Enclausurados

Depois que até a Al Qaeda confirmou a morte de Osama Bin Laden (e disse que o sangue de seu líder não foi derramado em vão e que “ele permanecerá, com a permissão de Deus todo poderoso, uma maldição que persegue os americanos e seus agentes, e vai atrás deles dentro e fora seus países”), pensei em não mais retomar teorias conspiratórias sobre a ausência do corpo aqui no blog.

Mas a charge genial de Laerte, na Folha de hoje, me obriga a rever a decisão:

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A morte e a morte de Osama Bin Laden

texto de José de Souza Castro:

Perguntar não ofende: Osama Bin Laden morreu mesmo? Se morreu, cadê o corpo? Não é a primeira vez que os Estados Unidos matam o terrorista. Da primeira, ele morreu como rato dentro de cavernas bombardeadas no Afeganistão, alguém se lembra?

Qualquer detetive de porta de cadeia sabe que provar assassinato sem um corpo do morto é tarefa quase impossível. Juízes e júris querem saber do corpo, antes de condenar alguém.

Se Osama morreu – e nem foi assassinato, digamos – por que ocultar o corpo? O mundo não avançou muito desde que Tiradentes foi julgado, enforcado e esquartejado, para que pessoas de diferentes lugares vissem pedaços de seu corpo, numa época em que não havia jornais no Brasil e muito menos TV, para mostrar o corpo às massas. Para que, ao ver, acreditassem que ele estava morto e, com ele, queria a coroa portuguesa, os sonhos de liberdade.

O mundo não avançou muito desde que Lampião foi morto numa batalha – não sei se houve julgamento antes, alguém sabe? – e teve sua cabeça separada do corpo, para ser exposta às multidões. O governo queria que a luta desesperada dos cangaceiros tivesse um fim e nada melhor para isso do que expor a cabeça de Lampião e de Maria Bonita.

O mundo não avançou muito desde que o ideal de independência de seguidores de Osama é tratado pelas potências mundiais como mero terrorismo e se tenta silenciá-lo pelo poder das armas.

E o mundo não avançou muito, definitivamente, quando homens fortemente armados saem numa caçada para matar um homem, sem julgamento, e se oculta o corpo nas profundezas do mar.

Bem, vamos supor que Osama morreu mesmo. Mas terá morrido a causa pela qual ele lutava e que custou milhares de vidas, mundo afora? Quantas vidas mais serão necessárias, para que os poderosos do mundo comecem a pensar numa maneira de pôr fim às injustiças que fazem nascer os Tiradentes, os Lampiões e os Osamas?

A estampa do jornal e minhas suspeitas de nada

Uma das coisas mais legais de acontecimentos com impacto mundial, como o 11 de setembro, a invasão do Iraque, o terremoto no Haiti e a (suposta) morte de Bin Laden, é poder comparar as primeiras páginas de todos os jornais do mundo e ver quem pisou na bola e quem acertou em cheio.

(Na maioria desses episódios, que geralmente envolvem grandes tragédias, dá pra dizer que é a única coisa legal também…)

E cá estamos de novo com uma dessas oportunidades que, a bem da verdade, se for mesmo verdadeira, nem chega a ser trágica, em se tratando de um (suposto) líder terrorista.

Acabei de postar alguns exemplos de primeiras páginas no blog Novo em Folha, vejam AQUI.

Outros podem ser vistos no sempre ótimo site Newseum, que, além de mostrar as capas de veículos de todo o mundo diariamente, armazena aquelas dos eventos marcantes como os que citei acima.

Alguns exemplos:

  

Eu ia colocar mais exemplos, mas o processo está muuuuito lento, vejam vocês mesmos lá no site, sim? 😉

Por fim, mas sem mudar totalmente de assunto: alguém se convenceu com a desculpa dos EUA para não mostrar o cadáver do defunto? Isso não é MUITO suspeito? Se era pra evitar visitas de fanáticos ao túmulo, mostrasse de forma segura para vários órgãos internacionais e, depois de se formar todas as provas possíveis, inclusive visuais, jogasse o corpo ao mar ou ao fogo, whatever. Mas, não. Foi tudo na butuca.

Aliás, não sou adepta de todo tipo de teoria da conspiração (tipo esses emails que recebemos sobre saidinha de banco, o novo golpe do cinema, o quanto a Fanta Uva faz mal e afins), mas o 11 de Setembro, as invasões ao Afeganistão e Iraque e as aparições de Bin Laden sempre me levantaram suspeitas de toda sorte, nunca plenamente satisfeitas pelos fatos oficiais.

Mas é o tipo de lebre que não adianta nem levantar, porque nunca se poderá provar. Então, vida que segue, com ou sem Osamas.