalismo fraco tem democracia também fraca, um fantasma que nunca abandona o Brasil.

Mas, bah, deixemos isso com os acadêmicos, que estão lá debruçados fazendo pesquisas a respeito. O que me preocupa, de imediato, é o que conheço bem: aquele clima de terror que ronda as demissões, as tristezas de quem deu a vida por uma empresa e virou suco e o acúmulo de tarefas que passam a ter aqueles que sobraram — a ponto de um jornalista ter cunhado o termo “Ficaralho“.

Pensando em tudo isso, ontem à noite, eu estava agitada demais para dormir. Para me livrar de uma daquelas bravas insônias, acendi a luz e vomitei esses garranchos que abrem o post. Depois apaguei, efetivamente, a luz, e dormi uma noite cheia de sonhos.

Idoso é o &%$#@&!

Até Seu Madruga seria chamado de "idoso" nos tempos chatíssimos de hoje.

Até Seu Madruga seria chamado de “idoso” nos tempos chatíssimos de hoje.

Jornalista, especialmente de impresso, tem um problema grave chamado limite de espaço. É por isso que uma das máximas da edição de jornais é “título bom é o que cabe”. Fez caber, já é um avanço.

“Idoso” é uma palavra ótima, porque é curta e dá a dimensão da idade da pessoa. Pelo Estatuto do Idoso, é aquele com mais de 6o anos. Outras leis definem benefícios a partir dos 65.

Acontece que, na realidade em que vivemos, um sujeito de 60, 70 e, muitas vezes, até 80 anos, está longe de ser um idoso. Tanto de se identificar como tal, quanto de ter visto assim pelo restante da sociedade.

E imagina como é ser identificado, reduzido até, a uma palavra com a qual você não se identifica? Dona Etelvina, aquela que morreu tentando salvar uma flor, foi reduzida a uma idosa. Nada mais. Havia outros adjetivos possíveis: aposentada, portuguesa, sexagenária (eca). Ou um substantivo simples: mulher. Próprio: Etelvina. Provisório e adequado no caso: vítima. Esses não ofendem, nem tampouco reduzem, justamente por serem simples, diretos, sem qualquer conotação negativa ou positiva.

Meus pais já têm mais de 60 anos (não posso dizer quantos, para não me xingarem aqui, rs) e ficaram indignados com o tratamento dado a Etelvina, a idosa. Comentário do meu pai: “São esses jovens, nas Redações, que ficam reduzindo as pessoas a uma palavra, sem saber o tanto de gente que estão desagradando” (algo assim. Minha memória é muito pior que a dos meus pais, então coloquei entre aspas mais por atrevimento que por certeza do que foi dito).

Os manuais de Redação já aboliram o “dona”, o “senhora”, o “esposa” e até palavras absolutamente corriqueiras como “viatura”. Está em boa hora de pararem de usar o “idoso”, que não demora a entrar no limbo linguístico dos anciãos.

Leia também:

De idosos, anciãos e velhos-jovens

Tem pauta quicando no/em Minas

No post de ontem puxei a orelha, entre colchetes, das editorias de cidades dos jornais de Minas, que ignoram em suas páginas o Minas Tênis Clube, complexo com quatro unidades em Belo Horizonte e 73 mil sócios.

Segundo dados do próprio site do clube, se fosse uma cidade mineira, as unidades que somam 470 mil metros quadrados ocupariam o 28º no ranking estadual em arrecadação e 43º em população. Nada mal, considerando que Minas é o Estado com mais municípios do Brasil (853).

Além disso, o clube ocupa o nobre quarteirão das ruas da Bahia e Espírito Santo, no bairro de Lourdes (um dos metros quadrados mais caros da cidade), na região centro-sul de Beagá. Seus 30 mil metros quadrados de área foram doados ao clube pelo Governo de Minas. A única exigência é que abrisse a prática de esporte amador para não-sócios com potencial esportivo, os chamados sócios-atletas (que perdiam o acesso, quando deixavam de ser atletas). No plano original da cidade, nesse terreno seria construído o Jardim Zoológico de BH.

O clube é da década de 1930. Trouxe a primeira piscina olímpica da cidade, tem equipes de esportes que movimentam muito dinheiro, como as de natação e vôlei, tem patrimônio arquitetônico tombado pelos órgãos de proteção mineiros (agora sofrendo drásticas mudanças após reforma que começou há mais de dez anos).

Enfim, pautas não devem faltar nesse clube, que é dominado pelo mesmo clã de diretores há décadas (desde que eu era criança, um Zech Coelho ocupava o maior cargo administrativo).

Desde a questão urbanística que levantei no post de ontem até questões raciais (muitas foram as histórias que ouvi, embora tenham se tornado menos frequentes com o passar dos anos. Uma de minhas amigas conta que, quando era criança, sua mãe comprou convite para que a filha da babá pudesse passar a tarde no clube com elas. A portaria barrou a entrada da menina, a menos que estivesse com uniforme branco das babás, aparentemente porque era negra… Aliás, conta-se nos dedos os negros frequentadores do clube).

E as alterações nos prédios tombados, estão em dia? E quanto custaram as reformas, que iriam demorar só sete anos e já se estendem por mais de dez? Por que o balanço social do clube não está disponível na internet? Quantas árvores foram derrubadas para a expansão dos prédios na unidade 1? Havia autorização para isso? Quantos sócios-atletas existem hoje no Minas? Poderia haver mais? Como são feitas as seleções? E sobre os transtornos causados por uma reforma que ainda está longe de acabar? Segundo o site, o prédio de que falei ontem deveria ter terminado neste 2011; ficou para meados do ano que vem. Além dele, há a fase 3, com duas etapas, que nem têm prazo para conclusão. Elas vão mexer na torre do relógio que, se não me engano, também é tombada.

As questões de costumes são as que mais me interessam. Há alguns meses, fiz matéria sobre os clubes paulistanos que exigem que as babás usem apenas branco, dos sapatos à blusa, e proíbem que usem o restaurante com as crianças que acompanham, por exemplo. A Comissão de Direitos Humanos da OAB considerou as regras um apartheid social, em pleno século 21. A matéria teve repercussão bem grande, inclusive entre os sócios dos clubes, mas não comoveu seus conselheiros, que não mudaram uma vírgula dos estatutos.

Pois bem, nos clubes mineiros a coisa não é diferente. Resolução RD0602, de 17/08/2009, do MTC, obriga o uso de um colete branco personalizado pelas babás e veda ao acompanhante a utilização dos equipamentos do clube (por equipamento pode-se entender lanchonetes? Restaurantes?).

E como é nos outros clubes da cidade? No Barroca? No PIC? No Campestre?

Faltam histórias desses redutos da elite belo-horizontina nos jornais mineiros. Quero saber se há casos de humilhação e agressão contra as babás dos filhos dos vizinhos. Se alguma teve que se levantar do banco para madame sentar. Quero saber se as reformas bancadas pelos sócios estão afetando as vidas dos não-sócios e a paisagem urbana de bairros tradicionais da cidade. Quero saber se o corte de árvores provocou uma ilha de calor a mais em Beagá.

Ou mesmo se surgiu outro esporte característico da cidade, como aconteceu com a peteca, anos atrás, que virou pauta do “Jornal do Brasil” embora hoje seja popular em todo canto.

Ficam as sugestões.

A estampa do jornal e minhas suspeitas de nada

Uma das coisas mais legais de acontecimentos com impacto mundial, como o 11 de setembro, a invasão do Iraque, o terremoto no Haiti e a (suposta) morte de Bin Laden, é poder comparar as primeiras páginas de todos os jornais do mundo e ver quem pisou na bola e quem acertou em cheio.

(Na maioria desses episódios, que geralmente envolvem grandes tragédias, dá pra dizer que é a única coisa legal também…)

E cá estamos de novo com uma dessas oportunidades que, a bem da verdade, se for mesmo verdadeira, nem chega a ser trágica, em se tratando de um (suposto) líder terrorista.

Acabei de postar alguns exemplos de primeiras páginas no blog Novo em Folha, vejam AQUI.

Outros podem ser vistos no sempre ótimo site Newseum, que, além de mostrar as capas de veículos de todo o mundo diariamente, armazena aquelas dos eventos marcantes como os que citei acima.

Alguns exemplos:

  

Eu ia colocar mais exemplos, mas o processo está muuuuito lento, vejam vocês mesmos lá no site, sim? 😉

Por fim, mas sem mudar totalmente de assunto: alguém se convenceu com a desculpa dos EUA para não mostrar o cadáver do defunto? Isso não é MUITO suspeito? Se era pra evitar visitas de fanáticos ao túmulo, mostrasse de forma segura para vários órgãos internacionais e, depois de se formar todas as provas possíveis, inclusive visuais, jogasse o corpo ao mar ou ao fogo, whatever. Mas, não. Foi tudo na butuca.

Aliás, não sou adepta de todo tipo de teoria da conspiração (tipo esses emails que recebemos sobre saidinha de banco, o novo golpe do cinema, o quanto a Fanta Uva faz mal e afins), mas o 11 de Setembro, as invasões ao Afeganistão e Iraque e as aparições de Bin Laden sempre me levantaram suspeitas de toda sorte, nunca plenamente satisfeitas pelos fatos oficiais.

Mas é o tipo de lebre que não adianta nem levantar, porque nunca se poderá provar. Então, vida que segue, com ou sem Osamas.